26.06.07

Permalink 17:40:31, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Egotrip, Música

Nitideal

Tô sumido, né? Realmente tá complicado de arrumar tempo pra vir aqui. Mas ainda essa semana devem ter textos novos. Também estou com mais dois projetos de blogs, mas isso é outra história.
Por enquanto, dêem aí uma lidinha na minha coluna do Nitideal, que sai de quinze em quinze dias. O link tá aqui.

20.06.07

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Categorias: Música

Kaiser Chiefs

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"YOURS TRULY, ANGRY MOB" - KAISER CHIEFS (Polydor / Universal)

Teve gente que achou Yours truly pior que o primeiro do Kaiser Chiefs, Employment - disco no qual eles se mostravam como uma das melhores surpresas do rock dos anos 00. O novo da banda inglesa conseguiu, na despretensão, na base de ser apenas só um bom disco de uma boa banda de rock, se destacar no meio roqueiro atual de uma forma que nem mesmo os hypados Arctic Monkeys conseguiriam - bom, pelo menos na minha versão. E fizeram um disco mais perfeito ainda que o anterior: pesado, bonito (saque só o começo, com a pesada, mas com alma de balada, "Ruby" e o hard-brit-pop "The angry mob") e tão cheio de futuros hits que não tem como não gostar à primeira vista.

Em vários momentos, o que poderia, nas mãos de outros grupos, soar como pastiche dos anos 80, merece outros rótulos. Desde new rock com alma Beatle até indie rock influenciadíssimo pelo punk-mod do Jam - não dá para não lembrar de Paul Weller ao ouvir canções como "Heat dies down". Mas tem ainda o rock festeiro, distorcido e quase new wave - mas com um pé no Clash - de "Highroyds" e "Thank you very much", uma cruza entre Blur e o pop-rock anos 80 do Church (lembram de "Under thr milky way"?) "Love's not a competition"... todas músicas unidas por um apreço a refrões hiper melódicos (crias diretas dos anos 60, mesmo nos momentos mais pesados) e ótimos vocais. Tem discos que inspiram você a fazer uma resenha que, se mexer daqui e dali, vira quase um release. O Kaiser Chiefs bem que está merecendo isso.

12.06.07

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Categorias: Música

Jorge Ben & Erasmo Carlos*

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"RECUERDOS DE ASUNCIÓN 443" - JORGE BEN JOR (Som Livre)

Existem dois Jorge Ben (Jor). Ou quem sabe até mais. Os mais conhecidos são esses dois aí: 1) o que é cultuado por boa parte das pessoas que entendem de música, que é tido como ídolo por Caetano Veloso (que recentemente resgatou sua "Descobri que sou um anjo" para o repertório de seu show no Canecão), o que registrou LPs como África Brasil e A Tábua de esmeralda, o que inventou uma nova maneira, mais ensolarada, de se encarar a música brasileira... enfim, gênio é pouco; 2) o que dá shows com clima de micareta, precisou do apoio de agências de publicidade para voltar à fama, gravou discos ridículos como Músicas para tocar em elevador e Homo sapiens, dá quase sempre o mesmo show (um camarada meu diz que "show do Jorge Ben Jor é que nem filme pornô: viu um, viu todos") e parece condenado a repetir insistentemente "Taj Mahal" e "W/Brasil".

O meio do caminho entre esses dois Jorges, quase todo mundo sabe, estava na fase 70/80 dele, quando Ben Jor gravou uma série de discos pela Som Livre - vários deles contando com excelentes arranjos de Lincoln Olivetti, maestro que, por estar presente em dez entre dez gravações da época, era chamado de pasteurizador, massificador, etc, etc e etc. Só que a criatividade de Jorge já não era a mesma, as letras já não tinham as mesmas sacadas, as batidas eram mais repetitivas e, de fato, Olivetti não era dos melhores cartões de visita para o período.

