19.11.07

Permalink 16:39:02, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

Sérvio Túlio

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Achei no meu material outra entrevista que fiz pro Nitideal com o músico e jornalista Sérvio Túlio. Além de produtor da rádio MEC, ele se notabilizou como metade da dupla de música eletrônica Saara Saara (que, apesar de ter feito algum barulho no Rio, durante os anos 80, só lançou disco há uns quatro anos, Sucessos que o mundo esqueceu) e também vem fazendo uma série de trabalhos interessantes, como o projeto que resgata canções de cabaré alemão dos anos 30 (leia aqui). Lembro que essa entrevista foi feita no final de 2004 - não faço idéia de em que mês foi isso.

O papo foi feito por telefone e deu quase uma hora de fita - ou seja: texto beeeeem grande. Leiam aí enquanto TENTO escrever coisas novas para essa semana.

Sérvio Túlio

Você nasceu em Niterói? Não, sou de Bom Jesus do Itabapoana, no Norte do Fluminense, fronteira com o Espírito Santo. Eu vim pra Niterói aos 15 anos, em 1979, para fazer vestibular. Fui fazer vestibular pra Belas Artes no Fundão, onde fiz faculdade. E música eu fiz desde pequeno. Na minha família, desde os sete anos de idade, já tinha que ir pra aula de piano. É aquela coisa, criança, tem que fazer e tal, aí fiz no conservatório. Hoje em dia nem sei tocar muito. Me dou bem com pauta, sei ler música, mas tocar você tem que praticar. Na faculdade de Belas Artes eu também nunca deixei de querer cantar, de estudar... Mas profissionalmente, com música, eu comecei mesmo foi com o Saara Saara, em 1985. O Raul também era de Bom Jesus.

E ele tá na banda ainda? Ele tá com você? Tá, sempre foi a gente, né?

É uma dupla, não é uma banda... É, exatamente. Em Bom Jesus eu era vizinho do Raul, desde pequenininho.

Você sempre foi um pesquisador musical. Você já tinha esse dom desde pequeno? Tinha. Eu estava até conversando outro dia com um pessoal, porque hoje em dia está tão fácil você achar as coisas, né? Você vai na Internet e já acha tudo. Se por um lado é maravilhoso, por outro lado até perde um pouco da emoção, de você ficar garimpando as coisas. Porque lá em Bom Jesus não tinha nada disso. Então eram coisas que a gente ficava sabendo de amigos. Tinha um cara lá... na verdade duas figuras, o Guti e o Miguel, que trabalhavam no Banco do Brasil. Eles eram caras mais velhos, o Guti era casado, a filha dele já estava com 13, 14 anos. Mas ele sempre viajava e trazia tudo. Então no final de semana juntava aquela gurizada na casa do Guti (rindo).

Vocês ouviam mais rock? Eram que bandas, ou artistas? Tudo que acontecia naquela época de rock. Ainda mais porque no interior tinha muito aquela coisa da música progressiva... Conheci aquelas bandas progressivas todas, Guru Guru, Nektar, etc. Muita banda alemã. O Premiata Forneria Marconi também... E tinha as coisas mais pop que a gente ouvia, que a gente adorava também, David Bowie, Led Zeppelin, porque tinha uma loja de discos lá que tinha o trivial. Era uma loja chamada Paulinho Discos (risos), lá em Bom Jesus. E esse cara, o Paulinho, ele já foi no Jô Soares, eu acho que ele é um dos maiores colecionadores de filmes de faroeste. E ele era o dono dessa loja. E ás vezes ele também trazia alguma coisa, quando ele começou a descobrir que a gente ficava correndo atrás desses negócios. Foi a hora em que ele começou a descolar, mas aí também já estava saindo de lá, ou já estava pensando em outras coisas... Foi na loja do Paulinho que eu comprei o primeiro compacto dos Sex Pistols!

Edição brasileira? Edição brasileira, aquela capinha amarelinha (risos). Era compacto mesmo, com duas músicas, uma era "God save the queen" e a outra não me lembro. Então chegamos aqui em Niterói e continuou o mesmo movimento, porque ainda não tinha essa coisa de internet que revolucionou o mundo mesmo... Então era aquela história de filas enormes em frente á Modern Sound (loja em Copacabana).

