Fev 08
Coisa de maluco
por Cahuê Miranda12h29

Arena Atletiba? Isso só pode ser coisa de maluco. Essa com certeza foi a primeira reação de atleticanos e coxas diante da proposta de Mário Celso Petraglia. O ex-presidente do Furacão quer juntar Atlético e Coritiba para realizar um mega-projeto, um grande centro de esportes e entretenimento na Baixada. Além de concluir a Arena de acordo com todas as exigências da Fifa, construir uma arena fechada, para shows, eventos e esportes de quadra.
O projeto é de cair o queixo. Algo completamente inédito no Brasil. Acima do padrão de qualquer empreendimento já realizado em Curitiba. Mas juntar Atlético e Coritiba? Abandonar o Alto da Glória para jogar na Baixada? Dividir o Caldeirão com os coxas? Pera lá... Isso só pode ser coisa de maluco. Somos rivais, nos detestamos, não podemos nem pensar numa coisa dessas...
Não podemos? Que tal, pelo menos uma vez, tentar? Será que é tão difícil assim? Não se trata de deixar a paixão de lado. Pelo contrário. Que tal, em nome de nossa paixão, abrir mão dos rancores, das mágoas, do revanchismo e da rivalidade por alguns instantes? Pois essa idéia maluca pode levar nosso clube a um patamar inédito. Pode colocá-lo definitivamente entre os grandes do futebol brasileiro.
Esse é o potencial de mais uma idéia do Petraglia, um maluco beleza totalmente fora dos padrões. Pois não tem nada de bicho grilo, mas é um sonhador. Só que Petraglia não fica sonhando com suas utopias. Coloca a mão na massa e realiza. “Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez.” Construir a Arena, o CT do Caju, trazer a Copa do Mundo para a Baixada... O que foi tudo isso além de loucuras geniais transformadas em realidade?
A “Arena Atletiba” é mais uma dessas maluquices. Que soa como loucura, mas após alguns minutos de reflexão se torna o óbvio, o evidente e o lógico. Afinal, se os dois clubes precisam de novos estádios, se toda a cidade sairá ganhando com o novo complexo, se unindo forças é muito mais fácil conseguir os recursos necessários para sua construção e os meios para sustentá-lo, por que então não fazemos?
Pensei, refleti, quase fundi os miolos matutando sobre essa idéia. E juro que não encontrei um único argumento contrário. Só a rivalidade, as velhas mágoas e rancores. Mas pera lá! Não somos apaixonados, não amamos nosso clube, não fazemos quase tudo ou mesmo tudo por ele? Então danem-se os rancores, as mágoas e a rivalidade. “Que se danem os evangelhos e todos os orixás”, diria o velho Chico. Vamos fazer o melhor para nosso time. Tornar nossa paixão maior do que nunca.
A Copa do Mundo vem ai para transformar o futebol brasileiro. Todos os grandes centros terão estádios supermodernos, estruturas de ponta. E quem ficar fora vai ficar muito, muito para trás. Terá praticamente decretado mais 50, 100 anos no limbo da mediocridade. É hora de ousar. De fazer o novo, o diferente e o inusitado.
Mas dessa vez as maluquices geniais e o empreendedorismo do Petraglia não bastam. É preciso a união dos governantes e de dirigentes e torcedores de Atlético e Coritiba. Se você não agüenta nem olhar para a cara de quem torce pelo rival, faça o sacrifício, em nome de sua paixão. Mente e coração, lado a lado. Só assim seremos completos.
Jan 29
Robinho e a inflação salarial no futebol
por Núbia Tavares15h23
Deu no terra hoje:
Confirmado pelo Santos na última quinta-feira, Robinho terá um salário de R$ 1 milhão por mês durante o empréstimo que vai até 4 de agosto, de acordo com informações do Jornal Placar. Os valores, no entanto, não devem ser provenientes dos cofres santistas, já que empresas parceiras viabilizaram a contratação.
O jornal ainda afirma que Robinho ficará com 50% dos valores em contratos publicitários firmados pelo Santos que envolvam sua imagem. Para ter o jogador por empréstimo, os santistas ainda concederam ao Manchester City a prioridade de compra por Neymar e Paulo Henrique Ganso.
