19.04.08

Permalink 12:50:23, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

Frenéticas

Saiu um almanaque das Frenéticas, As tais Frenéticas - Eu tenho uma louca dentro de mim, pela Ediouro. Bati um papinho com a ex-frenética Sandra Pêra, autora do livro. Segue aí o texto, publicado no JB, no B, esta semana.
IMPORTANTE: Amanhã sai na Domingo - e na capa - uma matéria que fiz com Seu Jorge. Ele não costuma dar entrevista e recebeu o JB em seu camarim, segunda passada, no Teatro Rival. Falou pra caralho, recebeu amigos, a mãe (uma senhora super engraçada) e me atendeu com a maior simpatia. Leiam amanhã.

Drogas, dinheiro ralo, mas muita diversão na era ‘disco’
Biografia das Frenéticas, de Sandra Pêra, mostra lado bom e ruim do sucesso
Ricardo Schott

Nos anos 70, no pop nacional, não houve nada igual às Frenéticas. É verdade que, no quesito "mulheres no pop" já havia muita coisa desde os anos 50, mas o grupo vocal inovou por levar ao mercado fonográfico um cardápio que incluía disco music, rock, MPB e até teatro de revista, além de garantir mais pontos para a presença feminina na música. A curta existência da formação clássica do grupo está nas livrarias, graças a As tais frenéticas – Eu tenho uma louca dentro de mim (Ediouro), escrito pela ex-frenética Sandra Pêra.

– Nossa importância se deu também pelo lado comportamental – define Sandra, que, na época, chegou a posar com as Frenéticas, em revistas, vestindo apenas camisolas. – Além de sermos um grupo de mulheres, havia um clima antiditadura da beleza. Tínhamos cada uma seu tipo físico, e uma de nós, a Leiloca, era uma gordinha de bem com seu corpo, sempre de maiô.

Leiloca, Sandra, Lidoka, Dudu, Edir de Castro e Regina Chaves tiveram sua carreira discográfica aberta pela auto-afirmativa Perigosa, de Rita Lee, Roberto de Carvalho e Nelson Motta, cuja introdução ("Eu sei que eu sou bonita e gostosa/e sei que você/me olha e me quer") virou moda em 1977, quando o primeiro álbum do grupo foi lançado. Um ano antes, as Frenéticas eram um grupo de atrizes contratadas pelo agitador cultural Nelson Motta (então casado com a atriz Marília Pêra, irmã de Sandra) para trabalhar como garçonetes na boate que ele montaria por meros três meses no Shopping da Gávea, o Frenetic Dancin’ Days. Motta sugeriu que elas cantassem "umas três ou quatro músicas lá para a meia-noite" e a brincadeira acabou virando trabalho, com discos, turnês e estrutura própria.

– Nenhuma de nós havia cantado profissionalmente, só a Dudu – recorda Sandra. – Não havia pretensão. Depois daquele trabalho, iríamos procurar outro. Só que naquela época o Rio era um grande point, e a boate virou uma febre, o que chamou a atenção para nós.

A recém-instalada Warner brasileira acabou dando abrigo às meninas. Quem tem ótimas recordações da época é Liminha, que, após ser "diretor de estúdio" em álbuns de Carlos Dafé e Banda Black Rio, estreou como produtor no primeiro disco delas.

– Foi aí que consegui meu primeiro disco de ouro, e o primeiro da Warner – diz o produtor. – As Frenéticas eram geniais. Mesmo sem background musical, tinham muita personalidade. Muitos tentaram imitá-las, eu até fui chamado para montar um "Frenéticas 2" em outra gravadora. Claro que não aceitei.

No começo, as Frenéticas moravam juntas e contavam com a ajuda de amigos-irmãos, como Ney Matogrosso. Depois, tudo mudou, mas Sandra revela que, mesmo com o êxito da estréia e de singles posteriores, como Dancin' days (tema da novela referente à boate de Nelson Motta), a sorte não esteve do lado das garotas no quesito finanças.

– A Marília me dizia para poupar, mas gastávamos tudo o que entrava – lembra. – E nunca ganhamos nada equivalente àquele sucesso todo.

