De Primeira: Futebol, Futebol e Futebol

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Fev 20

Bate-papo com Leonardo Mendes Júnior

por Felipe Lessa04h41


O jornalista Leonardo Mendes Júnior é um daqueles que podemos chamar de monstros. Uma fera que manja desde o underground futebolístico até os mais sérios dos temas da bola. Detonava aqui pelas bandas da aldeia, como editor de esportes da Gazeta do Povo. Continua exercendo sua monstruosidade, agora com o fardamento da Revista ESPN, onde é editor-chefe.

Dias atrás, tive a oportunidade de entrevistá-lo. Poderia ser em um boteco na quebrada, tomando aquela garapa e mordendo uma gordura. Assim a conversa seria mais longa. Quem sabe no futuro, já que dessa vez o papo foi curto e reto, via msn messenger. Estava pesquisando sobre a produção de livros que contem histórias do futebol paranaense, seja por literatura, conteúdo técnico ou em formato de reportagens.

Como o Leo faz parte dos escribas da aldeia com o nome presente em produções recentes sobre o gênero, no “11 gols de placa: uma seleção de reportagens sobre o nosso futebol”, com a reportagem “Ronaldinhos do futuro”, resolvi procurá-lo.

Compartilho aqui um pouco do que foi esse bate-papo:

Eu: Conte aí sobre a presença de “Ronaldinhos do futuro” no “11 gols de placa: uma seleção de reportagens sobre o nosso futebol”.

Leonardo Mendes Júnior:
A seleção foi feita pelo Fernando Molica, da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo). A ideia dele era fugir do eixo Rio-SP, ter matérias produzidas em outras regiões. No Sul ele já tinha algo do ZH, mas queria mais uma reportagem. Aí ele buscou a lista de finalistas de prêmios de jornalismo e encontrou a matéria minha e do Marcio Reinecken na lista de indicados ao Prêmio Embratel de 2005, na categoria Esporte. Então ele entrou em contato comigo, falou da proposta e aí foi só ver questões mais práticas, como recuperar as matérias, enviar texto, assinar cessão de direitos, essas burocracias.

Eu: Grandes feras do jornalismo brasileiro estão presentes na obra. Qual a sensação que você teve de representar o jornalismo paranaense em “11 gols de placa: uma seleção de reportagens sobre o nosso futebol”?

LMJ:
Sobre estar ali, foi sensacional. A série de reportagens foi feita porque a gente achava que seria algo bacana para mostrar para o leitor, jamais esperava que concorresse a prêmio e muito menos que fosse para um livro, que é algo que dá uma certa imortalidade à matéria. Ficará ali para sempre. E muito bem acompanhada por nomes como Juca Kfouri, Fernando Rodrigues, João Máximo, Michel Laurence. Poxa, são caras que você busca como referência na faculdade ou que você menciona para os amigos quando diz porque escolheu o jornalismo. Estar ao lado deles, e mais ainda, ao lado de grandes matérias produzidas por eles, é uma honra. Poxa, um órgão de peso resolveu selecionar as 11 maiores matérias impressas sobre futebol, no país do futebol, e uma matéria sua está lá. Difícil você imaginar um reconhecimento maior ao seu trabalho.

Eu: Fale um pouco da reportagem que marcou sua primeira aparição nos livros de futebol…Foi com o Jean Chera na Adap Campo Mourão?

LMJ:
Então. O Jean foi o começo de tudo mesmo. O Júlio Cesar Lima deu na Folha de Londrina uma matéria pequena sobre um piá de 9 anos, da Adap, que fazia o diabo com a bola nos pés. O pai pôs vídeos no YouTube e até o Manchester United tava atrás dele. Fui no YouTube, vi o vídeo e falei: “Cara, tenho que fazer matéria desse moleque”. Falei com o (Reniere) Trovão que era editor e caí na estrada com o Rodolfo Bührer no dia seguinte, para fazer a matéria lá em Campo Mourão. Uma matéria de domingo, uma página, legal pra caramba. Aí pipocou no noticiário a história do Nikão, do Mirassol. E depois alguém falou do sobrinho do Ronaldinho.

