"YOUNG MODERN" - SILVERCHAIR (EMI - importado)
O Silverchair já foi piada na boca de muita gente. Nada demais: bandas de adolescentes tocando rock, apesar de muitas vezes serem bem mais autênticas, originais e honestas do que um bando de adultos fazendo rock pra garotada (você sabia que a Pitty já está chegando aos 30 anos cantando músicas pra sua prima de 15? sabia que com a idade que o Dinho Ouro-Preto tem, ele já poderia ser avô?) sempre suscitam preconceito. Hoje, os três garotos da banda já não são tão mais garotos assim, não fazem o grunge-metal lascado de discos como Frogstompe Freakshow e passaram numa boa pelo show de elaboração de discos como Neon ballroom e Diorama. Vai da opinião de cada um, mas eu particularmente acho que o grupo conseguiu lançar quatro discos muito bons, espaçados entre um e outro, com uma boa dose de fator surpresa e praticamente sem músicas fracas - e acabaram sendo tão sobreviventes dos anos 90 quanto, por exemplo, o Pearl Jam e o Foo Fighters.
E aí que Young modern vai surpreender muita gente. Para o bem ou para o mal. Pode ser que os fãs antigos escutem o disco e odeiem - quem ainda tiver na cabeça o peso de "Freak" e "Lie to me", aliás mesmo quem recodar de Diorama e tiver ainda na memória o fato de que os três Silverchairs eram apenas garotos que amavam Helmet e chupavam Pearl Jam, e que o líder Danniel Johns copiava descaradamente o vocal de Kurt Cobain, não vai achar o Silverchair aqui. Aquele grupo dos anos 90 ainda tem a mesma formação, mas na prática, não existe mais. Young modern não tem nada de novo nem de moderno: é belíssimo, voltado ao glam rock e ao soft rock dos anos 70/80. Foi feito para tocar numa rádio tipo Antena Um e alguém achar que é algum grupo antigo que ninguém conhece.
Em Yougn modern, o que não lembra Beatles (em especial George Harrison) no disco, lembra Bee Gees, Supertramp, e tem algumas coisas que já saem do toca-cd lembrando Coldplay (opa). Mesmo que o disco abra com a batidinha new rock de "Young modern station", o que fica na memória são canções como "If you keep losing sleep", com um pé em John Lennon, e a minissuíte "Those thieving birds". Nem pense em The Feelings, Magic Numbers e outras bandas que se dedicam ao mesmo espólio: o Silverchair conseguiu, em alguns casos (como nas baladas "Waiting all day" e "Low") soar ainda mais velho que eles. Um disco genial e sublime, como poucos lançados este ano.
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Jornalista, 32 anos, Niterói/RJ.Bizz, Nitideal, International Magazine, Rock Press, Jukebox, etc.Rock, MPB, samba de raiz, fusões, experimentalismos, rock nacional, indie rock, etc.E-mail: rschott2004@gmail.com
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