12.03.08

Permalink 22:39:13, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música, Livros

Carlos Imperial !!!

Me orgulho pra caralho de ter feito essa matéria, que foi pra capa do Caderno B de hoje. O Denilson Monteiro, que fez a pesquisa do livro Vale tudo - O som e a fúria de Tim Maia, de Nelson Motta, está terminando uma biografia do Carlos Imperial, Dez! Nota dez! Segue aí o texto que saiu hoje no JB na íntegra.

AS NOTAS MÁXIMAS DE CARLOS IMPERIAL
Ricardo Schott

Carlos Imperial foi um homem multimídia antes que o termo começasse a definir quem atua em todas as frentes. Produziu discos, lançou artistas (numa escala díspar que inclui de Clara Nunes a Gretchen, passando por seu maior pupilo, Roberto Carlos), dirigiu filmes, apresentou programas, compôs sucessos e até tentou carreira política. Na música, esteve presente em quase tudo, da bossa nova ao rock, passando pela MPB. E uma detalhada biografia de Imperial sai em dezembro. É Dez! Nota dez!, do historiador Denilson Monteiro, pesquisador de Vale tudo: o som e a fúria de Tim Maia, de Nelson Motta. O título do livro vem da maneira como Imperial anunciava as notas máximas nas apurações de desfiles de escolas de samba.

- Ele leu as notas da apuração só em 1984 e 1985. E até hoje todo mundo lembra - brinca Denilson.

Em 1973, Imperial lançou a hoje esgotada autobiografia Memórias de um cafajeste.

- Mas a idéia dele era só tratar de sua vida como incentivador do rock nos anos 50. O meu livro mostra um relato completo da vida de Imperial, um sujeito que acho que faz muita falta no Brasil de hoje - diz Monteiro, que crê que Luciano Huck, por seu lado empreendedor e bon-vivant, tenha pego, em parte, o bastão do popular Impera. - Ele também batalhou muito, começou em canais pequenos. Mas poderia fazer como o Imperial e recuperar pessoas esquecidas. Graças a uma fofoca do Imperial, a de que os Beatles iriam gravar Asa Branca, o Luiz Gonzaga, que estava sumido, voltou à mídia.

No começo, Imperial fez pontas em chanchadas da Atlântida como O petróleo é nosso, de Watson Macedo (1954). Seu envolvimento com a música se deu a partir dos anos 50, com a explosão do rock. Foi a partir de então que ele se envolveu com dois personagens que marcariam sua vida. Roberto Carlos, nascido na mesma cidade de Imperial (Cachoeiro do Itapemirim/ES), foi lançado por ele, que percorreu gravadoras, lhe arrumou um contrato com a CBS (hoje Sony-BMG) e compôs quase todo o repertório do primeiro álbum do rei, o hoje proscrito Louco por você (1960). Já Erasmo Carlos trabalhou nos bastidores dos programas de rock de Imperial e assinava notas da coluna do patrão na Revista do rádio. Denilson, que não conseguiu falar com Roberto (mas entrevistou Erasmo), diz que não se intimidou com a censura a Roberto Carlos em detalhes, de Paulo Cesar Araújo, e falou sobre o rei em Dez! Nota dez!.

- É um livro sobre o Imperial, não sobre o Roberto. Foquei apenas na persistência dele para atingir seu objetivo e sobre o apoio que ele recebia do Imperial - diz Monteiro, que não deixa de ironizar o clima criado pela censura ao livro sobre o rei. - No futuro, quem for escrever uma biografia só poderá falar que o personagem acordou e foi ao banheiro, mas sem mencionar o que ele foi fazer lá.

O ator humorístico Paulo Silvino também foi lançado por Imperial, no fim dos anos 50, mas como cantor de rock.

- Lembro dele como um grande amigo, e um produtor e criador fenomenal - diz Silvino, afirmando que, apesar de imagem pública de doidão, Imperial sempre foi um grande careta. - Ele não bebia, não fumava e não usava drogas. Lembro dele como um grande glutão, viciado em Coca-Cola e mulher.

Para lançar seus produtos ou simplesmente para não sumir da mídia, Imperial fazia tudo. Em abril de 1983, carregou uma cruz nas costas pelo Centro do Rio, para protestar contra o diretor teatral Aderbal Freire Filho - que dirigira uma peça sacra que Imperial acreditava ter sido superfaturada. No natal de 1968 foi preso ao enviar aos militares um cartão em que aparecia sentado nma privada, com a legenda "espero que Papai Noel não faça no seu sapato o que faço neste cartão". Em 1985, se candidatou a prefeito pelo PTN (Partido Tancredista Nacional, uma homenagem a Tancredo Neves, sem autorização da família do próprio). Nos programas eleitorais, aliciava patrulheiros mirins e convocava a população a bater panelas como forma de protesto. E graças à sua vida como produtor de pornochanchadas como As delícias do sexo e O sexo das bonecas, e aos programas de TV em que aparecia cercado de "lebres" (as garotas do Imperial), a imagem pública de garanhão marcaria sua vida, encerrada em 4 de novembro de 1992, a 10 dias de fazer 57 anos.

- O livro mostra como ele relaxa na cama ao lado de várias meninas. Só não deu para citar os nomes porque seria deselegante - diz Denilson. - Saíram livros sobre Roberto Carlos, Clara Nunes e Tim Maia e é impossível falar deles sem o Imperial. É mais fácil falar do que ele não fez.

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O link do texto tá aqui.



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Jornalista, 32 anos, Niterói/RJ. Bizz, Nitideal, International Magazine, Rock Press, Jukebox, etc. Rock, MPB, samba de raiz, fusões, experimentalismos, rock nacional, indie rock, etc. E-mail: rschott2004@gmail.com

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