Notícias como essa me assustam de verdade. Não consigo imaginar qual será o resultado final dessa inflação no futebol brasileiro. Essa penca de jogadores que estão voltando para o Brasil buscando uma vaga na copa (Robinho, Vagner Love, etc) estão elevando os níveis salariais a patamares nunca antes atingidos (se alguém puder me informar qual era o salário do Robinho em 2004, eu agradeço).
Não quero nem discutir se o futebol do Robinho vale ou não um milhão de reais mês. A grande questão é que essas cifras milionárias engordam os bolsos não só dos craques, mas acabam por inflacionar os salários de jogadores medianos. A história é simples: você está lá, carregando o time nas costas, ganhando seus R$ 60 mês. Ai, chega o fulano de fora pra ganhar uma milheta. O que seu empresário faz? Pressiona o clube até te darem um aumento salarial. Simples assim.
Só que, após a Copa, sabemos que Robinho & cia voltarão para a Europa. E sobrará para os clubes pagar cem, duzento mil reais, para jogadores como Jumar, Souza, Marlos e afins. E se os patrocinadores pagam os salários dos astros, o clube é o responsável pela folha salarial do resto do elenco. Alguma dúvida de que isso vai deteriorar seriamente as finanças dos clubes em médio prazo?
Se tem uma coisa que aprendemos em economia é que dinheiro não aparece do nada. Se você gasta hoje, terá que pagar a conta alguma hora. Mesmo que você seja um dirigente de futebol. E, como não acho que o futebol brasileiro proporcione o retorno para o patamar de gastos que tem hoje, eu só posso prever um futuro ainda mais no vermelho do que temos hoje.
É muito bom ver Robinho, Adriano, Love, Ronaldo, Roberto Carlos e afins jogando aqui de novo, sem dúvida nenhuma. Mas, até que ponto vale fazer uma loucura e destruir as finanças do clube por uma jogada de marketing? Bem faz o São Paulo, que diante do salário, desistiu de repatriar o Cicinho.
Jan 27
Parâmetros da mensuração
por Leonardo Bonassoli00h12
Após três rodadas, o Campeonato Paranaense tem mostrado uma faceta curiosa: nenhum zero a zero. E mais: nenhum jogo do Trio de Ferro acabou com ele sem marcar gol. E um jogo de cada marca essa volúpia ofensiva. Contra o Engenheiro Beltrão, na segunda rodada, o Paraná fez quatro. Contra o mesmo adversário, na terceira, o Coxa meteu cinco. Mais que isso foi o Atlético, praticamente um Tiger Woods, metendo oito no Serrano. E daí?
Podemos pensar nos objetivos das equipes no ano. Coritiba e Paraná querem voltar para a Série A do Brasileirão. O Atlético quer ser mais que o coadjuvante ameaçado das últimas temporadas. Logo, tais vitórias largas não podem servir de alento. por outro lado, perder, como fizeram Atlético contra Operário e Paraná contra Rio Branco, ambos em casa, pode sempre servir de alerta e escancarar as falhas.
Logo, a maioria dos times do campeonato está abaixo do nível técnico que será visto perto da metade do ano. Serrano e Engenheiro Beltrão têm fragilidades defensivas patentes. Entre os algozes, notemos que Rio Branco e Operário são equipes aguerridas, mas não se comparam tecnicamente a times como Ponte Preta e Avaí, só para ficar em exemplos mais medianos. O bicho realmente pegará a partir das fases mais avançadas da Copa do Brasil e nos clássicos. Por enquanto é aquela: sucessos são sussurros, fracassos são brados retumbantes. Nada que possa servir de referência clara para o resto do ano.
Pó de Guaraná
* Incrível que nenhum técnico caiu em três rodadas do Paranaense. Outros tempos? Apesar que o Nacional de Rolândia trocou de treinador uma semana antes da disputa, por ter entrado novo grupo investidor. Claudemir Peixoto deu lugar a Celso Fernandes.
* Com três rodadas, a artilharia é de Marcelo Toscano do Paraná Clube. E de pensar que chegou no clube como ala. O retorno dele à posição original foi o maior ganho técnico do Paraná na temporada passada.
