Matéria que saiu no JB semana passada sobrwe a biografia da Blitz, que está para sair pela Ediouro.
As aventuras da Blitz chegam às estantes
Ricardo Schott
Abre-alas do rock nacional dos anos 80, a Blitz nunca teve sua história esmiuçada, ao contrário de grupos posteriores como Paralamas do Sucesso e Titãs. Agora, o grupo de Evandro Mesquita - que continua na ativa, lançou recentemente o DVD Blitz ao vivo e a cores (Performance Be) e tem boa agenda de shows, muitos deles em eventos fechados - tem sua trajetória contada em As aventuras da Blitz, que a Ediouro está programando para agosto.
O autor é o jornalista Rodrigo Rodrigues, conhecido por apresentar o programa jovem Vitrine, da TV Cultura. Rodrigues, 32 anos, é fã da banda desde a infância e a viu ao vivo durante a minitemporada na Praça da Apoteose, em setembro de 1984 - que gerou um especial para a Rede Globo, Blitz contra o gênio do mal. Ele enfatiza que resgatou o nome do primeiro álbum da Blitz para seu livro, por ser o melhor para definir a história do grupo.
- A Blitz fez uma espécie de test drive da beatlemania brasileira pós-jovem guarda. O boom de cultura pop veio depois deles. Expressões como "ok, você venceu" e "calma, Beth" foram popularizadas por eles e são usadas até hoje - diz Rodrigo, lembrando que a Blitz teve músicas em novelas, álbum de figurinhas, inspirou grife de jeans e, por pouco, não protagonizou um filme, que seria dirigido por Murilo Salles em 1984. - Não deu certo porque o clima na banda estava ruim e o Murilo não tinha dinheiro. Parte desse material foi aproveitado pelo Fantástico num clipe alternativo de Você não soube me amar, feito em película.
Quando o rock nacional dos anos 80 se iniciava - com bandas como Kid Abelha e Barão Vermelho - a maior fatia do sucesso cabia à Blitz, uma banda que vendeu cerca de um milhão de cópias do primeiro single, com a divertida Você não soube me amar (EMI, 1982) e quase bisou tal marca na seqüência, com o primeiro LP, As aventuras... Rodrigo gravou um depoimento de Roberto Medina, idealizador do Rock in Rio, afirmando que, para a primeira versão do festival, em 1985, pensou em apenas um grupo nacional com peso para encarar a cidade do rock. Era a Blitz, que, além de Evandro, tinha as vocalistas Fernanda Abreu e Márcia Bulcão, o guitarrista Ricardo Barreto (parceiro de Evandro em quase todo o repertório), o tecladista Billy Forghieri, o baixista Antonio Pedro e o baterista Juba (que substituiu Lobão, músico convidado no primeiro LP).
- Não tinha para ninguém. Os Paralamas, que depois venderiam muitos discos, foram escalados porque ficavam ligando para a produção do festival.
Historicamente, muitos se referem à Blitz como o primeiro grupo verdadeiramente de rock nacional pós-anos 70, isolando bandas como A Cor do Som e 14 Bis. Rodrigo viu que não era bem isso.
- Mariozinho Rocha, que lançou a Blitz na EMI, diz que a banda não era só rock. E não era, porque tinha reggae, pop, tudo. A diferença foi o fato de a Blitz ter sido o primeiro grupo dessa época a mirar o jovem como público - diz, ressaltando outras conexões. - O 14 Bis fez propaganda da Blitz para a EMI. E Cleberson Horsth, tecladista do Roupa Nova, regeu o coral de Você não soube me amar, sem ser creditado.
Evandro Mesquita confirma que a banda encontrou terreno favorável no proto-pop nacional.
- Fiz uma música, Alto astral, com A Cor do Som no disco Mudança de estação (1981). Eles eram nossos amigos e até emprestavam o som para nossos shows - conta o músico, que adorou a idéia da biografia. - É como fechar um ciclo da nossa história. E mostra a gente para uma nova geração que está começando a ir nas nossas apresentações.
Pode o sucesso em demasia ser prejudical a uma banda? Rodrigo afirma que, no caso da Blitz, o êxito trouxe conseqüências drásticas. A crise agravou-se na época do terceiro disco, Blitz 3 (1984), arrastou-se por 1985 (apesar de uma boa apresentação no Rock in Rio, em janeiro, e até de um show numa praça pública em Moscou, na antiga União Soviética, em julho) e estourou no ano seguinte, quando o casal Márcia Bulcão e Ricardo Barreto comunicou sua saída - o fim da banda foi noticiado em primeira mão pelo Caderno B em 7 de março de 1986.
