Resenhas minhas que saíram já há um tempinho na Rock Press
"TELETRANSPORTE" - AUTORAMAS (Mondo 77)
Para Bacalhau, baterista dos Autoramas, Teletransporte é o melhor disco do trio. Pode até ser que o cara esteja exagerando - afinal, é complicado ganhar de Stress, Depressão e Síndrome do Pânico, o primeirão. Mas tem uma boa dose de verdade aí: Autoramas já é uma banda com uma grande carreira, que não tem a necessidade de apresentar uma suprema novidade a cada disco - sobram espaços para grandes canções como a punk-new wave de "Mundo Moderno", o tom espacial de "Fazer Acontecer", o som arábico de "Hotel Cervantes", a crítica de "Marketeiro", a surfística e instrumental "Panair do Brasil" (com Lafayette no órgão) etc. No meio de canções já bastante amadurecidas - embora bem menos barulhentas que as dos discos anteriores, diga-se - acha-se momentos que inovam na discografia da banda, como a doideira (uma "tropicália punk", já disse alguém) de "Digoró" e a guitarrada de... "Guitarrada". Sim, o disco encerra com uma legítima guitarrada do Norte, algo difícil de ser achado em álbuns anteriores do grupo - que por sinal, grava pela primeira vez com a baixista Selma. Mandaram bem.
"SKYLAB VII" - ROGÉRIO SKYLAB (Independente)
Desde o Skylab V que Rogério Skylab parece estar dizendo a todo mundo que ele, na verdade, não é um artista "humorístico". Pode até ser verdade, mas o fato é que muito da graça que o trabalho dele tinha se perdeu com o tempo - ou pelo menos ficou restrita aos shows. Skylab VII é o retrato perfeito disso. Querer que as músicas de Rogério Skylab sejam "boas" (da mesma forma que uma canção do U2 ou do Wilco é boa) complica um pouco. Mas às vezes as idéias do cara se perdem em meio a maluquices (ou "experimentação", como querem alguns) demais e música de menos. No disco novo, exemplificando isso, tem "Qual Foi O Lucro Obtido?", "Desperdício De Tudo", "Vou, Vou, Vou", "É Tudo Atonal" e outras. Não são músicas "boas", nem engraçadas, nem tão trash como o trabalho dele já foi.
A onda do disco é segurada por piadas como as de "A Irmã Da Minha Mulher", "Hei, Moço, Já Matou Uma Velhinha Hoje?", "Samba Isquemia Noise" (rarará), "Eu Chupo Meu Pau", "Eu Vou Dizer", a lameira de "A Última Valsa" e a crueldade de "Corpo E Membro Sem Cabeça". São as faixas que dão alguma esperança para quando vier o Skylab VIII. Mas num universo de dezoito (!) músicas, é bem pouco. A vontade de Skylab de não ser enquadrado em gavetinha nenhuma, acaba confundindo a cabeça dos ouvintes.
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Jornalista, 32 anos, Niterói/RJ. Bizz, Nitideal, International Magazine, Rock Press, Jukebox, etc. Rock, MPB, samba de raiz, fusões, experimentalismos, rock nacional, indie rock, etc. E-mail: rschott2004@gmail.com