31.12.07

Permalink 01:17:16, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

É, povo... O ano tá quase no final e, graças a uns nvos empreendimentos que aconteceram na minha vida (dos quais falo depois) meu tempo está cada vez mais escasso pra escrever. Mas prometo que logo na primeira semana do ano tem coisa nova por aqui.

Por enquanto, vou só desejando um feliz 2008 para todo mundo e convocando todos para ouvirem o último Freakast do ano, que fala justamente... sobre os melhores de 2007. Ouçam aqui e divirtam-se.

28.12.07

Permalink 01:05:27, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

Djavan

matizes

"MATIZES" - DJAVAN (Luanda)

Se o "modelo Charlie Brown Jr." era inspiração para várias bandas há alguns anos, a MPB durante um bom tempo deveu muito a Djavan. Só que pelos motivos errados: muita gente copiou a obra do alagoano, sem no entanto imitar o que faz o trabalho dele funcionar (a sofisticação harmônica, as letras inusitadas, etc). Daí surgiu gente como Jorge Vercilo e Orlando Moraes plagiando sem dó o lado para-comer-alguém do músico - que, por sinal, é o que ele tem de menos interessante em sua obra. Até mesmo os lados chatos de gente como Caetano Veloso e Cazuza (que gravou a horripilante "Como já dizia Djavan") devem alguma coisa ao cantor.

Matizes, o 17º disco de Djavan, é o segundo que ele lança por seu selo Luanda Records. Um selo independente que, ao que consta, funciona como "dependente": numa matéria de lançamento do CD no Globo, assinada por Antonio Carlos Miguel, o cantor chegou a falar veladamente sobre ter pago jabá para poder ter o disco executado nas rádios - e diante do clima de cobra-comendo-cobra do mercado atual, quem há de culpá-lo?. Djavan, um cara que mesmo em seus momentos mais difíceis musicalmente, nunca deixou de ser um compositor focado e sem medo de arriscar, de competir, reapareceu com um disco muito bom e bem menos "digerível" que os anteriores. Tem mais metais, uniões jazz-MPB mais expostas, músicas cheias de partes quebradas ("Joaninha", "Azedo e amargo"), um hit já testado e aprovado ("Delírio dos mortais", que está em trilha de novela) e vários na fila, como a faixa título, "Adoraria me ver como seu" e a curiosa "Imposto", fazendo poesia com a dureza do povo brasleiro, em versos como "ISS, ICMS, PIS e Cofins, pra nada/Integração Social, aonde?/Só se for no carnaval". Problema: dá até pra imaginar o número de imitadores aumentando ...

26.12.07

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Categorias: Música

Pro seu Natal do ano que vem ! + ...

new

"JUST CAN'T GET ENOUGH: NEW WAVE XMAS" - VÁRIOS (Rhino)

Achei esse CD numa loja em Niterói - a loja do Zé, pra quem não conhece - por uns dez contos, faz tempo. Lá por 1996, a Rhino records, que até hoje brilha com seus lançamentos de box sets contendo raridades do rock, editou uma série chamada Just can't get enough: New Wave Hits Of The 80's, com faixas raras do período. Um dos volumes que acompanhava a série trazia apenas músicas de Natal tocadas por grupos e artistas não apenas dos anos 80 como também dos 70 - e com certeza é uma opção melhor de disco para se tocar na noite de Natal do que aquele CD da Simone que ninguém aguenta mais. Para agradar aos papais, mamães e até avôs e avós, o disco ainda tem uma surpresa a mais, que é a dupla David Bowie / Bing Crosby cantando "Peace on Earth / Little drummer boy", um mês antes da morte de Crosby, em 1977, num especial de TV protagonizado por ele. Antes de aparecer em New wave xmas, a música havia sido lançada apenas num single de 1982, que fechava a tampa do contrato de Bowie com a RCA.

Mas não é só isso: ainda tem o XTC, uma das mais brilhantes bandas da época, tocando "Thanks for Christmas" usando o nome de The Three Wise Man, duas raridades lançadas num disco promocional da Warner de 1988 (Los Lobos, aqueles do tema do filme La Bamba, com o instrumental "Rudolph The Manic Reindeer" e as garotas - e o cara - indies do Throwing Muses com "Santa Claus"), os Pogues cantando "Fairytale of New York" num dueto do vocalista Shane McGowan com a falecida cantora/compositora inglesa Kristy MacColl, a beleza de "2000 miles", com os Pretenders... E ainda tem nomes hoje não tão lembrados, como o o fundador da banda punk The Damned, Captain Sensible, com a gracinha "One Christmas catalogue" e a estilosa dupla Timbuk 3 unindo folk e anos 80 na bela "All I want for Christmas". Vale a pena procurar por aí - no Amazon.com, pra quem ainda compra CDs, tem pra vender, e algumas músicas podem ser achadas no cada vez mais vazio Soulseek.

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Semana passada teve mais Freakast, dessa vez falando sobre os melhores shows de nossas vidas. Confiram aqui. E essa semana deve ter mais, se o ano novo não impedir.