- A banda teve uma fase de drogas e álcool, mas isso não atrapalhou. O problema foram as conseqüências do sucesso, como o ritmo de trabalho intenso, as várias cobranças e, em especial, as crises de egos, de gente reclamando: "pô, tem mais música sua do que minha!". Além disso, a liderança era do Evandro e do Ricardo, mas o Evandro era o vocalista, era um cara boa pinta, já tinha feito o filme Menino do Rio (de Antono Calmon). É claro que ele aparecia mais - diz Rodrigo, que negocia conversas com Márcia, Ricardo e Antonio, hoje rompidos com Evandro, Juba e Billy, que permaneceram na Blitz. - A biografia não é chapa-branca, não é a visão pessoal do Evandro. Até o Lobão, que saiu brigado da banda, me deu um depoimento de seis horas e disse que quer fazer um acústico com todos os que passaram pela Blitz.
Para seguir o esquema pop da Blitz, a história da banda será contada com muitos recursos visuais. Se tudo der certo, terá o trabalho gráfico assinado pelo mesmo Luiz Stein que, ao lado de Gringo Cardia, se responsabilizava pelo visual dos LPs da Blitz. Rodrigo planeja até um box com as melhores frases de Evandro.
- Quando perguntavam a ele sobre o fim da Blitz, ele respondia coisas como "pô, vocês querem beijo na boca ou bodas de ouro?" - brinca Rodrigues, acreditando que a banda tem muito a ensinar aos roqueiros da atualidade. - A Blitz não tinha plano de carreira, tudo era original e espontâneo. O rock nacional está muito burocrático hoje.
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Fiquei sabendo que o Evandro leu a matéria e gostou. E que o Erasmo Carlos leu a matéria do Imperial e gostou. Foda!
As resenhas com * saíram no JB.
"WARPAINT" - BLACK CROWES (Silver Arrow) * - Gravado em Woodstock, o sétimo disco de estúdio dos BC os flagra mais uma vez tentando fazer seu Exile on main street, clássico álbum blues-folk-rock dos Stones. Até conseguem, produzindo sons típicos da virada 60/70 ("Goodbye daughters of the revolution", o baladão "Oh Josephine", o blues "Walk believer walk" e a folk-indiana "Whoa mule") ou partindo para o gospel ("God's got it", composta pelo reverendo Jesse Jackson).
"THESE ARE THE GOOD TIMES PEOPLE" - THE PRESIDENTS OF THE USA (Fugitive) * - One hit wonders dos anos 90, os Presidents nunca conseguiram fazer nada tão brilhante - e tão bem sucedido - quanto a gozadora "Lump", de 1995. De volta, eles vêm com um bom mix de punk melódico, folk rock e rock anos 60, com faixas como a ágil e bem-humorada "Mixed up S.O.B.", o belo punk-folk "More bad times" e o country "Truckstop butterfly".
"SIMPLE PLAN" - SIMPLE PLAN (Warner) *- O terceiro disco do grupo canadense inclui elementos de hip-hop até em canções que lembram o Green Day de American Idiot, como "Your love is a lie", e investe em boas baladas como "Save you" e "No love". Mas a mescla de som punk e hard rock continua à toda em "The end" e na declaração de princípios "Generation". O emocore que fez a fama da banda surge em "Time to say goodbye".
"DOIS MAIOR DE GRANDE" - CLARA BECKER (Independente) - O título do disco (referência à Coisa mais maior de grande: pessoa, disco de Gonzaguinha) é bem estranho, vá lá. Mas a idéia de homenagear Luiz Gonzaga e Gonzaguinha - ainda mais numa época em que a obra do autor de "Explode coração" parece ter sido redescoberta - é legal. E Clara Becker, filha dos atores Walmor Chagas e Cacilda Becker, tem técnica vocal reconhecida por muita gente - músicas como "Sabiá" (de Luiz Gonzaga) e "Paixão" (de Gonzaguinha) parecem ter sido feitas exclusivamente para ela. A coisa só não dá certo quando aparecem músicas que precisam de mais emoção ou de um vocal mais extrovertido, como "Coma perna no mundo", "Sangrando" (ambas de Gonzaguinha) e "Numa sala de reboco" (ambas do repertório de Gonzagão).
Saiu ontem (sexta) no B uma matéria minha sobre como o catálogo de Tim Maia está sendo tratado pelas gravadoras que o detém. Falei um pouco sopbre o Tim Racional 3, mas como não era o assunto principal, não me prendi a isso.
