
Eu tenho o péssimo hábito de falar sem pensar. As palavras saem da minha boca e, muitas vezes, eu mesma me surpreendo com o que estou ouvindo tanto quanto o meu interlocutor.
Funciona mais ou menos assim: na linha de montagem do meu cérebro, assim que um pensamento chega a ser minimamente formulado, abre-se um alçapão embaixo dele, o pensamento escorrega por um atalho e vai direto para o guichê de saída - mais conhecido como a minha grande boca - antes de passar pelo controle de qualidade e cumprir todas as formalidades de praxe.
Então, quando peguei o elevador com o casal de vizinhos e seu bebê recém-nascido, e a mãe disse orgulhosamente quantos dias de vida ele tinha, achei muito maduro da minha parte não comparar aquele ser humano mirim a um cheque especial.
Gosto de pensar que, toda vez que eu engulo uma piada ruim, provavelmente um filhote de gato deixa de ser atropelado em alguma parte do mundo.
Fora que nunca é uma boa idéia irritar pessoas que moram exatamente em cima da sua cabeça.
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