Estou aqui em Pernambuco cobrindo o 12° festival do audiovisual daqui, o Cine-PE. Seguem aí embaixo duas matérias minhas que jáa saíram sobre o evento no JB. A primeira é sobre um documentário que fizeram sobre a trajetória política de Leonel Brizola. A segunda é uma geral nos outros documentários do festival.
REVELAÇÕES DO CAUDILHO
Ricardo Schott
Em 50 anos de incansável trajetória dedicada à política, Leonel de Moura Brizola (1922-2004) colecionou aventuras, conquistou fãs e inimigos e despertou admiração, à distância, até mesmo de seus mais ferrenhos opositores. Sua controversa e debatida história está exposta, com feridas abertas, no documentário Brizola – Tempos de luta, do escritor e cineasta Tabajara Ruas, a ser lançado no dia 29 na 12ª edição do Cine-PE – Festival do Audiovisual de Pernambuco, em Olinda, que acontece entre 28 de abril e 4 de maio no Teatro Guararapes, no Centro de Convenções. O filme apresenta o ex-governador do Rio em detalhes. Exibe imagens raras, depoimentos marcantes e uma extensa entrevista, na qual expõe sua mais lendária porção: a do frasista. "Quem passa por um exílio vira uma superpessoa, uma planta do deserto", definiu assim o período da ditadura militar em que foi proibido de voltar ao Brasil.
Ruas não esconde seu apreço pela figura de Brizola. Gaúcho da fronteira (nasceu em Uruguaiana), conheceu Brizola (de Carazinho) justamente durante o período em que o político estava no exílio.
– Fiquei exilado de 1971 a 1981 em vários países e encontrei Brizola em Portugal, quando ele estava morando lá – diz Ruas, que valoriza a relação de Brizola com a educação. – Ele foi ao lançamento do meu primeiro livro, Região submersa. Tirei até uma foto dele com meu livro para mandar a meu pai, que era brizolista. Ele sempre acreditou que o Brasil seria salvo pela educação. Esse pensamento continua atual.
O cineasta sentencia que o documentário tem o objetivo de mostrar o "animal político" que Brizola foi, além de seu caráter empreendedor.
– O filme tem um trecho com a família do Brizola, feito no exílio, cujas imagens estão bem ruins. Mas não entramos muito na vida pessoal dele, não – admite Ruas, que diz ter tido bastante apoio da família de Brizola, gravando depoimentos até mesmo de seus irmãos, além de ter tido acesso a raros filmes que mostravam o jovem político Brizola em ação nos anos 50. – Eram cine-jornais, exibidos nos cinemas antes dos filmes. Colocamos tudo isso em Tempos de luta.
Alguns casos folclóricos estão no documentário. Brizola não foi registrado até os 4 anos, por exemplo – sua família não se decidia por um nome e como seu pai, José Brizola, fora lutar na Revolução de 23, o menino nascido a 22 de janeiro de 1922 simplesmente ficou sem registro. O nome Leonel foi inspirado num comandante da Revolução chamado Leonel Rocha, de quem sua família falava. Outros temas controversos são suas relações com o getulismo e com a ditadura militar. Apesar de ter combatido os militares com a Campanha da Legalidade, adversários viam em Brizola um dos responsáveis pelo golpe, graças às suas pretensões eleitorais.
– Fernando Henrique Cardoso afirma que o golpe de 1964 não foi contra o ex-presidente João Goulart, mas contra Brizola, que era ligado a ele – defende Ruas. – Quando era governador do Rio Grande do Sul, ele fez 5 mil escolas para crianças pobres, iniciou uma reforma agrária e praticamente criou o movimento dos sem-terra, e isso nos anos 60. Também brigou com empresas americanas. Claro que isso incomodava.
Também há depoimentos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tirou de Brizola a chance de disputar o segundo turno da eleição presidencial de 1989, vencida por Fernando Collor. No filme, Lula reconhece a popularidade de Brizola.
– Ele era uma pessoa muito sedutora, respeitada por seus adversários. Mas era um caudilho, centralizador, que gostava de discussões intermináveis – conta.
