08.04.08

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Categorias: Livros

Matéria minha do Idéias

Minha estréia no caderno Idéias deu-se com este textinho aí, sobre o livro A vida louca de Porfírio Rubirosa. O original do JB Onliné tá .

UM PLAYBOY ANATÔMICO E POLITICAMENTE CORRETO
Ricardo Schott

O lançamento de A vida louca de Porfírio Rubirosa: o último playboy, de Shawn Levy, mostra, antes de tudo, que o nome playboy, hoje em dia, virou algo sem força, que cai bem em garotos bem nascidos (e que cometem o pecado de trabalhar). De acordo com a definição do criador da revista Playboy, Hugh Hefner - reproduzida no livro - este era "um homem de inclinações sensuais, em geral com recursos financeiros, que transita de mulher em mulher, festa em festa, emoção em emoção".

Um perfil que tinha a ver com disposição, espírito de aventura e vocação para o bem-viver - algo que nem sempre caminha lado a lado com o dinheiro ou com o currículo de conquistador que vários playboys (ou tidos como tais) da atualidade ostentam.

Nascido em 1909 na República Dominicana, Porfírio Rubirosa era filho do governador de uma série de pequenas cidades do país caribenho - marcado por guerras e conflitos tribais desde sua fundação e libertado do poderio haitiano apenas 65 anos antes. A biografia ganha sentido não apenas pelo currículo como conquistador, mas também pelo fato da personalidade de bon vivant ter sido moldada entre os conflitos vividos pelo país, do qual seu pai participou ativamente. No linguagar domincano, seu pai - e Rubi, por herança - era um tíguere, personificação, elevada à enésima potência, do macho latino ideal: destemido, gracioso, calculista e sempre usando determinadas situações ou pessoas a seu favor.

Uma das lembranças mais vivas da infância de Rubirosa foi o fato de ter tido que fingir que tocava violino, a pedido de uma professora que o recebeu numa escola para a qual havia se transferido na infância - sua turma inteira participava de um ensaio e tinha familiaridade com o instrumento, ao contrário do pequeno Rubi. "Será que no mundo dos adultos as aparências são só o que importa?", ele lembra de ter pensado.

O nome de Rubi (apelido que passou a adotar após separar-se de sua primeira mulher, Flor de Oro, filha do ditador domincano Rafael Trujillo) ganhou os jornais entre os anos 40 e 50 por causa de seus casamentos com mulheres lindas e riquíssimas - as milionárias americanas Barbara Hutton, dona da cadeia de lojas Woolworth's (com quem ficou casado por menos de dois meses, lucrando ao final um avião e uma plantação de café) e Doris Duke, além da atriz francesa Danielle Darrieux, considerada a mulher mais bonita do mundo em sua época.

Por outro lado, seu envolvimento com Trujillo e com a política sul-americana sempre foi explorado. Graças ao cargo de tenente da guarda presidencial do ditador, Rubi foi ganhando um prestígio político mundial do qual - e devido também aos múltiplos contatos e ao trânsito no jet-set internacional - nunca se distanciou. No auge na badalação, praticou automobilismo e pólo (temas que tomam boa parte do livro, até pelo fato de ter falecido num acidente de automóvel, a 130 quilômetros por hora, em 1965), envolveu-se com estrelas como Ava Gardner e Marilyn Monroe e levou o estilo tíguere além das fronteiras das repúblicas das bananas.

Dentre os que o conheceram nesse período estão o brasileiro Jorge Guinle que, numa entrevista à Playboy em junho de 1993, revelou que Rubi, além de ter as mulheres mais maravilhosas do mundo, não dispensava nem as faxineiras dos bordéis que freqüentava. O livro releva que, para além do charme, o grande segredo do sucesso de Rubi era, digamos, anatômico - fato cultivado em declarações de ex-esposas e amigos.

Um dos casamentos mais conhecidos de Rubi foi com a atriz húngara Zsa Zsa Gabor, com quem ainda viveria casos clandestinos e experimentaria situações de invasão de privacidade e exploração pela mídia - que, comparadas às devassas nas vidas das celebridades atuais, podem até soar ingênuas, até por sempre serem enxergadas por Rubi e pela atriz pelo viés do bom humor ou até mesmo da autopromoção. O livro explora essa fase de Rubi com grande riqueza de detalhes, encerrando a carreira de conquistador do playboy com sua última esposa, Odile Rodin - que, após enviuvar, viveu 20 anos como colunável no Rio e chegou a casar-se com um brasileiro, o empresário Paulo Marinho, que posteriormente se casaria com a atriz Maitê Proença.