Escrito em formato de almanaque, com fotos e memorabília raras, As tais Frenéticas toca em temas delicados, como o relacionamento de Sandra com o cantor Gonzaguinha (que gerou Amora Pêra, cantora do grupo feminino As Chicas), as brigas e o desgaste do grupo (que existe até hoje, só com Dudu, Edir e Lidoka) e assuntos como sexo e drogas, vividos numa era pré-Aids.

– Na época, a droga era tratada de jeito especial. Era diversão, não havia maldade – crê Sandra, assustada até hoje com o alcance do grupo. – Algumas músicas ainda são quase hinos. Um amigo meu esteve na Alemanha e ouviu Dancin' days numa festa lá.

18.04.08

Permalink 10:10:42, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

Mais resenhas

As resenhas com * saíram no JB

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"O RETORNO DE SATURNO" - DETONAUTAS (Sony & BMG)*

Em seu primeiro CD após o assassinato do guitarrista Rodrigo Netto, os Detonautas abusam de sons acústicos e baladas ("Verdades do mundo", "Tanto faz", "Só pelo bem querer"). As letras idealistas vão do tocante ("Oração do horizonte") ao piegas (o poema inserido em "Ensaio sobre a cegueira") e sugerem que a face meio hardcore, meio Red Hot sumiu, mas abriu espaço para uma sombra da Legião Urbana.

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"DIAMOND HOO HA" - SUPERGRASS (EMI)

O que mais tem é gente para dizer que o Supergrass perdeu o peso da época do primeiro disco - e, de fato, os dois primeiros álbuns, I should coco e In it for the money, continuam sendo os melhores da banda. No caso do disco novo, chama a atenção a máquina de fazer belas e ágeis canções que a banda vem se tornando - na qual se desstacam o carisma do vocalista Gaz Coombes e os sons de teclado de seu irmão Rob. O tom meio punk, meio hard rock que já aparecia no primeiro CD deu em boas canções como "Diamond hoo ha man" e "Rough knuckles", e os anos 60 continuam à toda no som do grupoem "Ghost of a friend" e na lindíssima "The return of inspiration".

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"THAÍS GULIN" - THAÍS GULIN (Rob Digital)

Boa parte do repertório de Thaís é baseado em artistas da vanguarda paulistana, além de precursores e seguidores - ela até faz uma parceria com Arrigo Barnabé em "Cinema incompleto". Seu disco tem também regravações de Zé Ramalho ("Garoto de aluguel") e duas de Chico Buarque ("Hino de Duran" e "Lua cheia", esta em parceria com Toquinho), além de sambas como "De boteco em boteco" (Nelson Sargento) e "Bloco da solidão" (Jair Amorim e Evaldo Gouvêia), mas a cara de seu trabalho é mesmo dada por músicas como a experimental (e chatinha) "Piano (Ofídico Fatíico)", de Iara Rennó e Anelis Assumpção, filha de Itamar, "78 rotações" (Macalé e Capinam) e a belíssima "Cisco" (Carlos Careqa e Zeca Baleiro). O disco acaba sendo uma união entre a MPB mais clássica e a experimental, entremeadas por uma bela voz e por arranjos delicado e, quase sempre, bacanas. Como curiosidade, uma parceria entre Otto e sua esposa Alesandra Negrini - o dispensável tango "História de fogo".

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"IT IS TIME FOR A LOVE REVOLUTION" - LENNY KRAVITZ (Virgin/EMI)

Desde Circus (1995) que Kravitz não lançava um disco realmente bom - e Baptism (2004) parecia mostrar que o multi-instrumenista americano não tinha mais nada de interessante para mostrar. Ao contrário da bem azeitada mistura de rock e soul de discos anteriores, o álbum de 2004 era tomado por melodias sem graça (a pior delas, a enjoadinha "Calling all angels", conseguiu até fazer sucesso e rolar em trilha de novela aqui no Brasil) e por batidas que pareciam tiradas de um tecladinho Casio. It is time for a love revolution apela para uma boa volta ao sonho hippie, com direito a vocais lembrando Beatles em "Good morning" e a ótimos balanços roqueiros em "Love love love" e "If you want it", além de baladas que realmente pegam, como "A long and sad goodbye". E recupera bastante a carreira de Kravitz, que já foi um superstar do rock como há muito não se fazia - e parece disposto a tudo para voltar á velha forma.
E MAIS: A edição "de luxo" do disco, vem com um DVD no qual Lenny concede algumas entrevistas sobre o novo trabalho, falando de algumas músicas, etc. Entre elas, alguns dos melhores clipes do cantor, incluindo a bicho-grilagem de "Let love rule", o tom soul de "It ain't over till it's over", a fodelança de "Fly away" e "Where are we runnin'", etc.

