29.10.07

Permalink 21:10:10, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

Paulo César Araújo

paulo-cesar

Tava dando uma arrumada no meu material que está guardado em CD-Rs e achei essa entrevista que fiz com o Paulo Cesar Araújo, que escreveu Eu não sou cachorro, não e Roberto Carlos em detalhes, para o Nitideal, no final de 2004 (não vai me perguntar em que mês foi, porque isso é exigir demais da minha memória). Na época, ele tava lançando a versão em CD do Eu não sou cachorro, não. Como ele mora em Niterói - apesar de não ter nascido aqui - eu o entrevistei para a seção Personagem do site.

Contextualizando o brega

O historiador Paulo César de Araújo nasceu em Vitória da Conquista, no interior da Bahia, e mora em Niterói há vinte anos. É professor da rede pública da cidade (leciona há oito anos no Ensino Médio da Escola Técnica Henrique Lage, no Barreto) e autor de um dos mais inovadores livros sobre música brasileira, Eu não sou cachorro, não (Editora Record, 2002), que fala sobre os desdobramentos político-musicais da produção "brega" dos anos 70 - incluídos aí Odair José, Waldick Soriano, Benito Di Paula e outros. Agora, Paulo César está lançando a versão em CD da obra, pela Universal Music, com várias músicas citadas no livro, em gravações originais - todas comentadas no encarte - e um fonograma inédito de Odair José, censurado desde 1973. Fomos conversar um pouco com ele sobre seus trabalhos.

Fale um pouco sobre sua relação com Niterói. Você veio do interior da Bahia, não foi? Sim, eu vim de Vitória da Conquista e estou em Niterói há exatos vinte anos, desde 1984. Geralmente o baiano, quando sai da Bahia, vai para São Paulo - então primeiro fui para lá, morei cinco anos em São Paulo. Mas aí eu conheci uma menina que morava aqui em Niterói. A gente começou a namorar, ali por 1983... o namoro foi crescendo, crescendo e por causa dela, vim morar em Niterói. (risos) Foi por puro acaso... conheci ela num final de semana numa festa. Se não viesse para cá naquele dia, provavelmente não iria encontrá-la nunca mais.

E você acabou casando com ela? Não, namoramos uns três, quatro anos, mas não casamos. Mas o fato é que aqui eu fiquei. Gostei de Niterói por acaso, mas acabou sendo a minha cidade. E o fato concreto é que eu vivi mais em Niterói do que na minha cidade. Saí de lá com 13 anos, vivi cinco anos em São Paulo e estou aqui há vinte anos. É a cidade na qual eu mais morei até hoje. E pretendo continuar morando.

Como surgiu a idéia de você fazer um livro sobre a música chamada "brega", mas respeitando este estilo musical? Geralmente o gênero é visto por uma ótica mais trash, as pessoas escutam música brega para se divertir, mas não a levam à sério... O meu interesse se deu a partir da constatação da exclusão do repertório popular, chamado "brega", da historiografia da própria memória oficial da música popular brasileira. Quer dizer, quando eu me interessei pelo estudo da História do Brasil e particularmente pelo estudo da história da música brasileira, constatei que aqueles cantores populares que a maioria do povo brasileiro admira, que a maioria do povo brasileiro consome, gosta, ouve, compra os discos... não estava nos livros que tematizavam a música popular. Constatei uma exclusão desses artistas dos livros e teses acadêmicas feitos pelas elites.

Aquelas coleções do tipo Nova história da MPB, que saíam nos jornaleiros com LPs de vinil encartados, nos anos 70 e 80, também não tinham nada sobre música brega... Exato. E esses cantores fazem parte da memória do povo brasileiro, da memória afetiva de amplas camadas da população brasileira. Então a idéia do livro nasceu primeiro pra denunciar essa exclusão, esse apartheid... E num segundo momento, busquei explicar afinal que produção musical foi essa, que repercussão ela teve na época da ditadura militar, quais foram as conseqüências dela.

No livro, você pergunta para os artistas da primeira leva "brega" sobre o que eles estavam fazendo no dia em que foi declarada a ditadura militar e alguns artistas chegam a confundir o Golpe de 64 com outras situações políticas do país. Eles tinham algum conhecimento sobre política? Não. Veja bem: essa geração de cantores chamado "bregas" difere da geração da MPB contemporânea e da geração dos festivais... porque a geração da MPB é formada por pessoas de classe média, com formação universitária. Todos fizeram faculdade, o Chico, o Caetano, o Edu Lobo, o Geraldo Vandré, concluindo o curso ou não. Os cantores "bregas" são filhos do povo, todos na infância trabalharam de engraxate, de vendedores de picolé, de feirantes. Ou seja: não tiveram acesso a universidade, não tiveram acesso a uma educação de qualidade como a maioria do povo brasileiro não tinha - e não tem, ainda hoje. Então, essa geração que não era de formação universitária não tinha muita ligação com a temática política, como também acontece com a maioria dos brasileiros. Eu digo política num sentido formal, de interesse por partidos políticos, por política... Os acontecimentos que atingiram a classe média universitária, como o AI-5, a Passeata dos Cem Mil... essa geração de cantores e compositores não teve isso. Eles estavam sintonizados com outras questões, que não eram essas questões políticas dos setores mais organizados da sociedade. Haviam outras questões das quais eles falavam nas músicas deles: preconceito racial, preconceito contra os homossexuais...

E isso também é política... Se formos pegar num sentido mais amplo da política, eles estavam sintonizados, mas não com aquela política institucional. Só que eles também foram censurados, assim como Caetano, Gil, Chico Buarque, porque eles tocavam em questões cruciais da sociedade brasileira.

Recentemente você escreveu um artigo sobre Chico Buarque, no qual você comentou sobre a questão dele não atingir classes sociais menos favorecidas (o artigo saiu no Caderno B do Jornal do Brasil, num especial sobre os 60 anos do cantor). Você já soube de alguma repercussão desse artigo? Não, eu estou com problemas para acessar a internet, o artigo saiu no último domingo... Eu abordo nesse artigo essa questão mesmo, da produção do Chico Buarque e as camadas menos favorecidas. Falei de um cantor que, ao contrário desses cantores chamados "bregas", não atingiu a sensiblidade da população mais pobre do país, da maioria dos brasileiros. Mas atingiu a sensibilidade de uma elite intelectual, de uma formação de classe média. E nesse sentido eu digo que ele foi e é uma unanimidade entre os intelectuais. O que não é pouca coisa, porque só ele conseguiu ser!

Num outro artigo que saiu há pouco tempo, quando saiu o CD do livro, o Ruy Castro comentou que esse tipo de música considerada cafona - para ele, que é um cara que escreve sobre bossa nova e tal - "não tem nada a ver com o Brasil". Você chegou a ter alguma discussão com ele ou com outras pessoas sobre o livro? O que eu vi foi exatamente o que você viu, o que é publicado na imprensa. Nunca participei de um debate com eles, não. Aliás, eu tenho viajado muito pelo Brasil e feito palestras, mas sempre individual, nunca participei de debates com essas figuras. E o que eles têm falado é o que você viu, o que tem sido discutido na imprensa... Eu acho interessante a fala do Ruy Castro porque quando a bossa nova começou, os puristas do samba, os críticos da época, faziam exatamente essa acusação à bossa nova: que não tinha nada a ver com o Brasil, que era coisa de americano, que era jazz... Curioso que o Ruy Castro, que é historiador da bossa nova, venha fazer acusação semelhante ao repertório popular chamado "brega". Ele repetiu o mesmo discurso contra uma outra produção cultural. Isso sempre aconteceu, até com Pixinguinha, quando ele gravou o choro "Carinhoso", os críticos da época já dizia que o tema era americanizado. É uma questão que as elites culturais brasileiras têm, que é muito forte no Brasil, que é a preocupação com essa tal de "identidade nacional". A questão de ver o que pertence à tradição e à modernidade é um drama para as elites. Quando a tradição e a modernidade não são identificadas em algum cantor, eles são desprezados por elas, que cobram uma coisa nacional, de "identidade nacional". É um problema do Brasil, os estudiosos constatam que a literatura brasileira sobre identidade nacional é a maior do mundo, nenhum outro país tem uma literatura tão grande sobre esse assunto.

