14.05.08

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Resenhas

Umas resenhas que saíram no B:

"FÁBIO JR. E ELAS" - FÁBIO JR. (Sony & BMG) - Gravado em 1998 para um especial da Record, o CD mostra o cantor em bons duetos com mulheres. Numa época em que a canção romântica sofria mais preconceito, ele reuniu Joyce ("Compromisso"), Fernanda Abreu ("Na canção"), Vânia Bastos ("Sorri") e outras. Músicas como "Enrosca" (com Patrícia Coelho) e "Eu me rendo" (com Zélia Duncan) resgatam a antiga fase soul pop do cantor.

"MUSIC FOR THE DIVINE" - GLENN HUGHES (Hellion) - O ex-vocalista do Deep Purple e do Black Sabbath tem seu disco de 2006 lançado no Brasil. O som é uma mistura exata de hard rock e black music, com muito balanço (Chad Smith, baterista do Red Hot Chili Peppers, é co-produtor) e belas músicas, como "You got soul", "Black light" e "Too high". Nas letras, a positividade e a religiosidade que Hughes encontrou ao abandonar as drogas.

"HIGH SCHOOL MUSICAL" - VÁRIOS (Sony & BMG) - O reality show que fará a versão brasileira do HSM chega ao disco. Sucessos como What time is it e Breaking free aparecem em português (com os títulos "Que tempo é esse?" e "Tem que tentar"), no mesmo clima auto-ajuda dos originais. Entre as inéditas, "Como eu vou fazer", que lembra o repertório anos 90 de Angélica, e "O sonho não termina", com participação de Wanessa Camargo.

"A NOVIÇA REBELDE - VERSÃO EM PORTUGUÊS" - VÁRIOS (Sony & BMG) - A montagem da dupla Möeller e Botelho, que estréia dia 22 no Rio, sai em CD com versões em português da dupla, sem prejuízo para os temas originais. Levando-se em conta que Herson Capri (o capitão Georg Von Trapp) não é cantor e interpreta a belíssima "Edelweiss" sem estragar a música, o resultado é bom. "The lonely goatherd" e "So long farewell" garantem boas recordações.

"DISCO 08" - ROCKZ (Independente) - Após a saída do vocalista Diogo Brandão, a banda carioca Rockz ficou à deriva. Uma pena. Nesta estréia (que pode ser baixada no www.rockz.com.br), o grupo faz uima mescla do indie rock dos Strokes com rock para pular, como Barão Vermelho e Stones. Nas letras, papos de noite e bebedeiras, em "Nunca me diverti tanto", "Colorbar", "Relacionamento saudável" e "Ora bolas". Eles só não acertam a mão para baladas ("Devaneio esferográfico").

"DANIELA PROCÓPIO" - DANIELA PROCÓPIO (Independente) - Gravado com participação de músicos como Arhur Maia (baixo), Toninho Horta (guitarra), Carlinhos Brown (vocal) e até Eumir Deodato (arranjos), o disco de Daniela apresenta uma inusitada mescla de jazz e sons africanos e indígenas em temas como "Quase lenda", "Do tamanho do mar" e "Melodia sentimental" (de Villa-Lobos, com letra de Dora Vasconcellos).

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Categorias: Música

Caetano Veloso

Hoje tem showzinho do Caetano Veloso no Vivo Rio, a tal abertura do Obra em progresso. Segue aí a matéria que eu e Braulio Lorentz fizemos sobre o ensaio do show e que saiu hoje no B.

NÃO EXIJA ROCKS DE CAETANO VELOSO
O ‘JB’ assistiu a ensaio do show ‘Obra em progresso’; músicas novas fogem do som agressivo de ‘Cê’

Braulio Lorentz e Ricardo Schott

Em sua mais recente turnê, baseada no disco Cê, de 2006, Caetano Veloso angariou fãs que torciam o nariz para seus trabalhos anteriores – como A foreign sound, de 2004, dirigida em parceria com Jacques Morelembaum. Ao lado dos três jovens de sua banda de apoio, chamou a atenção de novos admiradores que pularam ao som das vibrantes Rocks e Odeio você, pediram Alegria, alegria e Tropicália nos shows e ficaram satisfeitos com as referências a Transa, disco folk-roqueiro de 1972, gravado em Londres. No show Obra em progresso, que estréia hoje no Vivo Rio e continua nas quartas de maio (exceto dia 21) e junho (menos dia 25), o cantor mantém a banda Cê, da turnê anterior, mas inclui a dupla de percussionistas gêmeos que tocou na turnê de Noites do Norte, Josino Eduardo e Eduardo Josino. Turnê marcada, por sinal, por ensaios abertos no Canecão.