E nisso eu nem tava mais no esporte, tava em Paraná e o jornal tinha começado a abrir espaço para séries de reportagem. Juntei essas histórias dos garotos, falei com o Mauri Konig, que era coordenador informal desse núcleo, e ele sugeriu de empacotar como Ronaldinhos do futuro, o Ronaldinho era o melhor do mundo, tinha o sobrinho dele, veio bem a calhar. Aí chamei o Marcio para dividir o material, porque eu não poderia me dedicar integralmente a ela. Tinha liberação de Paraná para fazer as viagens, mas estando na redação, precisava cumprir minha pauta. E nessa a gente foi mapeando as histórias dos garotos, vendo o que rolava fora do Brasil (tinha o Messi, tinha o Adu). E aí fui pra estrada com o Rodolfo. Primeiro a gente foi a Porto Alegre fazer o Diego. Depois fez o tour paulista. Chera em Santos, Rincon em São Paulo e Nikão e Dunguinha em Mirassol. E o Marcio ficou em Curitiba apurando a parte genética, vendo as outras retrancas que poderiam ser resolvidas da redação.

Eu: Eis que Jean Chera saiu do Santos e foi parar no Flamengo do Ronaldinho Gaúcho…

LMJ:
Então, o Chera falava que era fã do Ronaldinho, sonhava jogar com ele. Acho que o Ronaldinho começando a jogar bem de novo, daqui a pouco juntam os dois para foto e tudo mais lá no Fla

Eu: Você está na lista dos que mais manjam do futebol paranaense. Pretende publicar algo no futuro?
LMJ:
Não só me imagino como é um plano de carreira. Já tive algumas ideias sobre livros que tratem do futebol paranaense. Nunca levei adiante por falta de tempo, talvez mais falta de organizar o meu tempo.

Eu: Qual sua visão sobre a publicação de livros no futebol paranaense? Concorda que se produz pouco sobre a realidade local? O que motiva isso ?

LMJ:

Acho que falta vontade mesmo, de fazer um bom livro reportagem. A gente tem obras bacanas no estado, mas muitas baseadas em arquivos ou memórias do autor. Sai coisa muito boa daí, mas fica uma lacuna enorme para a reportagem. A cada ano saem várias biografias de jogadores brasileiros. Por que não sai de jogadores paranaenses? Caju, Krüger, Sicupira, Nilson Borges, Zé Roberto… Nossa, dava pra encher a caixa do msn só de nomes de jogadores paranaenses que mereciam uma biografia. A exceção foi o Fedato, que teve uma bela biografia escrita pelo Paulo Krauss.

Eu: Muitos pesquisadores locais reclamam da falta de grana e apoio. Concorda?

LMJ:
E falta também apoio, né. É uma vergonha o Coritiba ter feito 100 anos, os Helênicos terem na mão um material completo, informativo, espetacular, lindo sobre a história do clube e não conseguirem publicar porque ninguém quis patrocinar.

Eu: O que poderia ser feito pra pelo menos melhorar a situação ?

LMJ:
Você tem hoje formatos digitais que deixam muito mais barato editar um livro. Você tem uma tendência no Japão de livros-reportagem com até 60 páginas que resolvem muito bem algumas questões e jogam o custo lá embaixo.

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Fev 18

O futuro dos estaduais

por Felipe Lessa02h07

Dias atrás, Loco Abreu, atacante do Botafogo, chamou atenção da imprensa ao propor uma nova fórmula de disputa para o Campeonato Carioca. Afinal, apenas charme e tradição não mantêm nada hoje em dia e o alto número de jogos durante o ano atrapalha na hora de se fazer futebol em alto nível. Tocou em um assunto importante, que vale também para os demais estaduais.

Pela forma como vem sendo organizados, os estaduais perderam muito de seu valor e se tornaram burocráticos. Para os grandes, sinal de prejuízo e obrigação. No máximo, sentimentos saudosistas dos torcedores mais velhos, dos tempos que o calendário nacional similar ao dos dias de hoje ainda era um sonho. Para os pequenos, nem três meses de oba-oba, já que os únicos jogos que conseguem mobilizar as torcidas são aqueles contra os clubes de maior expressão… no máximo, um ou outro clássico regional entre clubes do interior.