Em Niterói tinha muito fâ de rock quando você veio? Quantos anos você tinha? Eu tinha 15 anos. Tinha muito fâ, porque Niterói sempre foi essa coisa "roqueira", mais o que eu sacava aqui é que tinha aquele pessoal, que, tirando aquelas lojas aqui, tipo a Zeit (famosa loja de discos usados daqui, especializada em rockl progressivo e velharias)... Tinha uma loja lá em que todo mundo fazia ponto, que era a Stop discos, mas isso já pra 80 e pouquinho. Mas quando eu cheguei o movimento era mais no Rio mesmo. Em Niterói sempre caiu mais para aquela coisa do rock tradicional, pro lado do blues, esse tipo de coisa. A gente é que foi procurando outra coisa, porque tinha mania de fuçar em tudo. Mas a gente gostava de tudo, não tinha esse negócio de "ah, eu gosto de eletrônico", "eu gosto de rock". Era bom porque todo mundo ouvia de tudo. Não existia esse ranço com estilos musicais. Eu lembro muito bem, todo mundo comentava tudo que saía. Eu achava bem interessante. Hoje é que eu acho que tá demais... eu olho às vezes na internet e fico abismado, até mesmo com coisas básicas, como eletrônico. Você vai no eletrônico e tem 500 estilos. É isso, é aquilo, é não sei o quê. Eu fico... (rindo)

Como foi que a música eletrônica apareceu na sua vida? Apareceu porque foi uma coisa que eu sempre gostei. Acho que na minha geração quem gostou de eletrônico teve a mesma base, que foi aquela turma alemã, o Kraftwerk e tal. E também porque eu me lembro... aí tem uma coisa engraçada: na minha época de Ensino Médio tinha uma professora de educação artística, dona Conceição, que ela fez uma coisa que o efeito surtiu bem depois. Ela levava discos de compositores de música concreta, eletroacústica, e tinha também a parte do rock e do eletrônico, a turma experimental da Alemanha. Essa ligação vem desde o progressivo, vem desde a música clássica, que meus pais ouviam em casa... Mas o eletrônico foi aparecer mesmo na minha vida com o Raul, que era tecladista, até o dia em que ele resolveu que a gente iria fazer alguma coisa juntos.

Ele sempre lidou com sintetizadores, a família dele toda tocava desde que ele era pequenininho. Um irmão era baixista, um outro era não sei o quê... Então desde pequeno ele sempre tocou em festival de música no interior, tinha banda de baile. O Raul, desde pirralho, com 10, 11 anos de idade, teve contato com música. Eu me lembro de um baile de uma banda lá em que os caras estavam com um mellotron, e o Raul tocando mellotron. Era fantástico, nunca vou me esquecer do dia em que vi um mellotron (risos), e tava ali pra gente mexer. Então vem daí, de um contato muito direto... e quando a gente começou a fazer a coisa eletrônica, foi super natural, porque foi uma conseqüência das coisas que a gente viveu desde pequeno. Para a gente sempre foi muito bacana, e cada coisa, cada "parafuseta" nova que surgia era brinquedo pra duas crianças (risos).

E como era fazer música eletronica nos anos 80, uma época em que tinham várias taxas e leis que dificultavam a importação de aparelhos? Eu lembro que o Raul sempre teve um... aí é aquela coisa de "conhecimentos", né? Ele sempre teve um trânsito bem legal com instrumentistas, com o pessoal que trazia instrumentos. Então eram coisas que ele arrumava e que eu achava até melhor você perguntar a ele como é que ele conseguia (risos). Ele ganhava a grana dele fazendo shows e bailes, uma coisa que não tinha nada a ver com o Saara Saara e foi se aranjando. Eu me lembro que a primeira versão que a gente fez de uma música do Saara Saara, no final de 1985... nem foi aquela demo que rolou na Fluminense FM, foi uma demo que teve antes e se perdeu.

Nessa demo a bateria eletrônica não era bateria eletrônica, era um negócio chamado Poly Ritmo. E o aparelho estava com defeito, ele meio que soluçava (risos). Foi o que deu pra arrumar. Ele tinha um Poly Ritmo e um (sintetizador) Juno 106. Hoje em dia o Juno 106 já está até cult. A gente começou tocando com isso. Logo depois a gente ia juntando uma grana aqui e outra ali, e a gente rachava algumas coisas, tipo computador MSX... (Nota do editor: caralho!) Nós pegamos mesmo os primórdios. E o tempo passa e ele já conseguiu montar o estúdio dele. Hoje está tudo mais facilitado, tem sampler...

