Não sei se vocês estão acompanhando, tá rolando uma certa, digamos, polêmica entre os artistas de bossa nova que não foram convidados para um show comemorativo dos 50 anos do gênero, que vai acontecer sábado, as 19h, na Praia de Ipanema, no post 20. O Pery Ribeiro tá puto de não ter sido convidado, a Maria Creuza também, a Alaíde Costa idem, a Claudette Soares idem, Os Cariocas idem... Em que pese o fato da bossa precisar de renovação, não deixa de ser uma bobeada fazerem um show de aniversário da bossa nova sem ter, pelo menos, Os Cariocas - se bem qe, particularmente, acho que a Fernanda Takai (que fez um bom disco em homenagem à Nara Leão, Onde brilham os olhos teus), e está no elenco do show) vai fazer uma apresentação legal. Vamos ver no que vai dar isso...
O fato é que o Caderno B, do Jornaldo Brasil, resolveu dar voz aos excluídos (opa!) da bossa e está colocando no ar uma série de matérias com esse pessoal. Hoje tem a Fernanda Takai em clima de Tropa de Elite ("se me pedirem pra sair, saio") nessa matéria aqui, e mais considerações sobre a matéria de ontem, Barrados na bossae dava voz a Pery, Claudette, Alaíde Costa, Severino Filho (Os Cariocas), Miúcha e aos diretores do evento, Solange Kafuri (responsável pela escalação) e Roberto Menescal. Não tem os créditos lá, mas a de ontem era minha e de Clara Passi e a de hoje é do Braulio Lorentz, com colaborações minhas e da Clara.
Voltei pra colocar algumas resenhas minhas que andaram saindo no Caderno B e mais umas coisas novas. E pretendo postar pelo menos duas vezes por semana, se der. Segue aí.
"ZAMBA BEN" - MARKU RIBAS (Dubas) - Zamba Ben traz 13 músicas, compiladas por Ed Motta, do repertório do cantor e percussionista mineiro Marku Ribas, que mistura samba-rock e soul brasileiro, adicionado-o ao reggae ("Meu samba regué"), à música africana ("Zi-Zambi"), aos ritmos latinos ("Zamba Ben") e a sons regionais ("Barrankeiros"). Há espaço até para um samba a Lupicínio Rodrigues ("Quem sou eu?"). Saiba mais em www.dubas.com.br.
"THE BLACKENING" - MACHINE HEAD (Roadrunner/Warner) - Os californianos do Machine Head nunca perderam a influência do Slayer, que aparece em seu sétimo CD, lançado nos EUA ano passado. O álbum tem oito longas faixas, com letras críticas e agressivas, apontando para guerras, religião, morte e injustiças, como em "Clenching the fists of dissent", "Aesthetics of hate", "Beautiful mourning" e nos dez minutos de "A farewell to arms". Conheça mais em www.machinehead1.com.
"8 HITS" - JOÃO BRASIL (Lontra Music) - Gozação do começo ao fim. Em dez faixas (apesar do título), João Brasil vai além do batidão funk e inclui sons voltados ao batidão anos 80 ("Quero fazer amor"), à disco music ("Supercool") e ao pop dos anos 60 ("Elisa"). Mas o forte são mesmo letras engraçadas, como as de "Cobrinha fanfarrona" e as autobiográficas "Pau molão" e "Baranga". Conheça mais em www.joaobrasil.com.br.
"VICTORIA LOUNGE SOUND" - MENTALIZ (Rastropop) - Formado por um DJ e dois músicos, o Mentaliz fez, em seu primeiro CD, a trilha sonora para um restaurante carioca, da Gávea. O som é lounge, com momentos interessantes, cheios de união de ritmos, como em "Ipanema", "Mineral com gás", "Quero só com você (Samba de talher)". Mas tem mais utilidade como trilha sonora do que propriamente como música instrumental que realmente ocupe espaço. Saiba mais sobre em www.rastropop.com.br.
"MINHA ESTAÇÃO" - THAÍS MOTTA (independente) - Voltada para o samba-jazz, a niteroiense Thaís levou um timaço para o estúdio (Paulinho Guitarra, Marvio Ciribelli na produçao, Arthur Maia no baixo e até Marcio Montarroyos, numa de suas últimas gravações, no trompete). O CD tem bons sambas como "Ai de mim" (Marco Pinheiro e Chico Alves) e "Clementina" (Altay Velloso) e até uma marchinha política satírica ("O pleito", de Velloso e Paulo Cesar Feital). Conheça em http://thaismotta.multiply.com.
"DO AMOR" - DO AMOR (Selinho/SMD) - O pedigree dos músicos do Do Amor inclui projetos como Canastra, Brasov, Los Hermanos, Caetano Veloso, Lucas Santtana & Seleção Natural, Zumbi do Mato, Totonho e os Cabra, etc. Agora, Gustavo Benjão (voz, guitarra), Gabriel Bubu (voz, guitarra), Marcelo Callado (voz, baixo) e Ricardo Dias Gomes (voz, bateria) aparecem dispostos a ser uma espécie de A Cor do Som punk - se é que isso é possível. E funciona muito bem, em músicas como a suingada "O modelo americano", a arábica "Santo do deserto" (com letra lembrando - opa! - Carlinhos Brown) e a pesada "Vão", que lembra as parcerias de Dadi e Arnaldo Antunes. Peça para contatotoamor@yahoo.com.br (e ouça mais músicas em www.myspace.com/doamor).
Jornalista, 32 anos, Niterói/RJ. Bizz, Nitideal, International Magazine, Rock Press, Jukebox, etc. Rock, MPB, samba de raiz, fusões, experimentalismos, rock nacional, indie rock, etc. E-mail: rschott2004@gmail.com