Fora isso, prevalece o desinteresse. No Paraná, cito como exemplo o quase centenário Rio Branco. O clube de Paranaguá chega a ser dono de uma torcida apaixonada, que, fora da capital, as pesquisas comprovam ser percentualmente a maior dos times do estado em sua cidade. No entanto, a equipe do litoral não consegue ter uma média superior a mil torcedores nos jogos em casa. Na estreia contra o Toledo, no Caranguejão, apenas 396 pagaram pra ver a vitória do Leão da Estradinha. Mais doloroso que o prejuízo no borderô, é o cambau moral de ver as arquibancadas vazias.

Outros exemplos da penúria que vivem os estaduais brasileiros correm soltos pelo Rio Grande do Sul, Ceará, Mato Grosso e país afora. Somente o Campeonato Paulista ainda parece empolgar, especialmente no interior, com quase nenhum público abaixo de mil torcedores.

Não sou favorável ao fim dos estaduais. Pelo contrário. Eu os defendo e creio que ainda significam muito – mesmo que apenas por simbolismo do passado – para o futebol brasileiro. No entanto, precisam de novas fórmulas, novos estilos de organização e da intenção de serem valorizados como o produto que são. Afinal, todos sabem que um Roma Apucarana x Iraty, no humilde Bom Jesus da Lapa, está bem distante de ser um Milan x Barça. Porém, é o que se tem, podendo, sim, despertar o interesse de quem gosta de sentir o futebol de perto. Mas pra isso, esses torneios precisam renascer. Tanto para os grandes, quanto para os pequenos.

Leia mais:

http://globoesporte.globo.com/rj/futebol/campeonato-carioca/noticia/2012/02/com-caneta-e-papel-na-mao-loco-cri-novo-calendario-para-o-carioca-2013.html

http://trivela.uol.com.br/blog/menon/carta-aberta-ao-come-fogo/

http://esportes.r7.com/blogs/cosme-rimoli/2012/02/03/75-pessoas-em-um-jogo-do-campeonato-carioca-acabou-a-luz-no-gaucho-as-catracas-foram-puladas-no-cearense-esses-sao-os-estaduais-que-enriquecem-as-federacoes/

http://www.federacaopr.com.br/borderos/2012/borderojog12.pdf

http://globoesporte.globo.com/platb/teoria-dos-jogos/2012/02/10/e-segue-o-calvario/

http://globoesporte.globo.com/platb/teoria-dos-jogos/2012/02/10/balanco-financeiro-do-paulistao-2012-1/

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FutebolCampeonato BrasileiroFutebol ParanaenseFutebol CariocaFutebol PaulistaEstádiosBotafogo

Jan 07

O mais recente paranaense de sucesso no futebol

por Felipe Lessa02h48

Muitos nomes podem ser colocados em pauta quando o assunto é qual o paranaense que mais tem feito sucesso no futebol mundial. Pela lógica, facilmente o primeiro nome da lista seria o curitibano Adriano, lateral campeão mundial de clubes pelo Barcelona no final de 2011. Outra possibilidade seria Alexandre Pato, o atacante pato-branquense do Milan. Alex, do Fenerbahçe, ou Jadson, do Shakhtar Donetsk, seriam outras possibilidades.

Todos os nomes citados merecem destaque, mas o paranaense de sucesso mais recente no mundo da bola nem sequer usa chuteiras. Trata-se do cantor e compositor de música sertaneja Michel Teló, nascido em Medianeira, no oeste do estado.

Da mesma forma como o hit "Ai se eu te pego" contagia as ruas brasileileiras e rompeu as fronteiras nacionais, a coreografia da música passou a ser repetida intensamente nos campos de futebol de todo o mundo. Virou febre.

No Brasil, o principal representante da "Telómania" foi Neymar. Não bastando as apresentações do novo menino da vila com o cantor paranaense pelos palcos, incluindo apresentação de fim de ano na TV Globo, o astro da bola também aparece reproduzindo a dança de "Ai se eu te pego" no vestiário e nos gramados.