* Jully Julhierme Araujo Santos é volante do Toledo e atende por Vasconcelos. Mas por que isso? A explicação é que o jogador de 22 anos, natural de Açu-RN, era considerado parecido fisicamente com um Vasconcelos da cidade natal. Vale pela curiosidade.
Jan 25
Nômades, Barueri e futebol do Paraná: tudo a ver!
por Felipe Lessa23h54

Barueri é definitivamente a cidade dos nômades do futebol. E nós paranaenses temos tudo a ver com isso. Em 2001, o Roma foi campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior, mas logo na sequência arrumou as malas, saiu da região metropolitana de Sampa e pegou a estrada pra Apucarana, interior do Paraná.
Se a cidade parecia ter se acostumado, mudou de ideia em 2009. Foi quando a diretoria do Barueri deu os primeiros sinais de fim do relacionamento. No ano seguinte, dito e feito: o time se mudou pra Presidente Prudente, onde está jogando o Paulistão 2010.
Hoje, a cidade escreveu um novo capítulo nessa história de andanças e passeios. Quem se muda pra Barueri é o Campinas, time do ex-matador da Seleção Brasileira nos anos 90: Careca.
O dono do time deve ser Adir Leme, uma figura bem lembrada no interior paranaense, numa cidade vizinha de Apucarana. O empresário é dono do Arapongas, mas também já comandou o Londrina. Alias, não somos nós “bichos do Paraná” os únicos a ter escutado o nome do “empreendedor”.
Adir Leme já compôs com a diretoria do Barueri, mas saiu de lá por divergências “ideológicas” com a moçada que seguiu na caravana da alegria até Prudente. Bom, não tem mais nada pra dizer e por isso fica a questão: quanto tempo vai permanecer esse “novo” time em “Baruca”? Será que um dia conseguem migrar pro Paraná com uma vaga no Brasileirão?
Jan 24
Renaldo: o bom velhinho
por Felipe Lessa15h28
Artilheiro do Campeonato Paranaense 1993 pelo Atlético, Renaldo chegou ao clube um ano antes, vindo de Brasília. Apesar do saudosismo, cerca de 17 anos depois de colocar seu nome entre os ídolos da torcida atleticana, ele voltou a disputar o Estadual para ter seu nome gritado por torcedores do Serrano-PR.
Mesmo vestindo outra camisa, Renaldo, 39 anos, se diz eternamente grato ao Furacão. Apesar de já ter atuado por clubes como o Atlético-MG, onde foi artilheiro do Brasileirão em 1996, e La Coruña (Espanha), o atacante afirma ser fanático pelo rubro-negro. “Foi o clube que me projetou para o futebol. Sou um cara que devo muito ao Atlético (Paranaense)”.
Nos seus tempos de Baixada, o clube treinava no antigo estádio Joaquim Américo e jogava no hoje interditado Pinheirão. “Na minha época o Atlético ainda estava crescendo, era muito diferente. Hoje segue o mesmo padrão dos grandes clubes europeus. Tem CT moderno, estádio em formato arena. Fico feliz por ter feito parte dessa história”, explica.
Dessa época, Renaldo lembra de dois funcionários que ainda permanecem no Atlético. “O Bolinha e o Dr. (Edilson) Thiele estão no clube até hoje. Só de falar neles já me lembro dos bons tempos”, lembra.
Ânimo, Filipe
por Ana Carolina Moreno14h32
Cada cultura tem o seu jeito de se expressar. Nós brasileiros fazemos alguns gestos com as mãos para indicar quando algo "dá na mesma" (batendo os dedos para frente e para trás), quando um lugar está "assim de cheio" (juntando as pontas dos dedos) ou quando queremos que alguém "vá o mais rápido possível" (o estalar do indicador e o dedo do meio que nenhum gringo consegue imitar).
Na Espanha as pessoas preferem expressar-se verbalmente. E a palavra mais usada pelos torcedores do Deportivo La Coruña desde as 23h de ontem é "ánimo". Segundo a Real Academia Española, "ánimo" é uma interjeição usada quando alguém quer "alentar ou esforçar" outra pessoa. É o que querem fazer com Filipe Luís, que ao apoiar o pé no chão depois de uma disputa de bola que acabou em gol para o Dépor, sofreu uma fratura exposta no tornozelo direito.
