
Caro Delih,
Discorra sobre a situação do fragmentado mercado editorial contemporâneo.
Marcela
Marcela... Que porra é essa? Aqui não se discorre, não. Ou até se discorre, mas só quando se quer. Mas é certo que há uma absurda variedade de títulos publicados hoje, que vão de revistas especializadas na História das religiões da África Central até oficinas de crochê para albinos cegos. Além das facilidades que a tecnologia trouxe para se diagramar e imprimir livros. Hoje qualquer um consegue publicar livros sobre qualquer bosta, desde que possa pagar por isso. Sem falar, é claro na internet. Ou seja: hoje todo mundo escreve sobre alguma coisa. Isso quer dizer que se democratizaram os meios? Sim, consideravelmente. A pergunta é: quem lê? Se eu fosse o Lula diria que nunca na história desse país se escreveu tanto para ninguém ler.
Mestre Delih
Não é o Lula, não.
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As damas não comentam, mas você pode falar