05.11.07

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The best of Discoteca Básica: Blue Cheer

Estou em total exílio de blog por causa dos trabalhos da faculdade e por causa de uns lances que estou armando. Como andei ouvindo bastante essa banda nos últimos dias, segue aí um textinho sobre eles, que publiquei no Discoteca Básica no final de 2002 - dei uma atualizada com algumas informações.

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"GOOD TIMES ARE SO HARD TO FIND" - BLUE CHEER (Mercury, 1994)

"Quantas vezes você já ouviu um acorde de guitarra passar por dentro de um pedal de distorção e brotar num alto-falante como uma mistura de raiva e futurismo?", perguntava Waldir Montanari num número (hoje empoeirado) da antiga Rock stars, nos idos de 1984. A frase em questão apareceu numa matéria sobre o Steppenwolf - outro grande pioneiro da distorção, aliás - mas serve bem para definir o que é o som dos norte-americanos do Blue Cheer, que têm a primeira fase de sua carreira dissecada nessa coletânea, Good times are so hard to find.

Misturando guitarras ultra-distorcidas, bateria estilo homem-das-cavernas, baixo cheio de fuzz, psicodelia, jazz-rock e rebeldia, os caras (uma formação mutante, sempre girando em torno do vocalista-baixista Dickie Peterson), nos primeiros anos, foram a verdadeira definição do termo power-trio. Em seu primeiro disco, Vincebus Eruptum (Philips, 1968), Dickie, Paul Whaley (baterista) e Leigh Stephens (guitarra) transformavam o rock numa manifestação de violência sônica. Isso ficava claro na histórica versão que a banda fez de "Summertime blues", clássico de Eddie Cochran. Comportando-se como uma banda de jazz-tribal (há espaço até para solinhos de cada integrante), o BC transformou a famosa historinha do garoto que queria dinheiro para as férias de verão num verdadeiro ato de rebeldia. Conseguiu superar até a versão do Who para a mesma música.

Eletrificando e pesando o blues até as últimas conseqüências, o grupo foi inserindo um bom punhado de psicodelia (não por acaso, "blue cheer" é o nome de um tipo devastador de ácido) no rock básico. No segundo disco, Outsideinside, também de 1968, o som do Blue Cheer estava cada vez mais lisérgico, quase próximo do progressivo devido a improvisos e a criações cerebrais-descerebradas, como a suingada e berrada "Babylon" - aberta com verdadeiras ondas de guitarra. Um ano antes do Led Zeppelin entrar em estúdio para gravar seu primeiro disco, o BC havia gravado "The hunter", clássico blues de Albert King que Page & Plant chuparam na cara dura para compor "How many more times" ("they call me the Hunter/that´s my name...", etc). Já as duas faixas pinçadas do terceiro disco, New! Improved! mostravam um mergulho ainda mais arrojado no pré-prog e na psicodelia. Esse mergulho foi traduzido num tom mais calmo (que incluiu até a mudança do vocalista: Dickie ficaria só no baixo e os vocais passariam a ser feitos pelo guitarrista Randy Holden) e em melodias mais trabalhadas, como a sintomática "Peace of mind" e "Fruits and icebergs".

As várias mudanças de guitarrista acabaram por descaracterizar o som da banda. Em 1970, o grupo já tinha abandonado a psicodelia e havia passado a fazer um rock mais tradicional. O disco Blue Cheer mostra isso em faixas como "Hello L.A, bye-bye Birmingham" e na animada "Saturday freedom", sons ensandecidos, mas sem o brilho e a selvageria dos discos anteriores. A partir daí, o grupo foi praticamente transformando-se numa banda pop amena. A música "Good times are so hard to find", do disco BC5: The original human beings, mostra isso claramente. Em Oh pleasant hope, último LP dessa fase, as faixas escolhidas para a coletânea ("Hi-way man" e "I'm the light") mostram um Blue Cheer imerso novamente em psicodelia, embora totalmente amenizado. Depois disso, a banda entraria num longo hiato.

Good times are so hard to find é um bom resumo (nunca lançado no Brasil) da primeira fase do grupo. A banda voltou em 1984 com o disco The beast is back. Hoje, considerado um precursor do stoner rock, o grupo - com Dickie, Paul Whaley e Andrew "Duck" Donald na guitarra - está de volta, com site novo, turnê nova e um CD novo, com o sintomático nome de What doesn't kill you....