No Real Madrid, o brasileiro Marcelo ensinou ao português Cristiano Ronaldo os passinhos da dança. Marco Reus, do Borussia Mönchengladbach, levou o hit pro futebol alemão. Robinho, Thiago Silva e o também paranaense Alexandre Pato divulgaram a "Telómania" pela Itália via TV Milan. A situação se repetiu nos gramados gregos, entre jogadores do Panathinaikos.

Confira abaixo alguns vídeos em homenagem ao paranaense que ganhou os campos de futebol:
http://www.youtube.com/watch?v=z-pLEcSwC3E
http://www.youtube.com/watch?v=23OFnLDy70g
http://youtu.be/iF9WWIRiGPo

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FutebolMúsica

Set 09

Reflexão

por Felipe Lessa17h35

Alguns jogadores andaram "desandando" no comportamento durante o Brasileirão. Sem entrar no mérito do politicamente correto, poderiam contrapor o transtorno causado visitando instituições que cuidam de crianças abrigadas e que já estiveram em situação de risco. É um exemplo, e qualquer outra boa iniciativa em outro lugar vale.

O que já foi feito, já foi feito. No calor do jogo, tiveram suas razões e infelizmente acabaram mostrando ao público suas indiferenças. Já que muita gente viu as cenas, agora não custa buscar um contraponto com uma boa ação. Uma visita de ídolos para aqueles que dela precisam será sempre guardada.

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Arquitetura

Set 08

A Paiquerê e seus heróis: de Londrina pro mundo

por Felipe Lessa14h32

O futebol paranaense tem seus encantos. No entanto, estes momentos mágicos apenas são concretizados quando a voz de narradores e comentaristas de rádio e TV transmitem ao torcedor de forma terna todo encanto do futebol. Falando de interior, a grande referência é a Rádio Paiquerê, de Londrina.

No Paraná, é incontestável se lembrar da figura de Gil Rocha. Apenas pela Rádio Paiquerê, de Londrina, o apresentador e narrador cobriu quatro Copas do Mundo, de um total de cinco. Pela RPC, Rede Globo local, comandou o lendário programa Camisa 12, onde todo domingo eram mostrados com eficácia todos os melhores lances do futebol paranaense.

No rádio esportivo é impossível não lembrar da Rádio Paiquerê, do lendário JB Faria. Foi a partir de sua iniciativa que a emissora conseguiu realizar mais que um sonho: mostrar que não apenas equipes de capitais podem estar presentes nas Copas do Mundo.

Deixe de exemplo um caso de quando a Seleção Brasileira esteve no CT do Caju realizando pré-temporada para o Mundial da África do Sul, logo que identificado como londrinense, um representante da imprensa do eixo não hesitou em dizer: “Terra boa. Se tiver somente uma cabine de rádio em jogo do time canarinho, essa vai ser reservada pra Paiquerê”.

E nessa lista já se foram várias, inclusive com a presença do sempre bem lembrado J. Mateus, autor dos livros Onze contra Onze e Londrina Esporte Clube: do Caçula Gigante ao Tubarão.

Outro nome de requinte na emissora é o folclórico Tatinha. Com a tradição de seguir o Tubarão onde ser que esteja, indiferente a situação, boa parte das coberturas da Paiquere tiveram a presença do repórter. Tatinha, aliás, trabalha na divulgação das cores do Londrina desde o jogo número um da equipe, que neste ano conquistou vaga na primeira divisão do futebol paranaense.

Mostrando que para tudo existe momentos de renovação, uma jovem estrela que passou a brilhar pela emissora é a de Rodrigo Linhares. Em seu programa Futebol & Memória, transmitido aos domingos, o radialista realiza uma série de entrevistas com ídolos do passado e do presente, desde o argentino Cláudio Canigia até o querido ídolo do último grande título londrinense: o zagueiro João Neves, eterno herói do Tuba.