Só no site Riazor.org, que abriu hoje de manhã um canal para que os torcedores enviassem mensagens de apoio, a palavra "ánimo" se repetiu mais de mil vezes, entre as mensagens e comentário. O jornal Depor Sport recebe recados dos fãs do lateral pelo email animofilipe@deporsport.com. A página pessoal de Filipe no Facebook, onde ele tem mais de 2.500 amigos, foi inundada com centenas de recados, e a página "ÁNIMO FILIPE LUÍS" continua crescendo.
Rancor definitivamente não é o forte dessa torcida que canta até hoje uma música agradecendo ao time pelo feito de ganhar uma Liga Espanhola. O romance de verão entre o lateral e o Barcelona não tinha como não ser perdoado após um semestre de dedicação integral do brasileiro, que é uma das peças-chave do esquema tático deportivista.
Agora ele enfrentará um semestre de recuperação e parece decidido a não jogar a toalha. Apoio, definitivamente, é o que não lhe faltará.
PS: Isso que eu escrevi todo mundo já sabe (até no Brasil, porque notícias boas sobre o Filipe nunca ganhavam atenção, mas essa foto trágica ninguém cansa de publicar).
Jan 20
De olho na taça
por Ana Carolina Moreno11h13
Hoje começam as quartas-de-final da Copa do Rei e claramente se nota uma coisa: se ganhar alguém do lado direito da tabela, vai ser zebra.
Faz só uma semana que o Deportivo conseguiu uma virada inacreditável em casa contra o Valencia. Tínhamos a vantagem do 1x2 do jogo de ida, mas duas jogadas aéreas no primeiro tempo deixaram o time incrédulo. Os desfalques no setor ofensivo fizeram com que o treinador Lotina mexesse com a ala esquerda: Filipe Luís subiu e fez as vezes de interior, já que o dono da posição, o mexicano Guardado, estava fora de combate. Acabou um pouco perdido em campo e a equipe adversária aproveitou a brecha para virar o placar da eliminatória. No fim do jogo, Filipe reconheceu que esse não é exatamente seu ponto forte: “Já joguei como interior outras vezes com Caparrós (antigo técnico do Dépor, que hoje treina o Athletic de Bilbao) e me custa”, explicou o brasileiro. Mas só haveria tensão no ar se essa entrevista coletiva tivesse acontecido no intervalo do jogo, porque aos cinco minutos do segundo tempo Filipe mostrou mais uma vez que é um dos brasileiros que mais tem chamado a atenção no futebol espanhol.
Em jogada individual, ele aproveitou uma falha da defesa e marcou o primeiro gol, empatando a eliminatória. O time da casa reagiu e passou a pressionar, mas quando todos já se preparavam para a inevitável prorrogação (David Villa, o craque valenciano, já se aquecia para matar os deportivistas de cansaço), Filipe invadiu a área e deu um passe para Juan Rodríguez afundar o Valencia de vez.
Os dois, aliás, são os que mais estão em alta no time pelos gols salvadores (o problema, claro, é que nenhum é atacante). Juan Rodríguez já tinha se destacado na rodada anterior da Liga Espanhola, quando fez o gol da vitória contra o Osasuna. Lotina não poupou elogios a Filipe, e disse abertamente que ele foi imprescindível para a vitória. Mas agora a situação é diferente.
Primeiro porque no domingo o time fez um jogo apático contra o Mallorca, perdeu de 2 a 0 e irritou todo mundo, menos Lotina, para quem o Dépor parece já estar fazendo milagre por ter chegado até aqui. Segundo porque pode ser que Filipe Luís e Kanouté estejam em campo. O camisa 9 da seleção brasileira estava lesionado desde 5 de dezembro, mas já treina normalmente. Já o africano nascido na França estava defendendo o Mali na Copa Africana de Nações, mas seu time foi eliminado precocemente e ele pode voltar ao time hoje. As duas ausências coincidiram com a repentina queda de rendimento do Sevilla na Liga Espanhola, inclusive porque o time, depois da vitória no Camp Nou e da eliminação de Barcelona, Real Madrid e Valencia, vem priorizando a Copa do Rei e é franco favorito. Vide o chocolate que tomaram sábado do Barça, que não parece um time muito vingativo, mas dessa vez foi.
