O que fazer com uma não-paixão?
Você chora. Não sinto pena porque não sou de pena. Mas minha certeza em terminar nossa história vale nada, molhada assim. Não sei que direção seguir nessa sua via exposta. Sinto inveja de quem consegue chorar. Sinto desejo de te beber nessa hora.
Uma espécie de atração pelo frágil-declarado, que nunca senti antes. Talvez porque não conhecesse. Nem sei o que fazer com isso. E se eu me engasgar?
Teu rosto bem barbeado, iluminado pela lâmpada de segurança. Estaremos seguros aqui? Nesse episódio que poderia durar mais do que toda nossa série de desníveis?
Você está mais bonito agora do que sempre esteve. Evoluiu como nunca, nesses meses. E se agora você está triste, está menos triste do que antes, quando ainda não se conhecia através de mim. Mas você ainda não sabe disso. Confunde o seu pesar com o vazio dos outros tempos.
O menino foi perturbado. Provocado. Desafiado. Mas foi o homem quem chorou. Aliás, o mesmo homem que me puxa para o mergulho no linho. Que me tira da hibernação. Que me toca como um mágico levita sua assistente.
O menino arranha meus nervos. O homem os abranda, com mãos de luva de massagem.
Duvido outro alguém me tocar assim. Todas as partes do meu corpo duvidam também. Elas se rebelam contra minha decisão. Questionam-me. Fazem motim. Não querem mais tomar banho para não perder seus vestígios.
Tento me impor pela razão. É tudo o que eu tenho para barganhar. Mas é difícil domar desejos mimados e voluntariosos.
Ó senhor dos relacionamentos equilibrados, dê-me forças nessa hora. Não me abandone às minhas aréolas. Elas não pensam no futuro. Não me deixe fechar os olhos e me comunicar por lábios, pelo calor, pela biologia, pela sobrevivência da espécie.
Será que ao envelhecer nos livramos finalmente dessa terrível missão? Tenho medo que a senilidade me faça continuar querendo participar da seleção natural.
Enquanto isso você me nega uma despedida. Umazinha só. Não faria mal a ninguém, sabia? Diz que não conseguiria nesse contexto doloroso. Mas eu faria você conseguir. Sei que sabe disso.
Então se proteja mesmo. É o melhor que faz por você. Eu fico aqui de braços dados com meu tesão, que nem sempre rima com paixão, como eu gostaria.
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Texto lindo e dolorido. E realmente é pra se negar qualquer despedida. Para que não doa mais. beijos
Cris, voce esta escrevendo cada vez melhor. Pena que o assunto e dolorido… mas geralmente e da dor que saem os melhores textos.
Bjs saudosos
Pat
Ainda isso: "Nesse nosso mundo onde tudo fenece, tudo perece, há uma coisa que se deteriora, que se desfaz em pó até de forma mais completa, deixando para trás ainda menos traços de si do que a beleza: a saber, a dor".
Nossos eternos questionamentos sobre o amor, não é, amada?
Você está movida à hormônios, fica calma, vai passar…quando a Tpm chegar…
Adorei o texto. Retirei esta frase "quando ainda não se conhecia através de mim." Que me ajudou a entender porque eles sempre ficam melhores depois da gente…
Que texto raro, que incrível e tensa descrição da ambigüidade, que propriedade feminina. E esse final, que eu mesmo já assisti em outros filmes, coroa e realiza o que o resto todo conta. Em suma, e como se vê, adorei.
Nossa! Eu gostei muito do comentário desse Jayme… Principalmente quando ele identifica a propriedade feminina. Humm! Gostei. Isso é que é post! A gente ganha no texto e nos comentários. beijos
Cristina querida, preciso muito da sua critica no meu ultimo post Amor MAior, lhe agradeço muito se puder ir ler, e analizar, se em algo falhei, em expressar o que ia em minha alma!
Um beijo sua fã Pri
Oi, Cris!
Há quanto tempo!
Adorei o texto! Profundo, denso e sincero. Bem escrito eles sempre são, nem preciso dizer isso, né?
Passa no meu site: http://www.carlamartins.com. Lanceiiiiii!!!
E meu blog está com posts novos, voltei a atualizá-lo com frequência.
Beijo!
A trilha sonora que eu daria para esse texto é "For no One", dos Beatles.
Suas palavras provam: a despedida é o presente mais duro de oferecer!
Cristiana, encontrei o "Cenas de um casamento", do Bergman, em uma grande locadora de Belo Horizonte. Acredito que não seja difícil de ser achado em grandes locadoras de outras cidades. Trata-se de uma mini-série sueca, feita para a TV, em 6 episódios de 50 minutos cada. Imperdível. Beijos.
Oi Cris, apesar de quase nunca comentar, visito vc constantemente, por admirar mt sua dedicação com sua filha. Apesar de pensar que vc não goste de receber prêmios em forma de selinhos, em blog, ofereci um pra vc, tá lá no blog que tenho com minha filha.
Um abração
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