Quer conhecer mais:
www.paiquere.com.br
As jornadas esportivas ocorrer a partir das 12h e das 18h

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Os dois últimos grandes goleiros do SPFC e o futebol do PR

por Felipe Lessa00h20

Ao lado da atriz global Alessandra Maestrini, ou simplesmente a empregada doméstica Bozena do programa “Toma lá da cá”, e do atacante Alexandre Pato, o goleiro são paulino Rogério Ceni faz parte das personalidades que levaram o mundo a conhecer Pato Branco. Foi na cidade localizada no sudoeste do Paraná onde o jogador tricolor nasceu, começou no futsal e depois veio a se tornar o mais conhecido atleta brasileiro de sua posição na atualidade – quem sabe um dos maiores do mundo em toda história.

Conforme conta o historiador Marcelo Dieguez em seu site, Rogério Ceni nasceu às 10h30 da noite do dia 22 de janeiro de 1973, em Pato Branco, interior do Paraná. Foi o ponto de partida para que hoje o goleiro completasse mil jogos com a camisa do São Paulo, em história surreal para os dias atuais e o futebol moderno.

Em campo, Rogério voltou a ter a sorte recente,, de quando marcou seu centésimo gol pelo Tricolor do Morumbi justamente contra o Corinthians, em Barueri. Dessa vez em sua casa, a comemoração do milésimo jogo foi coroada com vitória, por 2 x 1, sobre o Atlético Mineiro.

Ao fim do jogo, Ceni agradeceu seu pai, que hoje mora em Sinop-MT, cidade de onde o goleiro despontou para o futebol de campo. No ano de 1985 o então pretendente a ídolo se mudaria para o Mato Grosso, mas antes de brilhar de lá Brasil afora ainda deixou seus rastros na capital paranaense, em Curitiba, onde morou em 84.

Outra relação de Rogério Ceni com o Paraná está no fato de por anos ser reserva do goleiro Zetti no São Paulo. Seu titular na Libertadores da América em 1993 teve passagem discreta no estado na década de 1980, quando defendeu as camisas de Toledo e Londrina.


As fotos estão dando defeito e sumindo. Então confira Ceni e Zetti nos velhos tempos, aqui no Paraná, clicando aqui
- http://www.twitpic.com/photos/lessafelipe

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Set 06

Prioridades atleticanas

por Felipe Lessa11h27

A derrota do Atlético para o Grêmio manteve o Furacão em situação complicada no Brasileirão. No entanto, apesar da penúltima posição e do confronto diante do Palmeiras, amanhã, o Rubro-Negro da Baixada tem grandes chances de encontrar nesta partida a possibilidade de nova volta por cima no torneio.

Tudo bem que o Palmeiras hoje seja o sexto colocado na tabela. Porém, a equipe paulista vem de derrota para o Botafogo e empate contra o Cruzeiro. Em resumo: está caindo na tabela e, assim como o Furacão, precisa de pontos: mas jogará fora de casa, na Arena da Baixada, onde a presença da torcida amedronta até nas piores fases.

Não creio no rebaixamento do Atlético, mas o presidente Marcos Malucelli precisa tomar alguma medida que desperte o clube. Estrutura o Furacão tem – e muito maior que a de outros clubes que estão em situação intermediária e costumam perder espaço na tabela – graças ao projeto idealizado pelo ex-presidente Mário Celso Petraglia, com centro de treinamentos, departamentos organizados, modernidade no estádio, etc. Querendo ou não, foi umn legado.

Eis aqui o ponto chave da questão para que Malucelli foque seu trabalho na recuperação do clube. Por mais que o próximo presidente deva ser o seu desafeto Petraglia, em alta com a torcida, o atual comandante certamente tem o interesse em deixar seu nome limpo com a torcida. Talvez o ponto chave seja esquecer do futuro e pensar no presente, dando o suporte necessário para que jogadores como Madson, Branquinho, Deivid, Santos & Cia resolvam essa parada.

Como seria esse suporte? Malucelli deve saber e, principalmente, se aconselhar com seus próximos pra fazer acontecer e não deixar seu nome como primeiro presidente a deixar o Atlético cair depois da era dos pontos corridos.

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Set 05

O Tubarão sobreviveu

por Felipe Lessa12h45

Apenas o retorno do Londrina ao grupo de elite do futebol paranaense poderia representar um renascimento. No entanto, a forma como tudo foi conduzido e seus personagens fez com que o Tubarão recomeçasse sua nova vida com glória.

