
Assinale os fatos que aconteceram contigo nos últimas dias:
( ) Teve o banheiro alagado pela infiltração no apartamento do vizinho.
( ) Teve que matar pelo menos uma lacraia no banheiro alagado pela infiltração no apartamento do vizinho.
( ) Teve suas calcinhas expostas ao síndico e ao bombeiro que foram verificar o seu banheiro alagado pela infiltração no apartamento do vizinho.
( ) Teve que esvaziar todo o seu armário de roupas por causa do banheiro alagado pela infiltração no apartamento do vizinho.
( ) Transformou sua sala num bazar da igreja porque teve que esvaziar todo o seu armário de roupas por causa do banheiro alagado pela infiltração no apartamento do vizinho.
( ) Tem uma vaga lembrança do que seja comer na mesa ou sentar no sofá já que a sua sala foi transformada num bazar da igreja porque teve que esvaziar todo o seu armário de roupas por causa do banheiro alagado pela infiltração no apartamento do vizinho.
( ) Teve que acordar meia hora mais cedo todos os dias para conseguir se vestir para o trabalho porque sua roupa está toda empilhada na sala, que virou um bazar da igreja, uma vez que você esvaziou todo o seu armário de roupas por causa do banheiro alagado pela infiltração no apartamento do vizinho.
Bônus:
( ) Cortou com frequência o dedo na quentinha.
( ) Perdeu com frequência o ônibus porque o motorista ingrato passou por fora do ponto.
( ) Seu computador pifou.
Se você, assim como eu, respondeu SIM para todas as opções acima, você, assim como eu, está em pleno inferno astral.
A boa notícia é que, dizem por aí, isso passa. A má notícia é que, quando isso passar, você, assim como eu, estará um bocado mais velha.
Sou completamente estabanada, como boa ariana ansiosa. Se eu vivesse numa comédia romântica produzida em Hollywood, isso certamente seria uma característica graciosa e faria parte do meu charme inconfundível.
Mas aqui, na vida real, eu acerto o batente da porta com uma frequência assustadora, tenho um roxo eterno na perna na altura exata da minha cômoda, não consigo abrir "embalagens seguras para crianças", confesso que já dei tapas involuntários em estranhos no meio da rua e, assustada com o meu hábito de falar gesticulando, tenho uma amiga que costuma tirar o guarda-chuva fechado da minha mão como se desativasse uma arma química.
Não bastasse tudo isso, adquiri um estranho hábito ultimamente. O hábito de cortar o dedo na quentinha. Nem chega a cicatrizar um corte, machuco de novo. E cortar o dedo na quentinha, vou contar para vocês, é bem patético. É o tipo do machucado idiota, simples e pequeno, mas que te incomoda o dia inteiro. Que nem quando a gente corta o dedo na folha de papel. Mas é aquilo, né? O papel sempre pode ter uma origem razoavelmente nobre, tipo "que chato, cortei o dedo nos papéis das ações que herdei do vovô".
Mas cortar o dedo na quentinha não tem desculpa. Fora a humilhação de precisar pedir para um adulto abrir a embalagem do seu almoço, cortar o dedo na quentinha é coisa de pobre estabanado mesmo.
Mais cedo descobri que hoje é o dia do bibliotecário. E, por acaso, a vida me cercou dessa singela raça de gente organizada há muitos anos. O que talvez explique muita coisa. Ou não. Fato é que, no meio de vários comentários de duplo sentido envolvendo thesaurus e indexação, eu fiz um brinde criando na hora o que acredito que seja a primeira e única piada de bibliotecário já inventada na história da civilização ocidental.
- O que o bibliotecário foi fazer de novo na agência dos Correios?
- Foi postar uma remissiva.
Só sendo bibliotecário pra entender. Entender, eu disse. Achar graça, só sendo muito amigo mesmo.
No futuro, poderemos jogar Tetris na palma da mão.
SUCESSO no banheiro do trabalho!