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Cristiana é redatora e escritora, carioca, mora em Sampa. Mãe da Luísa e da Lorena, apaixonada por comunicação e internet. Autora do livro "Por que Heloísa?", Companhia das Letrinhas.

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Por que é tão bom ser mulher?


Parecia uma personagem de mangá. Rosto delicado, cabelos curtinhos e olhos grandes de boneca. Estávamos sentadas uma de frente para a outra, aguardando o preparo da luz e os retoques da produção. Gravávamos um comercial para não lembro que marca. Tínhamos a mesma pouca idade e o mesmo frescor nas maçãs. Ela flertava comigo. Minto. Eu flertava com ela, que correspondia. E enquanto ela falava e se projetava em minha direção, com as mãos dançantes para se fazer mais expressiva, eu olhava para aquela boca cor-de-morango e pensava: "Ah, então é assim que um homem vê uma mulher?"

Durante aquele jogo homo, eu estava tendo um insight hétero. Eu finalmente descobrira o que é ser perturbadoramente feminina. Não foi fácil depois convencê-la de que não partiríamos para os finalmentes. Mas essa moça foi o espelho mais lindo que eu já vi.

Desde pequena, sempre tive orgulho de ser menina. Meu sonho pré-adolescente era ficar menstruada o mais rapidamente possível. Comemorei muito quando fui visitada pela primeira vez. Mesmo com cólica e até vômito no ônibus na volta da escola. Não consigo entender algumas mulheres que reclamam quando ela vem. Até hoje a recebo como quem ganha flores vermelhas, uma vez por mês.

Mas por que é tão bom "ser menina"? Porque menina pode um monte de coisas que os meninos não podem. Ah, mas os meninos podem um monte de coisas que as meninas não podem. É verdade. Mas prefiro as coisas que as meninas podem.

Pular e gritar quando em contato com água fria. Chorar de raiva, de tristeza ou de medo. Falar sobre o que sente. Confessar que errou. Pintar o rosto, os cabelos e usar penduricalhos. Ser fresca, ser fraca. Ser tola, ser burra, ser intempestiva, ter faniquitos, ter ataques de creusa, ficar histérica. Poder escolher entre usar vestido ou calça comprida (ou os dois juntos). Escolher até se quer usar calcinha ou cueca.

Não é à toa que mulheres são mais longevas que os homens. Uma vida inteira descentralizada de si, cuidando dos outros, expressando seus sentimentos sem pudores, só pode fazer bem.

Fora a gravidez. Experiência literalmente visceral. Ser macho deve ser bom, mas fazer gente dentro de si (inclusive machos) é melhor ainda. Desculpe a comparação, mas é inevitável, já que vivemos sob referência masculino há milênios. Tanto que até inventaram a "inveja do pênis". Mas nenhum acadêmico teoriza sobre a "inveja da barriga".

Aliás, não será por isso que alguns homens acabam ficando barrigudos?

Tive outras oportunidades ao longo da vida para dar vazão a algum possível desejo homossexual latente. Mas o meu grande prazer é ser mulher diante de um homem. Compreendendo quem gosta de ser mulher diante de outra mulher. Tenho dificuldade para entender quem quer ser homem, nascida mulher, mas apóio completamente, porque esse tipo de coisa não se domina.

Mulher com cabeça de mulher, em geral, repara se no outro carro tem alguma criança antes de entrar numa discussão de trânsito. E até chora se for preciso para acalmar os ânimos do inimigo. Convenhamos: é melhor chorar do que partir para a porrada. Outra boa oportunidade para se esvair em lágrimas é quando o guarda vem em sua direção com o objetivo firme de cobrar por alguma infração cometida. Já me salvei de duas multas só choramingando.

É claro que há as picuinhas, as intrigas, a TPM e as celulites. Mas a perfeição nos tornaria intoleravelmente superiores.

É tão bom, quando se está perdida, poder parar em cada esquina pra perguntar qual é o caminho certo.


Permalink27.08.08, 13:57:00, by Cristiana Soares Email , Comportamento 24 comentários


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Não era bem assim…

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Comentários, Trackbacks:


Comentário de: Fábio Adiron

Me permite uma crítica? Sei que, muito provavelmente vou distoar dos seus demais leitores, mas eu sei que você é muito melhor que esses dois últimos textos que soaram artigo de revista "Nova"…


Beijo


PermalinkPermalink 27.08.08 @ 23:09



Comentário de: Cristiana Soares

Sabe o que é, Fábio: estou me permitindo ser mais mulherzinha ultimamente…


PermalinkPermalink 27.08.08 @ 23:13



Comentário de: Marcelo

Oi Cristiana! Também me frustro por ter nascido homem.Morro de inveja da barriga cheia de vida que Deus deu prá vocês. Mas, como você mesmo disse eu também tenho orgulho do meu sexo e piro de tesão por vocês. Um beijo gata!