24.12.07

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Categorias: Música

Ho ho ho

Feliz Natal para todos os leitores deste blog!
Amanhã tem texto novo, acho.

22.12.07

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Categorias: Música

Indies: Djangos + Seu Miranda + The Ericks + Os Wanderleys

djan

"DJANGOS" - DJANGOS (demo)

A banda carioca Djangos gravou coisas na EMI, na WEA (o excelente CD Raiva contra Oba-Oba, produzido por Tom Capone e João Barone) e, em todos os momentos, levou a mistura de rock e ska a outras esferas. O novo disco da banda está sendo gravado, com produção de Marcelo Yuka. Enquanto o CD não sai, tem esse aperitivo de quatro faixas, com sons que tornam os Djangos quase um Rappa (ou Asian Dub Foundation) do ska, unindo desencanação, crítica e muita informação musical, com toques de reggae, rock, drum'n bass, ska e metal, nas faixas "Operação São Jorge", "Eles me fazem chorar", "O Alvo" e "Jumping in the slavequarter". Conheça e baixe mp3 em www.djangos.com.br (lá tem, de graça, "Onda e concreto" e "Mantra", presentes num dos volumes da coletânea Tributo ao inédito).

"R$ 2,99 - OBRIGADO, VOLTE SEMPRE!" - SEU MIRANDA (independente)

Sim, o preço estampado no título é realmente quanto custa o disco novo da banda niteroiense Seu Miranda - o anterior era R$ 1,99. E você ganha realmente R$ 0,01 de troco, que já vem de brinde dentro do disco. O som é o tipo de rock que faz sucesso em vários festivais aqui da cidade: hardcore nervoso, adolescente, sem muita gritaria, com toques de ska e letras que apontam para Ramones e Mamonas Assassinas, como "Cheroso", "Seu Madruga se perturba" (com samples do programa do Chaves) e "Carne, queijo ou frango". Conheça em www.fotolog.com/seumiranda

"HAPPIER TIMES" - THE ERICKS (independente)

A banda curitibana The Ericks atira para dois lados que têm bastante a ver um com o outro: o do folk-pop-rock levado adiante por violões, gaitas e boas bases de guitarra (em faixas como "Candyland" e na acústica "Tonight") e a do rock leve e belo, lembrando às vezes um Smiths mais "pra cima" (na ótima "Brand new day" e em "Just like everyone else", com um arranjo "de cordas" bem bacana, feito no teclado) e cruzando inormações de anos 60 e 80 em todas as faixas. Destaque também para o quase country-punk "The cows", que fecha o disco. Conheça em www.myspace.com/theericks.

"NAS ONDAS DO SEU 'W'" - OS WANDERLEYS (independente)

Banda carioca nascida dentro de outra banda (Nelson & Os Gonçalves, que chegaram a participar de um dos volumes do Tributo ao Inédito) Os Wanderleys fazem rock brega, com letras de sacanagem, melodias herdadas da jovem guarda e da música sertaneja e sacadas que, se não são de rolar de rir, pelo menos dão bons sustos - como a breguice de "Tire essa calcinha do box" e "Eu quero você de bruços" e a cara de pau de "Hoje eu acordei com o cheiro da sua buceta" e "Deixe esses seus dedos de lado". Tem ainda o reggae safado (parece uma paródia de Armandinho) de "Piscina Tony" (sic) e a pornografia explícita de "Mete mete blues". Conheça em www.myspace.com/wanderlleys.

19.12.07

Permalink 10:22:19, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música, Tecnologia

A mãe do Andy Summers agradece...

Quase que eu esquecia de avisar: o podcast do ual participo, o Freakast, mudou de endereço (está aqui agora) e já tá com um programa sobre as bandas que voltaram (Police, Led Zeppelin, Mutantes, Pixies, Queen, etc). Até o Rafael Saldanha participou dessa vez. E pedimos desculpas à família do Andy Summers por qualquer transtorno...

Permalink 10:13:20, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

The Big Boy Show

O amigo Lismar Santos achou no YouTube as duas partes do curta The Big Boy Show, de Leandro Petersen e Claudio Dager, feito em 2004, sobre a vida do DJ Big Boy. Vejam aí (ficha do documentário no site PortaCurtas: http://www.portacurtas.com.br/Filme.asp?Cod=1967).

Parte I:

Parte II:

18.12.07

Permalink 01:24:06, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Política, Música, Livros

RC

Chegou e-mail aqui (por intermédio de Rafael Garcia) com um artigo que saiu ontem na Folha de São Paulo, assinado pelo autor de Roberto Carlos em Detalhes, Paulo Cesar de Araújo. Lá, ele fala sobre a adulteração que os advogados do rei fizeram do conteúdo de seu livro.