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"THE IRON MAIDENS" - THE IRON MAIDENS (Hellion)

"Único tributo feminino ao Iron Maiden do mundo", as meninas do The Iron Maidens gravaram treze músicas da banda, num CD que acaba perdendo por só ter o som, sem o vídeo - embora alguns shows das garotas possam ser vistos no You Tube. O som, cheio de técnica, paga tributo mesmo, sem mudar a sonoridade original. Uma curiosidade são os codinomes das meninas. Os vocais, por exemplo, estão a cargo de uma nissei chamada Aja Kim, que prefere ser chamada de "Bruce Lee Chickinson".

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"GOOD TO BE BAD" - WHITESNAKE (Hellion)*

A banda do vocalista David Coverdale volta com um disco de inéditas que poderia ter sido lançado em 1987. Nada de modernidades, só o bom hard rock do grupo, em sons pesados como "All for love" e "Can you hear the wind blow?", o blues "A fool in love" e as baladas "All I want I need" e "‘Till the end of time". Há também um assalto à levada de "Black dog", do Led Zeppelin, em "Lay down your love".

"OUR LOVE TO ADMIRE - LIMITED EDITON" - INTERPOL (EMI)

Na rebarba do show da banda novaiorquina no Brasil, a EMI disponibiliza uma edição limitada do terceiro CD do Interpol, Our love to admire, com um EP-DVD de bônus, trazendo aparições da banda ao vivo e os clipes de "The Heinrich maneuver" e "No I in the threesome". Influenciadíssimos pelo Joy Division (embora Antics, o segundo disco, até indicasse que queriam sair um pouco da sombra) e responsáveis por misturas musicais que esbarra em expermentações rítmicas típicas de bandas européias, os caras mostraram na Fundição Progresso, no começo de março, que são uma banda complicada de entender. Sua música é depressiva e baseada em estrutras muito parecidas (notas e riffs circulares, linhas vocais graves), a banda tem uma sonoridade bastante intensa e, ainda assim, fizeram a platéia carioca pular quase o tempo todo. Os discos do grupo geralmente são bons e interessantes - mas o show pecou por escolher um repertório com músicas parecidas demais entre si. Seja como for, coplicado tapar os ouvidos para belas músicas como "Pioneer to the falls", "The scale", "Rest my chemistry" e, em especial, a tristonha "The lighthouse", que encerra o disco.

08.04.08

Permalink 22:00:36, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Livros

Matéria minha do Idéias

Minha estréia no caderno Idéias deu-se com este textinho aí, sobre o livro A vida louca de Porfírio Rubirosa. O original do JB Onliné tá .

UM PLAYBOY ANATÔMICO E POLITICAMENTE CORRETO
Ricardo Schott

O lançamento de A vida louca de Porfírio Rubirosa: o último playboy, de Shawn Levy, mostra, antes de tudo, que o nome playboy, hoje em dia, virou algo sem força, que cai bem em garotos bem nascidos (e que cometem o pecado de trabalhar). De acordo com a definição do criador da revista Playboy, Hugh Hefner - reproduzida no livro - este era "um homem de inclinações sensuais, em geral com recursos financeiros, que transita de mulher em mulher, festa em festa, emoção em emoção".

Um perfil que tinha a ver com disposição, espírito de aventura e vocação para o bem-viver - algo que nem sempre caminha lado a lado com o dinheiro ou com o currículo de conquistador que vários playboys (ou tidos como tais) da atualidade ostentam.

Nascido em 1909 na República Dominicana, Porfírio Rubirosa era filho do governador de uma série de pequenas cidades do país caribenho - marcado por guerras e conflitos tribais desde sua fundação e libertado do poderio haitiano apenas 65 anos antes. A biografia ganha sentido não apenas pelo currículo como conquistador, mas também pelo fato da personalidade de bon vivant ter sido moldada entre os conflitos vividos pelo país, do qual seu pai participou ativamente. No linguagar domincano, seu pai - e Rubi, por herança - era um tíguere, personificação, elevada à enésima potência, do macho latino ideal: destemido, gracioso, calculista e sempre usando determinadas situações ou pessoas a seu favor.

