
Sou completamente estabanada, como boa ariana ansiosa. Se eu vivesse numa comédia romântica produzida em Hollywood, isso certamente seria uma característica graciosa e faria parte do meu charme inconfundível.
Mas aqui, na vida real, eu acerto o batente da porta com uma frequência assustadora, tenho um roxo eterno na perna na altura exata da minha cômoda, não consigo abrir "embalagens seguras para crianças", confesso que já dei tapas involuntários em estranhos no meio da rua e, assustada com o meu hábito de falar gesticulando, tenho uma amiga que costuma tirar o guarda-chuva fechado da minha mão como se desativasse uma arma química.
Não bastasse tudo isso, adquiri um estranho hábito ultimamente. O hábito de cortar o dedo na quentinha. Nem chega a cicatrizar um corte, machuco de novo. E cortar o dedo na quentinha, vou contar para vocês, é bem patético. É o tipo do machucado idiota, simples e pequeno, mas que te incomoda o dia inteiro. Que nem quando a gente corta o dedo na folha de papel. Mas é aquilo, né? O papel sempre pode ter uma origem razoavelmente nobre, tipo "que chato, cortei o dedo nos papéis das ações que herdei do vovô".
Mas cortar o dedo na quentinha não tem desculpa. Fora a humilhação de precisar pedir para um adulto abrir a embalagem do seu almoço, cortar o dedo na quentinha é coisa de pobre estabanado mesmo.
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