NÃO POSSO E NAO DEVO ME CALAR (Paulo Cesar de Araújo)

Foi um "erro de digitação". Essa foi a resposta que o advogado de Roberto Carlos forneceu à Folha ao ser indagado sobre a denúncia de adulteração do conteúdo do livro "Roberto Carlos em Detalhes" na queixa-crime que seu escritório enviou à Justiça contra mim. Recapitulando: no livro, digo que na jovem guarda havia uma "combinação de sexo, garotas e playboys". Pois na página 16 da queixa-crime essa frase é citada com a troca da palavra "garotas" por "drogas" e, em seguida, os advogados escreveram: "(...) e por aí vai o querelante, misturando sexo grupal com homicídio, consumo de drogas com corrupção de menores e bestialismo".

Ressalte-se que não apenas naquele documento como também em entrevistas o advogado Marco Antônio Campos tem atribuído ao livro frases que não escrevi. À revista "Aplauso", por exemplo, ele afirmou que no livro está dito que Roberto "era assíduo freqüentador da cobertura de Carlos Imperial, onde as festinhas eram regadas a todos os tipos de drogas", e que, "uma vez, uma menor foi estuprada e morta numa dessas festas".

Ocorre que o livro não fala em drogas ou homicídios na casa de Imperial e muito menos associa Roberto Carlos a isso. Narra, sim, um escândalo que abalou a jovem guarda em 1966, com Imperial e outros artistas acusados de se envolver com garotas menores. No texto, enfatizo que aquilo não atingiu Roberto Carlos. Qualquer um pode confirmar isso no livro, do fim da página 306 até a página 311. Basta ler!

É lamentável que Roberto Carlos tenha entrado na Justiça sem ao menos ter lido a sua biografia. "Fizemos um resumo para ele", confessa Campos. Se o resumo que o advogado fez ao cantor foi o mesmo que está na queixa-crime e propaga em entrevistas, está finalmente explicado por que Roberto Carlos ficou tão furioso com um livro que engrandece a sua vida e a sua arte. E agora também finalmente sabemos a que ele estava se referindo quando, na primeira manifestação contra o livro, disse em entrevista coletiva que nele haveria "coisas não verdadeiras". Ou seja, diante de toda a imprensa brasileira, um dos maiores artistas do país desqualifica o trabalho de um profissional apenas baseado num resumo adulterado que lhe foi fornecido por colaboradores.

Campos fala agora em "erro de digitação". Roberto Carlos, assim como o presidente Lula, provavelmente vai dizer que nada sabia. E, aí, estamos conversados? Não, não estamos. Como bem afirmou Paulo Coelho meses atrás em artigo aqui mesmo na Folha, o que está em jogo nesSa polêmica não é apenas o meu livro, não é apenas o meu caso. É a liberdade de expressão no Brasil, direito adquirido depois de longa luta contra a ditadura. Porque, se valer para outras figuras públicas o que está valendo para Roberto Carlos, ninguém mais poderá escrever a história deste país.

Várias personalidades que já leram "Roberto Carlos em Detalhes", como Caetano Veloso, Nelson Motta e Ruy Castro, declararam que se trata de um livro carinhoso e positivo para o cantor. Em recente entrevista à "Veja", o renomado jurista Saulo Ramos afirmou que o livro "é uma biografia perfeita. Não tem um ataque moral contra o Roberto. Ele me consultou e eu o aconselhei a não tomar nenhuma providência. Recusei a causa, e ele procurou outros advogados".

Será que todas essas pessoas estão erradas e apenas os advogados que o cantor procurou estão certos? É óbvio que esses advogados estão fazendo o papel deles, mas daí a tergiversar no processo, adulterar o conteúdo da obra para induzir a Justiça a erro vai uma grande diferença. E, diante disso, não posso e não devo me calar.

Pois foi baseado no conteúdo dessa queixa-crime que o juiz Tércio Pires, do Fórum Criminal da Barra Funda (SP), julgou que o livro cometia grande ofensa à honra de Roberto Carlos. Acreditando nisso, por duas vezes esse juiz ameaçou mandar fechar a editora Planeta durante aquela fatídica audiência, em 27 de abril. Sentindo-se coagida, a editora decidiu aceitar o acordo, me deixando abandonado. Resultado: o livro foi proibido, 10.700 exemplares do estoque foram apreendidos, e outros tantos, recolhidos das livrarias e entregues a Roberto Carlos para serem destruídos. É uma violência cultural sem precedentes em países sob vigência do Estado democrático de Direito.

Para o cantor, esse imbróglio trouxe desgaste de imagem e nenhum sentido prático, pois o conteúdo do livro está na internet. Além disso, o tempo ficou cada vez menor e até agora ele não conseguiu aprontar um novo álbum ou lançar uma ou duas novas músicas - fato que não acontecia desde que gravou seu primeiro disco, há 48 anos! Portanto, 2007 ficará marcado na história de Roberto Carlos como o ano em que ele não lançou nenhum novo CD, mas, ao contrário, tirou de circulação a sua biografia.

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PAULO CESAR DE ARAÚJO é historiador e jornalista, autor de "Roberto Carlos em Detalhes".

