"BABY 81" - BLACK REBEL MOTORCYCLE CLUB (Sony - importado)
Falar que o Black Rebel Motorcycle Club - a essa altura lançando discos com regularidade e já fazendo parte do cenário roqueiro atual bem mais do que muitas bandas outrora incensadas - é apenas uma chupação do Jesus & Mary Chain, como a maioria das pessaos acusa, chega a ser sacanagem. Na verdade, qualquer cópia do Jesus já merecia sair de casa coberta de prêmios, devido ao bom gosto - enquanto quase todo mundo resolve copiar o lado mais festeiro dos anos 80, vá lá que a parcela mais distorcida mereça bons chupadores. No caso do BRMC, o curioso é que até no que diz respeito à trajetória, os caminhos deles e dos irmãos Reid se cruzaram, intencionalmente ou não. O Jesus começou distorcendo geral - coisa que o Black Rebel fez, mas com classe - e se aproximou em blues e do folk em momentos posteriores - coisa que o BRMC fez em Howl, seu melhor disco.
Em Baby 81 o BRMC mostra que a sombra de imitadores do Jesus & Mary Chain já não lhes cabe. Ainda que o trio guarde muitas semelhanças com o grupo inglês - em especial a voz de Peter Hayes e o apreço por poucos e certeiros acordes - a impressão que dá na audição de Baby 81 é a de se ouvir um grupo cujo lado "rock´n rollzão" é mais resolvido, pendendo mais para um Rolling Stones de preto em músicas como "Took out a loan" ou para um T. Rex modernizado em "Berlin". O tom folk do disco anterior é relembrado em "Weapon of choice", mas de maneira a alcançar os fâs de bandas como Kaiser Chiefs e The Bravery.. Para ferrar de vez com qualquer estigma de cópia, tem uma quase-baladinha de piano com alguma cara beatle ("Window"). Agora, quer ouvir rock´n roll? Vá direto na gelada (sem trocadilho) "Cold wind", com seu andamento lembrando "Heores" (do Bowie, que parece ter sido grande influência dos rapazes no disco novo), no bluesão-hard "666 conducer" e na saudosista "Not what you wanted", com vocal dobrado e guitarra gravada ao contrário, direto na fonte de John Lennon e George Harrison. Grande disco.
"SOMOS UM SÓ" - VITROLAS (Astronauta)
A banda mineira Vitrolas pertence ao cast de um selo que tem uma trajetória bastante interessante e diferenciada no pop nacional - gravando desde a música eletrônica de Johann Heyss e do Saara ao folk agridoce de Luís Capucho, passando pelo rock´n roll basicão do Galaxy, banda de Beto Lee. O esquema deles, no entanto, está mais para o funk-rock palatável, feito para o rádio, mas com característricas que o tornam um tanto mais hippie e pesado - em boas baladas como "Nascente" ou em sons como o funk-rock "Velha vitrola" (essa, a melhor do CD) e "Só resta cantar". O grupo só ganharia bem mais se saísse de vez da sombra de Jota Quest, Nando Reis e Skank (conheça em www.astronautadiscos.com).
"TIRANDO O PAI DA FORCA" - NONO OSSO (independente)
"DESATANDO NÓS" - NONO OSSO (independente)
O Nono Osso tem um som que chama a atenção pela liberdade - o conceito do grupo une jazz, rock, música brasileira (boa parte das músicas usa flautas e percussão, além de construções melódicas pouco ouvidas em música pop), um pouco de rock pesado (em "Tô cansado", que abre Desatando nós em clima de metal-funk) e um pouco de história em quadrinhos e músicas infantis (na engraçada "Tirando o pai da forca", do EP de mesmo nome). O engraçado é que, na audição do EP, dá pra perceber muitas referências a André Abujamra e ao Karnak... e o próprio André aparece na seqüência, em Desatando Nós, na boa versão de "O mundo" (com riff chupados de "Baby I'm gonna leave you", do Led Zeppelin). Para traçar um paralelo com uma sonoridade que está rolando, fãs de grupos como Los Hermanos, Móveis Coloniais de Acaju e Teatro Mágico provavelmente vão adotar mais uma banda, de coração - especialmente após a audição de grandes músicas como as baladas "Vida de autor" e "Desatando nós", o pop teatral "Tomba homem", a moda de viola "Sorriso amarelo" e a existencial "A seus pés". Conheça em www.nonoosso.com.br
Posts similares:
Pelvs
Indies: Lunar 4 / Manacá / Oaeoz
Vanguart / 3 steps / Martiataka / NV / Altifalante
(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)
Atalho pra o formulário
Jornalista, 32 anos, Niterói/RJ. Bizz, Nitideal, International Magazine, Rock Press, Jukebox, etc. Rock, MPB, samba de raiz, fusões, experimentalismos, rock nacional, indie rock, etc. E-mail: rschott2004@gmail.com