Uma das lembranças mais vivas da infância de Rubirosa foi o fato de ter tido que fingir que tocava violino, a pedido de uma professora que o recebeu numa escola para a qual havia se transferido na infância - sua turma inteira participava de um ensaio e tinha familiaridade com o instrumento, ao contrário do pequeno Rubi. "Será que no mundo dos adultos as aparências são só o que importa?", ele lembra de ter pensado.

O nome de Rubi (apelido que passou a adotar após separar-se de sua primeira mulher, Flor de Oro, filha do ditador domincano Rafael Trujillo) ganhou os jornais entre os anos 40 e 50 por causa de seus casamentos com mulheres lindas e riquíssimas - as milionárias americanas Barbara Hutton, dona da cadeia de lojas Woolworth's (com quem ficou casado por menos de dois meses, lucrando ao final um avião e uma plantação de café) e Doris Duke, além da atriz francesa Danielle Darrieux, considerada a mulher mais bonita do mundo em sua época.

Por outro lado, seu envolvimento com Trujillo e com a política sul-americana sempre foi explorado. Graças ao cargo de tenente da guarda presidencial do ditador, Rubi foi ganhando um prestígio político mundial do qual - e devido também aos múltiplos contatos e ao trânsito no jet-set internacional - nunca se distanciou. No auge na badalação, praticou automobilismo e pólo (temas que tomam boa parte do livro, até pelo fato de ter falecido num acidente de automóvel, a 130 quilômetros por hora, em 1965), envolveu-se com estrelas como Ava Gardner e Marilyn Monroe e levou o estilo tíguere além das fronteiras das repúblicas das bananas.

Dentre os que o conheceram nesse período estão o brasileiro Jorge Guinle que, numa entrevista à Playboy em junho de 1993, revelou que Rubi, além de ter as mulheres mais maravilhosas do mundo, não dispensava nem as faxineiras dos bordéis que freqüentava. O livro releva que, para além do charme, o grande segredo do sucesso de Rubi era, digamos, anatômico - fato cultivado em declarações de ex-esposas e amigos.

Um dos casamentos mais conhecidos de Rubi foi com a atriz húngara Zsa Zsa Gabor, com quem ainda viveria casos clandestinos e experimentaria situações de invasão de privacidade e exploração pela mídia - que, comparadas às devassas nas vidas das celebridades atuais, podem até soar ingênuas, até por sempre serem enxergadas por Rubi e pela atriz pelo viés do bom humor ou até mesmo da autopromoção. O livro explora essa fase de Rubi com grande riqueza de detalhes, encerrando a carreira de conquistador do playboy com sua última esposa, Odile Rodin - que, após enviuvar, viveu 20 anos como colunável no Rio e chegou a casar-se com um brasileiro, o empresário Paulo Marinho, que posteriormente se casaria com a atriz Maitê Proença.

O lado politicamente incorreto do biografado não ficou de fora. Rubi agrediu algumas de suas esposas e uma briga física com Zsa Zsa Gabor foi explorada por ela como peça de marketing - ela adotou um tapa-olho para esconder as marcas, e até fãs e outros artistas, numa espécie de proto-elemento pop, adotaram a peça como referência. Mesmo que Rubi não seja exatamente o último playboy - Jorge Guinle o venceu - é um perfil fascinante, especialmente como documento de época.

05.04.08

Permalink 02:40:41, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música, Livros

Mais uma materinha do Caderno B

Matéria sobre o livro Sexo, drogas e Rolling Stones, que saiu onte,m (sexta) na capa do Caderno B.