Eu vejo muita gente que nem é de elite repetindo esse discurso contra a música brega. Exato, porque têm esse discurso dominante introjetado. É o que acontecia com os negros durante muito tempo, deles terem preconceito contra eles mesmos, porque introjetaram o discurso do dominador. Muitos acreditavam nisso mesmo e repetem. Acho que isso também pode acontecer com o repertório chamado "brega", que é considerado lixo. E esse discurso é repetido, quando na verdade você vê música boa e música ruim em qualquer segmento musical. Fiz questão de provar isso no CD Eu não sou cachorro não, que está saindo. Tem muitas canções consideradas bregas que têm qualidade, são bem gravadas, têm participação de grandes músicos. Aquela visão de que "só porque é brega, é ruim" é puro preconceito. Existe muito samba ruim, tem muito samba que eu não gosto. E só porque é samba é bom? Só porque é de raiz é bom? Nesse universo chamado "brega" acontece a mesma coisa. O CD vem um pouco para mostrar isso. Traz músicas censuradas, proibidas, e músicas que estão entre as melhores canções feitas no Brasil nesses últimos tempos.

Você mesmo fez a seleção das músicas? Sim, eu mesmo, tendo como referência o repertório que aparece no livro, é a trilha sonora original do livro. Daquelas músicas que eu cito no livro, eu escolhi 14 faixas para compor o CD. Evidentemente faixas que traziam essa temática diversa da música brega, mostrando a diversidade do que é chamado brega. Primeiro, tem a diversidade de ritmos. Então tem samba do Benito di Paula, tem bolero do Waldick Soriano, soul music do Marcus Pitter. Tem diversidade de ritmos e principalmente a diversidade de temas. Tem músicas que falam de drogas, de sexo, de racismo, de suicídio, de homossexualismo, de prostituição, de exclusão social. Para cada tema desses eu escolhi uma música.

Você chegou a discriminar os temas na contra-capa? O CD tem um encarte explicando a história de cada faixa, contextualizando cada faixa, como foi feita, porque foi feita e o que significava na época. Então, o CD vem com um encarte muito rico em informações. Eu até optei por não transcrever as letras das músicas e apenas explicá-las. Trouxe muitas músicas censuradas na época, inclusive uma do Odair José que não foi lançada na época porque a censura não deixou, a balada "Em qualquer lugar". Essa balada ficou arquivada nos arquivos da gravadora Universal durante 31 anos e eu a recuperei agora. Ela foi proibida em 1973, o Odair José recorreu em Brasília, a censura continuou vetando, ele tentou novamente e não teve jeito de ser lançada. O público vai conhecer agora, é uma das mais proibidas canções da época da ditadura.

25.10.07

Permalink 10:52:26, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Comportamento, Música

Tico Santa Cruz falando sobre drogas

A assessoria dos Detonautas mandou uma carta-resposta do vocalista Tico Santa Cruz para alguns jornalistas. Ele foi entrevistado pela revista M..., falou alguma coisa sobre drogas e propina e o assunto acabou sendo publicado sob a forma de notinha por alguns veículos, o que, segundo a produção da banda, deixou o assunto meio descontextualizado. Segue aí o texto do cantor da banda na íntegra.

"A notícia é verídica.
Já usei drogas, nem por isso deixei meus princípios e valores de lado e muito menos me tornei uma pessoa má ou desonesta. O fato é que por uma questão de responsabilidade e coerência resolvi parar, pois não posso lutar contra a violência e muito menos a favor de um debate honesto pela legalização estando comprometido com qualquer tipo de substância ilegal. Acho esse estardalhaço uma grande hipocrisia. Isso acontece ainda porque muitos usuários famosos, admirados e cultuados incluindo celebridades, jornalistas, artistas de todos os seguimentos, médicos, advogados, deputados, gente de todo tipo que faz uso de alguma droga ilegal não coloca a CARA para discutir o assunto.
Dessa hipocrisia não quero fazer parte.
Não precisei entrar em nenhum centro de tratamento para deixar de usar alguma coisa, simplesmente porque nunca fui seguidor e nem viciado. Meu único vício ASSUMIDO e pra quem escrevi inclusive a música "Só por hoje" foi com remédios para dormir que são perigosíssimos e vendidos em qualquer drogaria.
Drogas legais.
Acho que cada organismo reage de uma forma diferente. Por este motivo é que nunca vão ouvir da minha boca qualquer estímulo ou apologia ao uso. Pois não vou influenciar ninguém. Existem pessoas que não são capazes de discernir e qualquer exagero é prejudicial a saúde. Também NÃO pretendo algum dia fazer comercial de CERVEJA e nem estimular o uso de álcool embora seja uma droga legalizada que têm comerciais estrelados por grandes ídolos na TV.
A droga está inserida na sociedade e NUNCA conseguirão acabar com seu uso. Isso é milenar. Há quanto tempo os países combatem o tráfico de drogas e há quanto tempo que esse mercado só cresce e rende mais e mais lucros?
Hoje em dia, na situação de violência a qual estamos submetidos cheguei a uma conclusão RADICAL.
Para quem curte fumar maconha ou utilizar qualquer entorpecente.
Ou assume que faz uso publicamente e luta pela legalização ou então PARA. Pois ficar no escurinho se escondendo para não se comprometer e deixar milhares de trabalhadores e crianças morrendo nessa guerra suja é COVARDIA.
Alguns podem me acusar de só ter tomado essa iniciativa depois da morte do NETTO. Não deixa de ser verdade.
No entanto será que precisaremos TODOS passar por experiências tristes para amadurecermos idéias e tentarmos fazer uma transformação interna?

Quanto a propina paga ao guarda, posso dizer que foi um assalto.
Estava voltando com meu equipamento de som de uma festa na época em que trabalhava animando eventos e a policia me interceptou numa blitz. Meu carro estava com o IPVA atrasado há alguns anos por falta de dinheiro para pagar o imposto. O Policial ameaçou tomar meu equipamento se não colaborasse com sua "laje" como ele mesmo se referiu ao destino do dinheiro.
Me mandou colocar cinqüenta reais dentro da identidade e entregá-lo.
Entre perder meu ganha pão na época e subornar o guarda optei pela segunda. Não tem justificativa, é a realidade de um país que empurra constantemente seus cidadãos para o caminho da ilegalidade. Seja comprando um CD pirata, ou consumindo uma erva, subornando um guarda ou comprando um produto roubado. Todos estão em algum grau envolvidos com alguma contravenção.

Hoje posso dizer que luto completamente limpo pelo que acredito e acho um absurdo essa falsa moral vigente com relação à política de segurança, armas e DROGAS.

Quem por ai topa assumir publicamente que faz uso ou já fez?"

Para quem gosta da banda, segue abaixo uma entrevista que fiz com o cara há alguns meses por e-mail - que foi usada numa matéria do Nitideal sobre passeatas, lutas pela paz ou algo do tipo. Sobre esse "lado militante" do Tico, acho algumas coisas que ele faz interessantes, mas não tenho opinião formada. Mas eu, particularmente, sou do tempo em que os rockstars faziam merda, bebiam, cheiravam, quebravam hotel, mijavam em poltrona de avião (o John Bonham, falecido batera do Led Zeppelin, fazia isso tudo), entravam em contradição, as coisas não eram tão controladas, o mundo não era tão politicamente correto, etc. Até por isso, não dá pra deixar de concordar quando ele fala que os artistas fariam melhor se falassem abertamente sobre drogas. Se for pra fazer merda, que seja em público.

