
Confesso que não entendo esse lance de alguém querer escalar o Monte Everest. Porque a questão é exatamente essa: por que? E o repórter acompanhando a expedição com aquela cara de quem não escova os dentes há oito semanas. O gorro nem é mais por causa do frio, é porque o cabelo vai ser interditado pela vigilância sanitária do Nepal. Talvez eu seja sedentária demais pra compreender toda essa noção de superação de limites. Minha definição de esporte radical é ficar sem pilhas no controle remoto.
Eu tenho o cérebro de um garoto pré-adolescente abobalhado, isso é fato. Considerando que de fato haja um cérebro, obviamente.
O que acontece é o seguinte: toda vez que eu assisto a alguma matéria sobre a expedição brasileira no Everest, eu tenho vontade de rir quando o alpinista fala "cume".
É, eu sei. Eu sei. Mas calma que piora.
Toda vez que eu rio sozinha quando o cara fala "cume", eu lembro do Joey rindo na palestra do Ross e uma voz na minha cabeça repete: "he said erectus!".
No que podemos concluir que eu tenho, no barato, dois problemas sérios no momento.
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