Outro que pode levar o caneco é o Atlético de Madrid, o único time que conseguiu reverter o resultado do jogo de ida, meteu 5 no pobre Recre e vai pegar o Celta nas quartas. Mas, como indica a tabela acima, só um desses quatro times chegarão à final. A turma da Galícia ainda aposta por uma final Dépor-Celta, e o Filipe Luís, que mora em La Coruña desde 2006 mas nunca jogou uma partida oficial contra o arqui-rival de Vigo, já mandou avisar que ninguém dentro da equipe pensa em qualquer adversário além do Sevilla. Vai ver é por isso que fizeram tão feio contra o Mallorca...
PS: Com a outra vaga ninguém se importa muito. Mallorca, Getafe, Racing e Osasuna têm pelo menos a vantagem de correr pelas bordas.
Mais sobre Filipe Luís

O Ás divulgou que o Real Madrid quer pagar 16 milhões de euros pelo lateral brasileiro. Os jornais na terrinha repercutiram, mas aqui o pessoal não anda especulando muito. Marcelo, que quando se lesionou deu a vaga na seleção pro Filipe, ainda que o Dunga continue buscando laterais-esquerdos até na ala direita dos campos europeus, é o titular dos merengues e, sinceramente, o Filipe tem muito mais a cara do Barça. Tá bom, eu não simpatizo com o Real Madrid, e eles já tiveram a opção de aproveitar o Filipe e a desperdiçaram. Mas enfim, 16 milhões de euros não são os 20 que constam no contrato do brasileiro, mas o Deportivo não tem condições de desdenhar essa quantia. Sem contar que o novo empresário de Filipe sabe como agradar o presidente do time.
Jan 18
Começou bem
por Equipe De Primeira11h41
Por Núbia Tavares
Ao comemorar o quinto gol, marcado por Claiton Xavier de pênalti, os quase 17 mil torcedores que estiveram no Palestra Itália na tarde de sábado, 16, pareciam ter deixado para trás toda mágoa, dor e ranço que traziam no peito, após o trágico fim do Brasileiro. Também pudera: 5x1 é um ótimo placar para se começar o ano. É claro que não se pode superestimar o resultado porque o Mogi Mirim (primeiro adversário do Palmeiras em jogos oficiais em 2010) é, desde já, um dos cadidatos ao rebaixamento no Paulistão. Mas o clima de felicidade pós-jogo, que não de desfez nem com o temporal que desabou sobre São Paulo, era bem diferente daquele que pairava no Palestra Itália antes da bola rolar.
Meia hora antes de começar o jogo, a repórter da CBN questionava se a expectativa de público (16 mil torcedores) seria atingida. Estádio com pouco público, setor Visa completamente vazio. Nesse horário, eu já estava na arquibancada e tinha lá minhas dúvidas se ia encher também. Mas, conforme foi chegando o horário da partida, a arquibancada foi ficando lotada, o que me obrigou, inclusive, a mudar de lugar.
Fui, pela primeira vez, a um jogo do Palmeiras sozinha. Minha amiga de jogo “desistiu” por enquanto do time. Diego Souza foi hostilizado por aquela parte da torcida que nunca ganha um carnaval, mas adora bater em jogadores, brigar entre si e se dizer “diferente”. Nada que atrapalhasse o desempenho do camisa 7 em campo. Ok, era o Mogi, mas Diego Souza jogou muita bola no sábado à tarde, e selou o início de um novo ano, finalmente, para a torcida do Palmeiras.
Em campo, oito jogadores que estiveram em campo no fatídico Botafogo 2x1 Palmeiras. Os dois estreantes, Leo (zagueiro) e Márcio Araújo (volante), foram bem – Leo errou duas vezes, mas fez um gol para compensar. O novo companheiro de Pierre foi melhor, saindo para jogar e não comprometendo. Quando a bola rolou o jogo começou, hum... horrível. Tão chato que eu me divertia muito mais tuitando do que vendo a pelada em si. Até que saiu o primeiro gol – e ai, a história mudou. Os últimos 15 minutos do primeiro tempo foram muito bons, com o Palmeiras jogando bem pelas laterais. No final, o time ainda conseguiu fazer 2x0.