Você tem ficado satisfeito com a cobertura da mídia em relação aos atos do Voluntários da Pátria? Acho que a imprensa tem um papel fundamental com relação a mudanças de mentalidade do nosso povo. Sem a mídia nossos atos não chegariam ao conhecimento de tanta gente e como não contamos com uma adesão popular é através dos meios de comunicação que levamos nossos questionamentos tanto a sociedade quanto as autoridades.

Quando você começou a fazer este tipo de manifestação, teve medo de ser incompreendido? Tem muita gente que confunde as coisas. Acha que estou fazendo protestos para me promover. Então pergunto, mas isso não é o que todos nós deveríamos fazer? Lutar por nossos direitos, para que sejamos respeitados? Não estou tentando me promover, o que acontece é que sou uma pessoa pública e como tal acaba gerando uma atenção maior. De qualquer forma prefiro estar atrelando minha imagem a algo de útil do que desfilando em revistas de fofocas.

Como foi ter contato com pessoas que, como você, perderam também entes queridos (como os pais do João Hélio e da Gabriela)? Compaixão, unidos pela dor. Todos nós brasileiros estaremos muito em breve se não fizermos nada, unidos pela dor.

Como é conciliar a agenda da banda e do Voluntários? Consigo tempo para tudo que quero fazer, é uma questão de vontade e organização.Quem dá desculpa que não tem tempo é porque não tá afim de se mover. Tem muita gente com milhares de tarefas por ai, família, trabalho, tudo mais que consegue fazer o que deseja, quem não pode dia de semana, pode no fim de semana e assim cada um vai fazendo sua parte.

Você tem feito algo para conscientizar o público nos shows? Sempre fizemos embora alguns a princípio ignorassem e desdenhassem dessas iniciativas.

Os atos do Voluntários têm acontecido só no Rio ou em todo o país? No Rio de janeiro atuamos em protestos nas ruas, com performances lúdicas e chocantes. Realizamos nacionalmente um circuito de poesia, música e debates em faculdades e escolas públicas, visando estimular os jovens a expressar sua voz e discutir os problemas do país. Estamos montando bibliotecas em presídios, orfanatos e carceragens, levando cultura, ,literatura e educação a quem está fora dos planos da sociedade.

Uma vez você disse que não tinha vontade de ter uma banda pra só falar de coisas sérias ou só de putaria, que não queria se prender a um só assunto... Com o disco novo prestes a sair, não rola um certo medo da todo mundo achar que a banda vai vir só com assunto sério? Como você lida com isso? Toda esperança é frustrada sempre, só existe felicidade inesperada, portanto, não esperem nada, nossos discos nunca são iguais, vivemos fases e imprimimos a verdade de nossos sentimentos através da arte. Por isso nos recusamos a gravar um acústico agora.

Os Detonautas não estão mais na Warner. O que rolou para a banda sair e como o próximo disco deve ser lançado? Vocês pensam em voltar pro mercado indie ou a iéia é buscar uma nova gravadora? Saímos por uma questão artística. Eles queriam um acústico que poderia render bons lucros e nós queremos expressar o que estamos vivendo. Nosso próximo disco sairá no ano que vem. Não nos interessa o mercado Indie pois queremos usar a máquina a nosso favor, para que possamos atingir cada vez mais pessoas e públicos diversificados. No fim das contas esse negócio de ser indie ou não é uma grande bobagem que divide bandas que poderiam estar trabalhando juntas e que deveriam se preocupar mais com a música e menos com os rótulos. Se posso usar uma gravadora para bancar os gastos e fazer o que acredito, pra que vou ficar me matando para tocar em lugares ruins com estrutura de má qualidade e trabalhando num emprego alternativo para sustentar minha família ? Não que todos os indies sejam assim, existem bandas independentes que são grandes e que não precisam de ninguém, estão satisfeitas com o que têm. Nós queremos algo abrangente e dessa forma vamos usar as armas que temos. Não pelo dinheiro, mas pelo prazer de viver exclusivamente da nossa música.

24.10.07

Permalink 11:48:10, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

Babilonia1981

frente

Chegou por aqui um e-mail da Ana Falcão, uma das atrizes-personagens do vlog Babilonia1981 fazendo uma divulgação dos vídeos e de uma promoção bolada por eles. Segue aí.

"Olá, Ricardo!
Sou leitora fiel do Discoteca Básica. Não sei você já ouviu falar do meu vlog, o Babilonia1981,
mas ele já tem mais de 25 episódios no ar com 38 mil views e tá bombando na Internet: http://babilonia1981.com.
Você conhece?
Então, eu, o Haroldo e o Marquinho
(Nota do Ricardo: todos são personagens do vídeo)criamos uma forma de divulgar os nossos vídeos: vamos dar um vinil com a trilha sonora
usada nos vídeos para quem divulgar o vlog da maneira mais bacana.
Ele já tá pronto e só tem coisa boa: Lado A - Os alquimistas estão chegando, Jorge Ben; Eu amo você, Tim Maia;
You don't know me, Caetano Veloso. Lado B - Aumenta que isso aí é Rock n' Roll, Banda Podecrer; Amor, Secos e Molhados;
Rational Culture, Tim Maia.
Na nossa comunidade no Orkut já tem gente se estapeando pelo souvenir. E agora nós queremos colocar os blogs nessa promoção também! A mecânica é: quem fizer a divulgação mais bacana do nosso vlog leva o vinil.
Daí é me mandar o link com o post e os seus dados pra eu enviar o bolachão!
Também estou mandando fotos do vinil pra matar a curiosidade. Ele é lindo! Se quiser postá-las, fica à vonts.
Beijos"

Importante: o tal vlog tem relações com o marketing viral feito para o filme Podecrer!, sobre o comportamento de jovens no começo dos anos 80, e que tem participações de alguns atores e atrizes globais (leia sobre isso aqui e aqui). O filme, que é da Conspiração Filmes, tá marcado para estrear dia 2 de novembro.
UPDATE: Fui dar uma olhada no tal vlog mas não entendi muita coisa. Se é sobre a molecada do começo dos anos 80, porque é que tem um molequinho vestido de fã do Dibob? E como é que eles vão pras Paineiras e não levam nem um beck?

Permalink 09:41:24, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

Led Zeppelin em download legal a partir de novembro

Chegou por e-mail a notinha abaixo - tá em inglês e tô sem saco de traduzir. Problema: antes da Warner Communications acordar, o Mercadão de Madureira já tinha acordado há mais tempo (um camarada meu comprou por ali um CD-R com tudo do Led em mp3, por cinco pratas).

LED ZEPPELIN TO RELEASE DIGITAL CATALOG

The Legendary Band’s Original Albums Available For The First Time At All Online Music Retailers November 13

(Los Angeles, October , 2007) – Led Zeppelin’s catalog is among the most enduring bodies of musical composition to come out of the 20th century—and now it’s coming to the 21st. As one of digital music’s final holdouts, the band’s illustrious catalog is one of the most highly anticipated digital releases to date. Beginning November 13, the band’s original albums will be available for full-album or a la carte download from all online music retailers.