O lado politicamente incorreto do biografado não ficou de fora. Rubi agrediu algumas de suas esposas e uma briga física com Zsa Zsa Gabor foi explorada por ela como peça de marketing - ela adotou um tapa-olho para esconder as marcas, e até fãs e outros artistas, numa espécie de proto-elemento pop, adotaram a peça como referência. Mesmo que Rubi não seja exatamente o último playboy - Jorge Guinle o venceu - é um perfil fascinante, especialmente como documento de época.

05.04.08

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Categorias: Música, Livros

Mais uma materinha do Caderno B

Matéria sobre o livro Sexo, drogas e Rolling Stones, que saiu onte,m (sexta) na capa do Caderno B.

MITOS E VERDADES
Ricardo Schott

No livro ‘Sexo, drogas e Rolling Stones’, José Emílio Rondeau e Nélio Rodrigues expõem a intimidade do grupo e revelam as conexões brasileiras

Hoje, dia do lançamento nacional do filme Shine a light, de Martin Scorsese – que mostra os bastidores de um show dos Rolling Stones em Nova York, em 2006 – outro retrato da legendária banda britânica toma as livrarias. Trata-se do livro Sexo, drogas e Rolling Stones(Agir), escrito pelo jornalista José Emílio Rondeau e pelo historiador Nélio Rodrigues, que revela casos íntimos do longevo grupo, com fotos inéditas e material raro coletado de revistas – incluindo antigos títulos nacionais, como a Revista do Rádio (que nos anos 60 fez uma pioneira reportagem sobre rockstars e drogas, com os Stones) e Geração Pop.

Rondeau, que conheceu Rodrigues quando preparava seu filme 1972, diz que a pesquisa para o livro seguiu o mesmo ritmo frenético da banda.

– Estamos pesquisando desde 1965, quando ouvimos (I can't get no) Satisfaction pela primeira vez – brinca. – Mas, a sério, tivemos que agir de outubro a fevereiro, embora já tivéssemos tudo que precisávamos à disposição para o trabalho.

Segundo livro de Rodrigues

Os autores têm relações com a história da banda no currículo. Rondeau entrevistou o guitarrista Keith Richards em 1989 para a revista Bizz, na época em que a banda lançava o CD Steel wheels

– Ele foi simpaticíssimo – recorda o jornalista, que não esteve com nenhum outro stone, mas pôde, no dia seguinte à entrevista, ver a gravação de um clipe da banda. – Ver e ouvir a guitarra de Keith ali bem perto foi uma sensação inédita para mim.

Nélio Rodrigues já escrevera em 2000 outro livro sobre a banda, Os Rolling Stones no Brasil – Do descobrimento à conquista (1968-1999), mostrando minúcias das visitas de Mick Jagger, Charlie Watts e Mick Taylor (guitarrista que substituiu Brian Jones nos Stones) ao Brasil, além dos shows da banda em turnê pelo país.

– A ligação deles com o Brasil nunca foi explorada pela mídia. Já vieram aqui várias vezes e compuseram uma música inspirada no candomblé, Sympathy for the devil. A capa do Black and blue, disco de 1976, foi feita por uma designer brasileira, a Bia Feitler – conta Rodrigues, lembrando que Jagger e sua então namorada, Marianne Faithfull, visitaram o Brasil em 1968 e conheceram o Rio, Salvador (onde o cantor participou de rodas de samba com pescadores) e até mesmo Matão, no interior de São Paulo. – O show dos Stones em Copacabana foi em frente ao mesmo hotel em que o Mick e a Marianne ficaram hospedados em 1968, o Copacabana Palace.

Sobre esse show, Rondeau gosta de imaginar que foi feito no lugar em que um stone "descobriu o Brasil".

– Muita gente não se dá conta disso, mas Mick Jagger conhece profundamente o Brasil. Nas vezes em que esteve aqui, viu cultos afro-brasileiros, tocou com nossos músicos e até tomou cachaça com operários. Ele não se comportou como um pop star fazendo turismo – define o autor que, com Rodrigues, coletou dados como o fato de o vocalista ter visitado uma favela da Zona Sul carioca e filmado tudo com uma câmera Super 8.

Entre o material inédito mostrado pelo livro, há várias fotografias de Mick e Marianne no Brasil em 1968, clicadas por Adger W. Cowans – fotógrafo americano que adorava jazz e, por conta disso, acabou engrenando uma conversa com um acuado Mick, perseguido pelos fotógrafos no Brasil e ciceroneado por ninguém menos que o jornalista Carlos Leonan e o cronista Fernando Sabino.