– Em parte Obra é um ensaio aberto, porque vamos apresentar canções e versões novas. Mas esse nome pode dar a impressão errada de que vamos ensaiar em público – alerta Caetano, em entrevista ao JB pouco antes de ensaiar para a primeira apresentação. – O essencial é que não é um show de sucessos, nem de músicas do Cê. Eles não estão excluídos, mas serão minoritários.

Retorno a ‘Noites do Norte’

Quem espera para o novo trabalho algo que lembre Cê, vai se assustar ao ouvir as músicas novas. Mesmo mantendo a formação composta por Ricardo Gomes (baixo e teclado), Marcelo Callado (baterista) e Pedro Sá (guitarra), acrescida dos percussionistas, o som lembra Noites do Norte, com direito a mesclas de música baiana, pop e rock (a tranqüila Cor amarela) e a sons meditativos, baseados em percussão quase circular e em vocais em falsete (Por quem). Uma música que poderia estar em Cê, desde que rearranjada, é o samba baseado em estilingadas de guitarra e violão Perdeu – barulhenta (para os padrões de Caetano), que ganha distorções e ruídos de guitarra.

– Tem uma música do Gil da época do Tropicalismo que vou cantar, Pé da roseira – adianta Caetano. – O Pedro Sá, ouvindo a gravação, ficou maravilhado com o tratamento dado pelos Mutantes e pelo Gil. Vamos reproduzir mais ou menos o arranjo original, que é uma ciranda do Recife. É do período em que o Gil ficou na cidade e voltou de lá com essa proposta, além das primeiras idéias do Tropicalismo.

Se o anterior Cê ligava-se a Transa, Caetano diz ver relações entre este novo trabalho e o roqueiro Velô, de 1984.

– Na época, inverti o negócio: fiz uma excursão pelo Brasil todo e aí, só depois, gravei o disco – lembra Caetano, que traz de volta as longas temporadas que os artistas de MPB faziam nos anos 70 e 80, mas também nota diferenças. – É um show extenso, que vai durar dois meses. Mas são sempre espetáculos diferentes. Vou fazendo um repertório ao longo do ano e vejo como tudo soa.

Obra em progresso era para ter estreado há uma semana no Vivo Rio. Caetano diz que o atraso não partiu dele:

– Nós estávamos prontos. Foi um problema de produção mesmo. Retornamos mais brevemente do que pensávamos, o que foi melhor ainda. Não sabia se ia ser um atraso de uma semana, de duas, de quatro.

Além de músicas novas e do repertório em constante mutação, os fãs podem aguardar convidados especiais. Jorge Mautner, com quem Caetano já havia feito o show e o disco Eu não peço desculpas, de 2003, será o da primeira noite.

– Pensei na Tereza Cristina para cantar Gema (que ela gravou no disco Delicada). Aliás, pensei em cantar com ela em seu show e não pude. Gostei do fato de ela gravar e gostei da sua versão. Quero chamar o Arnaldo Brandão, que tocou comigo e de quem já gravei Totalmente demais e o Davi Moraes. Muito da inspiração do que a gente está fazendo vem de Pedro e Davi tocarem, nos ensaios de Noites do Norte, levadas de samba na guitarra.

A menção a Teresa Cristina anima Caetano a puxar a lista de nomes que tem ouvido, como Roberta Sá, Mariana Aydar e "o disco de samba da Maria Rita". Entre os artistas de rock, cita a banda baiana Cascadura. O cantor diz que o gênero o acompanha na estrada.

– Gostei também do disco do Radiohead, In rainbows – destaca, citando o disco da banda inglesa, disponível na internet pelo valor que os ouvintes quiserem pagar. – Estava na Europa fazendo shows e baixei as músicas pagando zero real. E recebi tudo. Todo mundo tem que inventar alguma coisa para se adaptar à situação tecnológica nova. Mas não passo muito tempo ouvindo música. Prefiro ler, e gosto de ouvir o que já ouvia, como João Gilberto.