The albums being made available include, Led Zeppelin (1969), Led Zeppelin II (1969), Led Zeppelin III (1970), Untitled fourth album (1971), Houses Of The Holy (1973), Physical Graffiti (1975), Presence (1976), The Song Remains The Same (1976; recently remixed and remastered for reissue on November 20), In Through The Out Door (1979), Coda (1982), How The West Was Won (2003), and Mothership (available November 13). Featuring such indelible anthems as “Communication Breakdown,” “Whole Lotta Love,” “Immigrant Song,” “Stairway To Heaven,” “D’Yer Mak’er,” and “Kashmir,” these releases, together with various retrospective collections, has sold more than 300 million albums worldwide.

“We are pleased that the complete Led Zeppelin catalog will now be available digitally,” said Jimmy Page. “The addition of the digital option will better enable fans to obtain our music in whichever manner that they prefer.”

“The Led Zeppelin catalog is a highly anticipated and essential addition to the world's leading digital music services,” said Edgar Bronfman, Jr., Chairman and CEO of Warner Music Group. “In their 12 years together, Zeppelin created one of the most powerful, influential, and timeless bodies of work in the history of modern music. They not only enjoyed enormous commercial success, but their ground-breaking musical innovation transformed the cultural landscape. We have been planning for this landmark day for a long time, and we look forward to expanding Led Zeppelin's presence across a full array of digital platforms.”

23.10.07

Permalink 17:58:18, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

Discoteca Básica Remasters: Rare Earth

Outro dia, nesse post aqui, citei a feiúra das capas da banda norte-americana Rare Earth e falei de um texto que tinha escrito sobre eles faz tempo. Tá aqui.

rare_comp

"THE VERY BEST OF RARE EARTH" - RARE EARTH (Motown, 1998)

O Rare Earth, responsável por uma saudável mistura de hard rock e música negra, acabou ficando meio perdido em meio a vários grupos pesados dos anos 70, mas marcou época. Aqui no Brasil o grupo teve vários singles lançados e até mesmo uma música em trilha de novela - "I just want to celebrate" entrou na trilha da global Bandeira 2 (Som livre, 1972), que se notabilizou por trazer sucessos não menos marcantes de Michael Jackson ("Got to be there"), Marvin Gaye ("Mercy mercy me") e Diana Ross ("Remember me"), além de uma obscura música de Stevie Wonder, "How can I believe" (tirada de um disco instrumental dos anos 70, que o cantor assinou como Eivets Rednow).

A banda veio da terra da Motown, Detroit (EUA) e fez fama por ter sido o primeiro grupo branca contratado pelo selo, normalmente só de negros. Surgidos em 1961 com o nome The Sunliners, os rapazes (a saber: Gil Bridges, vocal, flauta, tablas, saxofone; Eddie Guzman, percussão; Kenny James, teclados; John Persh, baixo e vocais; Pete Rivera, bateria; Wayne Baraks, vocais) chamaram a atenção da diretoria da gravadora, que desejava criar uma subdivisão só para artistas brancos, mais ligada ao rock e ao som psicodélico. O curioso é que a banda sugeriu ao pessoal da Motown que o selo tivesse o nome de seu primeiro artista contratado - e a diretoria aceitou. Sob o label Rare Earth, que existiu até 1976, saíram discos de bandas como The Messengers, Love Sculpture, Pretty Things (grupo dos anos 60 que resolvera voltar nos 70, por intermédio de um contrato com o selo Swan Song, do Led Zeppelin) e até um dos primeiros LPs do cantor Meat Loaf (aquele mesmo, de "Bat out of hell"), Stoney & Meatloaf.

O Rare Earth tinha claras conexões com a black music, entupia suas músicas de percussões, guitarras com wah-wah, fortes linhas de baixo e vocais roucos, além de cantar diversas covers de artistas da Motown em bares. Seus primeiros sucessos foram covers dos Temptations, "Get ready" e "(I know) I'm losing you" - música cuja parte de percussão, sampleada, geraria a introdução de "Queimando tudo", do Planet Hemp, nos anos 90. Entre os outros sucessos da banda, incluídos nesta coletânea, estão o rock latino de "Born to wander", o suingue pesado de "I just want to celebrate", a mescla de rock e soul de filme policial de "Hey big brother" (destaque para o órgão com pedaleira), etc. "What I'd say", clássico de Ray Charles que dez entre dez artistas das primeiras levas rockeiras gravaram e/ou tocaram ao vivo (Beatles, Stones, Jerry Lee Lewis) aparece numa versão pesada, irreconhecível, da qual praticamente só sobrou o refrão. O estilão rock´n roll com cowbell, que reinou nos anos 70, comparece em "Good time Sally". A banda ainda soltou R&B mais prototípicos em "Ma" e "Big John is my name", além de uma inacreditável disco-music, "Warm ride" e do blues "Tobacco road". The very best of Rare Earth acaba sendo uma bela viagem pela fusão rock-soul-lisergia, aberta por inúmeras bandas desde os anos 60.

O último disco do Rare Earth lançado pelo selo homônimo foi Midnight lady, em 1976. Depois o Rare Earth (o selo) fechou as portas e o Rare Earth (a banda) foi para a pequeno etiqueta Prodigal, pela qual gravaria até 1981. Até lá, a banda teria inúmeras mudanças de formação e, depois disso, sairiam vários discos ao vivo e coletâneas. Pouco lembrada, a banda chegou, recentemente, a ser desenterrada num dos episódios da sitcom Friends, que usou "Get ready" como música de fundo numa cena - sem falar da sampleagem do Planet, pouquíssimo anunciada, embora "Queimando tudo" tenha tocado bastante no rádio. O que pode surpreender muita gente é que o Rare Earth continue na ativa, embora não grave nada há tempos. No tosco site www.rareearth.com é possível ler uma biografia (mínima, diga-se) da banda, conhecer a discografia, ler reviews dos discos, ver a foto da nova formação e até contratá-los para shows. A seção que traz as capas dos álbuns, por sua vez, rende boas risadas, já que o lay-out dos discos do Rare Earth era pavoroso.

+ Sobre o Rare Earth (banda)
+ Sobre o Rare Earth (selo)
+ Sobre ambos

21.10.07

Permalink 14:30:11, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

Radiohead

discbox

"IN RAINBOWS" - RADIOHEAD (independente)

"O G1 procurou Gilberto Gil, Pitty, Ivete Sangalo, Caetano Veloso, Zeca Pagodinho - artistas com nome estabelecido no mercado nacional, assim como o Radiohead no exterior - que alegaram problemas de agenda ou desconhecimento do assunto para comentar a iniciativa do grupo inglês e um possível paralelo desse modelo no Brasil.".

A notinha acima saiu no G1, o site de notícias do Globo, há alguns dias. Se no Brasil, a música, o rock, o samba, o pop ou qualquer coisa do tipo são sempre a favor, agora é que acabou de vez. Coragem para comentar a respeito do que o Radiohead bolou para o lançamento desse último disco? Ninguém tem, talvez nem mesmo boa parte das bandas brasileiras independentes. E pode esquecer o Lobão, se é que o nome dele passou pela sua cabeça (vamos combinar que imaginar a cara que Zeca Pagodinho iria fazer quando escutasse o repórter falando algo sobre um tal de Radiohead, já daria uma matéria à parte...)

Interessante é que In Rainbows, o tal disco novo - para conhecer a estratégia inovadora que a banda inglesa Radiohead bolou para seu lançamento, leia a nota acima e aqui - quase que seguiu o mesmo esquema dos lançamentos de discos de bandas novas. Grupos brasileiros recentes, como Moptop e The Feitos, ao lançarem seus primeiros discos, repetiram boa parte das músicas que já apareciam em seus shows e demos. No caso de In Raibows, muita gente ficou realmente esperando que saísse o "novo" do Radiohead, até pela expectativa armada pela própria mídia, mas as músicas, em versões ao vivo, já circulavam na internet fazia tempo, e várias delas já eram velhas conhecidas de shows. Aliás, pra quem quiser ter informações legais sobre o disco novo da banda, o site da Rolling Stone americana botou no ar um belo faixa-a-faixa com o disco - e além de falar um pouco de cada música, a publicação ainda pôs as próprias músicas para quem quisesse ouvir, além de arquivos do YouTube com shows em que as faixas foram tocadas. Leia aqui.