PermalinkPermalink 27.08.08 @ 23:26



Comentário de: Marcelo

Não concordo com o Fábio.Suas crônicas são muito boas independentemente de você ser mais mulhersinha ou não. Senti deste homem um tom de preconceito com as minhas colegas e amigas muito mulheres e preparadas da "Nova".Um beijo!!!


PermalinkPermalink 27.08.08 @ 23:32



Comentário de: Vilma

Cristiana isso de ser "mulherzinha" passa logo, gostei do texto e gosto de ser mulher, embora muitas vezes tenha desejado ser homem (rs)…


Um beijo!


PermalinkPermalink 28.08.08 @ 07:46



Comentário de: Museu do Cinema


Comecei a ler o texto e fiquei até empolgado com esse inicio sexy.


Acho que tens toda a razão, e acho que vivemos em alguma harmonia justamente por esse lado feminino. Sou fã de mulheres assim, que não se furtam da caracteristica do sexo (acho que até por isso a excitação com o comecinho do post). Mas vc pegou um pouquinho pesado com os homens! Como sou se fã vou fingir que não foi comigo.


PermalinkPermalink 28.08.08 @ 11:31



Comentário de: J. Caribé


É, eu também gosto muito de ser mulher. E mulher diante de um homem. Gosto de ser mulher com H maiúsculo! =)


Beijoca.


PermalinkPermalink 28.08.08 @ 11:47



Comentário de: Euaqui

Super apóio a fase mulherzinha. Depois dela, vc fica mais "macha"… hehehehe : P


PermalinkPermalink 28.08.08 @ 16:51



Comentário de: Carla Martins

Oi, Cris! Concordo com tudo, só não recebo a menstruação todo mês com flores vermelhas! Odeio! Mulher deveria menstruar só quando estivesse no seu momento de ser mãe. <img src="/blogs/rsc/smilies/icon_smile.gif" alt=":)" />



Beijos!


PermalinkPermalink 28.08.08 @ 18:22



Comentário de: Lúcia Soares

Ah, que bom que tenho companhia na minha "raiva" da menstruação!Beleza, Carla Martins…
E, Cristiana, você escreve muito bem e conhece a alma feminina, lógico. Eu, se voltasse de novo - o que não quero…- queria voltar mulher, sim. Mulher é tudo isso que vc falou e muito mais.Mesmo sofrendo todo tipo de perseguição.


PermalinkPermalink 29.08.08 @ 19:43



Comentário de: Roju

pois AMO ser mulher, diante destas e daqueles, e terá sido uma perda difícil o dia em que as rosas rarearem de chegar…



e viro assinante, se nova tiver algo como estes posts no seu contchiúdo… prsprsprs (risadas saindo pelo nariz, por baixo do pince-nez… pra depois AHAHHAHAHAHAAH)


PermalinkPermalink 30.08.08 @ 18:50



Comentário de: Milton Ribeiro

Na semana passada, vim a teu blog por indicação do Serbon.


Gostei muito de vários textos melhores do que este, mas fiquei contrariado com este aqui. Custei a encontrar o que tinha me irritado (nada importante, claro). Foi isto:


"Uma vida inteira descentralizada de si, cuidando dos outros, expressando seus sentimentos sem pudores, só pode fazer bem."



Ora, em meu papel de pãe durante grande parte do dia, não suportei bem o fato de que uma pessoa CLARAMENTE INTELIGENTE E SENSÍVEL como tu, sugerisses que todo homem é centrado em si e que não expressa seus sentimentos… Nada importante, já disse. Ganhaste este leitor, mas gostaria de expor que me senti um pouco agredido. Pensei no motivo que me levou a pensar tanto nisto e descobri: é que minha ex usou o mesmo argumento (falso) neste caso aqui:


http://miltonribeiro.opensadorselvagem.org/ela/


Besos.