Na segunda etapa, apesar do gol do Mogi Mirim marcado logo no início, só deu Palmeiras – ou melhor, só deu Diego Souza e Claiton Xavier. Saiu o terceiro, saiu o quarto, saiu o quinto e saiu o sexto gol – anulado pelo árbitro. Só não saiu o sétimo porque Robert meteu a bola no travessão. No final das contas, a conta ficou pequena para o Sapão, porque o placar poderia ter ido além de “sete” gols facilmente.
De qualquer forma, foi uma tarde boa para quem sofreu pelo time do coração no período sem futebol. Nada que deva empolgar ninguém – afinal, tomar um gol de um time horroroso feito o Mogi Mirim (Marcos ainda fez um milagre em outro lance) é preocupante. Mas, por ora, prefiro acreditar que com o entrosamento, a defesa vai melhorar. Até porque, esse é um time do Muricy. O Palmeiras ainda não tem um elenco, mas tem um time razoável para jogar o Paulistão. Resumindo: apesar da apreensão no último mês, o Palestra começou 2010 bem.
Ainda sobre o Paulistão:
- Diego Souza rende absurdamente melhor quando joga ao lado de Claiton Xavier e vice-versa.
- Corinthians x Monte Azul foi uma pelada bacana. Mas os dois times poderiam jogar três dias e o resultado continuaria sendo o empate. Mas que ninguém se engane: o Corinthians vai dar muito trabalho esse ano. Principalmente quando o Paulista estiver na fase final.
- Não vi São Paulo X Portuguesa. Mas, pelo resultado, é hora de observar a Lusinha.
- O Santos jogou muito bem também. Se continuar assim, é favorito ao título paulista ao lado do Palmeiras e um dos favoritos na Copa do Brasil. E 80% do mérito é do Dorival Júnior. Obviamente, assim como o Mogi Mirim, o Rio Branco não é o melhor parâmetro do universo, mas é bom ver que esse pode ser um ano diferente para o Peixe.
Jan 17
Baierdependência
por Equipe De Primeira23h43
por Leonardo Bonassoli
O ano é outro, a temporada é outra, mas o problema do Atlético Paranaense continua o mesmo: a Baierdependência. Paulo Baier, camisa 10 usual, capitão, armador, dono do time, foi muito importante para o Furacão na última temporada com gols, passes e mera liderança. Foi um termômetro do time no ano que se passou e mostra que assim continua sendo. O que tem de problemático nisso? Simples: a falta de opções.
No jogo contra Toledo deste domingo ficou patente. Com Paulo Baier em campo, o Furacão batia o Toledo por 1 a 0. O 10 perdeu um pênalti bem defendido por Gottardi. Mas foi ele sair contundido, com dores no adutor da coxa esquerda, para o time desmoronar e sofrer o empate, sem desmerecer a equipe do Toledo, armada de modo matreiro por Agenor Picinin. Falta reposição no meio de campo. Netinho, que entrou no lugar de Baier, está vários furos abaixo. Em certos momentos, parecia jogar rugby, devido à ausência de passes para a frente.
E não há, a princípio, quem supra isso, ainda mais que Paulo Baier se machucou e pode ficar algum tempo fora. Agora resta saber se algum reforço assume o papel ou como Antônio Lopes fará para substituir Paulo Baier quando ele não puder jogar. O Atlético carece de reposição, pois mostrou ter armação acéfala sem seu capitão.
Pó de Guaraná
* Vendo o passado recente e a atuação contra o Rio Branco, eu afirmo: Juninho não é goleiro para o nível do Paraná Clube.
* O Operário meteu cerca de 1.300 pessoas no Eco-Estádio, distante mais de 100 km de Ponta Grossa. Talvez tenha sido o público mais espetacular, devido as circunstâncias, na rodada.
* Em sete jogos do Campeonato Paranaense, nenhum 0 a 0. Por outro lado, nenhum jogo teve mais de três gols.
