Meu peixe é de água profunda
"Eu te alcanço, te puxo e te beijo". Um homem deveria ser proibido de pronunciar essa frase para uma mulher, a menos que estivesse a cinco minutos dela, de avião, de carro, de ônibus, de bote ou "de a pé".
Sou totalmente pró-internet. Mas reconheço que, às vezes, a rede mundial banaliza as relações. E pode fazer a atitude de um sujeito valer tanto quanto um efeito ótico num deserto. Quando você vê, está com a boca na areia.
Pela net podemos dizer o que sentimos, o que desejamos… mas nem sempre insinuar o que faremos tête-à-tête. No caso do cidadão casado, por exemplo. Ele acha que "chamada na chincha" via banda larga é legítima porque não é traição. Então dá-lhe trololó.
Portanto estou lançando uma campanha contra a embronha digital.
Penso que esse tipo de prática não deve fazer bem à saúde física nem mental. É claro que podemos dar vazão às fantasias verbalizadas ou escritas fazendo justiça com as próprias mãos. Mas ainda assim acho injusto.
Quem aqui nunca fez sexo virtual que atire a primeira pedra. Sim, a título de curiosidade e experiência, tem seu valor. Mas diante de um mundo de possibilidades de texturas, temperaturas, fluídos, sabores e cheiros, não é pobreza demais não, hein?
Jogo de sedução é bom e todo internauta gosta. Contanto que ele dê em algum lugar. Ou ela dê. Ficar nessa angústia ad infinitum é que não dá. Ninguém dá nessas condições.
A minha campanha apregoa que as pessoas se aproximem virtualmente, mas que se não derem conta do desenrolar da história além do horizonte do monitor é melhor deixarem quieto. E não se tecla mais nisso.
Lembro-me da primeira transa de uma amiga. A dita namorava um canadense, 10 anos mais velho, que já havia se casado e divorciado. Homem vivido. Conheceram-se em uma festinha, na casa de um conhecido em comum. Trocaram salivas e começaram um rolo.
Todas as vezes em que iam para cama, a amiga virgem, que não era nenhuma bobinha, fazia de um tudo. Mas na hora do intercurso, ela dava para trás.
Ôps! Deixe-me explicar. Ela não dava para trás nem para frente.
Na primeira vez, o canadense achou bonitinho, charmoso. Na segunda, ele relevou. Na terceira ele parou tudo e disse que dali para frente só rolaria com serviço completo.
É óbvio que a fresca cedeu no ato. Literalmente.
Mulheres…
Sites pornôs não fazem parte dessa campanha. Eles têm lá sua função, afinal ninguém é de ferro e um pouco de devassidão não faz mal a nenhum "di maior". Se bem que é um exagero essa prática entre os homens, principalmente, em ambiente de trabalho.
Homens…
Aproveito essa campanha de cunho social e de extrema relevância para a saúde sexual pública para vender o meu peixe (bacalhau, diria um piadista misógino): cansei de águas rasas. Agora só entro se for para mergulhar até o fundo.
Para me alcançar vai ter que mergulhar de escafandro e tudo.
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Vicente, não esquenta, isso sempre acontece! hehehe…
Esse texto bem que poderia ter sido escrito para o Webin, né?
Reparou que eu usei a palavra "internauta"? Que a gente não gosta, mas ela caiu bem aqui. Não pude evitar.
Beijinhos e é uma honra dupla ter comentário seu aqui, já que vc é um comentarista tímido ![]()
Não entendi nada, explica por favor, professora?
As águas profundas são escuras e geladas, geralmente habitadas por celacantos abissais e, contra os monstros abissais só mesmo o National Kid….
Hahahahaah! Anônimo, eu tb não entendi muito…
Cristiana, de fato o lero virtual pula etapas, ninguém liga se a mão sua ou se o hálito deixa a desejar, todo mundo cresce atrás do teclado. Mas o interessante é que o mundo chático abre chances de vc marcar um encontro com o virtual do outro lado (entenda-se encontro não apenas com a importância do escafandro, mas também — e muitas vezes mais relevante — a analogização da história em torno de uma mesa com convivas diversos, coisa entre amigos) e esse encontro recoloca as coisas no devido lugar: obriga quem sua na mão a dar a mão assim mesmo ou explicar a mazela, pede uma pastilha Valda para amenizar o hálito, obriga a um espelho antes de sair, só pra checar a fachada. Retomado o mundo real, e só assim, é possível pôr oxigênio no escafandro. Definitivamente, não se mergulha via internet. Beijo,
Fecho com vc, Jayme.
Agora, a coisa é meio paradoxal. Porque, por outro lado, a gente às vezes conhece facetas da pessoa que talvez não conhecesse ao vivo. Porque a comunicação pela internet vem de dentro para fora, né? E só pelo jeito que a pessoa escreve, por exemplo, já dá para saber boa parte da personalidade dela… eu acho.