17.12.07

Permalink 15:06:17, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

Discoteca Básica Remasters: Soundgarden

Publicado em... ih, acho que foi em junho de 2003

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"ULTRAMEGA OK" - SOUNDGARDEN (SST, 1988)

Essa é pra você, querido leitor, que se amarra em "Outshined", "Jesus Christ pose", "My wave" e outras pérolas desse grupo de Seattle, talvez o melhor daquela onda que se ergueu em meio a chuvarada dos cafundós norte-americanos. A fase indie do Soundgarden é praticamente desconhecida no Brasil, e é propriedade apenas dos malucos que se tornaram fâs do rock de Seattle nos anos 90 e importaram CDs, raríssimos/caríssimos. Ultramega OK ainda pode ser achado tranquilamente em algumas importadoras - já os EPs do grupo, quem quiser, vai ter um pouco mais de trabalho.

O Soundgarden nos anos 80, só fazia mesmo sentido em sua terra natal, um estado norte-americano onde, no dizer do próprio Soundgarden, "o som de guitarras sempre se deu bem e a dance music nunca teve sucesso". No começo da carreira, Chris Cornell era um rapaz magrelo, cabeludo, sem barba nem bigode e que era apresentado nos boletins mensais da SubPop - enviados via correio a milhares de assinantes no mundo todo - com a frase "as garotas ligam direto para cá querendo o telefone do vocalista Chris". A formação que deu o pontapé inicial no quarteto, em 1984 (isso mesmo, 1984) tinha Chris, o mulato Kim Thayil (guitarra) e o japa Hiro Yamamoto, considerado por muitos o melhor baixista da galera de Seattle - completaria o grupo o batera Matt Cameron. Tudo na maior calma, já que o Soundgarden, na época, encarava a coisa com uma lerdeza de deixar o Martinho da Vila e o Dorival Caymmi morrendo de inveja: Hiro demorou de 1982 a 1984 para apresentar seu roommate Chris a Kim e montar um grupo com eles; após formado, o Soundgarden só se apresentaria ao vivo em 1985, e a primeira vez que o quarteto juntaria coragem para encarar um estúdio seria em 1987 - as sessões gerariam o EP Screaming life, puro barulho lançado pela SubPop.

Após mais um EP pelo mesmo selo, Fopp, o Soundgarden lançaria seu primeiro LP inteiro, Ultramega OK, pelo selo SST - capitaneado por Gregg Ginn, guitarrista do Black Flag. O Soundgarden independente tinha algumas diferenças em relação ao grupo que seria contratado pela A&M em 1989 (muito embora a mesma gravadora tenha feito já em 1988 propostas ao grupo que, descansado até dizer chega, recusou). O grupo ainda era um hit restrito a Seattle, não havia o compromisso de seguirem em extensas turnês ou de agradar a gregos e troianos - as futuras mudanças no front da banda, após o contrato com a A&M, afastariam Hiro, dando espaço para músicos como Jason Everman (ex-Nirvana) e Ben Shepherd. Em 1988, o Soundgarden era uma engenhoca metal-punk-gótica bem mais alternativa que em fases posteriores - fato evidenciado pela gravação tosca do disco, feita praticamente ao vivo num estúdio móvel, soando como uma demo expandida. Chris já tinha a mesma potência vocal que tornaria o Soundgarden um dos mais expressivos e criativos nomes da onda de Seattle. Grande parte das composições do LP vinha de parcerias entre ele e Kim, que posteriormente pouco comporia para a banda. Hiro contribui com algumas faixas e chega a cantar (?) uma das músicas, o hardcore doidaralhaço "Circle of power". Faltava acabamento em Ultramega OK, e por isso ele soa tão espontâneo e esporrento.

Talvez "Flower" seja a música que mais lembre o som que o Soundgarden faria alguns anos depois - especialmente faixas como "Outshined". "All your lies", por sua vez, soava como aquela mescla punk-new wave-metal que marcou o som de Seattle, com direito a riffs que soam como fitas reproduzidas ao contrário, de tão rápidos. Antes e depois da cavernosa "Beyond the wheel" (que Kim considera um dos melhores momentos da banda), Kim e Chris incluíram duas vinhetas, "665" e "667", sacaneando o famoso número da besta (na primeira, pode-se ouvir, com o disco girando ao contrário, a frase "I love you, Santa Baby", dita por Chris). "Mood for trouble" soa pop, ágil e pesada para os padrões do Soundgarden, levada adiante por violões, bons riffs de guitarra e interlúdios quase metal-prog. "He didn't", com seu ritmo descontruído e seu riff quase arábico, era o lado mais experimental da banda. Esse lado meio experimental, meio doidão era escancarado na versão do grupo para o blues "Smokestack lightning" (de Howlin' Wolf), na qual cabiam até erros do batera Matt, e na insólita "regravação" (!) para "One minute of silence", música de John Lennon originalmente gravada num daqueles discos malucos que o ex-Beatle registrou nos anos 60 ao lado de Yoko Ono - a versão do Soundgarden inclui ruídos de estúdio e algumas microfonias.

Do meio para o final do disco, mais peso: a anfetamínica "Nazi driver", com seu riff simples e marcante; o punk berrado "Head injury", parente próximo do Nirvana de Bleach e o blues sabbathiano-pageano "Incessant mace". Era o resultado final de Ultramega OK: muito peso, sujeira, distorção e berrarias, em doses bem maiores do que as dos discos posteriores da banda - o que não torna álbuns como Badmotorfinger e Superunknown menores, até porque estes já revelavam um Soundgarden bem mais amadurecido e direcionado.