Quando fez o show Cê no Canecão, Caetano deixou de gravar lá o DVD Cê – Multishow ao vivo, porque havia mesas na pista. Acabou optando por gravá-lo no despojamento da Fundição Progresso. Desta vez, mesmo que haja a possibilidade de sair um CD ao vivo com o repertório da temporada, diz nem ter se preocupado com o assunto.

– Nem perguntei se aqui vai ter mesa ou não vai ter. Eu venho aqui fazer meu trabalho. Fico indiferente se o público está sentado ou em pé, nem penso nisso – assegura o cantor, que, no entanto, ressalta não gostar muito do esquema de casa de show inspirado no Canecão. – Ali foi um acidente. Era uma cervejaria onde as pessoas iam comer, beber, dançar e tinha um pequeno show que durava 30 minutos num palquinho de lado. Depois é que ganhou esse status de casa de show.

24.04.08

Permalink 17:57:09, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
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Virada Cultural

O blog La Cumbuca colocou os discos que serão apresentados na íntegra na Virada Cultural em São Paulo, que começa esse fim de semana, para download. Olhem só aqui. Para quem não sabe, na Virada, alguns artistas que vão se apresentar, fazem seu show tocando as músicas de um disco inteiro, na íntegra. Este ano, tem o Som Nosso de Cada Dia, de volta, tocando as canções progressivas, de Snegs, de 1973 (se bem que eu prefiro o Som Nosso, disco black-prog de 1977), o Ultraje A Rigor mandando bala no som de Nós vamos invadir sua praia (1985), o Luiz Melodia cantando as músicas de Pérola negra (1973) e vai por aí. Eu acho imperdível, uma pena que não vou poder estar lá.

Leia mais sobre a Virada Cultural - um puta evento que dá até inveja de como a gestão de culturas é feita em São Paulo - aqui.

AH! Tô com um blog novo agora, no site da Laboratório Pop. Vão lá dar uma lida.

22.04.08

Permalink 10:28:10, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

Resenhas

Todas saíram no B nesses últimos dias.

"KEEP IT SIMPLE" - VAN MORRISON (Universal)

Após projetos em que interpretava jazz e country, Van Morrison retorna com um disco de inéditas no nível de obras como Astral weeks (1968) e Moondance (1970). O som une country, baladas, blues e até gospel, em faixas como "School of hard knocks", "Song of home" e "Don't go to nightclubs anymore". Há espaço até para um híbrido de folk e reggae, numa música chamada "Soul".

"LAND OF THE FREE II" - GAMMA RAY (Hellion)

Continuação do álbum de 1995 da banda alemã de power metal, que veio ao Rio na semana passada, Land II – ao contrário do que se poderia supor, no caso de uma segunda parte – é um bom presente para os fãs. O grupo impressiona pelo refrão operístico de "From the ashes" e pelos 11 minutos de "Insurrection". Nas letras, temas como a iconoclastia de "Real world" e a preocupação ecológica de "To mother Earth".

"ENCANTO" - SÉRGIO MENDES (Universal)

Quando começou a pôr ketchup na MPB nos anos 60 e 70, Sergio Mendes fazia discos ótimos, a despeito do que achava a crítica da época. Seus novos CDs, que unem som brasileiro ao pop de Will.i.am e Fergie, do Black Eyed Peas, são apenas razoáveis. Mas há brilho na versão batucada de "Águas de março", de Tom Jobim, em "E vamos lá", de Joyce e João Donato, e na participação dos velhos amigos Herb Alpert e Lani Hall em "Dreamer".

19.04.08

Permalink 12:50:23, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
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Frenéticas

Saiu um almanaque das Frenéticas, As tais Frenéticas - Eu tenho uma louca dentro de mim, pela Ediouro. Bati um papinho com a ex-frenética Sandra Pêra, autora do livro. Segue aí o texto, publicado no JB, no B, esta semana.
IMPORTANTE: Amanhã sai na Domingo - e na capa - uma matéria que fiz com Seu Jorge. Ele não costuma dar entrevista e recebeu o JB em seu camarim, segunda passada, no Teatro Rival. Falou pra caralho, recebeu amigos, a mãe (uma senhora super engraçada) e me atendeu com a maior simpatia. Leiam amanhã.

