
(eu, tentando puxar assunto)
- E aí, você tá fazendo o álbum da copa?
(ela, do alto dos seus onze anos de idade)
- Não.. é coisa de criança, né?
Eu tenho o péssimo hábito de falar sem pensar. As palavras saem da minha boca e, muitas vezes, eu mesma me surpreendo com o que estou ouvindo tanto quanto o meu interlocutor.
Funciona mais ou menos assim: na linha de montagem do meu cérebro, assim que um pensamento chega a ser minimamente formulado, abre-se um alçapão embaixo dele, o pensamento escorrega por um atalho e vai direto para o guichê de saída - mais conhecido como a minha grande boca - antes de passar pelo controle de qualidade e cumprir todas as formalidades de praxe.
Então, quando peguei o elevador com o casal de vizinhos e seu bebê recém-nascido, e a mãe disse orgulhosamente quantos dias de vida ele tinha, achei muito maduro da minha parte não comparar aquele ser humano mirim a um cheque especial.
Gosto de pensar que, toda vez que eu engulo uma piada ruim, provavelmente um filhote de gato deixa de ser atropelado em alguma parte do mundo.
Fora que nunca é uma boa idéia irritar pessoas que moram exatamente em cima da sua cabeça.
Acordei hoje num mundo sem Lost. Ainda vai levar um tempo para me acostumar.
(eu, toda pimpona, levantando o braço direito para mostrar como aquele defeito na pele que me acompanhava desde a infância tinha sumido)
- Lembra? Ó só, sumiu.
(ela, com aquela certeza superior que só possui quem te pariu)
- É, sumiu mesmo. Até porque era no outro braço.
Ponto para quem apostou que ele ainda existe. No braço certo, é claro.
Por que as mulheres fazem exatamente o mesmo barulho ao ver um bebê fofo ou um sapato bonito?
"Oooooooooooooowwwwwwwwwwwwwwwwwnnnnnnnnnnnnnn".
Uma mistura de expressão de meiguice ocasionada pela fofura explícita do objeto em questão - o bebê ou o sapato - com uma ponta de sofrimento por não possuir nem o bebê, nem o sapato.
15 de maio. Também conhecido como o dia em que completei o álbum de figurinhas da Copa do Mundo de 2010. Back to life, back to reality, back to the here and now, yeah.
Aos já batidos termos para definir os tipos físicos femininos (retângulo, triângulo invertido, ampulheta, pêra, violão, oval..), as revistas especializadas poderiam acrescentar categorias mais divertidas. Como, por exemplo, o corpo Sempre Livre Noturno - "mais largo atrás".