Ruas ignorou ex-aliados, como o prefeito Cesar Maia e o ex-governador Anthony Garotinho, que posteriormente brigaram com Brizola.
– Procuramos pessoas que tivessem valor histórico para o documentário –alfineta.
A VEZ DO REAL
Documentários disputam prêmios com filmes de ficção no 12º Cine PE, que começa hoje em Olinda
Ricardo Schott
Dos oito longas-metragens inscritos no 12º Cine PE, Festival do Audiovisual de Pernambuco, que tem início hoje, no Teatro Guararapes, em Olinda, quatro são documentários. Títulos como Brizola, tempos de luta, do cineasta e escritor Tabajara Ruas (que ganhou a capa do B, na reportagem Revelações do caudilho, publicada em 6 de abril), Guia prático, histórico e sentimental da cidade do Recife, do recifense Leo Falcão, O retorno, do paulista Rodolfo Nanni e Olhar de um cineasta, do catarinense Cesar Cavalcanti, entram na competição em pé de igualdade com as principais obras de ficção da mostra, como Bodas de papel, de André Sturm e Nossa vida não cabe num Opala, de Reynaldo Pinheiro. A paridade no festival – que teve 77 longas inscritos para a seleção, sendo 28 de ficção e 49 documentários, totalizando 23 filmes a mais do que no ano passado – é, na opinião dos documentaristas, fruto de uma época na qual o gênero está cada vez mais valorizado no cinema nacional.
- Antes, não era possível colocar um filme como o meu num circuito normal e ter bilheteria, ou a chance de distribuir os filmes como se faz com os de ficção. Hoje existe uma série de políticas públicas que facilita a carreira dos documentários – anima-se César Cavalcanti. – Acho que o gosto das pessoas mudou, o público está gostando mais deste estilo de filme. Estes fatores abriram mais espaço para a gente nas salas de exibição.
Homenagem a Marcos Farias
O seu longa Olhar de um cineasta, por sinal, fala justamente da vida e da obra do escritor, cineasta e crítico catarinense Marcos Farias. Morto em 1985 (seu último filme foi Cruz e Souza, sobre a obra do poeta simbolista), Farias mudou-se para o Rio, aproximou-se do Centro Popular de Cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE) e conheceu o grupo que lançaria as bases do cinema novo. Entre as produções mais conhecidas do homenageado está o episódio Um favelado do filme Cinco vezes favela, de 1962, dividido também com Miguel Borges, Cacá Diegues, Joaquim Pedro de Andrade e Leon Hirszman.
– Ele tentou criar um pólo de cinema aqui em Santa Catarina, mas os governos do Estado nunca lhe deram ouvidos. Pesquisei com alunos meus de cinema de Florianópolis e ninguém conhecia o nome dele. É um absurdo as novas gerações não o conhecerem – observa Cavalcanti, que gravou depoimentos de várias pessoas importantes para a trajetória de Farias, como os atores Flávio Migliaccio e Angela Leal e o cineasta Cacá Diegues.
Quem também traçou paralelos foi Rodolfo Nanni, um dos mais antigos cineastas em atividade no Brasil, cuja popularidade no meio se deu por filmes como O saci (1951), a primeira grande produção infantil do cinema nacional, baseada na obra de Monteiro Lobato. O retorno traz, como o próprio nome diz, uma volta às locações de O drama das secas, feito em 1958 em parceria com o escritor Josué de Castro.
– Naquela época, fomos filmar no Nordeste e não precisamos pesquisar muito, porque em 1958 havia uma seca enorme – recorda Nanni. – Nós andávamos de jipe pelas estradas e víamos vários retirantes. O filme, que ganhou vários prêmios depois, nasceu dessa viagem de estudos.
A idéia do documentário surgiu depois de Nanni desistir de fazer um longa sobre a pintora Tarsila do Amaral.
– Fizemos uma captação, mas o resultado ficou pequeno. Aí pensei em fazer esse retorno de 50 anos no tempo. Acho que nenhum cineasta fez isso. Voltamos mais ou menos ao mesmo trajeto, só não conseguimos chegar ao sul do Ceará.