MITOS E VERDADES
Ricardo Schott

No livro ‘Sexo, drogas e Rolling Stones’, José Emílio Rondeau e Nélio Rodrigues expõem a intimidade do grupo e revelam as conexões brasileiras

Hoje, dia do lançamento nacional do filme Shine a light, de Martin Scorsese – que mostra os bastidores de um show dos Rolling Stones em Nova York, em 2006 – outro retrato da legendária banda britânica toma as livrarias. Trata-se do livro Sexo, drogas e Rolling Stones(Agir), escrito pelo jornalista José Emílio Rondeau e pelo historiador Nélio Rodrigues, que revela casos íntimos do longevo grupo, com fotos inéditas e material raro coletado de revistas – incluindo antigos títulos nacionais, como a Revista do Rádio (que nos anos 60 fez uma pioneira reportagem sobre rockstars e drogas, com os Stones) e Geração Pop.

Rondeau, que conheceu Rodrigues quando preparava seu filme 1972, diz que a pesquisa para o livro seguiu o mesmo ritmo frenético da banda.

– Estamos pesquisando desde 1965, quando ouvimos (I can't get no) Satisfaction pela primeira vez – brinca. – Mas, a sério, tivemos que agir de outubro a fevereiro, embora já tivéssemos tudo que precisávamos à disposição para o trabalho.

Segundo livro de Rodrigues

Os autores têm relações com a história da banda no currículo. Rondeau entrevistou o guitarrista Keith Richards em 1989 para a revista Bizz, na época em que a banda lançava o CD Steel wheels

– Ele foi simpaticíssimo – recorda o jornalista, que não esteve com nenhum outro stone, mas pôde, no dia seguinte à entrevista, ver a gravação de um clipe da banda. – Ver e ouvir a guitarra de Keith ali bem perto foi uma sensação inédita para mim.

Nélio Rodrigues já escrevera em 2000 outro livro sobre a banda, Os Rolling Stones no Brasil – Do descobrimento à conquista (1968-1999), mostrando minúcias das visitas de Mick Jagger, Charlie Watts e Mick Taylor (guitarrista que substituiu Brian Jones nos Stones) ao Brasil, além dos shows da banda em turnê pelo país.

– A ligação deles com o Brasil nunca foi explorada pela mídia. Já vieram aqui várias vezes e compuseram uma música inspirada no candomblé, Sympathy for the devil. A capa do Black and blue, disco de 1976, foi feita por uma designer brasileira, a Bia Feitler – conta Rodrigues, lembrando que Jagger e sua então namorada, Marianne Faithfull, visitaram o Brasil em 1968 e conheceram o Rio, Salvador (onde o cantor participou de rodas de samba com pescadores) e até mesmo Matão, no interior de São Paulo. – O show dos Stones em Copacabana foi em frente ao mesmo hotel em que o Mick e a Marianne ficaram hospedados em 1968, o Copacabana Palace.

Sobre esse show, Rondeau gosta de imaginar que foi feito no lugar em que um stone "descobriu o Brasil".

– Muita gente não se dá conta disso, mas Mick Jagger conhece profundamente o Brasil. Nas vezes em que esteve aqui, viu cultos afro-brasileiros, tocou com nossos músicos e até tomou cachaça com operários. Ele não se comportou como um pop star fazendo turismo – define o autor que, com Rodrigues, coletou dados como o fato de o vocalista ter visitado uma favela da Zona Sul carioca e filmado tudo com uma câmera Super 8.

Entre o material inédito mostrado pelo livro, há várias fotografias de Mick e Marianne no Brasil em 1968, clicadas por Adger W. Cowans – fotógrafo americano que adorava jazz e, por conta disso, acabou engrenando uma conversa com um acuado Mick, perseguido pelos fotógrafos no Brasil e ciceroneado por ninguém menos que o jornalista Carlos Leonan e o cronista Fernando Sabino.

– Também pegamos um extenso depoimento do cantor Arnaldo Brandão, que morou com Mick Taylor na Inglaterra. Ele esteve no olho do furacão dos Stones, viu tudo de perto, até hospedou Taylor no Brasil – diz Rodrigues.

O pesquisador (que, antes de abraçar a história, se formou em biologia) diz que não precisou entrar em contato com a equipe dos Stones para editar seu livro, nem o que fez com Rondeau.

– Lá fora saem livros e mais livros sobre os Rolling Stones, isso é comum. Jamais aconteceria o mesmo problema que tivemos aqui com Roberto Carlos em detalhes, do Paulo César Araújo – garante.