Síndrome de abstinência
por Equipe De Primeira01h40
CAHUÊ MIRANDA
Não, a minha não é reação pela falta de nenhum tipo de droga. Pelo menos não dessas drogas tradicionais. Estou sentido os efeitos da falta de futebol no estádio. Da falta do Atlético e da Baixada, para ser mais específico. Desde o pré-histórico 7 de outubro de 2009 que meus pés anseiam pelo solo sagrado e o espírito sente a falta da comunhão com os irmãos de fé.
Culpa de uma tal doença de Crohn, que invadiu meu intestino e me mandou pra mesa de cirurgia. Foram dez dias na UTI e mais uns trinta no quarto do hospital. E foi nesse ambiente hospitalar que vivi, pelo radinho, os últimos momentos da deliciosa e doentia (mais do que nunca!) relação com o Furacão.
Não sabia se gritava gol ou gritava de dor, nos 3 a 0 sobre o Santo André. Quase arremessei o rádio na parede quando o Cruzeiro empatou no último minuto naquele cruel 1 a 1. E o jogo contra o Botafogo? Naquele dia, não estava no hospital. A Baixada me chamava, mas eu quase não podia andar, estava com 57 kg (tenho 1,87m de altura).
Não fui. Uma das decisões mais sensatas e mais infelizes da minha vida. Sabe quando o doutor recomenda àquele cara cardíaco que não vá mais ao futebol? Pois para mim seria a sentença de morte. Ouvir pelo rádio me deixa vinte vezes mais nervoso. Não ficar sabendo de nada, então, é uma verdadeira tortura. Ouvi no rádio, quase fiquei sem unhas e sem cabelo, mas comemorei emocionado a vitória por 2 a 0.
Falei que estou em síndrome de abstinência e esqueci de relatar os sintomas. Em primeiro lugar, ansiedade. A sensação de que alguma coisa está faltando, mas você não sabe o que é. Ou sabe muito bem, mas só lembra disso quando chega em casa e vê uma camisa rubro-negra dentro do armário. Daí vem aquele sentimento de nostalgia. A vontade de entrar na internet e ver todas as notícias. De rever aquele DVD do título brasileiro ou aquela fita com o gol do Berg... E tudo isso só serve para aumentar a saudade e o deixar o exílio ainda mais doloroso.
“Atlético, você não presta mas eu te amo”, já disse um torcedor, lá pelos idos de 1960 e poucos... Na época, o time não ganhava nada, mas continuava mostrando que é imbatível na hora de conquistar o coração de seu povo. Não existe atleticano que não seja um romeu apaixonado, um tarado futebolístico. Mesmo os mais discretos nutrem um amor secreto e enrustido, que hora ou outra transborda para todos verem.
Mas Cahuê! Você é jornalista. Não tem medo de mostrar tanta adoração por um clube? Pois não tenho, nem poderia ter. Esse sentimento é parte essencial de minha personalidade. Esconder isso do leitor seria uma desonestidade, um embuste, uma tremenda mentira. João Saldanha, Nelson Rodrigues, Armando Nogueira, Juca Kfouri... Eles nunca esconderam o time pelo qual torcem. Por que eu, que provavelmente nunca chegarei aos pés deles, iria esconder?
Sei que isso nunca me atrapalhou em minha profissão. Sei muito bem separar as coisas na hora de trabalhar. Já fui setorista do Coritiba, indo durante meses a fio no CT da Graciosa e no Couto Pereira. E sempre contei com o respeito de todos. No ano passado, até torci para o Coxa não cair. Pensando no bem do futebol do estado e no melhor profissionalmente. Mas, confesso, principalmente pela mágoa eterna contra o Fluminense.
Enfim... todo esse papo é para dizer que hoje a máquina de arrebatar corações chamada Atlético Paranaense entra em campo pela primeira vez em 2010. O jogo é lá em Toledo e está longe de ser um dos mais importantes do ano. Mas o time tem a obrigação da vitória, para fazer jus ao favoritismo e não maltratar a alma desse povo, que já se conta na casa do milhão.
A estréia para valer, porém, é na próxima quarta, contra o Operário, no nosso campo dos sonhos, a eterna Baixada. Não sei se poderei ir e já começo a roer as unhas...