Relação com as cidades
Apesar de ser ligado a Recife, Guia prático..., que é baseado na obra homônima de Gilberto Freyre, é definido pelo diretor Leo Falcão como um filme que pode interessar a qualquer brasileiro.
– Nele, falo da relação de amor e ódio que o recifense tem com sua cidade. Isso acontece em qualquer lugar do mundo, seja no Recife, Rio ou São Paulo – explica a Falcão. – Sempre alguém vai ter algo de ruim para dizer sobre o lugar onde mora, e sempre vai haver, em qualquer lugar, esse embate entre o progresso e a manutenção das tradições culturais, do qual falo no documentário.
Leo é outro a concordar que os documentários têm agora terreno mais fértil.
- Eu mesmo não sou um documentarista, sou roteirista de ficção. Mas espero fazer outros documentários. O fato do Brasil ter realidades culturais muito amplas propicia um campo temático abrangente para o documentário, e uma riqueza expressiva muito grande.
Abertura de Chappaqua, filme doidaralhaço de Conrad Rooks, com participação do clásico psicodélico The Fugs (recomendação do Leo Bonfim do zine Freakium, que me passou esse link por MSN). Sobre o filme, leia aqui.
Lembram do Performance, filme psicodélico do Mick Jagger que do qual eu já falei aqui? Abaixo o trailer.
Saiu dia 16 de março no jornal inglês The independent um entrevista justamente com Anita Pallenberg, ex-mulher de Keith Richards e atriz de Performance, filme que você viu resenhado aí embaixo. Lá ela fala da época em que o filme foi feito, dos ataque de fúria do diretor Donald Cammell e ainda manda bala em detalhes interessantes. Para quem gosta de fofocas e de papos do tipo quem-come-quem, olha só isso aí:
"Adding to Pallenberg's discomfort was the understandably miffed Keith Richards who had to watch his significant other jump out of his bed and into Jagger's. "I hated it," admits Pallenberg. "At night I would go home and Keith would be slagging off Donald and the movie."
"Some of the scenes, encouraged by the salacious director, were so explicit that the processing lab called to say that they breached obscenity laws and that they were obliged to destroy them.
"It was like a porno shoot, and Donald loved it," recalls the actress. "At one point I spent a week in bed with Michèle and Mick. There was a camera under the sheets and there was all kinds of sex going on but I put it down to method acting." But when asked, categorically, if sexual congress did actually occur Pallenberg is unequivocal. "No, it never did. I was a one-man girl at the time and Keith was the man for me. I loved him. And anyway, Jagger was the last guy I would have done that with."
Leia na íntegra aqui.
Filmado em 1968 e lançado apenas em 1970, Performance, dirigido por Donald Cammell e Nicholas Roeg, tem o stone Mick Jagger como um de seus atores principais e ainda era mais conhecido apenas pelos fãs dos Rolling Stones, ou por quem curtisse a estética dos filmes psicodélicos dos anos 60. E acabou se tornando um dos raros exemplares deste tipo de filme a ser lançado por uma grande produtora, a Warner. Se a idéia original era que a película fosse um equivalente dos filmes dos Beatles (tinha muita gente da produtora que achava que o resultado ia ser algo próximo de A hard day's night), o resultado foi um filme artístico, repleto de referências musicais e literárias que não podem ser captadas logo de cara - com sexo, drogas, rock´n roll, perversão e tortura psicológica no último volume. Mais: as histórias por trás de sua realização são tão ou mais turbulentas e interessantes do que o próprio Performance.
Para quem quiser conferir o filme - que até pouco tempo só podia ser visto, sem legendas, em mostras de cinema experimental ou de filmes de rock - a Warner acaba de lançá-lo no Brasil em DVD, numa edição que ainda contém um telefilme antigo falando da "carreira solo" de Mick como músico e ator e um documentário explicando como foi realizado o filme. Bom, explicando, é maneira de falar: há fatos que foram deixados de fora, e vale citar que o próprio Mick Jagger não foi entrevistado para os extras do DVD.
