
E se Galvão Bueno tivesse narrado a chegada do homem à Lua?
"E quem é que sobe? É a Apolo 11, amigo! Estamos aqui em definitivo do Mar da Tranquilidade. Haaaaaaja rotação! A gravidade da Lua é um sexto da gravidade da Terra, Arnaldo. A regra é clara. Eu queria deixar claro que a geração da imagem não é nossa, essa diferença na sombra dos astronautas é problema da Nasa. Pra cima deles! Éééééééééééééé do Neil!"
Os motoristas e os cobradores conversam na praça onde fica o ponto final do ônibus. Passando por perto ao cruzar a praça, só pego esse trecho da conversa:
- Aí! Lembrei de ti ontem! Tu já viu aquele desenho animado da "Família Addams"?
Não escutei o resto do diálogo, mas convenhamos.. uma frase que começa assim não tem a menor chance de acabar num elogio.
Michael Jackson. Fiquei completamente monotemática nos últimos dias.
Por isso não vou mais falar do quanto acho toda essa história muito triste. A solidão declarada, a tristeza nos olhos, o sorriso encantador, a potência no palco, a timidez e o desconforto ao lidar com as pessoas, aquele talento descomunal e ao mesmo tempo uma auto-estima questionável, a elegância e a sensibilidade, a péssima relação com o pai violento, a fama-estratosférica e a fortuna gigantesca, o tipo de pessoa que essa combinação atrai, a impossibilidade de sair na rua como qualquer mortal desde a infância, a injustiça de se cobrar "normalidade" de uma pessoa dessas. A incapacidade que tenho em acreditar que ele tenha cometido os crimes dos quais foi acusado. Sem querer transformá-lo em santo, porque santo ninguém é. Acho só que foi uma pessoa com quem o mundo inteiro sempre pegou muito pesado.
Michael Jackson é tipo um Batman nascido em Gary, Indiana - um cara com muito potencial que precisava apenas de terapia.
Quando penso nele, quando vejo o caixão, é o rosto mais humano que vem à mente. Negro, como na foto abaixo. Bonito, como na foto abaixo. A cara com a qual eu "o conheci".

Então aproveite a liquidição de links e, de quebra, algumas divagações pertinentes.
Instant Michael Jackson
(muito útil para momentos de tédio em ambientes fechados e silenciosos)
Aos 17 anos no Soul Train
(dizendo que gostava de ler livros de ficção científica, só faltou o sabre de luz)
Entrevista para Sylvia Chase em 1980
(eu insisto: item obrigatório para começar a entender essa história toda)
Entrevista na Revista Jet, agosto de 1979
(entendendo Michael Jackson, capítulo II. Na aula de hoje, solidão. Já sei que falei disso na aula passada, mas prestenção porque vai cair na prova!)
La Toya demonstrando uma certa inveja do irmão
(joguei no bicho e deu La Toya na cabeça)
Michael Jackson Fofolete
(na gravação de "We Are The World", quando Diana Ross quer saber se ele está realmente cantando)
Você não precisa mudar nada!
(ah, se ele tivesse acreditado na Roberta Flack..)
Fantasma assombra Neverland
(Michael Jackson morreu e Patrick Swayze não está se sentindo muito bem)
Vídeos caseiros
(destaque para a inacreditável visita ao supermercado)
Moonwalk Eterno
(tributo simpático)
Versão demo de Thriller
(provando que o refrão "we need some starlight, starlight sun" jamais teria o mesmo impacto)
50 fatos realmente idiotas sobre Michael Jackson
("when Michael is shopping in France for ingredients to make an omelette, he doesn't stop 'til he gets un oeuf")
O famoso recorde no Grammy de 1984
(na aula de hoje, timidez)
"Man in the mirror" no Grammy de 1988
(emociona até uma planta de plástico)
A polêmica do vitiligo
(nos comentário rola uma discussão interessante com outra teoria sobre seu problema de pele. de brinde, fotos curiosas dele louro de olhos azuis e quase-peladão)
No mashup entre "The Girl Is Mine" e a novela "Vale Tudo", o verso "Paul, I think I've told you! I'm a lover, not a fighter" seria traduzido por "Peraí, eu não transo violência". Com tradução de Gilberto Braga e arranjos de Quincy Jones.
Michael Jackson, o menino-homem onde todos viam uma alma antiga, a criança que cantava como adulto. Michael Jackson, o homem-menino com voz de criança, o adulto que idolatrava Peter Pan e era considerado infantil.
Resta alguma dúvida? Michael Jackson, esse sim, é o verdadeiro Benjamin Button.
Obrigada, Michael Jackson!
Agora chega. Bora ouvir as quatro seleções do Alexandre Matias e ensaiar os passinhos porque a música é o que fica e isso é o que realmente importa.