PermalinkPermalink 01.09.08 @ 15:53



Comentário de: Clarice Lis

Gostei muito desse texto. Me fez pensar em como é bom saber ser mulher, principalmente nos dias de hoje em que chamar alguém de mulherzinha é ofensa. Aprendi que ser mulherzinha é muito bom. Espero que essa fase não passe, mas que outras somem a ela. bjs


PermalinkPermalink 01.09.08 @ 16:32



Comentário de: Cristiana Soares

Caro Milton


Vc tem toda razão, eu generalizei quando disse "Uma vida inteira descentralizada de si, cuidando dos outros…" me referindo às mulheres. Também existem homens assim. Mas, infelizmente, vc há de concordar comigo, ainda são a minoria.


PermalinkPermalink 01.09.08 @ 17:01



Comentário de: Milton Ribeiro

Cristiana, há algo que desejo sublinhar: gosto de quem me incomoda e faz pensar. O resto, com todo o respeito, não me serve…


Gostei daqui.


PermalinkPermalink 01.09.08 @ 20:47



Comentário de: Milton Ribeiro

De acordo. Somos minoria. Mas não imaginas como me orgulho de fazer parte dela:


;))


Beijo.


PermalinkPermalink 01.09.08 @ 20:48



Comentário de: Flavinha

Cris, adorei o texto e me identifiquei em vários momentos! Me fez pensar… Me fez gostar mais ainda de ser mulher!
Para melhorar, os comentários e suas respostas e conversas com leitores ainda me fizeram valorizar ainda mais o esforço de certos homens!
Inclusive do meu, que vira e mexe me chama de mulherzinha, com respeito e carinho, às vezes para criticar, outras para elogiar! Hehehe…
Beijos


PermalinkPermalink 02.09.08 @ 08:00



Comentário de: Tatiane

Cris, também achei o texto um pouco sexista. Realmente, os homens estão mudando, assim como as mulheres. Hoje, não estamos mais predestinadas a sermos mães, entre uma série de outras mudanças. Por isso, não me identifiquei muito com o texto.
Entretanto, é fácil apenas criticar. Difícil é ter criatividade suficiente para escrever a respeito de tantos temas variados e coragem para expor publicamente sua opinião. Por esse motivo, "tiro o chapéu" pra você.


PermalinkPermalink 02.09.08 @ 23:42



Comentário de: Cristiana Soares

Então, Clarice, o negócio é administrar a mulherzinha e a fodona, né? Nem sempre é fácil porque às vezes a gente troca, nas horas erradas. Heheheh…


Flavinha, seu marido é um fofo ;-)



Tatiana, eu pensava como vc quando tinha vinte e poucos anos… e ainda não era mãe… dá uma lida aqui ó:


"Quando eu descobri que mulher é diferente de homem"


http://blogtalk-cristiana.blogspot.com/2007/06/quando-eu-descobri-que-mulher-diferente.html


PermalinkPermalink 05.09.08 @ 18:24



Comentário de: Lulu

Cris, saudades de vc… E, fala sério: é tudo verdade o que vc disse!!!! Aos 40 e poucos a gente vê que o buraco é mais embaixo… Que a dedicação da mulher ao outro (às vezes do homem, o pai, vá lá;) é sobrenatural e que dá uma puta saudade de ter 20 e poucos e começar tudo de novo. O resto é papo furado. Seu txt não é de mulherzinha nada. Vc disse o que teve vontade e é pra isso que serve seu blog. Ser SUPER inteligente, com um texto SUPER brilhante, sempre acertar, pqp, que saco… Eu adorei tudo!!!! Falou de vida real. E, como disse no começo, que saudades de vc…


PermalinkPermalink 06.09.08 @ 01:22



Comentário de: Anonymous

minha nossa que isso?
só aqule primeiro paragrafo…
é homem ou gay?
Homem nenhum , vai ver(ver mesmo,não lê;) playboy pra 'desprestigiar' como você colocou,só se for GAY, HOMOSEXUAL, BICHA.

tem coisas possiveis, mas sem querer ofender.

Isso ta que nem a biblia cheio de controvérsias.


PermalinkPermalink 23.09.08 @ 17:08



Comentário de: Wandenkolk

Você é mulher! Quero poder falar contigo. Beijos…


PermalinkPermalink 24.10.08 @ 23:12



Comentário de: Wandenkolk

quero falar com voc\ê … beijos


PermalinkPermalink 24.10.08 @ 23:18



Comentário de: Tatiane

Primeira vez que visito seu blog. Gostei muito desse texto. Me fez ter vontade de ler outros.
E sobre ser mulher, não existe nada mais divino e sublime quando uma mulher sabe a hora de ser mulherzinha, mas que também é mulherão.Afinal, menstruar, dar a luz, preocupar-se com os outros, não é para qualquer um.

PermalinkPermalink 01.10.09 @ 18:27



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