O ideal, na minha opinião, é juntar as duas coisas. Elas se complementam.
Mal hálito, bleargh! Tô fora! Nem com pastilha Valda! Heheheh…
Cris, isso aqui tá bom demais! O virtual é só pro começo… depois o assunto acaba. Tem que conferir na prática. beijos
Eu já me arrisquei na internet, mas nem consigo boiar na superfície. Desisto antes da possibilidade se apresentar… Depois de ler teu texto, me sinto plenamente identificada com aqueles peixes dentuços, transparentes e feiosos que habitam os mais profundos dos mares. Aja oxigênio pra chegar aqui… Beijo enorme.
Odeeeeeeio blá blá blá pela internet. Sem olho no olho, para mim, não dá!
beijo beijo
Muito bom, Cristiana!! Entendo perfeitamente vc e vou além: quem acha que internet afasta as pessoas está redondamente enganado. Depende do perfil da figura.
Creio piamente que é o contrário: a internet permite a gente ter contato com pessoas das quais, sem a ajuda da rede mundial de computadores, jamais saberíamos de sua existência. Depois dos primeiros contatos online, cabe às partes tomar a iniciativa de dar prosseguimento offline. E como vc disse, se não guenta, por que acessou?
Ah, se meu bom e velho apartamento na Travessa dos Tamoios falasse…
beijos! E parabéns, seus textos continuam uma delícia!! Um dia ainda vou escrever com essa desenvoltura e humor!!
Gente, se o cara não entendeu a mensagem, desiste ! Se entendeu, esta semana deve aparecer por aí.
Delícia de texto !
Flávia.
Assino embaixo pró saliva e fluídos sempre, mas manda a folha porque assinatura virtual também não é garantia!
De repente você dá sorte e vem um escafandrista daqueles do Chico…
Keiko
Ôps! Corrigindo: escrevi "mal hálito", mas é "mau hálito". Sorry.
E estou adorando os comentários! Hehehe…
Adorei seu texto. É facil de ler, fluido, bem humorado e completamente antenado com a realidade.
Essa cantada ai que vc ouviu realmente o sujeito pra ter a cara de passa-la devia estar com o carro debaixo do seu predio pra ter o direito de passa-la.
Tem gente que pensa mesmo que dá para fazer tudo pela internet, inclusive namorar. Nao dá, ne?
E mesmo o sujeito as vezes sai com voce e continua no trololo cibernetico. É de matar.
Bjs e ja estou aderindo a sua campanha… rs
Critiana
Tudo de bom seu texto, adorei seu jeito de escrever, e ja aderi a campanha, Abaixo o namoro virtual, o negocio é aguas profundas, e cheiro no cangote, paixão ao vivo, teclemos Serio!!!!!
Té Mais
Vou passar sempre por aqui amei o Blog
Eu sou um demodê. Valorizo o tato, essa maravilha que faz com que possamos sentir pele, texturas, reentrâncias. Mas sem deixar de lado o paladar, tão valioso para que apreciemos o gosto de fluidos e beijos, o olfato, a visão, enfim, tudo que faz com que as relações in loco sejam imbatíveis. Minha única queixa após ler este ótimo texto: cadê atualizações? Perdão, só se a senhorita disser que encontrou o álibi definitivo: mergulhos abissais em águas inebriantes. ![]()
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Nunca namorei pela internet, ou paquerei, ou fiz sexo, nada… Acho o msn bem chatinho, começo a conversa no msn e acabo no telefone. Bom, pelo menos parece que não perdi muita coisa…
Gostei daqui! Voltarei
Abs
Eliana
haha… é engraçado: eu era contra namoro a distância mas ao mesmo tempo sempre fiz muitos amigos e amigas pela internet, em vários lugares deste brasilzão.
Sou do Rio Grande de Sul e fui visitar uma amiga de SP, que conhecia a 4 anos mas só de net… já fui "mal intencionado" e ela idem. Isso foi em janeiro do ano passado, desde então ficamos e hoje estamos namorando.
Cristiana, deveria ser proibido para qualquer mulher falar isso para um homem, isso sim…. hahaha ![]()
Será que a blogueira daqui ainda está viva ? Ou se encontrou em águas profundas ?
Opa Crisitiana!
Vai escrever bem assim lá nas águas profundas!
Só não nos culpe pelos nosso pecados virtuais! É programação genética! E não vai nenhuma disfarçatez nisto!
abraços
Como um primeiro e brevíssimo contato a internet vale. Depois, sou partidária do "ao vivo".
Quem mergulha em águas rasas corre o risco de bater a cabeça.
Bjo
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