E como vai o Saara hoje? Vocês lançaram um disco agora. A gente lançou agora. Foi uma coisa meio maluca, porque no final de 1990 a banda nem acabou direito. O que aconteceu foi que todo mundo começou a ficar atolado com outras coisas - você tem que se virar um pouco pra ganhar um pouco mais de dinheiro pra pagar as contas (rindo) - e não dava muito tempo. O Raul fez um disco com outra banda, eu fui para a música de concerto. Participei de vários grupos de música barroca...

Você andou um tempo bem envolvido com música clássica.
Fiquei fazendo música clássica mesmo, durante os anos 90. Trabalhei com música de concerto, viajei, cantei com o grupo vocal Anonymus (que canta música renascentista), etc. Mas a gente nunca deixou de se encontrar, tanto é que algumas músicas desse CD foram feitas em 1996, 1997, era bom ter tempo de brincar um pouco.

Vocês não gravaram "O amor e o poder", não, né? Não (risos), isso surgiu de brincadeira. Mas depois virou tradição. Em todos os shows, o público pedia (o sucesso da cantora Rosana era tocado no fim dos shows deles nos anos 80/90). Bom, em 2001, comecei a ficar com saudade de fazer música eletrônica de novo. Fiz um treco para mim, sozinho, que eu chamei de Radio Elektrola. Hoje a Rádio Elektrola virou um endereço onde coloco tudo que eu faço. Agora estou até abrindo uma seção onde vão ter coisas de amigos, também. Mas na verdade ela começou porque fiz muita coisa no computador sozinho, quando eu tinha tempo, de hobby. Usando esses softwares vagabundos de computador. Nisso, conheci pelo Marcelo Schnell, que fez a capa do CD do Saara, e conhecia um pessoal que frequentava festas de música eletrônica na Nautillus (hoje Espaço Marun).

Naquela época eu já tinha colocado na Rádio Elektrola aquelas demos antigas do Saara, já que ninguém iria fazer mais nada com aquilo mesmo. Comecei a ter uma resposta muito maluca, tanto do pessoal da época quanto de garotos de agora, gente de 17, 18 anos pegando, escrevendo e-mail. Comecei a ir na Nautillus e vi que tinha gente bem nova que curtia o Saara. Na época, quem organizava as coisas todas lá era o Henrique, que fazia uma festa de música eletrônica lá chamada Muzik. Ficamos amigos, eu e o Henrique, e descobri que no meio desse pessoal tinha muita gente que tinha projetos de música eletrônica. E eu: "pô, Henrique, porque é que não bota esse pessoal pra tocar?". E ele: "ah, mas não tem nem um nome grande, pra chamar a atenção...". E eu: não seja por isso, se for pela causa, a gente (o Saara Saara) toca (rindo). E foi o primeiro show que a gente fez depois desse tempo todo, em 2001, numa festa Muzik com mais cinco bandas.

Lembro que o pessoal da MTV estava lá e perguntou: "ah, vocês voltaram?", e a gente: voltamos de onde, já que a gente nem foi a lugar nenhum? (rindo). Em 2002 teve outra edição do Muzik, mas eu não toquei com o Saara, toquei com a Rádio Elektrola, que era computador e duas guitarras. Foi um show que a gente chamou de Música eletrônica doméstica (rindo). Era uma coisa brincalhona, as músicas mais sujas, a coisa mais bagunceira. Em 2003 concebemos o disco, que saiu agora pela Astronauta, com distribuição da Tratore. Foi uma coisa rápida, gravamos o disco em casa mesmo, em duas semanas, levamos para o estúdio para remasterizar e saiu agora.

Já teve alguma recepção da crítica? Não, ainda não. Eu não sei como a Tratore está fazendo isso, mandaram poucos exemplares pra gente. Sei que está vendendo, mas foi muito recente. Está na Submarino, na internet, e no centro do Rio está na Musicland, chegou lá e acabou. Tive uma recepção legal de um pessoal de Berlim, que frequenta muito o site. Tem um cara que é radialista, trabalha com as rádios independentes lá e já tocou o Saara lá, em boates. No ano passado convidaram a gente para fazer um show lá, no aniversário de uma rádio universitária, mas a gente teria que pagar a passagem. Mas agora dia 24 vai ter um programa lá, em que vão tocar a gente junto com uma cantora chamada Asha Pudhli, uma cantora dos anos 70 que fazia uma coisa disco, mas completamente esquizofrênica, misturando coisas orientais. No mais, muito trabalho...