Drogas, dinheiro ralo, mas muita diversão na era ‘disco’
Biografia das Frenéticas, de Sandra Pêra, mostra lado bom e ruim do sucesso
Ricardo Schott

Nos anos 70, no pop nacional, não houve nada igual às Frenéticas. É verdade que, no quesito "mulheres no pop" já havia muita coisa desde os anos 50, mas o grupo vocal inovou por levar ao mercado fonográfico um cardápio que incluía disco music, rock, MPB e até teatro de revista, além de garantir mais pontos para a presença feminina na música. A curta existência da formação clássica do grupo está nas livrarias, graças a As tais frenéticas – Eu tenho uma louca dentro de mim (Ediouro), escrito pela ex-frenética Sandra Pêra.

– Nossa importância se deu também pelo lado comportamental – define Sandra, que, na época, chegou a posar com as Frenéticas, em revistas, vestindo apenas camisolas. – Além de sermos um grupo de mulheres, havia um clima antiditadura da beleza. Tínhamos cada uma seu tipo físico, e uma de nós, a Leiloca, era uma gordinha de bem com seu corpo, sempre de maiô.

Leiloca, Sandra, Lidoka, Dudu, Edir de Castro e Regina Chaves tiveram sua carreira discográfica aberta pela auto-afirmativa Perigosa, de Rita Lee, Roberto de Carvalho e Nelson Motta, cuja introdução ("Eu sei que eu sou bonita e gostosa/e sei que você/me olha e me quer") virou moda em 1977, quando o primeiro álbum do grupo foi lançado. Um ano antes, as Frenéticas eram um grupo de atrizes contratadas pelo agitador cultural Nelson Motta (então casado com a atriz Marília Pêra, irmã de Sandra) para trabalhar como garçonetes na boate que ele montaria por meros três meses no Shopping da Gávea, o Frenetic Dancin’ Days. Motta sugeriu que elas cantassem "umas três ou quatro músicas lá para a meia-noite" e a brincadeira acabou virando trabalho, com discos, turnês e estrutura própria.

– Nenhuma de nós havia cantado profissionalmente, só a Dudu – recorda Sandra. – Não havia pretensão. Depois daquele trabalho, iríamos procurar outro. Só que naquela época o Rio era um grande point, e a boate virou uma febre, o que chamou a atenção para nós.

A recém-instalada Warner brasileira acabou dando abrigo às meninas. Quem tem ótimas recordações da época é Liminha, que, após ser "diretor de estúdio" em álbuns de Carlos Dafé e Banda Black Rio, estreou como produtor no primeiro disco delas.

– Foi aí que consegui meu primeiro disco de ouro, e o primeiro da Warner – diz o produtor. – As Frenéticas eram geniais. Mesmo sem background musical, tinham muita personalidade. Muitos tentaram imitá-las, eu até fui chamado para montar um "Frenéticas 2" em outra gravadora. Claro que não aceitei.

No começo, as Frenéticas moravam juntas e contavam com a ajuda de amigos-irmãos, como Ney Matogrosso. Depois, tudo mudou, mas Sandra revela que, mesmo com o êxito da estréia e de singles posteriores, como Dancin' days (tema da novela referente à boate de Nelson Motta), a sorte não esteve do lado das garotas no quesito finanças.

– A Marília me dizia para poupar, mas gastávamos tudo o que entrava – lembra. – E nunca ganhamos nada equivalente àquele sucesso todo.

Escrito em formato de almanaque, com fotos e memorabília raras, As tais Frenéticas toca em temas delicados, como o relacionamento de Sandra com o cantor Gonzaguinha (que gerou Amora Pêra, cantora do grupo feminino As Chicas), as brigas e o desgaste do grupo (que existe até hoje, só com Dudu, Edir e Lidoka) e assuntos como sexo e drogas, vividos numa era pré-Aids.

– Na época, a droga era tratada de jeito especial. Era diversão, não havia maldade – crê Sandra, assustada até hoje com o alcance do grupo. – Algumas músicas ainda são quase hinos. Um amigo meu esteve na Alemanha e ouviu Dancin' days numa festa lá.

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Discoteca Básica

Jornalista, 32 anos, Niterói/RJ.Bizz, Nitideal, International Magazine, Rock Press, Jukebox, etc.Rock, MPB, samba de raiz, fusões, experimentalismos, rock nacional, indie rock, etc.E-mail: rschott2004@gmail.com

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