14.12.07

Permalink 01:56:49, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

Adeus, Marcio Montarroyos +...

Amigos se despedem do trompetista Márcio Montarroyos (do G1)

O instrumentista Márcio Montarroyos foi enterrado no final da tarde desta quarta-feira (12), no cemitério São João Batista, em Botafogo, bairro da Zona Sul do Rio. O músico faleceu às 5h da manhã, vítima de um câncer de pulmão diagnosticado tardiamente, há pouco mais de dois meses.

À cerimônia compareceram cerca de 100 pessoas, entre parentes, amigos e muitos músicos. No hora do sepultamento, os presentes prestaram uma última homenagem, com uma longa salva de palmas.

“Há um mês nós organizamos um show em homenagem ao Márcio na inauguração do Mistura Fina, no Arpoador. O evento acabou sendo nossa despedida. Embora já se soubesse há um tempo que ele estava muito doente, hoje, no enterro, estavam todos muito abatidos.”, disse o empresário Pedro Paulo, que, no dia 19 de novembro, recebeu artistas como João Donato, Leila Pinheiro, Ney Matogrosso e Fafá de Belém numa apresentação beneficente para ajudar o amigo no tratamento da doença.

A carreira: Considerado um dos trompetistas mais importantes do país, Montarroyos, que tinha 58 anos, deixa a esposa, a estilista Cristina Cordeiro. O artista trabalhou com grandes nomes da música contemporânea nacional e internacional, incluindo Stevie Wonder, Tom Jobim, Sérgio Mendes, Sarah Vaughan, Hermeto Pascoal, Nacy Wilson, Egberto Gismonti, Carlos Santana, Milton Nascimento, Ella Fitzgerald e Ney Matogrosso.

O músico também ficou conhecido pelas composições de trilhas sonoras para cinema e televisão no Brasil e no exterior. Antes de se dedicar ao trompete, Montarroyos estudou piano e música clássica.

Último disco: O último disco de Márcio Montarroyos, "Rio e o mar", vai ser lançado em 2008, organizado pelo músico Léo Gandelman.

Link para esta matéria aqui. Fico devendo um comentário meu sobre algum disco dele (vai rolar).

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Na comunidade Discograias do Orkut já tá rolando vários links do show do Led Zepppelin em Londres. Peguei e não ouvi ainda. ´Vai lá.

12.12.07

Permalink 13:15:19, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

Radiohead: In rainbows 2

discbox

"IN RAINBOWS 2" - RADIOHEAD (independente)

Você lembra que o Radiohead ia lançar uma parte 2 do In Rainbows assim que saisse o tal box com o disco em vinil? Seria o "presente" para quem comprasse o discbox, com oito outtakes da primeira parte do disco. Se você não entrou na onda e não comprou a tal caixa, não se preocupe - seu "presente" está espalhado em vários blogs de mp3 (caso desse aqui) e em comunidades do Orkut.

O CD novo vem num clima mais tristinho (é possível?) e e um pouco mais experimental que o In rainbows 1, começando de onde a primeira parte parou - a vinheta "Mk1" retoma o clima de "Videotape", repetindo-lhe até a introdução. E tem também uma "Mk 2", meio fantasmagórica, só com órgão. De resto, são duas baladinhas, uma docinha ("Go slowly"), outra meio fúnebre ("Last flowers"), uma música feita quase só com baixo e percussão, lembrando Velvet Underground ("4 minute warning"), pelo menos dois sons que podem ganhar a definição torta de "rock" (a pesadinha "Bangers & Mash" e a levinha "Down is the new up"), e o som eletronicozinho de "Up on the ladder".

Para quem se interessa pelo circo que envolve o Radiohead, o blog Hang The DJ colocou - há um mês, sou atrasado, vocês sabem - uma teoria bizarra que tão espalhando por aí, envolvendo o In Rainbows e o OK Computer. Um maluco fez até um playlist que combina os dois discos. Não tô com saco de testar, vejam aí e me falem.

+ A resenha que fiz do In rainbows parte I, tá aqui.

11.12.07

Permalink 11:30:19, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

Freakast! + Police, Led Zeppelin, etc

Aí, não quero ser chato, não, mas já viram o podcast do qual estou participando, o Freakast?
Por enquanto ele pode ser ouvido em www.freakast.weblogger.com.br - ele deve entrar em processo de mudança essa semana. Os últimos temas que abordamos foram O FIM DA MÚSICA e VALE TUDO - O SOM E A FÚRIA DE TIM MAIA, este com participação de Denilson Monteiro, que fez a pesquisa do livro que o Nelson Motta acabou de lançar - e que em breve ganhará resenha aqui.
Do podcast participamos eu, Pablo Peixoto, Leonardo Bomfim e, quando ele consegue (problemas com internet..), Rafael Saldanha.