E shows, no Rio ou em Niterói? A gente já tocou no SESC, em dezembro do ano passado, quando o disco iria ficar pronto - e não ficou. Fizemos um também mês passado, já tem um clipe desse show no site da Rádio Elektrola. Em Niterói, não sei. Está marcado um show no dia 10 de junho na FNAC da Barra, vai ser um pocket show. Lançamento mesmo, só 3 de julho no Espaço Marun, comemorando um ano da festa DDK. Por enquanto é o que está marcado.

Falando um pouco do seu trabalho na rádio MEC, como é trabalhar numa rádio que é meio guerrilha, que toca música clássica? Ela era para ser uma rádio do governo, agora virou organização social. Ela pode captar verbas, mas é difícil isso acontecer. Eu não participo muito desse processo, fico na parte de produção e programação... Ou como eles chamam lá, de "líder". Tem o líder do AM, do FM. O que eu curto fazer é programação e produção, e com isso a gente fica bastante atolado. Mas tem que saber aproveitar, é a única rádio de música de concerto no Brasil atualmente. Você tem público legal pra isso, qualquer sala de concerto fica lotada. É um público fiel. Eu lembro que trabalhei na Opus 90 e tinha ela, a MEC, as duas mantinham audiência fiel. Na MEC é uma maravilha, porque teu compromisso é só com a qualidade. Para o radialista isso é o paraíso (risos). Por outro lado você não tem a coisa do investimento, como as rádios clássicas lá fora têm. Até porque as gravadoras aqui não lançam mais discos clássicos. É muito complicado, porque você tem o lado de realização total, de poder trabalhar por qualidade, mas você tem também essa coisa deficiente.

Você não tem uma discoteca, não ganha os lançamentos da gravadoras - até porque elas não lançam, mesmo - e lá fora não interessa a elas mandar coisas para cá, porque não tem representantes, praticamente. Você sabe de tudo que rola no mundo, fica ansioso para levar isso para o ouvinte e não pode. E às vezes você usa o artifício de recorrer ao próprio bolso. A gente compra pra gente e, por tabela pra rádio. Eu já fiz programas na MEC em que o material foi praticamente bancado por mim. É uma loucura, a gente está aguardando pra ver se muda isso um pouco. Mas quanto a trabalhar lá e não ter que lidar com jabá, é uma maravilha (Nota do editor: se alguém puder mandar um e-mail para rschott2004@gmail.com dizendo como vai a situação interna da MEC hoje...)

Como foi que o rádio surgiu na sua vida? Foi uma história muito legal. Em 1985 eu estava começando com o Saara e existia uma jornalista na UFF, Esther Lucio Bittencourt. Eles estavam tentando um convênio da rádio da UFF com a rádio Fluminense AM. Eles queriam viabilizar isso, o que significaria que de segunda a sexta a Fluminense AM teria uma parceria com a Escola de Comunicação da UFF. Um amgo em comum, o Sérgio, me apresentou à Esther. Ela precisava montar uma equipe para fazer um rádio experimental na UFF, que acabou ficando nove meses no ar. E nessa história, eu fiz programa de tudo quanto era tipo, fiz entrevistas na rua, entrava nos carros, fazia entrevista sobre tudo quanto era assunto. Foi uma faculdade de comunicação intensiva, uma escola de rádio fantástica. Quando tudo aquilo terminou, eu me virava super bem em qualquer coisa de estúdio. Eu fazia Belas Artes e pensei em transferir minha faculdade para a Escola de Comunicação da UFF. Eu até que consegui no começo, mas quando você está no pique, não consegue sentar e ficar ouvindo baboseira... (risos). Sentei e escutei cada coisa, aí achei melhor procurar emprego porque precisava trabalhar.

Depois fui para o Jornal do Brasil porque estava tendo um teste lá para produtor e me ofereci, na cara-de-pau. Era um programa na JB AM chamado Arte Final e Variedades, do Luis Carlos Saroldi. Fiz um teste e o Saroldi olhou pra cara da gente falou: "então vamos fazer o seguinte, cada um vai fazer um programa e botar no ar". Fui pra casa, fiquei me torturando ouvindo os programas dos outros candidatos, estavam ótimos... (risos). Mas quem ganhou a vaga fui eu. Aí fui para a AM, depois a AM acabou e depois o Antonio Ernani, que fazia os clássicos na FM... O Antonio Ernani era aquele crítico de jornal que os músicos tinham pavor! Ele sabia que eu gostava de música clássica e disse que ia me aproveitar na FM. Fiquei um tempão e logo depois veio a proposta da Opus 90, porque o Ernani estava no projeto, então ele me carregou junto. Depois a Opus 90 acabou, fiquei desempregado de rádio e mergulhei a cabeça em música clássica mesmo como cantor. Cheguei a viajar, fui cantar na Bósnia, na Croácia, e depois me chamaram para a MEC.

