Que saudade do Fogão do Peri!
por Leonardo Mendes Jr.22h44
Sempre tive o Botafogo como um dos falsos grandes do futebol brasileiro.
Logicamente, não me refiro à era dourada no clube carioca, entre os anos 40 e 60. Tempo de Carlito Rocha. Heleno de Freitas, Quarentinha, Garrincha, Didi, Nílton Santos, Gérson, Jairzinho e Biriba. Personagens de histórias fantásticas da Idade Média do futebol no país.
Mas sim ao Botafogo que me apresentaram durante minha infância, adolescência e início da idade adulta, entre as décadas de 80 e 90. Time que alternava campanhas medíocres, personificadas na figura bisonha do não menos lendário Perivaldo, com períodos de bonanza rara, financiados por dinheiro nada honesto. Notadamente, as conquistas sob o comando de Emil Pinheiro – o título nacional de 1995 é apenas a tal exceção que confirma a regra, embora eternamente manchado pela enorme ajuda de Márcio Rezende de Freitas.
Eu jamais havia visto o Botafogo conciliar um time decente – fato raro no baixo nível geral que domina os jogos no país – com uma administração correta e – por enquanto não há nada para duvidar disso – honesta. E confesso, não estou gostando nem um pouco. Em português bem claro: dá nojo.
Admito que algumas posições dos botafoguenses sempre me despertaram enorme antipatia. A mais clara delas está resumida na frase “Tem coisas que só acontecem com o Botafogo”.
O lema engraçadinho, pretensamente uma síntese da relação do clube com o inusitado e o sobrenatural, só faz é explicitar a arrogância dessa gente. Torcida enraizada entre a inteligentsia carioca, clã que ainda vê o Rio de Janeiro como centro e mosaico da produção cultural de qualidade no país. Assim como seus intelectuais de araque, o botafoguense se vê como um ser superior, escolhido pelos céus para torcer por aquele time.
Neste Brasileiro de rara – e, admito, merecida – boa fase alvinegra, seus dirigentes têm revelado toda essa arrogância e uma capacidade inacreditável de tomar posições totalmente opostas sobre o mesmo assunto, de acordo com o lado que o Botafogo ocupa na questão.
Quando Carlos Eugênio Simon não deu um pênalti escandaloso para o Atlético-MG contra o Botafogo pela Copa do Brasil, Carlos Augusto Montenegro mandou torcedores, jogadores e cartolagem do Galo irem chorar na cama, que é lugar quente.
Semanas depois, o mesmo Montenegro desfiou todo o repertório machista presente na língua portuguesa para desancar Ana Paula de Oliveira que, é verdade, meteu a mão no Botafogo contra o Figueirense.
Bastou Muricy Ramalho levantar a voz contra a escandalosa absolvição de Dodô por uma mesa botafoguense no STJD para Bebeto de Freitas ligar para um programa de tevê se queixar, ao vivo, da opinião do são-paulino. Só porque ele pedia que alguém fosse punido. Um raciocínio lógico: afinal, se o clube mandou fazer o remédio naquela farmácia e o jogador foi considerado inocente, logo, o culpado é o clube.
Nesta semana, mais choradeira e incoerência. Cuca silenciou sobre o pontapé de Luciano Almeida que quebrou a perna de Reasco; silenciou sobre os dois chutes de Túlio na cara de Leandro. Mas esperneou contra a falta duvidosa de Júnior em Juninho e, aí com total razão, contra o escandaloso impedimento não marcado no gol do Figueirense. Pediu para que deixem o Botafogo ganhar. Mas certamente não pediria para “deixarem o Botafogo perder” se o o beneficiado fosse o seu time.
Faces de um Botafogo que eu não tenho o mínimo prazer em conhecer. Pensando bem... Que saudade do Fogão do Peri!
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Comentários:
O cara fala apenas de fatos e joga na cara de alguns botafoguenses que que quando o erro é a favor do Glorioso não tem chororô.