O enredo de Performance já o coloca tranquilamente numa espécie de "lado negro da força" do cinema experimental dos anos 60. Não há nada de flower power, muito menos do espírito comunitário de Woodstock. O filme inicia mostrando o estilo de vida do gângster Chas (interpretado por um ator conhecido na época, James Fox), cujo trabalho gira em torno de mulheres, espancamentos, ameaças, torturas, tiros e muita truculência - tudo mostrado na tela com realismo. Após ser jurado de morte, ele tem que se esconder e, por vias completamente tortas, acaba indo parar na casa de um rockstar aposentado, Turner (Mick Jagger), que vive com duas amantes: a diabólica Pherbe (Anita Pallenberg, modelo e atriz ítalo-germânica que era casada com o também stone Keith Richards) e a gracinha Lucy (a atriz francesa Michele Breton).
A aproximação de Turner e Chas acaba sendo o estopim para mudanças nas personalidades de ambos – especialmente quanto Turner e Pherbe oferecem a Chas, sem avisar, uma sessão de degustação de cogumelos que um cozinheiro jamais colocaria numa pizza... Sons estranhos, colagens desconexas, cortes bruscos e seqüências sinistras já aparecem desde o começo do filme, mas é aí que o bicho pega de vez, ganhando ares de verdadeira bad trip. Especialmente para Chas, que praticamente vira um hippie doidão e decadente nas mãos de Turner e suas concubinas.
Bastidores A verdade estava do outro lado das câmeras. Se você não achou nada de estranho ao saber que Anita Pallenberg, mulher de Keith Richards, contracenava com o também Stone e brother de Keith, Mick Jagger, saiba que as cenas de sexo e de uso de drogas são bem reais – especialmente no que diz respeito ao trio Jagger-Michele-Anita. Pelo que consta, durante as gravações, os atores realmente usavam drogas para manter o clima chapado e decadente do filme.
No documentário, são relatados detalhes de como uma das cenas de sexo foi feita – e Anita, hoje uma senhora, sorri e explica que “foi bem divertido”. Bom... a suposta dor-de-corno de Keith teria dado em pelo menos duas músicas dos Stones (“You got the silver” e “Gimme shelter”) e em sua recusa a participar da trilha de Performance – quem toca guitarra em “Memo from Turner”, que Mick canta ao conseguir “penetrar na mente” de Chas, é o guitarman Ry Cooder. Segundo Anita, Keith, já prevendo problemas, ofereceu a ela o mesmo cachê do filme só para que ela não o fizesse. “Mas eu queria mesmo fazer o filme”, enfatiza ela.
A lista corrida de histórias bizarras a respeito do filme é bem grandinha – dentre elas, há o fato de James Fox ter largado o cinema para se dedicar à vida religiosa, o fato de Anita ter metido o pé na jaca das drogas furiosamente após Performance e o desaparecimento de Michele (que, dizem, teria morrido de overdose, virado prostituta ou estaria incógnita na Alemanha). O que vale afirmar é que Performance é um baita relato de uma época, e que qualquer pessoa que queira entender o que foi a doideira cultural-existencial dos anos 60, precisa dar uma olhada no filme. Além do caráter psicodélico, a película inclui desde teorias malucas sobre “demônios internos”, a referências a gente como o bluesman Robert Johnson (cuja “Come on in my kitchen” é tocada por Jagger ao violão) e o papa do realismo mágico, o escritor Jorge Luís Borges, que inspirou boa parte do roteiro e cuja imagem chega a aparecer no filme.
O clima de Performance não passou batido. Além de censurado no Brasil dos anos 70, ele chegou a ganhar classificação de “pornográfico” no EUA, e isso porque dizem que boa parte do material filmado, de tão sexualmente explícito, não chegou nem mesmo a ser revelado. Ultrajados, os chefões da Warner só liberaram o filme após ele passar por quatro montagens - e ainda assim, a fita foi lançada sem muito alarde. Só agora, após quase quarenta anos, Performance sai da maldição e se revela um grande filme, para além de qualquer polêmica.
* publicado em minha colninha do Nitideal.