09.10.07

Permalink 01:07:06, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Egotrip, Música

DIBOB E ARMANDINHO - ESTÚDIO COCA-COLA - HARD ROCK CAFÉ - A RESENHA!!!!

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- Oi, você sabe onde fica o Hard Rock Café?
- Pô, eu acabei de deixar minha filha de 12 anos e mais umas três sobrinhas lá... Tem que pegar essa escada aí e subir, fica no terceiro andar...
- Ah, tá bom, valeu.

Bem vindo ao mundo real. Sim, pra quem acompanha distraidamente o meio musical, pode até parecer fácil imaginar um mundo em que os adolescentes ouvem Strokes, Moptop e Franz Ferdinand. Só que o buraco é mais embaixo. Hoje quem ouve música e está dentro do mercadão do consumo vive uma época em que, nerds e indies à parte, hardcore, emo, axé, reggae, pop, hip hop, iPods e eventos fodaços feitos por grandes marcas se misturam na cabeça da galera. E misturar, para o pessoal do Estúdio Coca-Cola, é a palavra de ordem. Lá, já rolou desde Babado Novo e CPM 22 até Marcelo D2 e Lenine, e o falso reggaeman Armandinho já se encontrou com duas bandas que comumente são chamadas de "emo": o NX Zero (um dos integrantes desse grupo se recusou a me responder uma vez, a pergunta-mandada-na-lata "vocês são emo?") e, dessa vez, o Dibob. E foi pra lá que eu fui neste domingo.

O LOCAL: Antes do show, rolou um passeio geral e uma olhada básica em todo o evento - com direito a confraternização de blogueiros, ao lado de Jorge Wagner do Canção Pobre e do pessoal dos blogs Hang The DJ e Som do Som (sim, estive lá porque eles decidiram abrir espaço para blogueiros no evento - o pessoal da produção, com raras exceções, sequer sabia que eu já tinha passagens por redações bem mais nobres do que as do meu blog). Além da decoração habitual do Hard Rock Café - que, confesso, correu o risco de parecer bem mais interessante do que as bandas da noite - o local ainda estava decorado com dançarinas e dançarinos, cada um representando um personagem musical (tinha a roqueira, a fã de hip hop, o metaleiro,e tc).

Não era uma coisa de muito bom gosto - lembrava um esquema meio Domingo Legal, com gente dançando praticamente sem música. Chegava a hora de começar a trabalhar: eu e todos os blogueiros colamos na dançarina roqueira, gatíssima e tatuadíssima, por sinal. E que, vá lá, não estava só fazendo figuração. "Minha banda preferida é David Bowie" (sic), disse, se eu ouvi direito, a menina. Era a atriz e modelo Carol Santini, que nao via problema algum em ficar ali dançando na frente de uma molecada que parecia que nunca tinha visto aquilo tudo dançando na frente deles na vida. "Eu gosto de aparecer!", falou, antes de, a pedido da reportagem, mostrar sua lata de Coca-Light, que segurava enquanto dançava, vazia. "É que eu não bebo refrigerante..." Valeu, Carol, um beijo.

ENCHENDO O PANDULHO: Antes de qualquer outra coisa, fomos todos irrigar o bucho na área vip. Mas até chegar lá, teríamos outras surpresas. Além dos fãs de Dibob e Armandinho, misturavam-se à galera alguns atores mirins da Globo. Tinha Bruno Abrahão (que foi filho do Alexandre Borges e da Julia Lemmertz em Celebridade), Pedro Malta (só lembro que ele foi filho da Mariana Ximenes em Chocolate com pimenta) e... "Me falaram que aquela garota que tá ali se agarrando com o namorado é a Debby, da Turma do Didi", disse alguém no meu ouvido. O efeito TV Fama faz escola entre a petizada global: ao passar pelos valorosos homens de imprensa do evento, a atriz-mirim pegava correndo o celular para falar com alguém, como se não quisesse de jeito algum ser importunada. Ah, mais duas presenças ainda mais marcantes: a VJ Penélope Nova, da MTV (gata e bem simpática de perto) e um repórter da Rede TV! chamado Edmundo, que... foi um dos garotos DDD (lembram dessa propaganda?) quando era criança.