Três vezes campeão paranaense (1962, 81 e 92), uma vez semifinalista do Brasileirão (1977) e vencedor de uma Taça de Prata (1980), o Londrina passou dois anos na segundona estadual até voltar ao grupo de elite com uma campanha quase perfeita. Ao todo foram 15 vitórias, cinco empates e uma derrota.

O recomeço teve peças como Vanderlei Luxemburgo, o gestor da SM Sports Sergio Malucelli, o prefeito londrinense, Barbosa Neto, e o presidente do LEC Cláudio Canutto à frente de um novo Tubarão. Depois de assinada a parceria com a SM Sports, o Londrina logo começou empatando, por 1 x 1, com o Flamengo.

O começo da volta por cima rapidamente apenas foi possível pela intervenção do treinador flamenguista, Vanderlei Luxemburgo, ex-treinador do Real Madrid, que deixou de realizar tal pré-temporada no estado de São Paulo para vir até o norte do Paraná, no CT da SM Sports. Parceiro de Sergio Malucelli, novo gestor do Londrina, Luxa ajudou a proporcionar que o povo londrinense voltasse a ser o centro das atenções do futebol nacional.

Afinal, a primeira vez que Ronaldinho Gaúcho, recém contratado pelo Mengo junto ao Milan, pisou em um estádio de futebol em uma partida oficial foi no Estádio do Café. Por lá, o Flamengo enfrentou o América-MG, e os amistosos podem voltar a ser realizados no início do próximo ano – quem sabe, uma entrega de faixas para o Tubarão, campeão da Divisão de Acesso do Paranaense 2011.

Outro fator muito importante para o Londrina têm sido a presença do renomado empresário uruguaio Juan Figer. Se até pouco tempo atrás o Londrina – diga-se 2010 - mal tinha estrutura e perspectivas de funcionamento, hoje já se fala em parcerias com o Galatasaray, da Turquia, e com o Lanus, da Argentina.

Realmente, se o Londrina não apenas sobreviveu a todo sofrimento dos últimos anos e agora está firme, hoje podemos dizer com orgulho: o LEC tem nova vida, com perspectiva de futuro próspero, com possibilidade até de disputar de igual pra igual com os times da capital paranaense.

Bom pro povo londrinense, que terá chance de acompanhar o time de perto e de longe.....nas ondas das Rádios Paiquere e Brasil Sul.

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Ago 26

O amor entre homens (e mulheres) e um time de futebol

por Núbia Tavares15h36

Hoje meu time completa 97 anos de idade. Ontem, jogando muito, daquele jeito que a torcida gosta, ele foi eliminado de um torneio que poderia ser a salvação do ano com um gol de um ex jogador que saiu do clube chutado pela torcida.

Eu faço parte da torcida que tinha medo do tal volante responsável pela eliminação do meu time ontem. Tinha e continuo tendo. Não me imnporta se hoje os tempos são outros, se isso ou se aquilo. Eu não aceito perna de pau no meu time, mesmo que seja obrigada a conviver com eles por anos, décadas. Eu aceito perna de pau, dirigente filho daquela senhora de má reputação, frio, chuva, trânsito, longas distâncias, derrotas acachapantes, jogos sem graça, jogos ruins, jogos soníferos, passes ridículos, falhas bizonhs da zaga, gols bizarramente perdidos. Aceito tudo, mesmo achando que meu time sempre tem que ser o melhor.

Muita gente não entende. MUUUUITA gente não entende MESMO essa coisa de ser torcedor. De aguentar humilhações, cansaço, chuva, frio e porrada atrás de porrada. Falando sério: você aguentaria de um namorado [a] o que você aguenta do seu time? Eu não e aposto que 99,99% dos torcedores de verdade que conheço (aqueles cujo humor varia junto com a situação do time na tabela do campeonato) não aguentariam também.