Tenho uma entrevista com o João Marcelo Boscoli, da Trama, que não usei nesta matéria. Vou colocar aqui depois.
Amanhã sai matéria minha sobre a biografia da Blitz, que o Rodrigo Rodrigues (do programa da TV Cultura Vitrine) está escrevendo.
VOU PEDIR PRA VOCÊ VOLTAR ÀS PRATELEIRAS
Ricardo Schott
Os dez anos de ausência de Tim Maia, pioneiro do soul brasileiro, que morreu em 15 de março de 1998, de infecção generalizada, não diminuíram o interesse por sua obra. Mas poucos discos de Tim permanecem em catálogo. Estão para sair dois em maio, mas são uma coletânea (baseada na biografia escrita por Nelson Motta, Vale tudo - O som e a fúria de Tim Maia) e um álbum não tão célebre, Tim Maia interpreta clássicos da bossa nova, lançado em 1990 pelo seu selo Vitória Régia e agora reeditado pela Sony BMG. O tão falado Racional 3, continuação dos dois discos Tim Maia Racional, que Tim gravou entre 1975 e 1976, ao entrar para a seita Universo em Desencanto, está sendo planejado para breve pelo herdeiro único de Tim, seu filho Carmelo - assim como o lançamento em CD do Racional 2, já que só o 1 foi reeditado, em 2005, pela Trama.
- Não posso relançar muitas coisas, porque não haveria como divulgar todo esse material E ficaria saturado - diz Carmelo.
A história do Racional 3 começou em 2000, quando o produtor Dudu Marote recebeu tapes gravados por Tim, por volta de 1976, no estúdio carioca Somil. As fitas, que estavam sem canais de cordas e metais, foram dadas a ele pelo técnico de som William Junior, filho do dono do estúdio. Dudu disse ter passado as músicas para algumas pessoas, que provavelmente as colocaram na rede. O produtor Kassin ouviu os tapes e os mostrou para amigos de Tim, como Paulinho Guitarra e Nelson Motta. Mas diz não estar mexendo nas fitas.
Carmelo diz não conhecer Kassin e que pretende respeitar conceitos paternos no projeto.
- Quem vai mexer nos tapes é o maestro Lincoln Olivetti, que era amigo do meu pai. Se o Kassin vai sair nos créditos como co-produtor, não sei. Mas quem tem que estar lá são os amigos do meu pai - diz Carmelo, irritado com o vazamento do conteúdo dos tapes. - Se foi o Dudu Marote quem fez isso, ele vai ter que responder judicialmente.
O Caderno B agendou uma entrevista com Marote, mas não conseguiu encontrá-lo.
Poucos discos à disposição
Se alguém quiser passar o sábado lembrando de Tim ao som de suas músicas, terá poucas opções. Tim passou por um sem-número de gravadoras, além de ter montado seu selo, mas boa parte de sua discografia concentra-se na Universal e na Warner. A primeira mantém só quatro CDs importantes em catálogo: o primeiro (1970), o quarto (de 1973), Descobridor dos sete mares (1983) e Sufocante (1984). Além da prometida Vale tudo, já editou uma série de coletâneas do cantor, geralmente pertencentes a séries como A arte de... e Millenium.
- Acho bobeira a Universal não fazer uma caixa com os quatro primeiros do Tim. Com isso, ela perde dinheiro e estimula cópias clandestinas - reclama Nelson Motta. - Poderiam aproveitar a promoção em cima do meu livro, que já vendeu quase 100 mil exemplares.
Responsável pelo marketing da antiga Philips (hoje Universal) nos anos 70, Armando Pittigliani lamenta que a obra de Tim esteja dispersa em coletâneas.
- A nova geração de homens de gravadora não conhece o catálogo que tem nas mãos, aí fica essa coisa de espremerem a fruta na máquina para fazer suco - brinca. - Eu já teria relançado uns 200 discos da Universal, inclusive os do Tim.
A Warner mantém só o relançado Tim Maia Disco Club (1978, com sucessos como Sossego) e Ao vivo (1992) e não planeja novos relançamentos.
Me orgulho pra caralho de ter feito essa matéria, que foi pra capa do Caderno B de hoje. O Denilson Monteiro, que fez a pesquisa do livro Vale tudo - O som e a fúria de Tim Maia, de Nelson Motta, está terminando uma biografia do Carlos Imperial, Dez! Nota dez! Segue aí o texto que saiu hoje no JB na íntegra.
