05.11.07

Permalink 22:23:02, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Egotrip, Música

The best of Discoteca Básica: Blue Cheer

Estou em total exílio de blog por causa dos trabalhos da faculdade e por causa de uns lances que estou armando. Como andei ouvindo bastante essa banda nos últimos dias, segue aí um textinho sobre eles, que publiquei no Discoteca Básica no final de 2002 - dei uma atualizada com algumas informações.

bcheer

"GOOD TIMES ARE SO HARD TO FIND" - BLUE CHEER (Mercury, 1994)

"Quantas vezes você já ouviu um acorde de guitarra passar por dentro de um pedal de distorção e brotar num alto-falante como uma mistura de raiva e futurismo?", perguntava Waldir Montanari num número (hoje empoeirado) da antiga Rock stars, nos idos de 1984. A frase em questão apareceu numa matéria sobre o Steppenwolf - outro grande pioneiro da distorção, aliás - mas serve bem para definir o que é o som dos norte-americanos do Blue Cheer, que têm a primeira fase de sua carreira dissecada nessa coletânea, Good times are so hard to find.

Misturando guitarras ultra-distorcidas, bateria estilo homem-das-cavernas, baixo cheio de fuzz, psicodelia, jazz-rock e rebeldia, os caras (uma formação mutante, sempre girando em torno do vocalista-baixista Dickie Peterson), nos primeiros anos, foram a verdadeira definição do termo power-trio. Em seu primeiro disco, Vincebus Eruptum (Philips, 1968), Dickie, Paul Whaley (baterista) e Leigh Stephens (guitarra) transformavam o rock numa manifestação de violência sônica. Isso ficava claro na histórica versão que a banda fez de "Summertime blues", clássico de Eddie Cochran. Comportando-se como uma banda de jazz-tribal (há espaço até para solinhos de cada integrante), o BC transformou a famosa historinha do garoto que queria dinheiro para as férias de verão num verdadeiro ato de rebeldia. Conseguiu superar até a versão do Who para a mesma música.

Eletrificando e pesando o blues até as últimas conseqüências, o grupo foi inserindo um bom punhado de psicodelia (não por acaso, "blue cheer" é o nome de um tipo devastador de ácido) no rock básico. No segundo disco, Outsideinside, também de 1968, o som do Blue Cheer estava cada vez mais lisérgico, quase próximo do progressivo devido a improvisos e a criações cerebrais-descerebradas, como a suingada e berrada "Babylon" - aberta com verdadeiras ondas de guitarra. Um ano antes do Led Zeppelin entrar em estúdio para gravar seu primeiro disco, o BC havia gravado "The hunter", clássico blues de Albert King que Page & Plant chuparam na cara dura para compor "How many more times" ("they call me the Hunter/that´s my name...", etc). Já as duas faixas pinçadas do terceiro disco, New! Improved! mostravam um mergulho ainda mais arrojado no pré-prog e na psicodelia. Esse mergulho foi traduzido num tom mais calmo (que incluiu até a mudança do vocalista: Dickie ficaria só no baixo e os vocais passariam a ser feitos pelo guitarrista Randy Holden) e em melodias mais trabalhadas, como a sintomática "Peace of mind" e "Fruits and icebergs".

As várias mudanças de guitarrista acabaram por descaracterizar o som da banda. Em 1970, o grupo já tinha abandonado a psicodelia e havia passado a fazer um rock mais tradicional. O disco Blue Cheer mostra isso em faixas como "Hello L.A, bye-bye Birmingham" e na animada "Saturday freedom", sons ensandecidos, mas sem o brilho e a selvageria dos discos anteriores. A partir daí, o grupo foi praticamente transformando-se numa banda pop amena. A música "Good times are so hard to find", do disco BC5: The original human beings, mostra isso claramente. Em Oh pleasant hope, último LP dessa fase, as faixas escolhidas para a coletânea ("Hi-way man" e "I'm the light") mostram um Blue Cheer imerso novamente em psicodelia, embora totalmente amenizado. Depois disso, a banda entraria num longo hiato.

Good times are so hard to find é um bom resumo (nunca lançado no Brasil) da primeira fase do grupo. A banda voltou em 1984 com o disco The beast is back. Hoje, considerado um precursor do stoner rock, o grupo - com Dickie, Paul Whaley e Andrew "Duck" Donald na guitarra - está de volta, com site novo, turnê nova e um CD novo, com o sintomático nome de What doesn't kill you....



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Comentários:


Comentário de: Guilherme · http://www.erga-omnes.blogspot.com/

Algum cd do Blue Cheer está disponível em cd no Brasil? Não lembro de ter visto algum para vender...

PermalinkPermalink 12.11.07 @ 21:48



Comentário de: Ricardo Schott Email

Non, e acho que nem em vinil foi lançado nada deles aqui...

PermalinkPermalink 13.11.07 @ 09:37



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Discoteca Básica

Jornalista, 32 anos, Niterói/RJ. Bizz, Nitideal, International Magazine, Rock Press, Jukebox, etc. Rock, MPB, samba de raiz, fusões, experimentalismos, rock nacional, indie rock, etc. E-mail: rschott2004@gmail.com

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