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E viva o Orkut e o Rapidshare (e o Badongo, e o Turboupload, etc). Já tem gente que pegou o áudio do show do Police, no último sábado, e meteu na internet. Se você não teve curiosidade de procurar por aí, ou não sabia onde encontrar - o que eu acho difícil, já que hoje em dia quase todo mundo sabe onde encontrar tudo - tem pra baixar aqui.

O som não tá lá essas coisas (a bateria está inaudível em algumas músicas), mas a banda, aparentemente, tá mandando bem - atenção para a tradicional dobradinha "Can't stand losing you / Regatta de blanc" e para músicas que sempre dão certo, como "Syncronicity II", "De Do Do Do, De Da Da Da" e "Message in a bottle". Mais: os mp3 vêm com as letras. Também dá pra se divertir com a parte "aprenda português com Sting" - que, como você já deve ter lido no jornal, se comunicou em portunhol com a platéia durante todo o show (recebeu até um Dinho Ouro-Preto rápido, ao pedir "me moxtrem xuax máoxx").

Ah, aqui tem fotos e vídeos do show da volta do Led Zeppelin ontem.

Permalink 02:14:13, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

Indies: Lunar 4 / Manacá / Oaeoz

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"A MELHOR AMIGA" - LUNAR 4 (demo)

Banda de pop-rock carioca bem legal, cujo som tem muito de power pop (por intermédio de Teenage Fanclub, cujas linhas vocais aparecem como referências em músicas como "Balada dos cometas" e "Planetário", esta a melhor do disco) e Beatles. Para um EP demo, totalmente independente, vale destacar também o acabamento do encarte, com várias fotos da banda e as letras das músicas. Conheça e baixe as músicas em www.lunar4.com.

"MANACÁ" - MANACÁ (demo)

Se o Manacá fosse lançado pouco antes de Los Hermanos virar uma das grandes bandas do Brasil, talvez fosse só mais uma banda esquisita do rock nacional. Hoje, já foram contratados pela EMI e terão até um disco produzido por Mário Caldato Jr. O grupo mistura guitarras e bateria pesadas, música nordestina (além da capa com desenhos de cordel, olha os títulos de algumas faixas: "Rosa branca e romã", "Diabo", "Faca de ponta") e, vá lá, cheira a uma mistura de Los Hermanos, Luxúria (er... a banda é da mesma produtora do grupo de Meg Stock) e Zé Ramalho. Do jeito que o mercado anda, quando o disco do grupo for lançado, pode até não vender cem mil cópias, nem representar a permanência da banda na multinacional, mas dificilmente "Diabo" não vai virar hit, pelo menos por alguns meses. Conheça em www.bandamanaca.com

"CANÇÃO PARA OAEOZ" - OAEOZ (single)

O som do OAEOZ (assim mesmo, em maiúsculas) é psicodélico à maneira do Pink Floyd na fase de transição do começo da carreira - quando Syd Barrett já havia enlouquecido e Roger Waters só começava a dar as cartas, na época do disco A saucerful of secrets. E sonolento (no bom sentido), cheio de violões, slide guitars e boas baladas. O single novo traz uma "Canção para OAEOZ" bem mais tranqüila, se comparada a alguns lançamentos anteriores do grupo (como o disco Dias, de 2001), alé do blues "Loucura", do repertório de uma antiga banda curitibana, Ídolos de Matinê. Conheça em www.myspace.com/oaeoz.

06.12.07

Permalink 19:24:10, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

Caetano Veloso

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"CÊ AO VIVO" - CAETANO VELOSO (Universal)

, mais que um disco, conseguiu ser uma reinvenção de Caetano Veloso - após discos mais ou menos furados (caso de Livro e Noites do Norte), dois livros (Verdade tropical e O mundo não é chato) e um disco meia boca de versões em inglês (A foreign sound). E, não por acaso, foi no mesmo momento em que Chico Buarque, de certa forma, também ganhava certa sobrevida entre parte do público jovem, universitário, graças ao seu retorno com o disco-show Carioca. E como raras turnês no Brasil, no caso da MPB, não são acompanhadas por seu equivalente ao vivo, era de se imaginar que Cê ao vivo apareceria o mais rápido possível.

Descontando-se o fato de que "disco ao vivo" já virou uma coisa praticamente inútil depois que inventaram o DVD, Cê ao vivo traz tudo o que Caetano Veloso apresentou nos shows de seu disco mais recente, e você não pôde ver porque não teve dinheiro para pagar o ingresso (ei, bom slogan, esse, não?). Tem a corneira de "Não me arrependo" e "Rocks", o discurso gay de "Odeio" e da até então inédita "Amor mais que discreto" (esta, misturada a "Ilusão à toa", de Johnny Alf), a ironia com o sexo feminino (quase um contraponto das canções-para-comer-alguém de Chico e do próprio Caetano) de "Homem", uma ótima versão indie-carnavalista de "Chão da praça", de Moraes Moreira, e o lado auto-referente do cantor, com "O homem velho". O lado meio "brazilian nuggets" da turnê (que levou os fãs a berrarem nomes de músicas dos primeiros discos do cantor durante os shows) aparece com as versões de músicas de Transa e do disco londrino de 1971, como "London London", "You don't know me" e "Nine out of ten", além de "Como 2 e 2", feita para o Fa-Tal, da Gal Costa. Um bom lançamento comemorativo, e a prova viva de que o marketing vovô-garoto-senil de Caetano deu certo.

