16.07.07

Permalink 13:38:09, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Animais

Deu pra perceber que tá complicado de atualizar o Discoteca Básica? Pois é, mas é só nessas semanas. Daqui a pouco melhora.

03.05.07

Permalink 12:21:45, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Egotrip, Música, Animais, Livros

Adeus, RC

Já que a imprensa não está fazendo burburinho quase nenhum em torno do recolhimento do Roberto Carlos em detalhes, faço aqui a minha parte.
+ Segue abaixo a íntegra da matéria que saiu hoje na Folha de São Paulo sobre o assunto.
+ Segue aqui link para uma entrevista que o jornalista Marcos Xavier Vicente fez com PC Araújo para um jornal chamado Gazeta do Povo.
No mais, só digo que, num país que nao lê e não compra livros, o recolhimento de uma obra como essa das livrarias, deveria dar vergonha em qualquer ser humano.

Biógrafo de Roberto Carlos diz se sentir "abandonado"
Para historiador Paulo Cesar de Araújo, livro sobre o "Rei" ficou "sem defesa" na audiência que resultou na proibição definitiva de sua produção e venda
Advogado da editora diz que acordo não sairia sem vontade do autor; Araújo diz que clima era "favorável" a Roberto, mas juiz nega

EDUARDO SIMÕES
DA REPORTAGEM LOCAL

O historiador Paulo Cesar de Araújo diz que se sentiu "abandonado" e que viu seu livro ficar "sem defesa" durante a audiência na última sexta-feira que resultou no acordo para a proibição definitiva da produção e venda da biografia "Roberto Carlos em Detalhes". Roberto havia alegado invasão de privacidade e, diante do acordo, desistiu dos processos cível e criminal que havia aberto.

Araújo afirma, no entanto, que, desde o início da audiência, a sorte do livro já estava lançada. "Foram cinco horas debatendo dinheiro. Sabia-se que os livros seriam destruídos. Depois, o que se discutiu foi quem pagaria os honorários dos advogados de Roberto e se haveria ou não indenização para ele", reclama o escritor.

A polêmica em torno do acordo foi retomada ontem, com o artigo "O que é contexto desfavorável?", do escritor Paulo Coelho, publicado na Folha. Coelho se disse chocado com a "atitude infantil" de Roberto e exigiu uma explicação da Planeta, também sua editora, para as circunstâncias em que foi feito o acordo.

Em comunicado, a Planeta diz que as razões do acordo em nada põem em risco a liberdade a que também se referiu Paulo Coelho. Mas que elas resultaram de um "contexto desfavorável" para todos:

"Roberto Carlos não quis correr o risco de perder a demanda e ver o livro publicado outras tantas edições; a Planeta e o autor, diante dos titubeios até então apresentados pelos juízes cível e criminal, e até mesmo pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, em garantir plenamente -e com rapidez- seus direitos constitucionais, achou por bem encampar a proposta do acordo".

Ronaldo Tovani, advogado da Planeta, ressaltou que o acordo não teria saído se não fosse da vontade do autor também. "Juridicamente, não seria possível. Se houve arrependimento, e me refiro ao Paulo Cesar, é uma situação em que não se pode voltar atrás."
Araújo se queixa ainda de que houve um "clima favorável" a Roberto por parte do juiz Tércio Pires, que presidiu a audiência, e que teria advertido o tempo todo que vislumbrava uma condenação e uma indenização muito alta. O juiz contesta Araújo, dizendo que apenas informou o que poderia ter acontecido se os acionados não tivessem ido à audiência.

"O que se poderia concluir? Que ele [o acionado ausente] está de boa-fé? Não. E isso poderia desencadear uma medida extrema. Eu poderia mandar proibir a rodagem dos livros. A Justiça não iria se prestar a manobras para que continuasse vendendo a obra sem discussão da legalidade."

Também cantor, juiz presenteou o "Rei" com CD
DA REPORTAGEM LOCAL

Paulo Cesar de Araújo, que saiu da audiência chorando, reclamou do clima de confraternização nos momentos que sucederam a assinatura do acordo, na última sexta. Ele conta que o juiz Tércio Pires e os promotores tiraram fotos com Roberto Carlos, e o juiz ainda teria entregue a ele, ao cantor e aos representantes da editora Planeta uma cópia do CD "Pra Te Ver Voar", em que canta com o nome artístico de Thé Lopes. "Vi meu livro sendo queimado nesse cenário surreal", diz.
O juiz disse à Folha que a entrega do CD foi um gesto de "pacificação": "Já fiz isso em outras audiências de conciliação. É uma forma de parabenizar pelo acordo, tanto que dei o CD a todas as partes".