O que rola em torno de In Rainbows - a corrida para baixar as músicas da internet, o fato da banda estar privilegiando o lançamento de um disco cujo conteúdo é mais virtual do que físico, o fato do "álbum de vinil" ser bem mais valorizado do que sua contrapartida digital - já dá o que pensar, assim como o fato de praticamente artista brasileiro nenhum do primeiro time estar preparado para tanta inovação na forma de levar conteúdo musical a seus fãs. É uma das raras vezes em que o lançamento de um disco, seja ele qual for, dá realmente uma boa pauta. Musicalmente falando, dá pra dizer que In rainbows é o melhor da banda desde Ok computer, primeiro disco "revolucionário" dos caras - o que não significa muita coisa, já que não é preciso muito para superar Kid A, Amnesiac e Hail to the thief. À exceção talvez deste último, eram discos que importavam mais como conceito, como provocação, do que como música.

In rainbows mostra-se um pouco menos experimental e mais musical que boa parte dos últimos discos mais doidos do Radiohead, e também desce mais no ouvido do que The eraser, a doidaralhaça estréia solo do vocalista Thom Yorke, lançada no ano passado. O vocal de Thom, triste nos primeiros discos e quase esquizóide em outros, voltou a fazer sentido dentro do conceito de uma banda de rock em baladas ótimas como "Nude" (uma musica antiga da banda, nunca gravada anteriormente, na qual ele quase alcança o nível de dramaticidade de "Fake plastic trees"), no rockão de ascendência punk "Bodysnatchers" e no clima meio anos 80, meio psicodélico de "Weird fishes / arpeggi".

A experimentação musical acaba funcionando a favor da música, e não contra, seja em baladas intrincadas, com belos arranjos de cordas ("Faust arp", cujo nome pode ser uma referência tanto ao personagem do escritor alemão Goethe, quanto à banda também alemã de krautrock - e cujos vocais repetidos quase me fizeram achar que meu pc, no qual ouvi o disco, estava travando), seja num som que volta ao passado da banda e aponta para U2 ("House of cards"), seja numa canção unindo folk e pós-punk ("Jigsaw falling into pieces"). Provavelmente os fãs dos discos mais recentes do Radiohead vão amar as eletronices de "15 steps", que abre o CD, e a baladinha cheia de efeitos "Videotape", que o fecha, além do climão post rock de "All I need" e das batidas quebradinhas e dos vocais quase fantasmagóricos da bela "Reckoner". In rainbows, enfim, mostra que não basta apenas fazer um bom barulho na mídia. É preciso realmente ter o que mostrar - e o pessoal do Radiohead conseguiu isso.

P.S.: O grupo deu uma boa entrevista ao site da publicação musical inglesa New Musical Express, falando sobre o CD novo. Leia aqui. Tá em inglês, ok?
P.S 2: Falei tanto do disco e esqueci de informar que, para baixá-lo, é só entrar aqui. E já tem várias comunidades do Orkut e blogs de música que o disponibilizam.

* o texto acima saiu na minha coluna do Nitideal - é a última coluna, pois estou deixando o site. E cabe aqui fazer a mesma pergunta que fizeram os caras do blog Hang The DJ: quanto vocês pagaram pelo disco do Radiohead? Eu não paguei nada, baixei do Orkut.

19.10.07

Permalink 13:23:03, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música, Tecnologia

Por aí

+ Descobri que o blog da Samsung tem um link para este blog. E o conteúdo do blog da empresa - que inclui blogueiros de alta estirpe como Phelipe Cruz e Alexandre Inagaki - é de altíssimo nível, com clipes bacanas do YouTube, bandas novas, notinhas sobre música, etc. Vale a pena dar uma olhada. Leia aqui.

+ Um blog bem interessante de iTrecos é esse aqui: www.futuro.vc.

+ Link que eu já tinha colocado numa das fases antigas do Discoteca Básica, mas que valea pena repetir: o jornalista paulista Rodney Brocanelli (Bizz, Jornal do Brasil) colocou todas as enrevistas que ele fez com gente do jornalismo musical (Mário Marques, Lucio Ribeiro, Ricardo Alexandre, Alexandre Matias, etc) neste blog aqui: Jornalismo Musical em Debate.

+ O Gafieiras traz entrevista com os jornalistas musicais Alexandre Matias, Pedro Alexandre Sanches e Ricardo Alexandre - por acaso o texto (que é enorme) se chama 3 Alexandres: Jornalismo aberto pra balanço.

Permalink 02:20:56, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

Autoramas / Skylab

Resenhas minhas que saíram já há um tempinho na Rock Press

tudo_agosto_07_autoramas

"TELETRANSPORTE" - AUTORAMAS (Mondo 77)

Para Bacalhau, baterista dos Autoramas, Teletransporte é o melhor disco do trio. Pode até ser que o cara esteja exagerando - afinal, é complicado ganhar de Stress, Depressão e Síndrome do Pânico, o primeirão. Mas tem uma boa dose de verdade aí: Autoramas já é uma banda com uma grande carreira, que não tem a necessidade de apresentar uma suprema novidade a cada disco - sobram espaços para grandes canções como a punk-new wave de "Mundo Moderno", o tom espacial de "Fazer Acontecer", o som arábico de "Hotel Cervantes", a crítica de "Marketeiro", a surfística e instrumental "Panair do Brasil" (com Lafayette no órgão) etc. No meio de canções já bastante amadurecidas - embora bem menos barulhentas que as dos discos anteriores, diga-se - acha-se momentos que inovam na discografia da banda, como a doideira (uma "tropicália punk", já disse alguém) de "Digoró" e a guitarrada de... "Guitarrada". Sim, o disco encerra com uma legítima guitarrada do Norte, algo difícil de ser achado em álbuns anteriores do grupo - que por sinal, grava pela primeira vez com a baixista Selma. Mandaram bem.

tudo_agosto_07_skylab

"SKYLAB VII" - ROGÉRIO SKYLAB (Independente)

Desde o Skylab V que Rogério Skylab parece estar dizendo a todo mundo que ele, na verdade, não é um artista "humorístico". Pode até ser verdade, mas o fato é que muito da graça que o trabalho dele tinha se perdeu com o tempo - ou pelo menos ficou restrita aos shows. Skylab VII é o retrato perfeito disso. Querer que as músicas de Rogério Skylab sejam "boas" (da mesma forma que uma canção do U2 ou do Wilco é boa) complica um pouco. Mas às vezes as idéias do cara se perdem em meio a maluquices (ou "experimentação", como querem alguns) demais e música de menos. No disco novo, exemplificando isso, tem "Qual Foi O Lucro Obtido?", "Desperdício De Tudo", "Vou, Vou, Vou", "É Tudo Atonal" e outras. Não são músicas "boas", nem engraçadas, nem tão trash como o trabalho dele já foi.

A onda do disco é segurada por piadas como as de "A Irmã Da Minha Mulher", "Hei, Moço, Já Matou Uma Velhinha Hoje?", "Samba Isquemia Noise" (rarará), "Eu Chupo Meu Pau", "Eu Vou Dizer", a lameira de "A Última Valsa" e a crueldade de "Corpo E Membro Sem Cabeça". São as faixas que dão alguma esperança para quando vier o Skylab VIII. Mas num universo de dezoito (!) músicas, é bem pouco. A vontade de Skylab de não ser enquadrado em gavetinha nenhuma, acaba confundindo a cabeça dos ouvintes.