Recuerdos de Asuncion 443 é a preguiça atual de Jorge elevada a enésima potência. É um disco de sobras dessa época, lançado com uma charmosa embalagem em digipack, mas com informação zero. Só quem pergunta sabe que o disco tem esse nome porque é uma referência ao endereço da Som Livre no Rio (Rua Assunção, 443, em Botafogo), por exemplo. A origem das músicas é desconhecida, assim como os macetes de estúdio que foram feitos em cada uma delas. Em boa parte das músicas, dá para perceber o quanto a obra de Jorge ainda era legal na época - o que passou despercebido pelos críticos. "O astro", feita (e recusada) para a abertura da novela global de mesmo nome, poderia estar em A banda do Zé Pretinho, graças ao arranjo de cordas que suinga junto com a batida samba-rock de Ben Jor.

A latina "Usted es mi Marron Glacé", feita (e também recusada) para a abertura de outra trama global, Marrón Glacê, ganha pela sem vergonhice - numa época em que tudo era superproduzido, a Globo nunca colocaria uma música que parece ter sido feita em cinco minutos numa abertura de novela. "Miss mexe Gal", homenagem a Gal Costa, poderia ter virado um hit bem mais bacana do que outras músicas dele que tocaram no rádio nos anos 80 - assim como o funk samba "Heavy samba (Pra um amigo meu)", homenagem a Gilberto Gil. Tem o lado "só rindo" do disco, com "Duas mulheres" - não, não se trata de nenhuma fantasia sexual do cantor. Jorge lançou mão desse discreto nome para uma homenagem ao Livro dos Seres Imaginários, de Jorge Luiz Borges (o refrão: "este livro, é exceção / este livro, é cabeção"). Pelo menos isso, já que o CD ainda tem a sem noção "Emo", gravada agora em homenagem à turma do franjão - e que só não põe por terra tudo o que Jorge fez porque, sem inspiração ou não, ele é o cara. Ou já foi o cara.

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"ERASMO CARLOS CONVIDA II" - ERASMO CARLOS (Indie)

Erasmo conseguiu ser pioneiro até mesmo no que há de mais manjado em música brasileira na atualidade: os "projetos". Em 1980, lançou o seminal (e bota sêmen nisso) Erasmo Carlos Convida. Com capa prateada, dupla, o álbum trazia o que havia de mais significativo na obra de Erasmo reinterpretado por ele e vários convidados - Gal Costa, Maria Bethânia, Frenéticas, A Cor do Som, etc.

Bom, o que aconteceu? O disco vendeu bastante - foi o primeiro disco de ouro de Erasmo, que a bem da verdade, precisava dessa "forcinha" no mercado - mas trazia uma série de arranjos meia-boca, feitos de encomenda para as FMs bobocas da época. Eram uma mistura da MPB de motel de Roberto com o pior da fase anos 80 de Gil e Caetano - a saber: violões ovation irritando os ouvidos, guitarras extremamente econômicas, bateria abafada, arranjos "família", etc. Isso poderia ficar bem na voz do próprio Roberto, mas era complicado ver que hits que, tempos antes, tinham feito bastante barulho ("Mané João", relida por Erasmo com Gilberto Gil, é o maior exemplo) tinham ficado caídos. Pra contrabalançar, tinha Rita Lee - numa versão de "Minha fama de mau" que toca até hoje no rádio - os próprios grandes brothers de Erasmo (Tim, Roberto, Jorge Ben e Wanderléia) fazendo bonito.

A essas alturas dos acontecimentos, será que Erasmo (que já reclamou de ser eternamente procurado pelas gravadoras para fazer "projetos" e não discos de carreira) precisava fazer um Convida II? Bom, de uma forcinha pra vender mais, ele talvez precisasse. Agora, uma coisa é certa: o II superou seu modelo em muita coisa. Grande parte dos arranjos foge totalmente do óbvio - caso de "Olha", com Chico Buarque fazendo participação numa música que poderia estar em um disco seu de carreira, do Skank fazendo "A banda dos contentes" pesar e da beleza das participações de Marisa Monte ("Não quero ver você triste") e Los Hermanos (a melancólica "Sábado morto").