Casos escabrosos

Num livro chamado Sexo, drogas e Rolling Stones, evidentemente o prato principal são os inúmeros casos envolvendo os integrantes da banda. Em especial Keith Richards, que enfrentou inúmeras prisões por porte de drogas e é o rei das declarações e atitudes irônicas.

– Keith é, de fato, o doidão, aquela pessoa da qual todo mundo sabe tudo, ao contrário de Mick Jagger, que é extremamente controlado e reservado. Agora, o menino levado da banda é mesmo Ron Wood (guitarrista que substituiu Mick Taylor), que chegava a levar bronca do Keith por estar sempre drogado nos ensaios – lembra Rondeau, que compreende perfeitamente o lado mais sombrio da banda. – Eles passaram como um trator por cima de tudo que os obstruísse. Que banda dura esse tempo todo? E, num mercado competitivo como o pop, você tem que ser um pouco cruel.

03.04.08

Permalink 01:29:34, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: A

Ozzy!!

Entrevistei Ozzy Osbourne por e-mail - ele só topou dar entrevistas assim, mas depois resolveu fazer uma coletiva, na qual não fui - e saiu isso aí.

O FUNDADOR DO METAL NÃO DESCSARTA O SABBATH
"Eu nunca digo nunca", ratifica Ozzy Osbourne ao ‘JB’

Ricardo Schott

Ozzy Osbourne, que toca pela terceira vez no Brasil hoje, na HSBC Arena, tem duas facetas. Uma deles é a do respeitável artista: ex-cantor da banda que criou o heavy metal (Black Sabbath), tem uma extensa carreira solo e lançou guitarristas como Randy Rhoads (já morto) e Zakk Wylde. A outra, a folclórica, inclui o fato de ter mordido a cabeça de um morcego, os problemas com drogas e a atuação como o pai de família esquizofrênico da série da MTV The Osbournes. Que ele não sabe ao certo se o levou a novos públicos.

– Acho difícil responder isso – esquiva-se Ozzy, em entrevista ao JB, não poupa a MTV de críticas. – Começou como emissora musical, mas virou uma versão adulta da Nickelodeon. O que aconteceu com a música?

Mesmo sem saber para quem canta, diz estar preparado.

– Faço exercícios vocais e aquecimento antes dos shows – diz Ozzy, categórico ao apontar a música que, após 30 anos de carreira solo, não pode faltar em seus set-lists: – Crazy train é a que mais me representa.

A abertura do show de Ozzy fica por conta do grupo de nu metal Korn e do Black Label Society, liderado por Zakk Wylde. As seis cordas, por sinal, sempre foram um ponto delicado para o cantor. Em 1980, ele montou a banda Blizzard of Ozz e seu acompanhante era Randy Rhoads, morto num acidente de avião em 18 de março de 1982. Ozzy o homenageou na coletânea de gravações ao vivo Tribute (1987).

– É difícil falar sobre Randy, porque todos os meus guitarristas são fantásticos. Mas penso nele todos os dias, imaginando onde ele, que era um músico talentosíssimo, estaria hoje – recorda.

Se Randy ainda é uma sombra para Ozzy, imagine o Black Sabbath, banda da qual foi o frontman por 10 anos. Não descarta se reunir com os ex-companheiros Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward.

– Nunca digo nunca. Seria ótimo – explica. – Nos falamos por telefone e, quando nossas agendas permitem, me encontro com eles.

Fã de sons antigos (é grande admirador dos Beatles), Ozzy diz que não há nada original na música hoje, mas reconhece valor em gente como Amy Winehouse.

– Espero que a ajudem. Seria o desperdício de um grande talento – diz Ozzy, que está curioso para ouvir Inflikted, disco do Cavalera Conspiracy, banda do ex-Sepultura Max Cavalera, a quem era muito ligado nos anos 90. – Sei que não ficarei desapontado. Não falo com Max há tempos, mas ele tem um lugar especial e desejo o melhor para ele.

Link para o texto aqui.

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Discoteca Básica

Jornalista, 32 anos, Niterói/RJ.Bizz, Nitideal, International Magazine, Rock Press, Jukebox, etc.Rock, MPB, samba de raiz, fusões, experimentalismos, rock nacional, indie rock, etc.E-mail: rschott2004@gmail.com

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