18.10.07

Permalink 12:44:41, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Cinema, Música, Televisão

Doideira no SeuTubo

Abertura de Chappaqua, filme doidaralhaço de Conrad Rooks, com participação do clásico psicodélico The Fugs (recomendação do Leo Bonfim do zine Freakium, que me passou esse link por MSN). Sobre o filme, leia aqui.

Lembram do Performance, filme psicodélico do Mick Jagger que do qual eu já falei aqui? Abaixo o trailer.

17.10.07

Permalink 16:01:04, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

Vergonha alheia nas capas de disco

O Terra falou ontem daquela matéria do site Gigwise sobre as 50 piores capas do mundo. Eles elegeram também as melhores, mas é claro que as piores são as que chamam mais a atenção.

Além de abacaxis costumeiros como Two virgins, de John Lennon & Yoko Ono, Sabotage, do Black Sabbath, Live it up de Crosby, Stills & Nash, e Back to the shit, de Millie Jackson (aquela famosa capa com a cantora dando uma solene barrigada, que já vem aparecendo em listas de piores capas desde que o mundo é mundo), tem ainda troços pouco lembrados (como Bad de Michael Jackson) e algumas injusticinhas, como Dirty work, dos Stones e Rumors, do Fleetwood Mac (que não são das melhores, mas não passam muita sensação de vergonha alheia - pelo menos esse é o meu critério para classificar qualquer coisa como sendo ruim).

(falando nisso, um dos melhores blogs aqui do Interney Blogs, o Jornalista de Merda, lembrou das capas da banda novaiorquina Unsane, que nem sequer aparecem na lista do Gigwise e que, se não são as piores, são pelo menos as mais tétricas - veja aqui).

Lembro que uma vez, pesquisando para uma matéria antiga do Discoteca Básica - se eu achar, vou reproduzi-la por aqui - deparei com as capas da banda norte-americana Rare Earth. O Rare Earth foi a primeira banda branca a ser contratada pelo selo negro Motown, gravou bons discos, teve pelo menos um grande hit no Brasil (o soulzão-rock "I just want to celebrate", incluído na trilha da novela global Bandeira 2, lá por 1972) e, nos anos 90, teve uma música sampleada pelo Planet Hemp (a percussão de "I know I'm losing you" virou a introdução de "Queimando tudo", naquela parte do "é que essa galera tá fumando demais, cara!", que tem também um sample de Cheech & Chong). Eles ainda tavam na ativa até pouco tempo e tinham um site oficial que, pelo menos até o presente momento, tá fora do ar, o www.rareearth.com. Hoje, tadinhos, não são lembrados nem pra pagar mico na lista de piores capas.

Fica aí embaixo a lembrança de duas das capas mais medonhas do grupo.

d96245we327

dh41406oqb34

16.10.07

Permalink 16:48:56, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

Panela velha é que... ah, vocês sabem

Pra quem sabe inglês (ou finge que sabe, que nem eu) tem materinha bacana com Deborah Harry, ex-vocalista do Blondie, no New York Times (link aqui). Ela tá lançando disco novo, o Necessary Evil, e dá pra ouvir uma música lá.

Permalink 16:46:05, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

Teresa Cristina & Grupo Semente

musica_tc_int2

"DELICADA" - TERESA CRISTINA & GRUPO SEMENTE (EMI)*

A sambista carioca Teresa Cristina tem uma personalidade menos forte do que a de antigos ícones femininos do gênero, como Beth Carvalho, Clara Nunes e Alcione - o que cai bem para um trabalho que é um tanto regionalizado (mostrando a força do samba de raiz que é tocado na Lapa, região central do Rio de Janeiro). Agora que Delicada, novo disco da cantora e de seu grupo Semente (Pedro Miranda, pandeiro e voz; Bernardo Dantas, violão; João Callado, cavaquinho; Mestre Trambique, percussão), sai pela multinacional EMI, pode ser que apareça muita gente tentando ver nela uma coisa (bem menos espontânea e menos "trabalhada", digamos assim) que ela não é.

O disco novo de Teresa - o 4º de sua discografia - na verdade foi produzido ainda na Deck, e comprado pela multinacional. Na ficha técnica, ainda dá para ver créditos para o estúdio Tambor, do selo carioca, e agradecimentos para o produtor e dono do selo João Augusto. Na mídia, andam dizendo que ela teria tudo para emplacar hits se tivesse vivido a carreira artística nos anos 70 - época em que o samba se destacava em paradas de sucesso e trilhas de novela. Que é verdade, é. Mas trata-se de um novo “conceito” de musa do samba, mais coletivista - como aliás acontece no trabalho de, por exemplo, Marisa Monte. Mais: uma coisa que chama a atenção em Teresa e em seu grupo é que, por mais que o samba seja o mais brasileiro dos gêneros, ali quase todo mundo (à exceção do experiente Mestre Trambique) é jovem, normal, não fica se comportando como se tivesse vinte anos a mais, nem dá uma de malandro da Lapa. É gente que faz samba, mas que viveu os anos 80, os anos 90 e, até pela idade, teve acesso a outras informações musicais.

É algo que soa bem numa época como a atual, em que todo mundo que é jovem e faz MPB resolve, de alguma forma, se roçar no samba. Mas que, além disso, no caso de Teresa, dá a impressão de um grupo normal, comum, sem egos e sem musas, com todo mundo crescendo junto. Essa imagem é acentuada pelo fato de Pedro Miranda, pandeirista do grupo Semente (com um belo disco solo no currículo, Coisa com coisa), cantar o belo samba "Quebranto", do grupo ter direito a um momento instrumental (a bela "João Teimoso", do cavaquinista João Callado) e de Pedro e do percussionista Mestre Trambique aparecerem para dividir os vocais no potpourri final, com os sambas antigos "Fechei a porta", "Rosa Maria" e "Jura".

A associação com a EMI pode fazer Delicada virar o jogo na carreira de Teresa e seu grupo, apresentando nacionalmente algo que era mais conhecido dos frequentadores da Lapa. Não faltam motivos - o disco mostra Teresa em sua melhor fase como compositora, em sambas lindíssimos como "Cantar" e "Fim de romance" (em parceria com o falecido Argemiro, da velha guarda da Portela) e na umbandista "Senhora das águas".

Até por isso, o fato do disco não trazer muitas músicas de Teresa talvez seja o que há de mais fraco ali. Embora como resgate de canções antigas, ele funcione muito bem. Tem desde uma versão de "A gente esquece", choro de Paulinho da Viola, até uma regravação bacana de "Gema" (que nem dá pinta de que se trata de uma canção de Caetano Veloso) - passando pelo belo samba umbandista "Nem ouro, nem prata", sucesso de Ruy Maurity nos anos 70 e pela beleza do samba baiano de "Carrinho de linha", de Walter Queiroz. Tudo com a bela sonoridade que une samba, choro, gafieira e umbanda, que sempre marcou o trabalho de Teresa e do Semente. Muito bom.

* texto publicado na minha coluninha do Nitideal, onde também já publiquei sobre o dia em que assisti à gravação do DVD de Teresa e do Semente no Teatro Municipal de Niterói (leia aqui.

10.10.07

Permalink 00:06:36, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

Justice no SeuTubo

Clipezinho bacana da dupla francesa de música eletrônica Justice. Eu gostaria do clipe até se eu não curtisse o som.

09.10.07

Permalink 01:07:06, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Egotrip, Música

DIBOB E ARMANDINHO - ESTÚDIO COCA-COLA - HARD ROCK CAFÉ - A RESENHA!!!!

figura2

- Oi, você sabe onde fica o Hard Rock Café?
- Pô, eu acabei de deixar minha filha de 12 anos e mais umas três sobrinhas lá... Tem que pegar essa escada aí e subir, fica no terceiro andar...
- Ah, tá bom, valeu.