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Eu, Jorge Wagner e um ator mirim que ninguém lembrava o nome

NO CAMARIM: Todo jornalista já teve seu dia de dar uma esgueirada no camarim de algum artista, em busca de uma entrevista. A (pouca) experiência me ensinou a ficar de olho em aglomerações e a seguir fotógrafos e gente de TV em certos eventos. Quando vi neguinho se mandando pra uma entrada com câmeras na mão, já me coloquei - junto com o resto da galera - em posição de ataque. Dito e feito: em quinze minutos estaríamos nos intestinos do Hard Rock Cafe batendo algo que chegava mais próximo de um papo com o Dibob e com o Armandinho.

Bastou alguns segundos com o pessoal do Dibob para perceber que o clima não seria muito diferente daqueles churrascos de família em que seu primo de 18 anos leva os amigos de escola. Comecei a coletiva (sim, era uma coletiva) perguntando sobre como foram os ensaios e como foi trabalhar com o Armandinho. "Ele ensinou a gente a tocar reggae! Ensinou a gente que reggae se toca de cima para baixo", disse um dos garotos. "Ele queria que a gente fizesse 'Ursinho de dormir' em versão porrada, mas quisermos fazer numa versão mais próxima do som dele", disse outro. Colocado ali como um homem bomba, um dos repórteres do Hang The DJ, o D'Moreaux, fez isto aos garotos da banda - e é verdade, eu tava lá e vi.

Na hora de falar com o Armandinho, a gracinha também rolou solta. "Verdade que você é gago?", mandou Janco Tianno, do mesmo blog, para em seguida ouvir do cantor que ele nao apenas sofria do mesmo mal de Nelson Gonçalves, como ainda por cima estava sem voz. Educadamente, perguntei a Armandinho como era para ele, com 37 anos, fazer uma música que era consumida majoritariamente por adolescentes. "Eu me relaciono bem com essa molecada por causa do surf, da praia...", disse, antes de ir posar para fotos. Depois dessas, já tinha gente da produção olhando pra gente com cara de medo.

SOLTA O SOM! Sim, lembrei de cara daquele programa bizarro que o Marcio Garcia apresentava na Globo, o Gente Inocente - que por sinal, também era aos domingos.

O que você vai ler aqui nem deve ser muito diferente do que rolou nos outros blogs que estiveram no evento. Sim, Dibob acabou surpreendendo todo mundo, com um punk que estava mais pra emo das antigas, hardcore californiano e (vá lá) Baba Cósmica do que as choradeiras de grupos como Fresno e NX Zero. É rock de beira de praia, com letras mais sacanas do que proprament românticas (caso de "1X0 eu"), além de covers interessantes ("Amante profissional", do Herva Doce, em versão mais ska que o original, e "Open your eyes", do Snow Patrol, canção típica dos cursos de inglês que a molecada que estava lá deve frquentar).

Armandinho, Armandinho... Segundo uma amiga minha gaúcha, ele na verdade tem bem mais de 37 anos, veio de Porto Alegre (e não de Santa Catarina, como comumente se diz) e... músicas como "Desenho de Deus" e "Ursinho de dormir" já estão prontas há bem mais do que apenas quinze anos, ao contrário do que ele costuma dizer. Sei lá se isso é verdade. Quando ele fala que faz "música pop", e não reggae, dá pra entender o que ele quer dizer com isso: o gênero jamaicano tem uma puta história, uma baita quantidade de informações e está sempre se renovando. Lá fora, porque aqui no Brasil qualquer chacundum barato vira reggae na boca de todo mundo. É melhor, mais cômodo, mais honesto e (bem) menos problemático Armandinho passar para a história como um Jack Johnson mais chegado ao reggae, do que dizer "ah, eu faço reggae...". Agora, vamos lá: 1) não é qualquer um que faz um troço grudento como "Desenho de Deus"; 2) os músicos do cara são de primeira linha e ele é bem escolado de palco.

A MISTURA: Na hora do encontro entre Dibob e Armandinho... Bom, "Ela disse adeus", dos Paralamas, apareceu numa versão bem interessante, só prejudicada pela tentativa de Armandinho em fazer um vocal grave, igual ao de Herbert (e ele ainda por cima estava sem voz). "Ursinho de dormir" veio numa versão mais soul, bem bacana, colada em... "Upside down", do Jack Johnson, aquela do clipe do macaquinho. Só não deu pra engolir foram os trechos de músicas do Asa de Águia e da Timbalada (!!) colados depois da versão de uma das mais belas canções de Bob Marley, "Redemption song". Calma com esse lance de mistura aê...

