As resenhas com * saíram no JB
"O RETORNO DE SATURNO" - DETONAUTAS (Sony & BMG)*
Em seu primeiro CD após o assassinato do guitarrista Rodrigo Netto, os Detonautas abusam de sons acústicos e baladas ("Verdades do mundo", "Tanto faz", "Só pelo bem querer"). As letras idealistas vão do tocante ("Oração do horizonte") ao piegas (o poema inserido em "Ensaio sobre a cegueira") e sugerem que a face meio hardcore, meio Red Hot sumiu, mas abriu espaço para uma sombra da Legião Urbana.
"DIAMOND HOO HA" - SUPERGRASS (EMI)
O que mais tem é gente para dizer que o Supergrass perdeu o peso da época do primeiro disco - e, de fato, os dois primeiros álbuns, I should coco e In it for the money, continuam sendo os melhores da banda. No caso do disco novo, chama a atenção a máquina de fazer belas e ágeis canções que a banda vem se tornando - na qual se desstacam o carisma do vocalista Gaz Coombes e os sons de teclado de seu irmão Rob. O tom meio punk, meio hard rock que já aparecia no primeiro CD deu em boas canções como "Diamond hoo ha man" e "Rough knuckles", e os anos 60 continuam à toda no som do grupoem "Ghost of a friend" e na lindíssima "The return of inspiration".
"THAÍS GULIN" - THAÍS GULIN (Rob Digital)
Boa parte do repertório de Thaís é baseado em artistas da vanguarda paulistana, além de precursores e seguidores - ela até faz uma parceria com Arrigo Barnabé em "Cinema incompleto". Seu disco tem também regravações de Zé Ramalho ("Garoto de aluguel") e duas de Chico Buarque ("Hino de Duran" e "Lua cheia", esta em parceria com Toquinho), além de sambas como "De boteco em boteco" (Nelson Sargento) e "Bloco da solidão" (Jair Amorim e Evaldo Gouvêia), mas a cara de seu trabalho é mesmo dada por músicas como a experimental (e chatinha) "Piano (Ofídico Fatíico)", de Iara Rennó e Anelis Assumpção, filha de Itamar, "78 rotações" (Macalé e Capinam) e a belíssima "Cisco" (Carlos Careqa e Zeca Baleiro). O disco acaba sendo uma união entre a MPB mais clássica e a experimental, entremeadas por uma bela voz e por arranjos delicado e, quase sempre, bacanas. Como curiosidade, uma parceria entre Otto e sua esposa Alesandra Negrini - o dispensável tango "História de fogo".
"IT IS TIME FOR A LOVE REVOLUTION" - LENNY KRAVITZ (Virgin/EMI)
Desde Circus (1995) que Kravitz não lançava um disco realmente bom - e Baptism (2004) parecia mostrar que o multi-instrumenista americano não tinha mais nada de interessante para mostrar. Ao contrário da bem azeitada mistura de rock e soul de discos anteriores, o álbum de 2004 era tomado por melodias sem graça (a pior delas, a enjoadinha "Calling all angels", conseguiu até fazer sucesso e rolar em trilha de novela aqui no Brasil) e por batidas que pareciam tiradas de um tecladinho Casio. It is time for a love revolution apela para uma boa volta ao sonho hippie, com direito a vocais lembrando Beatles em "Good morning" e a ótimos balanços roqueiros em "Love love love" e "If you want it", além de baladas que realmente pegam, como "A long and sad goodbye". E recupera bastante a carreira de Kravitz, que já foi um superstar do rock como há muito não se fazia - e parece disposto a tudo para voltar á velha forma.
E MAIS: A edição "de luxo" do disco, vem com um DVD no qual Lenny concede algumas entrevistas sobre o novo trabalho, falando de algumas músicas, etc. Entre elas, alguns dos melhores clipes do cantor, incluindo a bicho-grilagem de "Let love rule", o tom soul de "It ain't over till it's over", a fodelança de "Fly away" e "Where are we runnin'", etc.
"THE IRON MAIDENS" - THE IRON MAIDENS (Hellion)
"Único tributo feminino ao Iron Maiden do mundo", as meninas do The Iron Maidens gravaram treze músicas da banda, num CD que acaba perdendo por só ter o som, sem o vídeo - embora alguns shows das garotas possam ser vistos no You Tube. O som, cheio de técnica, paga tributo mesmo, sem mudar a sonoridade original. Uma curiosidade são os codinomes das meninas. Os vocais, por exemplo, estão a cargo de uma nissei chamada Aja Kim, que prefere ser chamada de "Bruce Lee Chickinson".
"GOOD TO BE BAD" - WHITESNAKE (Hellion)*
A banda do vocalista David Coverdale volta com um disco de inéditas que poderia ter sido lançado em 1987. Nada de modernidades, só o bom hard rock do grupo, em sons pesados como "All for love" e "Can you hear the wind blow?", o blues "A fool in love" e as baladas "All I want I need" e "‘Till the end of time". Há também um assalto à levada de "Black dog", do Led Zeppelin, em "Lay down your love".
"OUR LOVE TO ADMIRE - LIMITED EDITON" - INTERPOL (EMI)
Na rebarba do show da banda novaiorquina no Brasil, a EMI disponibiliza uma edição limitada do terceiro CD do Interpol, Our love to admire, com um EP-DVD de bônus, trazendo aparições da banda ao vivo e os clipes de "The Heinrich maneuver" e "No I in the threesome". Influenciadíssimos pelo Joy Division (embora Antics, o segundo disco, até indicasse que queriam sair um pouco da sombra) e responsáveis por misturas musicais que esbarra em expermentações rítmicas típicas de bandas européias, os caras mostraram na Fundição Progresso, no começo de março, que são uma banda complicada de entender. Sua música é depressiva e baseada em estrutras muito parecidas (notas e riffs circulares, linhas vocais graves), a banda tem uma sonoridade bastante intensa e, ainda assim, fizeram a platéia carioca pular quase o tempo todo. Os discos do grupo geralmente são bons e interessantes - mas o show pecou por escolher um repertório com músicas parecidas demais entre si. Seja como for, coplicado tapar os ouvidos para belas músicas como "Pioneer to the falls", "The scale", "Rest my chemistry" e, em especial, a tristonha "The lighthouse", que encerra o disco.
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Jornalista, 32 anos, Niterói/RJ. Bizz, Nitideal, International Magazine, Rock Press, Jukebox, etc. Rock, MPB, samba de raiz, fusões, experimentalismos, rock nacional, indie rock, etc. E-mail: rschott2004@gmail.com