O ato de torcer não é pra qualquer um. Amar um time de futebol é, antes de tudo, ser um masoquista nato. A gente sabe que vai sofrer. Eu desisti de ter unhas longas porque existe o Palmeiras e, entre ter longas unhas pintadas de vermelho, eu escolhi devorá-las incansavelmente durante cada jogo, cada lance, mesmo que seja aquele jogo que não vale mais nada com time reserva contra um adversário inexpressivo. Torcedor de verdade tem uma doença pelo sofrimento que é torcer para um time de futebol. É uma dor que dá prazer. Necessário. É o sofrimento absolutamente indispensável para eu poder sem quem eu sou.

Sim, eu não tenho o menor problema em sofrer por conta do futebol. Ser torcedora fanática, retardada, daquelas que arrumar briga com desconhecidos em bar porque falaram mal do meu time me faz bem. É uma coisa meio louca, mas eu não tenho o menor problema com em conviver com os sentimentos doentios que estão ligados ao futebol.

É por isso que, hoje, 26 de agosto de 2011, eu estou feliz com o aniversário do time que ontem foi eliminado pelo Vasco na Copa Sulamericana. Eliminados na primeira fase, com um gol ridículo, feito por um jogador ridículo que eu não gostaria de ter no meu time de jeito nenhum.

Motivo de vergonha? De jeito nenhum. De sofrimento? Sim, quero que meu time ganhe até campeonato de par ou ímpar. Mas eu jamais terei vergonha das cores verde e branca que vestem a Rua Turiassú e que estão pintadas no coração de 18 milhões de apaixonados pela Sociedade Esportiva Palmeiras, esse time que eu amo tanto e amarei para sempre.

Parabéns, Palmeiras!Aqui é Palmeiras!

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Ago 02

Um antídoto para Neymar

por Felipe Lessa01h13

Por Silvia Valim

Geninho já o quis fora do time. Marcos Malucelli passou perto de emprestá-lo. Quase ninguém acreditava nele até se mostrar a mola propulsora de todo um time.
Foi Leandro Niehues que o deixou pisar no gramado rubro-negro paranaense pela primeira vez como profissional, além de Carpegiane e Adilson Batista que acreditarem no garoto. E desde então pelo menos uma dúzia de torcedores e agentes talvez já o reconhecem por segurar o CAP no Campeonato Brasileiro de 2011.

O Londrinense formado nas categorias de base do PSTC, de família pobre e sem quase nenhuma perspectiva de vida talvez seja o único ainda deslumbrado com o time que abraçou desde 2005.
Joga por amor. Não joga por dinheiro. E o salário prova.
Promovido à equipe principal em 2009, Deivid Coquinho, camisa 5 do Atlético-PR foi novamente o herói da equipe no último jogo contra o Santos, na Arena da Baixada.

Uma partida que deu dois gols ao rubro-negro antes de 10 minutos de jogo. E que sofreu um gol de Neymar, aos 11. E outro aos 18 do segundo tempo com Borges. Mas o empate debaixo de uma chuva torrencial que tornou o campo encharcado em uma espécie de desafio a ser vencido não convenceu o time da casa. E Marcinho, aos 46 minutos, fez de cabeça o gol que fecharia o placar no Joaquim Américo. Foram 3 contra 2. E um contra todos.
Mas as notícias da imprensa não relatam a garra dos volantes. Não são eles os destaques da reportagem. Não ganham uma menção sequer em matérias ou notas esportivas.

Porém o torcedor... Esse tudo vê. O torcedor reconhece a garra de Deivid William da Silva, o menino que não aceitou ser mais um.
O mesmo garoto que anulou PH Ganso no domingo. E por 94 minutos driblou Neymar, cercou Neymar, inibiu Neymar.
Enfrentou as juras do menino da Vila sem reação alguma. Não pestanejou. Não respondeu à ira de um garoto que pela primeira vez se viu encarado em campo.
Guerreiro, foi o próprio Davi enfrentando Golias.
O pequeno gigante de 1,74m engoliu o Santos. Levou o time nas costas.

Não é à toa que Deivid é vendido como “Ouro da Casa”.
Um antídoto contra o veneno Neymar vendido ao mundo como craque e supostamente ao Real Madrid por pelo menos 8 milhões de Euros por ano.
E Deivid? Este certamente também vale ouro. Apenas não entendemos porquê continua apenas recebendo bronze.

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