Já passou da hora
por Equipe De Primeira20h26
Já passou da hora. Resultados miraculosamente surgiram e só provam uma coisa: elas têm talento de sobra e nunca foram devidamente reconhecidas. Agora, todos falam nelas, mas será que tudo não passará de mera promessa?
Há três anos, a Seleção Brasileira Feminina foi garfada pela arbitragem na final dos Jogos Olímpicos. O bom resultado fez com que fossem prometidos mundos e fundos para as meninas como uma Liga Profissional de Futebol Feminino e patrocínios, mas tudo ficou no papel e ficou do jeito que estava: algumas jogadoras indo para o exterior e a maioria dependendo de outros empregos, treinando ocasionalmente em clubes amadores ou apenas na Seleção.
Cobrei isso em minhas colunas por duas vezes no mínimo e nada mudou. Se tivéssemos a estrutura mínima para o profissionalismo do futebol feminino no país, não veríamos uma jogadora com a inteligência, velocidade de raciocínio, visão de jogo, técnica de uma Marta tendo que sofrer com o frio sueco para que possa jogar profissionalmente o futebol. Marta é um diamante raro e pode ser considerada como um dos poucos Craques com C maiúsculo dos últimos tempos tanto no masculino como no feminino.
Não se sabe qual o efeito que anúncio de ajudas de custo para as jogadoras de Seleção que foi feito nesta semana causará. Sinceramente, é um bom paliativo para a situação do esporte, mas está longe do ideal, que é ver clubes, empresas e federações investindo no esporte.
O que daria certo no futebol feminino é uma liga com clubes espalhados pelo país, utilizando os estádios principais e - ocasionalmente - fazendo partidas preliminares de jogos de diferentes divisões do Brasileirão e dos Estaduais. A Liga teria que ter jogos televisionados por uma emissora de alcance nacional para popularizar o campeonato assim como era o Paulista de Aspirantes até a década de 90. Talvez um exemplo de profissionalização que pode ser mirado é o do vôlei brasileiro, com a Super Liga que ajudou a tirar o esporte do amadorismo e - no início com bom intercâmbio de atletas estrangeiros - conseguiu um aumento no material humano disponível para as seleções no ponto de vista quantitativo e qualitativo. O vôlei é hoje o esporte em que o país mais se destaca, apesar de hoje não termos mais nossos principais atletas atuando no Brasil.
Isso já passou da hora de acontecer. O Brasil está indo longe demais na categoria para um país sem organização nenhuma. Imaginem se tivéssemos um décimo das 10 milhões de praticantes que os Estados Unidos têm. Pelo menos umas 100 jogadoras teriam condições de vestir a camisa amarela e mandar bem nas competições internacionais (melhor ainda do que estão mandando, que - por sinal - está de excelente tamanho), igual ao masculino. O brasileiro tem o futebol no DNA e a manifestação dele independe do cromossomo Y.
Postado por: Leonardo Bonassoli
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