– Também pegamos um extenso depoimento do cantor Arnaldo Brandão, que morou com Mick Taylor na Inglaterra. Ele esteve no olho do furacão dos Stones, viu tudo de perto, até hospedou Taylor no Brasil – diz Rodrigues.

O pesquisador (que, antes de abraçar a história, se formou em biologia) diz que não precisou entrar em contato com a equipe dos Stones para editar seu livro, nem o que fez com Rondeau.

– Lá fora saem livros e mais livros sobre os Rolling Stones, isso é comum. Jamais aconteceria o mesmo problema que tivemos aqui com Roberto Carlos em detalhes, do Paulo César Araújo – garante.

Casos escabrosos

Num livro chamado Sexo, drogas e Rolling Stones, evidentemente o prato principal são os inúmeros casos envolvendo os integrantes da banda. Em especial Keith Richards, que enfrentou inúmeras prisões por porte de drogas e é o rei das declarações e atitudes irônicas.

– Keith é, de fato, o doidão, aquela pessoa da qual todo mundo sabe tudo, ao contrário de Mick Jagger, que é extremamente controlado e reservado. Agora, o menino levado da banda é mesmo Ron Wood (guitarrista que substituiu Mick Taylor), que chegava a levar bronca do Keith por estar sempre drogado nos ensaios – lembra Rondeau, que compreende perfeitamente o lado mais sombrio da banda. – Eles passaram como um trator por cima de tudo que os obstruísse. Que banda dura esse tempo todo? E, num mercado competitivo como o pop, você tem que ser um pouco cruel.

12.03.08

Permalink 22:39:13, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música, Livros

Carlos Imperial !!!

Me orgulho pra caralho de ter feito essa matéria, que foi pra capa do Caderno B de hoje. O Denilson Monteiro, que fez a pesquisa do livro Vale tudo - O som e a fúria de Tim Maia, de Nelson Motta, está terminando uma biografia do Carlos Imperial, Dez! Nota dez! Segue aí o texto que saiu hoje no JB na íntegra.

AS NOTAS MÁXIMAS DE CARLOS IMPERIAL
Ricardo Schott

Carlos Imperial foi um homem multimídia antes que o termo começasse a definir quem atua em todas as frentes. Produziu discos, lançou artistas (numa escala díspar que inclui de Clara Nunes a Gretchen, passando por seu maior pupilo, Roberto Carlos), dirigiu filmes, apresentou programas, compôs sucessos e até tentou carreira política. Na música, esteve presente em quase tudo, da bossa nova ao rock, passando pela MPB. E uma detalhada biografia de Imperial sai em dezembro. É Dez! Nota dez!, do historiador Denilson Monteiro, pesquisador de Vale tudo: o som e a fúria de Tim Maia, de Nelson Motta. O título do livro vem da maneira como Imperial anunciava as notas máximas nas apurações de desfiles de escolas de samba.

- Ele leu as notas da apuração só em 1984 e 1985. E até hoje todo mundo lembra - brinca Denilson.

Em 1973, Imperial lançou a hoje esgotada autobiografia Memórias de um cafajeste.

- Mas a idéia dele era só tratar de sua vida como incentivador do rock nos anos 50. O meu livro mostra um relato completo da vida de Imperial, um sujeito que acho que faz muita falta no Brasil de hoje - diz Monteiro, que crê que Luciano Huck, por seu lado empreendedor e bon-vivant, tenha pego, em parte, o bastão do popular Impera. - Ele também batalhou muito, começou em canais pequenos. Mas poderia fazer como o Imperial e recuperar pessoas esquecidas. Graças a uma fofoca do Imperial, a de que os Beatles iriam gravar Asa Branca, o Luiz Gonzaga, que estava sumido, voltou à mídia.

No começo, Imperial fez pontas em chanchadas da Atlântida como O petróleo é nosso, de Watson Macedo (1954). Seu envolvimento com a música se deu a partir dos anos 50, com a explosão do rock. Foi a partir de então que ele se envolveu com dois personagens que marcariam sua vida. Roberto Carlos, nascido na mesma cidade de Imperial (Cachoeiro do Itapemirim/ES), foi lançado por ele, que percorreu gravadoras, lhe arrumou um contrato com a CBS (hoje Sony-BMG) e compôs quase todo o repertório do primeiro álbum do rei, o hoje proscrito Louco por você (1960). Já Erasmo Carlos trabalhou nos bastidores dos programas de rock de Imperial e assinava notas da coluna do patrão na Revista do rádio. Denilson, que não conseguiu falar com Roberto (mas entrevistou Erasmo), diz que não se intimidou com a censura a Roberto Carlos em detalhes, de Paulo Cesar Araújo, e falou sobre o rei em Dez! Nota dez!.