Araújo também diz que em nenhum momento pensou em se ausentar da audiência, para a qual, diz ele, nunca foi chamado oficialmente. "Ao longo de todo esse processo, nenhum oficial de Justiça bateu à minha porta. Todas as intimações da Justiça foram enviadas a outro Paulo Cesar de Araújo, cujo endereço os advogados de Roberto encontraram no Telelistas do Rio", conta. A Folha apurou que, de fato, toda a correspondência foi encaminhada a um "quase" homônimo do historiador, Paulo Cezar de Araújo, 59. Morador de Niterói, onde também vive o autor da biografia proibida, ele diz que vai processar Roberto Carlos por conta do engano. (ES)

02.05.07

Permalink 09:10:31, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música, Animais

Lobão Acústico

lobao_ac

"ACÚSTICO MTV" - LOBÃO (Sony & BMG) *

Falar, como o próprio Lobão deve saber, é fácil. E falar mal do Acústico MTV que ele gravou recentemente, idem. Antes de mais nada, não deixa de ser curioso observar como as coisas mudam. Anos atrás, entrevistando o cantor Pedro Mariano, lembro de ter ouvido dele que não entendia os críticos que falavam mal de sua irmã, Maria Rita, imaginando vir ali uma estratégia para a ressucitação da mãe dos dois, Elis Regina. "Sempre falo pra esses caras: pô, ouve o disco!", disse. Hoje é Lobão quem, via Sony & BMG, se escora numa campanha parecida, com direito ao slogan "Acústico MTV Lobão: não tente entender, assista".

E aí que, tentando entender, é facilmente compreensível que Lobão, mesmo tendo conseguido fazer o barulho que fez no meio independente (o que é notório), tenha passado a achar que seus últimos lançamentos foram desperdiçados. Por mais que a Outracoisa seja uma revista bem legal, por mais que lançamentos como As próximas horas serão muito boas (Cachorro Grande), Apuros em Singapura (Carbona) e o próximo do Canastra sejam excelentes, normal que ele tenha achado que seu último disco independente, Canções dentro da noite escura, tenha sido desperdiçado. Mesmo A vida é doce, lançado em 1999 e estréia do seu selo Universo Paralelo, tem músicas que poderiam ter tocado em rádio - Noite, último disco antes do "exílio" das gravadoras grandes (e lançado justamente por uma Universal pré-fusão com PolyGram) chegou a ter a faixa-título tocando numa trilha de Malhação e emplacou o quase-hit "Deixa". O lugar de Lobão, seja como for, é no rádio. E boa parte desse Acústico MTV, incluídos aí até mesmo os não-hits de seus dois discos anteriores, mostra bem isso.

Falar mal dos Acústicos já se tornou lugar comum - impossível não fazê-lo, quando se vê que até mesmo Zeca Pagodinho (que não usa guitarras em seus shows) já gravou dois, e que projetos forçados como os acústicos do Charlie Brown Jr. e o do Cidade Negra já surgiram. No caso de Lobão, o disco veio ao encontro de uma sonoridade que nunca dispensou o acústico - desde os anos 80, uma das características de Lobão sempre foi ter ótimos violões e baladas acústicas muito bem feitas e bem produzidas, como "Essa noite, não" e "Chorando no campo".

No mais, por mais que Lobão tenha queimado a língua ao desdenhar do projeto e hoje se diga "cansado de ser contestador", dá até para dar uma de radical e dizer que, quem não reconhecer estar diante de um produto bom e legítimo ao ouvir o Acústico do cantor, tem duas latrinas no lugar dos ouvidos. Não deixa de ser uma boa volta por cima - muito embora, diante das baixas vendas de Canções... (15 mil discos, segundo ele próprio), o retorno dele às grandes gravadoras não tenha nada de triunfal. O mercado está asfixiado, mas conseguir domesticar um sujeito difícil como Lobão - embora, por trás disso, estejam o relançamento de seus discos lançados pela antiga RCA e o merecido reconhecimento do potencial pop das canções de sua fase indie - é fato para ser exibido em troféu de caça.

O formato acústico de Lobão inclui cordas, acordeões, muito violões e violas caipiras, dando um toque especial a canções esquecidas como a new wave-hispânica "Bambino" (de Ronaldo foi pra guerra), "O mistério" (baladão progressivo feito por Lobão e Lulu Santos, do repertório do Vímana, banda que ambos mantinham nos anos 70) e "Por tudo que for" (do fraco O inferno é fogo), além de hits inevitáveis como "Canos silenciosos", "Rádio blá", "Noite e dia" e (você duvidava?) "Me chama". Músicas mais recentes como "Vou te levar", "Quente", "El Desdichado II" (homenagem ao amigo percussionista Alcir Explosão, da bateria da Mangueira, morto por bala perdida no Rio) e "Você e a noite escura" ficam emocionantes - nesse ponto, a única bola na trave é "A vida é doce", menos deprê e contudente que a original.

Se Lobão já havia conseguido inovar reinventando sua imagem no mercado (ou à margem dele), seu Acústico MTV mostra, originalmente, que o formato não é para qualquer um - e que pode até representar decadência e desgaste, mas não para todo mundo.

* publicado em minha coluna do Nitideal.

É RATA: O leitor Nandão esclareceu que "Por tudo que for" é do Cuidado!, disco do Lobão lançado em 1988. E o amigo Fábio Vanzo esclareceu que do O infereno é fogo entrou "Que língua falo eu", só no DVD. Abraços!



Discoteca Básica

Jornalista, 32 anos, Niterói/RJ.Bizz, Nitideal, International Magazine, Rock Press, Jukebox, etc.Rock, MPB, samba de raiz, fusões, experimentalismos, rock nacional, indie rock, etc.E-mail: rschott2004@gmail.com

Novembro 2009
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