AS NOTAS MÁXIMAS DE CARLOS IMPERIAL
Ricardo Schott
Carlos Imperial foi um homem multimídia antes que o termo começasse a definir quem atua em todas as frentes. Produziu discos, lançou artistas (numa escala díspar que inclui de Clara Nunes a Gretchen, passando por seu maior pupilo, Roberto Carlos), dirigiu filmes, apresentou programas, compôs sucessos e até tentou carreira política. Na música, esteve presente em quase tudo, da bossa nova ao rock, passando pela MPB. E uma detalhada biografia de Imperial sai em dezembro. É Dez! Nota dez!, do historiador Denilson Monteiro, pesquisador de Vale tudo: o som e a fúria de Tim Maia, de Nelson Motta. O título do livro vem da maneira como Imperial anunciava as notas máximas nas apurações de desfiles de escolas de samba.
- Ele leu as notas da apuração só em 1984 e 1985. E até hoje todo mundo lembra - brinca Denilson.
Em 1973, Imperial lançou a hoje esgotada autobiografia Memórias de um cafajeste.
- Mas a idéia dele era só tratar de sua vida como incentivador do rock nos anos 50. O meu livro mostra um relato completo da vida de Imperial, um sujeito que acho que faz muita falta no Brasil de hoje - diz Monteiro, que crê que Luciano Huck, por seu lado empreendedor e bon-vivant, tenha pego, em parte, o bastão do popular Impera. - Ele também batalhou muito, começou em canais pequenos. Mas poderia fazer como o Imperial e recuperar pessoas esquecidas. Graças a uma fofoca do Imperial, a de que os Beatles iriam gravar Asa Branca, o Luiz Gonzaga, que estava sumido, voltou à mídia.
No começo, Imperial fez pontas em chanchadas da Atlântida como O petróleo é nosso, de Watson Macedo (1954). Seu envolvimento com a música se deu a partir dos anos 50, com a explosão do rock. Foi a partir de então que ele se envolveu com dois personagens que marcariam sua vida. Roberto Carlos, nascido na mesma cidade de Imperial (Cachoeiro do Itapemirim/ES), foi lançado por ele, que percorreu gravadoras, lhe arrumou um contrato com a CBS (hoje Sony-BMG) e compôs quase todo o repertório do primeiro álbum do rei, o hoje proscrito Louco por você (1960). Já Erasmo Carlos trabalhou nos bastidores dos programas de rock de Imperial e assinava notas da coluna do patrão na Revista do rádio. Denilson, que não conseguiu falar com Roberto (mas entrevistou Erasmo), diz que não se intimidou com a censura a Roberto Carlos em detalhes, de Paulo Cesar Araújo, e falou sobre o rei em Dez! Nota dez!.
- É um livro sobre o Imperial, não sobre o Roberto. Foquei apenas na persistência dele para atingir seu objetivo e sobre o apoio que ele recebia do Imperial - diz Monteiro, que não deixa de ironizar o clima criado pela censura ao livro sobre o rei. - No futuro, quem for escrever uma biografia só poderá falar que o personagem acordou e foi ao banheiro, mas sem mencionar o que ele foi fazer lá.
O ator humorístico Paulo Silvino também foi lançado por Imperial, no fim dos anos 50, mas como cantor de rock.
- Lembro dele como um grande amigo, e um produtor e criador fenomenal - diz Silvino, afirmando que, apesar de imagem pública de doidão, Imperial sempre foi um grande careta. - Ele não bebia, não fumava e não usava drogas. Lembro dele como um grande glutão, viciado em Coca-Cola e mulher.
Para lançar seus produtos ou simplesmente para não sumir da mídia, Imperial fazia tudo. Em abril de 1983, carregou uma cruz nas costas pelo Centro do Rio, para protestar contra o diretor teatral Aderbal Freire Filho - que dirigira uma peça sacra que Imperial acreditava ter sido superfaturada. No natal de 1968 foi preso ao enviar aos militares um cartão em que aparecia sentado nma privada, com a legenda "espero que Papai Noel não faça no seu sapato o que faço neste cartão". Em 1985, se candidatou a prefeito pelo PTN (Partido Tancredista Nacional, uma homenagem a Tancredo Neves, sem autorização da família do próprio). Nos programas eleitorais, aliciava patrulheiros mirins e convocava a população a bater panelas como forma de protesto. E graças à sua vida como produtor de pornochanchadas como As delícias do sexo e O sexo das bonecas, e aos programas de TV em que aparecia cercado de "lebres" (as garotas do Imperial), a imagem pública de garanhão marcaria sua vida, encerrada em 4 de novembro de 1992, a 10 dias de fazer 57 anos.