- É um livro sobre o Imperial, não sobre o Roberto. Foquei apenas na persistência dele para atingir seu objetivo e sobre o apoio que ele recebia do Imperial - diz Monteiro, que não deixa de ironizar o clima criado pela censura ao livro sobre o rei. - No futuro, quem for escrever uma biografia só poderá falar que o personagem acordou e foi ao banheiro, mas sem mencionar o que ele foi fazer lá.

O ator humorístico Paulo Silvino também foi lançado por Imperial, no fim dos anos 50, mas como cantor de rock.

- Lembro dele como um grande amigo, e um produtor e criador fenomenal - diz Silvino, afirmando que, apesar de imagem pública de doidão, Imperial sempre foi um grande careta. - Ele não bebia, não fumava e não usava drogas. Lembro dele como um grande glutão, viciado em Coca-Cola e mulher.

Para lançar seus produtos ou simplesmente para não sumir da mídia, Imperial fazia tudo. Em abril de 1983, carregou uma cruz nas costas pelo Centro do Rio, para protestar contra o diretor teatral Aderbal Freire Filho - que dirigira uma peça sacra que Imperial acreditava ter sido superfaturada. No natal de 1968 foi preso ao enviar aos militares um cartão em que aparecia sentado nma privada, com a legenda "espero que Papai Noel não faça no seu sapato o que faço neste cartão". Em 1985, se candidatou a prefeito pelo PTN (Partido Tancredista Nacional, uma homenagem a Tancredo Neves, sem autorização da família do próprio). Nos programas eleitorais, aliciava patrulheiros mirins e convocava a população a bater panelas como forma de protesto. E graças à sua vida como produtor de pornochanchadas como As delícias do sexo e O sexo das bonecas, e aos programas de TV em que aparecia cercado de "lebres" (as garotas do Imperial), a imagem pública de garanhão marcaria sua vida, encerrada em 4 de novembro de 1992, a 10 dias de fazer 57 anos.

- O livro mostra como ele relaxa na cama ao lado de várias meninas. Só não deu para citar os nomes porque seria deselegante - diz Denilson. - Saíram livros sobre Roberto Carlos, Clara Nunes e Tim Maia e é impossível falar deles sem o Imperial. É mais fácil falar do que ele não fez.

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O link do texto tá aqui.

18.12.07

Permalink 01:24:06, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Política, Música, Livros

RC

Chegou e-mail aqui (por intermédio de Rafael Garcia) com um artigo que saiu ontem na Folha de São Paulo, assinado pelo autor de Roberto Carlos em Detalhes, Paulo Cesar de Araújo. Lá, ele fala sobre a adulteração que os advogados do rei fizeram do conteúdo de seu livro.

NÃO POSSO E NAO DEVO ME CALAR (Paulo Cesar de Araújo)

Foi um "erro de digitação". Essa foi a resposta que o advogado de Roberto Carlos forneceu à Folha ao ser indagado sobre a denúncia de adulteração do conteúdo do livro "Roberto Carlos em Detalhes" na queixa-crime que seu escritório enviou à Justiça contra mim. Recapitulando: no livro, digo que na jovem guarda havia uma "combinação de sexo, garotas e playboys". Pois na página 16 da queixa-crime essa frase é citada com a troca da palavra "garotas" por "drogas" e, em seguida, os advogados escreveram: "(...) e por aí vai o querelante, misturando sexo grupal com homicídio, consumo de drogas com corrupção de menores e bestialismo".

Ressalte-se que não apenas naquele documento como também em entrevistas o advogado Marco Antônio Campos tem atribuído ao livro frases que não escrevi. À revista "Aplauso", por exemplo, ele afirmou que no livro está dito que Roberto "era assíduo freqüentador da cobertura de Carlos Imperial, onde as festinhas eram regadas a todos os tipos de drogas", e que, "uma vez, uma menor foi estuprada e morta numa dessas festas".

Ocorre que o livro não fala em drogas ou homicídios na casa de Imperial e muito menos associa Roberto Carlos a isso. Narra, sim, um escândalo que abalou a jovem guarda em 1966, com Imperial e outros artistas acusados de se envolver com garotas menores. No texto, enfatizo que aquilo não atingiu Roberto Carlos. Qualquer um pode confirmar isso no livro, do fim da página 306 até a página 311. Basta ler!