05.12.07

Permalink 10:02:31, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

Discoteca Básica Remasters: Rollins Band

Que eu lembre, esse texto saiu no blog no finzinho de 2004.

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"THE END OF SILENCE" - ROLLINS BAND (Imago/BMG, 1992)

" 'Estou puto da vida e me enchi de aturar essa joça toda'. Era o slogan de um dos personagens principais do filme Network, um locutor que pirava e se transformava num misto de profeta do apocalipse e agit prop de sua emissora. Desde os tempos do Black Flag, Henry Rollins tem uma postura semelhante: onde houver opressão, depressão, repressão ou mera pressão ele estará a postos defendendo o bicho urbano" (resenha do CD The end of silence, da Rollins Band, escrita por José Emílo Rondeau e publicada na BIZZ em julho de 2002).

Lançado pouco depois do estouro de Nevermind, do Nirvana, e no mesmo ano de Meantime, do Helmet, The End Of Silence mostrava que a nova década nem bem tinha começado e duas coisas já tinham ido longe demais: 1) a introspecção, a revolta e o clima down que surgia das letras de várias bandas norte-americanas do período; 2) o peso, as misturas com jazz e blues, e o andamento lento herdado do Black Sabbath. Enquanto foi capaz de produzir discos bons, a Rollins Band foi uma das bandas que mais resumiu o clima do começo dos anos 90. Com a vantagem de trazer bem a frente a figura de Henry Rollins, cantor, líder, letrista e doublé de poeta, além de colecionador de sofrimentos desde a infância. Para muitos fâs, era como se a angústia da era grunge fosse traduzida para o mito do herói norte-americano.

A banda de Rollins, influenciada por uma mescla de hardcore, heavy metal (via Black Sabbath, lógico, e Ted Nugent, ídolo de adolescência de Henry), jazz e blues, surgiu em 1987, quando o cantor já era uma espécie de lenda do hardcore, por ter cantado na banda norte-americana Black Flag - Rollins havia ido a um show do grupo, pedira uma música e acabaria sendo convidado a subir ao palco. O grupo torna-se grande influência no trabalho de vários artistas, como Kurt Cobain, do Nirvana. Após 1986, ano da separação do Black Flag, Rollins passou a se dedicar a vários projetos ao mesmo tempo: lançou discos solo, fundou uma editora, a 2.13.61 - sua data de nascimento - para lançar seus próprios livros de poesia (tão "pra baixo" quanto a própria música de sua banda, sempre falando de morte, depressão e de sua conturbada biografia), publicou LPs totalmente falados (também com poesias e alguns textos) e montou a Rollins Band.

Rollins e sua banda de formação variável lançaram seu primeiro disco em 1988, o independente Do it, e só foram contratados por uma gravadora de bom porte em 1992, quando saiu The end of silence. O álbum praticamente define toda a obra do grupo e de seu líder. Filho de mãe alcoólatra e de pai espancador, Rollins fez do quinto disco de sua banda quase uma sessão de terapia - daí o título, definido assim por ele: "as músicas desse álbum ficaram na minha cabeça, me acompanhando pelos sonhos adentro, me tirando o silêncio". Nas letras, essa catarse metálica se escancarava em dois lados distintos: o de poesias depressivas que relatam relações destrutivas e sonhos frustrados; e o de textos de auto-ajuda (e, conseqüentemente, de gosto duvidoso). Conceitualmente, Rollins Band era um combo que incluía a figura do líder Rollins (alto, fortão, todo tatuado, berrador contumaz e violento no palco), sua história, o peso da guitarra de Chris Haskett e da bateria de Sim Cain e uma idolatria que já vinha dos tempos do Black Flag.

O disco era ocupado por dez longas faixas, abrindo com o soul-metal "Low self opinion" (dos versos de auto-ajuda: "se você pudesse ver a si próprio como eu vejo você/você veria a si próprio de maneira diferente/acredite em mim") e o metal quase tribal de "Grip". O único hit potencial do álbum era o metalzão anos 90 "Tearing". De resto, as músicas eram repletas de improvisos e partes diferenciadas, além de versos criados quase na hora por Rollins - e não incluídos no encarte. "Obscene", uma das letras mais doentias de Henry ("estou tão confuso/não consigo encontrar o limte entre o que uso e o que abuso/sou tão irreal/o quanto eu minto e tento desprezar as coisas que sinto") ganhava uma sonoridade pesada e tribal, típica do som pesado dos anos 90. "Blues jam" era um blues distorcido e improvisado, de quase doze minutos, com Henry criando a letra quase automaticamente. Outros riffs pesados e composições intrincadas, como "You didn't need", o quase hardcore "Another life" e o metal setentista "What do you do", deixavam a Rollins Band com cara de encontro entre Black Sabbath e Jane's Addiciton (banda sempre elogiada por Rollins).