Adriana Calcanhoto faz no disco o mesmo papel gozador que coube a Rita Lee no primeiro Convida - só que numa versão quase psicodélica de "Ilegal, imoral ou engorda". "Cama e mesa" ganha uma grande dose de malandragem na voz de Zeca Pagodinho - que inverte o sentido da letra, muda divisões vocais e usurpa a música do Rei. "De tanto amor" pode assustar pelo fato de ter ganho uma versão meio sertaneja, com Djavan nos vocais, mas ficou lindíssima. "O portão" foi feita de encomenda para o Kid Abelha - se bem que Lafayette & Os Tremendões, que apesar da homenagem (e da presença do ex-acompanhante de Erasmo e Roberto na liderança), não foram lembrados para entrar no CD, têm uma versão bem mais emocionante dessa música. Só chateia porque, da geração de 1941/1942, Erasmo foi o que ficou com a voz mais detonada.

* publicado no Nitideal

11.06.07

Permalink 13:07:57, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

A Bolha na UFF

Clipe da banda carioca setentista - que está de volta - tocando "É só curtir" no Teatro da UFF (veja aqui).
Lá dá pra ver vários outros vídeos relativos à banda, inclusive o video release deles.

08.06.07

Permalink 11:40:08, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

The Feelings / Cachorro Grande

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"TWELVE STOPS AND HOME" - THE FEELINGS (Universal)

O soft rock dos anos 70 não é um fantasma que paira sobre algumas bandas - é uma realidade. Elliot Smith, com sua cara countryzinha, tinha um pouco disso (tá, pode ser viagem minha, mas tem hora que lembrava), o The Thrills tem um muito disso, o Josh Rouse decidiu homenagear a era de ouro do estilo com um álbum chamado 1972, os Magic Numbers também chegam quase lá... E os ingleses dos Feelings, ora ora, podem até tocar na Antena 1 que ninguém vai nem notar a diferença. "Love it when you call" poderia ter saído em 1981, e poideria estar na trilha de O super herói americano (não teve como não lembrar de "Believe it or not", tema da série, quando entrou o refrão).

O esquema é aquele mesmo rockzinho de AM/FM que quem tem 30 anos ouvia em trilhas de novela na infância, mas com um peso a mais e sabedoria melódica de quem passou pelo brit pop - caso claro em faixas como "I want you now", a baladinha "Same old stuff" e a baladaça "Rosé". E nem ouse chamar os caras de babões, porque o lance deles é outro - basta ver pela criatividade de "Blue Piccadilly", a maior homenagem que Elton John poderia ganhar nos dias de hoje, ou pela maravilha que é "Never be lonely", baladinha de violão e piano Rhodes que lembra os anos 70 até na qualidade de gravação. Grande surpresa.

cac

"TODOS OS TEMPOS"- CACHORRO GRANDE (Deck)

Uma coisa que dá medo no rock nacional atual é saber se as bandas de hoje em dia vão continuar tendo assunto para mais dois, três, quatro, cinco, dez discos. O rock dos anos 90, em alguns casos, se esgotou por conta disso - os Raimundos viram o tal forró-core se espatifar no chão, o Charlie Brown Jr. virou uma péssima caricatura de si mesmo e Marcelo D2 ameaça ir para o mesmo caminho. Por outro lado, muitos grupos recentes parecem crescer a cada disco, abarcando mais idéias e influências. O Cachorro Grande, até agora, vem demonstrando jogar nesse time.

Todos os tempos é rock´n roll do bom, às vezes demonstrando partir de onde o primeiro disco parou - no segundo disco o grau de doideira fizeram as gravações chegarem a níveis altos demais de peso e maluquice, e o terceiro, já pela Deck, mostrava uma banda mais "evoluída", mas nem por isso pior. Repleto de músicas individuais dos cinco membros, o CD novo pode ser o sinal de que há personalidades se desenhando dentro do grupo - o lado mais garageiro de Marcelo Gross como autor em "Conflitos existenciais" e de Rodolfo Krieger em "Deixa fudê", a faceta mutante de Beto Bruno em "Roda-Gigante", a cara experimental do batera Gabriel Azambuja em "Nada pra fazer", etc. Tudo convergindo para uma lisergia bem feita e elaborada - que ainda inclui um countryzinho em "Na sua solidão", um belo instrumental unindo U2 e anos 60 em "Hoje meus domingos não são mais depressivos"