É lamentável que Roberto Carlos tenha entrado na Justiça sem ao menos ter lido a sua biografia. "Fizemos um resumo para ele", confessa Campos. Se o resumo que o advogado fez ao cantor foi o mesmo que está na queixa-crime e propaga em entrevistas, está finalmente explicado por que Roberto Carlos ficou tão furioso com um livro que engrandece a sua vida e a sua arte. E agora também finalmente sabemos a que ele estava se referindo quando, na primeira manifestação contra o livro, disse em entrevista coletiva que nele haveria "coisas não verdadeiras". Ou seja, diante de toda a imprensa brasileira, um dos maiores artistas do país desqualifica o trabalho de um profissional apenas baseado num resumo adulterado que lhe foi fornecido por colaboradores.

Campos fala agora em "erro de digitação". Roberto Carlos, assim como o presidente Lula, provavelmente vai dizer que nada sabia. E, aí, estamos conversados? Não, não estamos. Como bem afirmou Paulo Coelho meses atrás em artigo aqui mesmo na Folha, o que está em jogo nesSa polêmica não é apenas o meu livro, não é apenas o meu caso. É a liberdade de expressão no Brasil, direito adquirido depois de longa luta contra a ditadura. Porque, se valer para outras figuras públicas o que está valendo para Roberto Carlos, ninguém mais poderá escrever a história deste país.

Várias personalidades que já leram "Roberto Carlos em Detalhes", como Caetano Veloso, Nelson Motta e Ruy Castro, declararam que se trata de um livro carinhoso e positivo para o cantor. Em recente entrevista à "Veja", o renomado jurista Saulo Ramos afirmou que o livro "é uma biografia perfeita. Não tem um ataque moral contra o Roberto. Ele me consultou e eu o aconselhei a não tomar nenhuma providência. Recusei a causa, e ele procurou outros advogados".

Será que todas essas pessoas estão erradas e apenas os advogados que o cantor procurou estão certos? É óbvio que esses advogados estão fazendo o papel deles, mas daí a tergiversar no processo, adulterar o conteúdo da obra para induzir a Justiça a erro vai uma grande diferença. E, diante disso, não posso e não devo me calar.

Pois foi baseado no conteúdo dessa queixa-crime que o juiz Tércio Pires, do Fórum Criminal da Barra Funda (SP), julgou que o livro cometia grande ofensa à honra de Roberto Carlos. Acreditando nisso, por duas vezes esse juiz ameaçou mandar fechar a editora Planeta durante aquela fatídica audiência, em 27 de abril. Sentindo-se coagida, a editora decidiu aceitar o acordo, me deixando abandonado. Resultado: o livro foi proibido, 10.700 exemplares do estoque foram apreendidos, e outros tantos, recolhidos das livrarias e entregues a Roberto Carlos para serem destruídos. É uma violência cultural sem precedentes em países sob vigência do Estado democrático de Direito.

Para o cantor, esse imbróglio trouxe desgaste de imagem e nenhum sentido prático, pois o conteúdo do livro está na internet. Além disso, o tempo ficou cada vez menor e até agora ele não conseguiu aprontar um novo álbum ou lançar uma ou duas novas músicas - fato que não acontecia desde que gravou seu primeiro disco, há 48 anos! Portanto, 2007 ficará marcado na história de Roberto Carlos como o ano em que ele não lançou nenhum novo CD, mas, ao contrário, tirou de circulação a sua biografia.

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PAULO CESAR DE ARAÚJO é historiador e jornalista, autor de "Roberto Carlos em Detalhes".

15.05.07

Permalink 09:55:55, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música, Televisão, Livros

Roberto Carlos em Detalhes na TV

Chegou e-mail do leitor Rafael Garcia avisando.

"Gostaria muito que você assistisse ao "Observatório da Imprensa", TVE, terça-feira, às 22:30h.
O grande biógrafo de Roberto Carlos, Paulo Cesar de Araújo, dará uma entrevista exclusiva para todo o país (AO VIVO).
As verdades em detalhes... imperdível."

MARAVILHA! Todo mundo na frente da tv vendo (mas precisava ser na hora da Diarista?)

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Discoteca Básica

Jornalista, 32 anos, Niterói/RJ.Bizz, Nitideal, International Magazine, Rock Press, Jukebox, etc.Rock, MPB, samba de raiz, fusões, experimentalismos, rock nacional, indie rock, etc.E-mail: rschott2004@gmail.com

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