Bem vindo ao mundo real. Sim, pra quem acompanha distraidamente o meio musical, pode até parecer fácil imaginar um mundo em que os adolescentes ouvem Strokes, Moptop e Franz Ferdinand. Só que o buraco é mais embaixo. Hoje quem ouve música e está dentro do mercadão do consumo vive uma época em que, nerds e indies à parte, hardcore, emo, axé, reggae, pop, hip hop, iPods e eventos fodaços feitos por grandes marcas se misturam na cabeça da galera. E misturar, para o pessoal do Estúdio Coca-Cola, é a palavra de ordem. Lá, já rolou desde Babado Novo e CPM 22 até Marcelo D2 e Lenine, e o falso reggaeman Armandinho já se encontrou com duas bandas que comumente são chamadas de "emo": o NX Zero (um dos integrantes desse grupo se recusou a me responder uma vez, a pergunta-mandada-na-lata "vocês são emo?") e, dessa vez, o Dibob. E foi pra lá que eu fui neste domingo.

O LOCAL: Antes do show, rolou um passeio geral e uma olhada básica em todo o evento - com direito a confraternização de blogueiros, ao lado de Jorge Wagner do Canção Pobre e do pessoal dos blogs Hang The DJ e Som do Som (sim, estive lá porque eles decidiram abrir espaço para blogueiros no evento - o pessoal da produção, com raras exceções, sequer sabia que eu já tinha passagens por redações bem mais nobres do que as do meu blog). Além da decoração habitual do Hard Rock Café - que, confesso, correu o risco de parecer bem mais interessante do que as bandas da noite - o local ainda estava decorado com dançarinas e dançarinos, cada um representando um personagem musical (tinha a roqueira, a fã de hip hop, o metaleiro,e tc).

Não era uma coisa de muito bom gosto - lembrava um esquema meio Domingo Legal, com gente dançando praticamente sem música. Chegava a hora de começar a trabalhar: eu e todos os blogueiros colamos na dançarina roqueira, gatíssima e tatuadíssima, por sinal. E que, vá lá, não estava só fazendo figuração. "Minha banda preferida é David Bowie" (sic), disse, se eu ouvi direito, a menina. Era a atriz e modelo Carol Santini, que nao via problema algum em ficar ali dançando na frente de uma molecada que parecia que nunca tinha visto aquilo tudo dançando na frente deles na vida. "Eu gosto de aparecer!", falou, antes de, a pedido da reportagem, mostrar sua lata de Coca-Light, que segurava enquanto dançava, vazia. "É que eu não bebo refrigerante..." Valeu, Carol, um beijo.

ENCHENDO O PANDULHO: Antes de qualquer outra coisa, fomos todos irrigar o bucho na área vip. Mas até chegar lá, teríamos outras surpresas. Além dos fãs de Dibob e Armandinho, misturavam-se à galera alguns atores mirins da Globo. Tinha Bruno Abrahão (que foi filho do Alexandre Borges e da Julia Lemmertz em Celebridade), Pedro Malta (só lembro que ele foi filho da Mariana Ximenes em Chocolate com pimenta) e... "Me falaram que aquela garota que tá ali se agarrando com o namorado é a Debby, da Turma do Didi", disse alguém no meu ouvido. O efeito TV Fama faz escola entre a petizada global: ao passar pelos valorosos homens de imprensa do evento, a atriz-mirim pegava correndo o celular para falar com alguém, como se não quisesse de jeito algum ser importunada. Ah, mais duas presenças ainda mais marcantes: a VJ Penélope Nova, da MTV (gata e bem simpática de perto) e um repórter da Rede TV! chamado Edmundo, que... foi um dos garotos DDD (lembram dessa propaganda?) quando era criança.

est01
Eu, Jorge Wagner e um ator mirim que ninguém lembrava o nome

NO CAMARIM: Todo jornalista já teve seu dia de dar uma esgueirada no camarim de algum artista, em busca de uma entrevista. A (pouca) experiência me ensinou a ficar de olho em aglomerações e a seguir fotógrafos e gente de TV em certos eventos. Quando vi neguinho se mandando pra uma entrada com câmeras na mão, já me coloquei - junto com o resto da galera - em posição de ataque. Dito e feito: em quinze minutos estaríamos nos intestinos do Hard Rock Cafe batendo algo que chegava mais próximo de um papo com o Dibob e com o Armandinho.

Bastou alguns segundos com o pessoal do Dibob para perceber que o clima não seria muito diferente daqueles churrascos de família em que seu primo de 18 anos leva os amigos de escola. Comecei a coletiva (sim, era uma coletiva) perguntando sobre como foram os ensaios e como foi trabalhar com o Armandinho. "Ele ensinou a gente a tocar reggae! Ensinou a gente que reggae se toca de cima para baixo", disse um dos garotos. "Ele queria que a gente fizesse 'Ursinho de dormir' em versão porrada, mas quisermos fazer numa versão mais próxima do som dele", disse outro. Colocado ali como um homem bomba, um dos repórteres do Hang The DJ, o D'Moreaux, fez isto aos garotos da banda - e é verdade, eu tava lá e vi.

Na hora de falar com o Armandinho, a gracinha também rolou solta. "Verdade que você é gago?", mandou Janco Tianno, do mesmo blog, para em seguida ouvir do cantor que ele nao apenas sofria do mesmo mal de Nelson Gonçalves, como ainda por cima estava sem voz. Educadamente, perguntei a Armandinho como era para ele, com 37 anos, fazer uma música que era consumida majoritariamente por adolescentes. "Eu me relaciono bem com essa molecada por causa do surf, da praia...", disse, antes de ir posar para fotos. Depois dessas, já tinha gente da produção olhando pra gente com cara de medo.

SOLTA O SOM! Sim, lembrei de cara daquele programa bizarro que o Marcio Garcia apresentava na Globo, o Gente Inocente - que por sinal, também era aos domingos.

O que você vai ler aqui nem deve ser muito diferente do que rolou nos outros blogs que estiveram no evento. Sim, Dibob acabou surpreendendo todo mundo, com um punk que estava mais pra emo das antigas, hardcore californiano e (vá lá) Baba Cósmica do que as choradeiras de grupos como Fresno e NX Zero. É rock de beira de praia, com letras mais sacanas do que proprament românticas (caso de "1X0 eu"), além de covers interessantes ("Amante profissional", do Herva Doce, em versão mais ska que o original, e "Open your eyes", do Snow Patrol, canção típica dos cursos de inglês que a molecada que estava lá deve frquentar).

Armandinho, Armandinho... Segundo uma amiga minha gaúcha, ele na verdade tem bem mais de 37 anos, veio de Porto Alegre (e não de Santa Catarina, como comumente se diz) e... músicas como "Desenho de Deus" e "Ursinho de dormir" já estão prontas há bem mais do que apenas quinze anos, ao contrário do que ele costuma dizer. Sei lá se isso é verdade. Quando ele fala que faz "música pop", e não reggae, dá pra entender o que ele quer dizer com isso: o gênero jamaicano tem uma puta história, uma baita quantidade de informações e está sempre se renovando. Lá fora, porque aqui no Brasil qualquer chacundum barato vira reggae na boca de todo mundo. É melhor, mais cômodo, mais honesto e (bem) menos problemático Armandinho passar para a história como um Jack Johnson mais chegado ao reggae, do que dizer "ah, eu faço reggae...". Agora, vamos lá: 1) não é qualquer um que faz um troço grudento como "Desenho de Deus"; 2) os músicos do cara são de primeira linha e ele é bem escolado de palco.