O fato do Álbum branco aparecer como uma das referências, no release distribuído pela gravadora, não deixa de ser signfiicativo - Todos os tempos tem uma mistura de referências antigas de rock que pode remeter ao disco duplo dos Beatles. Não há uma preocupação, ao que parece, em atingir a tal "unidade" tão querida por críticos musicais. Há o compromisso de abarcar tudo o que a banda considera digno de valor no gênero rock e de fazer um disco que os fãs de rock possam gostar - tem riffs assemelhados à levada de "Fire", do Jimi Hendrix, corais lembrando The Who, sons voltados à união rock-soul ("Nunca vai mudar"), o lado mais easy-listening do rock sessentista ("Quando amanhecer"), etc. Dá para cada fã de rock se achar numa das faces de Todos os tempos. Pode curtir.

05.06.07

Permalink 17:30:04, por Ricardo Schott Email   Portuguese (BR)
Categorias: Música

40 anos de Canecão - Aqui se escreve a música brasileira

moptop

Não é só o Sgt Peppers dos Beatles que está fazendo 40 anos, não. O Canecão, célebre casa de shows e cervejaria carioca, também está alcançando esta marca. Com shows agendados de Moska, Notícias Populares (com a cia de comédia Os Melhores do Mundo), Roberto Carlos e do trio Anna Luísa, Edu Krieger e Gláucia Nasser, o local ainda arrumou espaço para colocar shows de bandas brasileiras novas.

Já se apresentaram por lá grupos como Ramirez, 3 Steps e Som da Rua, e dessa vez os escolhidos foram Moptop (foto) e Móveis Coloniais de Acaju, que tocvam daqui a pouquinho no palco do Canecão (saiba hora, preço e demais informações no site do local). É o projeto Canecão 40 anos - Aqui se escreve a música brasileira

Fomos conversar com a produtora do Canecão, Valéria Collela, para que ela falasse um pouco do projeto e do pessoal que está se apresentando por lá. Curtam aí.

Gostaria de saber como surgiu esse projeto de convidar bandas que estejam despontando no cenário musical para tocar no palco do Canecão. A idéia é comemorar o aniversário da casa lançando novos talentos? Quando assumimos o Canecão em 2000, fazendo a programação das segundas, terças e quartas, a proposta era exatamente a do projeto: formação de platéia, abrir espaço para novos artistas e preços mais baratos que os praticados normalmente na casa. A partir de 2003 quando assumimos a direção geral, nos afastamos um pouco deste princípio. No ano passado já pensando nas comemorações dos 40 anos da casa, propus à direção da casa retomarmos este formato e começamos a trabalhá-lo no início do ano. Com a entrada da Petrobras como patrocinadora da casa conseguiremos manter os preços populares nas segundas, terças e quartas pelos próximos 2 anos. Esses dias terão seus preços de bilheteria a R$ 30,00 e R$ 15,00, o que nos dá a possibilidade de trabalhar com novos talentos ou mesmo artistas já estabelecidos que como Moska, Hyldon, Elza Soares, etc, que normalmente ficavam afastados da programação da casa por incompatibilidade dos preços dos ingressos e o seu público... E o resultado tem sido tão bom que até mesmo shows internacionais como The Gladiators e No Use For a Name optaram em realizar seus shows neste formato.

Como são escolhidas as bandas? Através de pesquisa do mercado, visibilidade na imprensa, conversas com produtores, etc. Faço questão de conhecer todas as bandas que tocam na casa.

Como elas se sentem tocando num lugar com a estrutura do Canecão? A resposta está na própria imprensa... Não tem um grupo que tenha participado deste projeto que nas suas entrevistas não destaque a emoção, a importância, a realização do sonho de estarem no palco do Canecão.

Em termos de bilheteria, os shows de bandas novas têm dado certo? Ou já é esperado que o número de pagantes não seja muito grande? Estamos trabalhando uma nova platéia que cresce a cada dia.



Discoteca Básica

Jornalista, 32 anos, Niterói/RJ. Bizz, Nitideal, International Magazine, Rock Press, Jukebox, etc. Rock, MPB, samba de raiz, fusões, experimentalismos, rock nacional, indie rock, etc. E-mail: rschott2004@gmail.com

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