A estrela está no banco
por Equipe De Primeira00h43
As atenções no Pan estão voltadas para a crise no voleibol envolvendo o levantador Ricardinho, "o bom moço", e o técnico Barnardinho, "o manda-chuva". Bernardinho é a versão de quadra de Emerson Leão ou Vanderlei Luxemburgo: grita, reclama, briga, manda, desmanda e aparece na mídia tanto quanto os jogadores... se não for mais.
O futebol paranaense já teve um técnico folclórico assim: Ivair Cenci (foto). Ele se destacou em 2001 quando conquistou o título (invicto) da série A1 do Paranaense pelo extinto Grêmio Maringá. Ver um jogo com Cenci à beira do gramado era um espetáculo. Em dias que seu time não jogava bem, eu achava até justo que o torcedor pagasse um ingresso adicional. Cenci pulava, jogava o boné no chão, dava bicudos nos copos com água colocados milimetricamente enfileirados paralelamente à linha lateral pelo massagista. A torcida maringaense dava risada, a adversária se enfurecia e pedia que o juiz expulsasse o animado Cenci.
Outra peculariedade do técnico é que ele faz o tipo "padrinho". Onde vai leva seu grupo de jogadores de confiança. E quem não aceita seu estilo "manda-chuva" não joga. Vi uma vez em um treino ele mandar o jogador sair porque o atleta ficou nervoso e deu um bicudo na bola. Cenci só disse: "Sai!". O jogador nem retrucou. Baixou a cabeça e saiu de fininho. O bom é que seus times jogam pra frente, não tem retranca. Infelizmente, nem sempre dá certo hoje.
De passado rebelde como jogador-problema ele se apegou à religião e agia como um pastor na preleção para seus jogadores no vestiário. Cenci caminhava pelo gramado antes do jogo começar como se estivesse conversando com Deus, pedindo proteção e ajuda no jogo.
• O treinador foi para Curitiba ainda em 2001 como auxiliar técnico no Paraná Clube. Não teve sorte e voltou para Maringá. Depois, virou cigano: passou pelo Londrina, Paranavaí, Vila Nova (GO), Rondonópolis (MT), Oeste (SP) e, as últimas referências que encontrei na internet são do Vilhena (RO).
Texto e foto: Andye Iore
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