A MISTURA: Na hora do encontro entre Dibob e Armandinho... Bom, "Ela disse adeus", dos Paralamas, apareceu numa versão bem interessante, só prejudicada pela tentativa de Armandinho em fazer um vocal grave, igual ao de Herbert (e ele ainda por cima estava sem voz). "Ursinho de dormir" veio numa versão mais soul, bem bacana, colada em... "Upside down", do Jack Johnson, aquela do clipe do macaquinho. Só não deu pra engolir foram os trechos de músicas do Asa de Águia e da Timbalada (!!) colados depois da versão de uma das mais belas canções de Bob Marley, "Redemption song". Calma com esse lance de mistura aê...

est02
Momento apuração perfeita: acho que isso aí é o Dibob. Foto de Jorge Wagner

06.10.07

Permalink 16:24:14, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

Silverchair

silverchair

"YOUNG MODERN" - SILVERCHAIR (EMI - importado)

O Silverchair já foi piada na boca de muita gente. Nada demais: bandas de adolescentes tocando rock, apesar de muitas vezes serem bem mais autênticas, originais e honestas do que um bando de adultos fazendo rock pra garotada (você sabia que a Pitty já está chegando aos 30 anos cantando músicas pra sua prima de 15? sabia que com a idade que o Dinho Ouro-Preto tem, ele já poderia ser avô?) sempre suscitam preconceito. Hoje, os três garotos da banda já não são tão mais garotos assim, não fazem o grunge-metal lascado de discos como Frogstompe Freakshow e passaram numa boa pelo show de elaboração de discos como Neon ballroom e Diorama. Vai da opinião de cada um, mas eu particularmente acho que o grupo conseguiu lançar quatro discos muito bons, espaçados entre um e outro, com uma boa dose de fator surpresa e praticamente sem músicas fracas - e acabaram sendo tão sobreviventes dos anos 90 quanto, por exemplo, o Pearl Jam e o Foo Fighters.

E aí que Young modern vai surpreender muita gente. Para o bem ou para o mal. Pode ser que os fãs antigos escutem o disco e odeiem - quem ainda tiver na cabeça o peso de "Freak" e "Lie to me", aliás mesmo quem recodar de Diorama e tiver ainda na memória o fato de que os três Silverchairs eram apenas garotos que amavam Helmet e chupavam Pearl Jam, e que o líder Danniel Johns copiava descaradamente o vocal de Kurt Cobain, não vai achar o Silverchair aqui. Aquele grupo dos anos 90 ainda tem a mesma formação, mas na prática, não existe mais. Young modern não tem nada de novo nem de moderno: é belíssimo, voltado ao glam rock e ao soft rock dos anos 70/80. Foi feito para tocar numa rádio tipo Antena Um e alguém achar que é algum grupo antigo que ninguém conhece.

Em Yougn modern, o que não lembra Beatles (em especial George Harrison) no disco, lembra Bee Gees, Supertramp, e tem algumas coisas que já saem do toca-cd lembrando Coldplay (opa). Mesmo que o disco abra com a batidinha new rock de "Young modern station", o que fica na memória são canções como "If you keep losing sleep", com um pé em John Lennon, e a minissuíte "Those thieving birds". Nem pense em The Feelings, Magic Numbers e outras bandas que se dedicam ao mesmo espólio: o Silverchair conseguiu, em alguns casos (como nas baladas "Waiting all day" e "Low") soar ainda mais velho que eles. Um disco genial e sublime, como poucos lançados este ano.

05.10.07

Permalink 01:01:01, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

Entrevista: Elias Nogueira (Aumenta O Som)

aumentasom

Ele é jornalista há milhões de anos (hehe, foi mal a brincadeira, Elias!), trabalha com jornalismo cultural - em especial o musical - e colabora com veículos como o International Magazine, portal Jovem Guarda e o Jornal das gravadoras e já esteve por trás do trabalho de grupos como Vid & Sangue Azul, Piu Piu & Sua Banda e Martha V. E boa parte da produção dele, em entrevistas, resenhas, matérias, etc, ele agora resolveu colocar num blog, o Aumenta o Som. Bati um papo com Eias Nogueira.

Como você teve a idéia de montar o blog? Seguinte: Eu escrevo sobre música desde 1988. Sempre tive lugares onde publicar minhas entrevistas, matérias e artigos. Já tive passagem por diferentes veiculos de cominicação. O inicio foi com a fundação do International Magazine que nasceu dentro do Jornal do Brasil. Entre idas e voltas entre redações, show e tudo mais, o montante de texto e noticias que eu sempre quis noticiar, muitas vezes não entrava na pauta das publicações por falta de espaço. Ou mesmo a pauta já estava direcionado a outro colega. Acontecia que ficavam vários artistas, com entrevistas e artigos sem espaço pra eu publicar, mesmo escrevendo pra mais de uma publicação. Eu já havia pensado em fazer um blog, mas faltava coragem e tempo, mas um dia decidi que eu teria que ter um espaço onde eu pudesse colocar tudo que eu faço sobre música sem discriminação.

E tem muita coisa exclusiva lá, né? Tem algumas matérias que vem escrito "publicado não sei aonde", mas outras não. Muita coisa que já saiu em publicações que não estão mais disponíveis.

Você ainda faz assessoria pra um monte de gente, não? Sim, eu atuo nos dois lados da moeda. Além de escrever, faço assesoria de imprensa para Rui Motta (ex-Mutantes), MarthaV, o gaitista Jefferson Gonçalves, Fiz vários trabalhos com Victor Biglione, Big Gilson, Big Joe Manfra, dentre outros que nem lembro agora. Gosto de trabalhar com artista novos onde sempre aparece coisas novas. O trabalho de assesoria começou quando comecei a mexer com bandas do underground.

Como você se interessou por jornalismo? Bicho, sou formado em História, mas me interessei pelo jornalismo quando percebei que eu poderia receber disco sem precisar comprar. Sou um consumidor de discos. Já deixei meu salário todo em uma loja de discos em Copacabana e saí de lá feliz da vida. Duro mas feliz. Quando fui trablhar no Jornal do Brasil, pude perceber que os que escreviam sobre música, estavam sempre com uma pilha de disco (Nota do Ricardo: é, bom motivo pra começar mesmo...). Como estávaamos criando o International Magazine, resolvi que seria melhor eu me aperfeiçoar. Assim criei coragem e fiz o jornalismo. Tudo por causa da música.

Manda uma mensagem aí pra encerrar! Tenho a sorte de poder trablhar com o que gosto. Já tive oportunidade de conhecer e conversar com pessoas que eu achava imposível em minha vida. Tenho muito carinho pela cultura musical que pra mim, não tem fronteiras. Quero sempre estar presente quando tiver a boa música e quando o assunto for levado a sério.

03.10.07

Permalink 11:40:59, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

Bacana de volta

O Bacana, revista eletrônica onde este escriba já colaborou várias vezes - e pretende voltar a colaborar, se o tempo permitir - voltou!! Tá com a edição 42, com a banda Vanguart (recentemente comentada por aqui) na capa. Leiam em www.bacana.mus.br. Aguardem para breve papo com Abonico Smith, editor da bagaça, por aqui.



Discoteca Básica

Jornalista, 32 anos, Niterói/RJ.Bizz, Nitideal, International Magazine, Rock Press, Jukebox, etc.Rock, MPB, samba de raiz, fusões, experimentalismos, rock nacional, indie rock, etc.E-mail: rschott2004@gmail.com

Outubro 2007
DomSegTerQuaQuiSexSab
 <Current > >>
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

Busca

XML Feeds

Clique aqui para ver essa página no formato RSS/XML O que é RSS?

powered by
b2evolution


[ La Brute - Jogo Online em Flash Grátis ]