As resenhas com * saíram no Jornal do Brasil.
"BAILE BASS" - TURBO TRIO (YBrasil)* - BNegão, Alexandre Basa e Tejo Damaceno fazem uma espécie de funk esclarecido. Do batidão carioca sobrou o ritmo, que ganha samples, influências gerais da música eletrônica e letras "espiritualizadas" até mesmo em faixas alegres como "T3 make move", "Terremoto" e "Dibituca". Mas, mesmo com a presença de Deize Tigrona em "Ela tá na pista", não é som feito para a massa funkeira. É para indies e DJs que fazem concessões ao estilo.
"MEU NOME É JOÃO ESTRELLA" - JOÃO ESTRELLA (EMI)* - O CD do personagem do filme Meu nome não é Johnny não é - impossível não trocadilhar - uma droga. Tem momentos interessantes, como o samba "No parque" e as baladas "Madrugada" e "Pra onde se vai". Mas o som, na totalidade, não passa de um sub-Frejat, e a voz de João carece de personalidade e afinação. Letras como as de "Volta pra mim" apontam para a antiga vida bandida de João.
"SUPERSOUL" - PAULO OTÁVIO (MB Records) - O título do disco soa meio pretensioso, mas o carioca Paulo Otávio até que capricha bastante em algumas levadas, como em "Vem comigo" e no reggae "Don't say goodbye". Algumas das melhores músicas já são definidas em seus títulos, caso de "Dance" e "Samba-funk". Já a acanhada faixa título precisava de algo mais para fazer jus ao nome.
"NÓS SOMOS OS OUTROS" - OS OUTROS (Bolacha discos) - A banda carioca Os Outros é formada por músicos que já estiveram em bandas como Canastra, Noção de Nada e (opa) em projetos como o Cep 20 Mil. A pentelhação de algumas experimentações poéticas da galera que frequentava o Espaço Cultural Sérgio Porto nas noites do Cep não vazou para as letras, bem legais, do grupo - caso de "Politicamente correto", "Trem", "Balada", "Dançando no escuro" e várias outras. A música é uma mescla pessadíssima de tropicalismo e rock (inclusive o brasileiro) dos anos 70.
"UM AO VIVO QUALQUER" - 3 STEPS (Independente)* - Os cariocas do 3 Steps resolveram partir para o SMD - um CD com gravação menor, capa de papel e venda a R$ 5 - e fizeram uma gravação ao vivo, com boas e suingadas canções como "Beijo no anzol" e "Pode ser melhor". O som, influenciadíssimo pela Dave Matthews Band, une o rock a MPB, ao folk e ao jazz, com direito a flautas e sax misturados às guitarras (como em "Tá na cara").
"FESTEIRO" - ALEXANDRE CALDI (Delira música)* - Conhecido por seu trabalho em grupos como o Garrafieira, o saxofonista Alexandre Caldi lança uma ótima estréia solo. O disco é instrumental sem se prender a clichês de jazz - e lembra trilhas de antigos filmes, em temas como "Baião dos Gregs" e na latino-carioca "Em frente ao Rival", além de boas versões para "Deixa a menina" (Chico Buarque) e "Canto de Xangô" (Baden e Vinicius).
"NEGRO CANTO" - MÁRCIO THADEU (independente)* - Soa estranho ouvir "Notícia", de Nelson Cavaquinho, sem o machucado da voz do autor. Mas, fora isso, "Negro canto" traz arranjos criativos para clássicos de compositores brasileiros negros. Além da recuperação da setentista "Pôxa", de Gilson de Souza, em tons de bossa, há "Doralice" (Dorival Caymmi), "Tudo se transformou" (Paulinho da Viola) e até um aceno ao pop com "Intacto" (Jair Oliveira).
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Jornalista, 32 anos, Niterói/RJ. Bizz, Nitideal, International Magazine, Rock Press, Jukebox, etc. Rock, MPB, samba de raiz, fusões, experimentalismos, rock nacional, indie rock, etc. E-mail: rschott2004@gmail.com