No final, rolava uma das experiências mais assustadoras do álbum. A quilométrica "Just like you", com seus quase onze minutos, era uma desomenagem de Rollins a seu odiadíssimo pai, que reencontrara havia pouco tempo. Dominada por riffs pesados, jams barulhentas e versos rancorosos ("agora eu assisto a minha própria explosão/meu corpo está assustado pela idade/e você tem que provar a minha revolta"), a música explodia em uma sessão de ódio puro, com a banda expelindo distorções e Rollins virando monstro, berrando "rage!" feito um alucinado. O resultado final era um dos álbuns mais catárticos e pesados que se podia escutar naquele ano de 1992.

The end of silence, para muita gente, é até hoje o melhor disco da Rollins Band. Em 1994, a banda viria com um álbum bem mais pop (na medida do possível) e conciso. Weight era quase um disco de soul, contendo alguns namoros com rap (os hits "Disconnect" e "Liar") e dois sacolejantes funk-metal ("Divine object of hatred" e "Shine"), além de alguns sons que lembravam a época do Black Flag ("Alien blueprint" e "Icon"). Já Come in and burn, de 1997, foi recebido com frieza por crítica e público, graças a uma série de músicas repetitivas. Posteriormente, Rollins decepcionaria boa parte de seu público, dispensando seus músicos e recrutando uma banda de hardcore chamada Mother superior - com a qual gravou o fraco Get some go again, em 2000. Mas foi The end of silence que passou para a história, não só por sua qualidade, como também por ter ajudado a projetar a imagem de Henry Rollins e por ter sido um dos discos mais significativos do rock dos anos 90.

WELL...
Alguns detalhes sórdidos (e outros nem tanto) sobre Henry Rollins:

+ Em dezembro de 1991, pouco antes do lançamento de The end of silence, Rollins sofreu o duro golpe da morte de seu roadie e melhor amigo, Joe Cole. Joe era também amigo do pessoal do Sonic Youth (que o homenageou no álbum Dirty, de 1992, nas faixas "JC" e "100%") e foi assassinado bem na frente de Henry, por duas pessoas, na porta da casa que os dois amigos dividiam. Rollins fez diversas homenagens a Cole, lançando em 1993 o livro See a grown man cry e recitando poesias sobre a perda de Joe. Weight, disco de 1994, trazia nos créditos a inscrição "Joe Cole 4.10.61 - 12.19.91".
+ "Houve um tempo em minha vida que eu não tinha esse físico avantajado. Era desajeitado, magrelo e motivo de piadas dos caras fortes e professores da minha escola. Estudei em uma escola militar. Não foi uma época feliz, mas me marcou e me tornou o que sou. Aprendi a controlar meu corpo e minha mente pela disciplina. O levantamento de pesos foi o maior antidepressivo que conheci na vida". Isto é Henry Rollins, em depoimento a Marcel Plasse (BIZZ, julho de 1993).
+ Entre as perfomances de palco de Henry Rollins estavam um agachamento com reboladinha, com a bunda virada para a platéia. Quem viu o show da Rollins Band no Woodstock 94 (transmitido no Brasil pela Band, na época) pôde presenciar isso durante a música "Fool".
+ De 1992, quando saiu The end of silence, Rollins foi envolvido em diversos boatos sobre sua sexualidade. Em 1995, deu uma desastrada declaração dizendo que não tinha namorada desde 1988. Também já declarou: "Eu não tenho muito tempo para as mulheres. Eu até já me esqueci como se faz para ser íntimo de uma".
+ Frase atribuída a Renato Russo, encontrável num site da internet: "Você acha que Michael Stipe (R.E.M.) e Henry Rollins vão dizer que são gays numa sociedade machista como a norte-americana?"
+ Durante os anos 90, Henry Rollins apresentou alguns programas na MTV americana. Foi colunista, por exemplo, do MTV Sports, onde chegou a aparecer dando dicas de briga de rua (!).
+ A ilustração da capa de The end of silence é o desenho de uma tatuagem que Henry Rollins tem nas costas.
+ O lay-out do disco foi todo baseado em fotos de shows da Rollins Band, que ocupam várias páginas do encarte. Na contra-capa, Rollins é flagrado em ação no palco, fazendo uma careta que o deixa parecido com um Jim Carrey sarado - enquanto isso, sua tatuagem das costas é observada com estranhamento por um segurança. No verso do encarte, todos os membros da banda aparecem com o dedo indicador em riste, meio curvado (como se dissessem: "vem!"). Eu, hein?
+ The end of silence saiu em CD no Brasil com o encarte todo mutilado - e também em vinil, com todas as músicas espremidas num disco só.



Discoteca Básica

Jornalista, 32 anos, Niterói/RJ.Bizz, Nitideal, International Magazine, Rock Press, Jukebox, etc.Rock, MPB, samba de raiz, fusões, experimentalismos, rock nacional, indie rock, etc.E-mail: rschott2004@gmail.com

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