"CARNE" - MUKEKA DI RATO (Deck)
Não há muito o que escrever sobre o Mukeka di Rato. E nisso, nada contra a banda. No front do grupo capixaba a despretensão é tanta que o que dá pra falar da banda é que eles foram responsáveis por uma das maiores rodas de pogo que já vi na vida, no festival DoSol, em Natal (RN), no ano de 2005. De cima de uma bancada, dava para ver o público se movimentando como e estivesse dentro de um grande liquidificador. No palco, músicos berrando, cuspindo cerveja e fazendo merda como se estivessem assistindo a um show, e não participando dele. Tudo o que uma banda punk tem a oferecer, de maneira bem mais saudável e legal do que muito ícone punk brazuca dos anos 70/80.
Carne segue o habitual da banda, com músicas cujas letras quase nem podem ser compreendidas em meio à zoeira dos instrumentos, hardcores toscos e títulos insólitos ("Borboleta azul", "Produtos químicos eletrodomésticos", "Jogo do bicho", etc). A chancela da Deckdisc não mudou muito no front da banda: gravação tosca, som (pesadaço) de demo, pancadaria sem fim, vocais berrados num estilo que ora lembra o hardcore, ora lembra o rap, músicas bem curtas e gozações como o telefonema ao Procon no final de "Pedro e Alfa" (reclamando da qualidade de um CD de rock, vejam só). E vale esquecer a barulheira por alguns minutos e prestar atenção nas letras do grupo - especialmente em "Carne", que põe do mesmo lado John Wayne, Bento XVI, George Bush e Osama Bin Laden, e "Voltar a viver".
Jornalista, 32 anos, Niterói/RJ.Bizz, Nitideal, International Magazine, Rock Press, Jukebox, etc.Rock, MPB, samba de raiz, fusões, experimentalismos, rock nacional, indie rock, etc.E-mail: rschott2004@gmail.com
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