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Momento apuração perfeita: acho que isso aí é o Dibob. Foto de Jorge Wagner

20.08.07

Permalink 23:08:09, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
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Nelson Gonçalves???

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"ENSAIO" - NELSON GONÇALVES (DVD - Performance Be/Cultura Marcas)

O programa Ensaio, produzido por Fernando Faro para a TV Cultura, já captou imagens de alto valor documental de inúmeros artistas - e boa parte desse acervo está sendo editado em DVD pela associação da Cultura Marcas com vários selos (Biscoito Fino, Trama, etc). A Performance Be acaba de pôr nas lojas um dos momentos mais surpreendentes do programa: a participação de Nelson Gonçalves, numa edição que foi ao ar em 1993.

Além de grande cantor - daqueles de mandar um dó de peito - Nelson era uma figura humana muito peculiar. Certo, é Zeca Pagodinho quem canta que "eu já passei por tudo nessa vida". Mas Nelson (na verdade nascido Antônio Gonçalves, em 1919, na cidade gaúcha de Livramento) é quem mais personifica esse verso de "Deixa a vida me levar" - música que, provavelmente, ele jamais gravaria. Antes de se profissionalizar como cantor, ele foi iniciado na malandragem pelo pai, que dava uns golpezinhos inocentes de vez em quando. Depois virou aluno mau-exemplo (expulso da escola porque não quis cantar o Hino Nacional!), cantor de rua, boxeador, calouro de Ary Barroso (gongado com um vergonhoso "pára de cantar que você não nasceu pra isso!"), até se tornar o artista que foi.

No Ensaio ele conta todas essas histórias e mais algumas - bom, caso você consiga passar batido pela péssima dicção do cantor, cuja memória também já dava mostras de não estar lá essas coisas. No meio do bolo, você ganha uma aula de samba-canção, tango, samba de morro, dor de cotovelo, música de cabaré, etc - em sucessos pré-MPB como "Caminhemos", "Fica comigo esta noite", "Pensando em ti", "Maria Bethânia", "Normalista", "Mulher", "Vermelho 27", "As rosas não falam" e, claro, "A volta do boêmio".

Os vocais de Nelson continuavam em forma 97% plena, a banda que acompanhava o cantor - Fernando Merlino, piano; Jacaré, baixo; Hélio Capucci, guitarra; Cesar Machado, bateria - era de primeiríssima linha e Nelson era uma figuraça, o que já garante alguns momentos de diversão. Rolam até uns momentos bem esquisitos na apresentação: o cantor se estressa com um erro do pianista, pede cafezinho na cara de pau e, irritado com perguntas sobre a fase em que foi viciado em cocaína, nos anos 50, cospe fogo até mesmo na cara do entrevistador ("já tô ficando invocado aqui!"). No meio do Ensaio, sem a menor paciência, Nelson solta um "que horas que acaba esse programa? Já tô com dor nas costas!". Enfim: veja, curta o som e se divirta.

* publicado no International Magazine.

26.06.07

Permalink 17:40:31, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Egotrip, Música

Nitideal

Tô sumido, né? Realmente tá complicado de arrumar tempo pra vir aqui. Mas ainda essa semana devem ter textos novos. Também estou com mais dois projetos de blogs, mas isso é outra história.
Por enquanto, dêem aí uma lidinha na minha coluna do Nitideal, que sai de quinze em quinze dias. O link tá aqui.

18.05.07

Permalink 10:41:52, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Egotrip, Música

Egotrip

+ Saiu mais um texto meu no Jornal Musical, sobre um disco que está concorrendo à Discografia Básica da Música Popular Brasileira. Dessa vez o escalado foi o primeiro disco do Tim Maia. Leia aqui.

+ Na última semana de abril, a banda carioca dos anos 70 A Bolha veio a Niterói fazer uma temporada em Niterói, no Teatro da UFF. Fiz uma resenha do show pro site Senhor F. Leia aqui.

+ O Teatro da UFF, por sinal, está voltando a abrigar shows de rock, tanto de bandas de Niterói quanto de fora - em junho o Móveis Coloniais de Acaju vem tocar aqui. Leia sobre isso na minha coluninha do Nitideal (aqui).

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Discoteca Básica

Jornalista, 32 anos, Niterói/RJ.Bizz, Nitideal, International Magazine, Rock Press, Jukebox, etc.Rock, MPB, samba de raiz, fusões, experimentalismos, rock nacional, indie rock, etc.E-mail: rschott2004@gmail.com

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