"FOUR ON THE FLOOR" - JULIETTE & THE LICKS (Hassle)*
Confirmada como uma das atrações do Tim Festival, a banda Juliette Lewis & The Licks não teria muita coisa para impressionar ninguém. Bandas lideradas por atores ou atrizes quase sempre têm a tendência de soarem chatas. Mas aí só para quem não presta atenção no lado mais obscuro e underground de Hollywood, que já deu ao mundo um cara estranho como Johnny Depp e agora vê a transformação de uma atriz meio sumida do mercado (a gatinha Juliette Lewis) em roqueira.
E roqueira com admiração por Iggy Pop, diga-se de passagem. O problema é que isso não chega a ser uma grande credencial - admirar é uma coisa, mas fazer um trabalho que passe longe da pentelhação é outra bem diferente. Fora que a atriz de Cabo do medo não é a única vocalista do rock recente a admirar o velho punk e a falar grosso com um microfone na mão - tem quem vá ver semelhanças entre os discos lançados pela atriz e bandas como Hole, Distillers (tem MUITA coisa no disco que lembra o grupo da gritalhona Brady Dale) e até o trabalho solo da ex-baixista do próprio Hole, Melissa Auf Der Maur. E tem muito desse pessoal ali, não tem nem como esconder.
O disco mais recente de Juliette e seus capangas é o Four on the floor, com a atriz fantasiada de índio na capa. O disco teve a colaboração de um amigo mais que especial - David Grohl, ex-batera do Nirvana e guitarrista dos Foo Fighters, que gravou demos com o grupo e, na falta de um baterista, ficou para gravar o disco. O CD novo é o primeiro disco inteiro do grupo a ter um som realmente bem resolvido. O EP Like a bolt of lightining impressionava pela sonzeira, pelo encontro punk-metal, pelos refrões ganchudos e pelos gritos e gemidos de Juliette - tudo isso levou o prestigiado site Allmusic a classificar o som da menina e de seus amigos como "Van Halen encontra Iggy Pop" (Van Halen? Como assim? Esse pessoal ta doido?). Mas era só um EP.
O disco que veio depois, You're speaking my language, era um rascunho e nada mais que isso. Produzido pela hitmaker Linda Perry (aquela da banda 4 Non Blondes, maravilha-de-um-hit-só dos anos 90, com “What’s up?”), começava com um punkão que parecia uma repetição barata das idéias do EP (a faixa título), seguia com o sonzinho frágil (e até mal gravado e mixado) de "Money in my pocket" e chegava na baladinha pentelhíssima "The long road out of here". Nada que acrescentasse na vida de ninguém, nem que fizesse as pessoas não acreditarem que The Licks era apenas a forma de Juliette se manter na mídia após sua carreira de atriz dar uma minguada. Mas sedimentou a reputação da banda entre muita gente importante.
Já Four on the floor dá uma renovada num som que parecia já condenado à repetição eterna logo no primeiro disco. As sombras roqueiras-femininas-radicais dos anos 90 ainda estão lá (e o clima gritalhão de Juliette ainda tem muito de PJ Harvey), e ainda bem. O que resta para o ouvinte é se divertir com uma banda cujo compromisso é apenas o de soar o mais barulhenta possível, como no rock´n roll "Smash and grab" e na quase metálica "Hot kiss", que abrem o disco. Os vocais roucos e, por vezes, quase masculinos de Juliette, tornam tudo mais rebelde e agradável.
Para imaginar como vai ser o show do grupo no Tim, vale dar uma sacada nas fotos que rolam pela internet da indumentária de palco da cantora (no You Tube tem vídeos) e sacar canções como o punkão "Killer", o punk-new wave grudento de "Sticky honey" e "Purgatory blues", a saraivada de "fuck you" da garageira "Death of a whore", o tom meio The Cult de "Get up", etc. Realmente impressionante.
* publicado em minha coluna do Nitideal
Jornalista, 32 anos, Niterói/RJ.Bizz, Nitideal, International Magazine, Rock Press, Jukebox, etc.Rock, MPB, samba de raiz, fusões, experimentalismos, rock nacional, indie rock, etc.E-mail: rschott2004@gmail.com
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