Como você vê Niterói hoje em dia, culturalmente? Eu acho que nossa cidade, até pela maneira dela ser organizada geograficamente, dá para se fazer um trabalho cultural fantástico aqui na cidade, com tudo interligado. O problema é que as pessoas aqui ficam muito presas em certas coisas, as pessoas têm que ter cabeça mais aberta, as pessoas que comandam o teatro, a secretaria de cultura. Tudo que acontece, as pessoas acabam indo para o Rio, porque Niterói é um fechado... O próprio Saara não teve projeção em Niterói, foi tudo no Rio. Agora, sim, eu acho que a UFF, no campo da música clássica, está fazendo bonito. O pessoal de música antiga está promovendo festivais. A prefeitura tem que entrar mais em cima disso. Culturalmente falando está tudo meio em marcha a ré, é uma burrice, porque tem muito artista em Niterói. Em termos de rock, eu acho ótimo você conhecer Black Sabbath, Led Zeppelin, tenho isso tudo, mas você não pode ficar parado.

Aqui as pessoas amam até hoje Lynyrd Skynyrd, é uma coisa que passa de pai para filho... Pois é, Lynyrd Skynyrd, que é uma banda que eu acho que só Niterói conhece (rindo). Tem um clima de banda típica de Niterói, não tem? Isso evita de você ter um universo mais amplo até na questão do prazer, você corta possibilidades. Esse é o problema de Niterói, as coisas ficam meio numa bolha, fechadas para qualquer novidade, se realimentando só daquilo mesmo. Agora, tem um outro trabalho que eu estou fazendo que eu queria te falar, que eu tenho gostado muito. Eu comecei a pesquisar canções de cabaré alemãs do início do século XX. Dia 26 inclusive eu entro em estúdio com a Tula Cozac, a pianista, para gravar. É um trabalho de voz e piano, e estamos tendo força do consulado alemão. A gente já cantou na casa do cônsul e num show que a gente fez, o pessoal do consulado foi lá, levou os amigos. O repertório é de músicas que foram proibidas pelos nazistas. Foram cantores banidos da Alemanha depois da década de 30. Pegamos músicas dos anos 20, anos 30 e estamos conseguindo um acerfo fantástico, de partituras e gravações de época. Estamos pesquisando isso direto. Já conseguimos cantar ano passado no Festival de Inverno de Teresópolis, tem algo no site da Rádio Elektrola. A Tula, que toca piano, é cravista, toca num grupo de música barroca, todo mundo faz tudo. É um trabalho que está me deixando bem feliz, tive que entrar em aula, aprender alemão. Já queria cantar isso desde a década de 90, mas não estava preparado. Foi aprendizado, tive que entrar em cursos, sabendo que depois iria cantar uma música desse jeito, e tal.



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Comentários:


Comentário de: Maloca · http://duaslaudas.wordpress.com/

Além de criador do Saara e ótimo conviva em mesa de bar, Sérvio é autor do clássico samba sobre Big Bang, Lei da Gravidade e tragédia da Chalenger que tem o refrão "Cai, cai, maçazinha, Tio Isaac quer ver, cai aqui na minha boquinha que eu quero te comer". São infundados os boatos de que ele seria parente distante de Marilyn Manson.

PermalinkPermalink 19.11.07 @ 20:13



Comentário de: Marcele Fernandes Email

Nossa, há quanto tempo eu não visitava a Rádio Elektrola! E esse samba que o Maloca cita no comentário é sensacional.

Abraços,
Marcele

PermalinkPermalink 22.11.07 @ 23:54



Comentário de: Servio Tulio · http://www.radioelektrola.com

Grande Schott! Menino! Eu me lembro desta entrevista! Tô rolando de rir aqui! Obrigado pela força aí! O CD CABARET comigo e o Glauco está vendendo legal! Eu nunca esperava! Que coisa né? Hahah! Abração e obrigado pela força!
Servio

PermalinkPermalink 24.11.07 @ 17:29



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Jornalista, 32 anos, Niterói/RJ. Bizz, Nitideal, International Magazine, Rock Press, Jukebox, etc. Rock, MPB, samba de raiz, fusões, experimentalismos, rock nacional, indie rock, etc. E-mail: rschott2004@gmail.com

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