- O livro mostra como ele relaxa na cama ao lado de várias meninas. Só não deu para citar os nomes porque seria deselegante - diz Denilson. - Saíram livros sobre Roberto Carlos, Clara Nunes e Tim Maia e é impossível falar deles sem o Imperial. É mais fácil falar do que ele não fez.
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O link do texto tá aqui.
As resenhas com * saíram no Jornal do Brasil.
"BAILE BASS" - TURBO TRIO (YBrasil)* - BNegão, Alexandre Basa e Tejo Damaceno fazem uma espécie de funk esclarecido. Do batidão carioca sobrou o ritmo, que ganha samples, influências gerais da música eletrônica e letras "espiritualizadas" até mesmo em faixas alegres como "T3 make move", "Terremoto" e "Dibituca". Mas, mesmo com a presença de Deize Tigrona em "Ela tá na pista", não é som feito para a massa funkeira. É para indies e DJs que fazem concessões ao estilo.
"MEU NOME É JOÃO ESTRELLA" - JOÃO ESTRELLA (EMI)* - O CD do personagem do filme Meu nome não é Johnny não é - impossível não trocadilhar - uma droga. Tem momentos interessantes, como o samba "No parque" e as baladas "Madrugada" e "Pra onde se vai". Mas o som, na totalidade, não passa de um sub-Frejat, e a voz de João carece de personalidade e afinação. Letras como as de "Volta pra mim" apontam para a antiga vida bandida de João.
"SUPERSOUL" - PAULO OTÁVIO (MB Records) - O título do disco soa meio pretensioso, mas o carioca Paulo Otávio até que capricha bastante em algumas levadas, como em "Vem comigo" e no reggae "Don't say goodbye". Algumas das melhores músicas já são definidas em seus títulos, caso de "Dance" e "Samba-funk". Já a acanhada faixa título precisava de algo mais para fazer jus ao nome.
"NÓS SOMOS OS OUTROS" - OS OUTROS (Bolacha discos) - A banda carioca Os Outros é formada por músicos que já estiveram em bandas como Canastra, Noção de Nada e (opa) em projetos como o Cep 20 Mil. A pentelhação de algumas experimentações poéticas da galera que frequentava o Espaço Cultural Sérgio Porto nas noites do Cep não vazou para as letras, bem legais, do grupo - caso de "Politicamente correto", "Trem", "Balada", "Dançando no escuro" e várias outras. A música é uma mescla pessadíssima de tropicalismo e rock (inclusive o brasileiro) dos anos 70.
"UM AO VIVO QUALQUER" - 3 STEPS (Independente)* - Os cariocas do 3 Steps resolveram partir para o SMD - um CD com gravação menor, capa de papel e venda a R$ 5 - e fizeram uma gravação ao vivo, com boas e suingadas canções como "Beijo no anzol" e "Pode ser melhor". O som, influenciadíssimo pela Dave Matthews Band, une o rock a MPB, ao folk e ao jazz, com direito a flautas e sax misturados às guitarras (como em "Tá na cara").
"FESTEIRO" - ALEXANDRE CALDI (Delira música)* - Conhecido por seu trabalho em grupos como o Garrafieira, o saxofonista Alexandre Caldi lança uma ótima estréia solo. O disco é instrumental sem se prender a clichês de jazz - e lembra trilhas de antigos filmes, em temas como "Baião dos Gregs" e na latino-carioca "Em frente ao Rival", além de boas versões para "Deixa a menina" (Chico Buarque) e "Canto de Xangô" (Baden e Vinicius).
"NEGRO CANTO" - MÁRCIO THADEU (independente)* - Soa estranho ouvir "Notícia", de Nelson Cavaquinho, sem o machucado da voz do autor. Mas, fora isso, "Negro canto" traz arranjos criativos para clássicos de compositores brasileiros negros. Além da recuperação da setentista "Pôxa", de Gilson de Souza, em tons de bossa, há "Doralice" (Dorival Caymmi), "Tudo se transformou" (Paulinho da Viola) e até um aceno ao pop com "Intacto" (Jair Oliveira).
Jornalista, 32 anos, Niterói/RJ.Bizz, Nitideal, International Magazine, Rock Press, Jukebox, etc.Rock, MPB, samba de raiz, fusões, experimentalismos, rock nacional, indie rock, etc.E-mail: rschott2004@gmail.com