Quando eu descobri que mulher é diferente de homem
Assim, sempre acostumada com o ambiente masculino, achava que éramos todos iguais (descontando as diferenças anatômicas, é claro).
Minha mãe sempre trabalhou fora e dividia as contas do mês. O que eram aquelas mulheres que reclamavam seus direitos? Não entendia.
Foi assim até a minha primeira gravidez. Quando descobri que homens e mulheres são mais diferentes entre si do que eu supunha.
Choramingando com uma amiga ao telefone, ela me disse: "Cris, éramos iguais até a faculdade…" Doeu a constatação.
Agora eu tinha uma barriga e uma solidão para cuidar. E o meu companheiro levava a vida de sempre. E quanto mais a barriga crescia, mais aumentava o distanciamento. Não exatamente um distanciamento afetivo (ele até que era carinhoso comigo). Mas existencial. Literalmente visceral.
De lá para cá, fui retrocedendo em relação aos meus conceitos de diferenças de gênero. Voltei aos anos 60, 50… Pedra Lascada. Hoje eu acredito piamente que há um enorme acidente geográfico entre homens e mulheres. Será que isso vai dar certo?
Pego-me falando: "Homem é foda!" ou "Só podia ser coisa de homem!" ou ainda "Aposto que essa lei foi criada por um homem!"
Gente, de onde tirei esse discurso? Essa não sou eu. Em que momento da minha história eu fiz essa distinção entre preto e branco? Quando engravidei, certamente.
Ao contrário da minha mãe que, bem-intencionada, nunca me contou a verdade sobre feminino e masculino, resolvi conscientizar minhas filhas para que elas nunca se surpreendam com o sexo oposto.
Sim, homens são assim, mulheres são assado. E não venha me dizer que há exceções porque eu sei que há. Estou apenas me valendo do direito de generalizar.
Homens fazem sexo, mulheres fazem amor? Não, não sejamos tão simplórios. Fazemos tanto sexo quanto eles fazem amor. A questão é muito mais profunda, no caso das mulheres, e mais rasa, no caso dos homens. Desculpem, não resisti.
Meu Deus, quantos anos eu passei burramente me igualando a eles? Fechando os olhos para as evidências.
Eles ganham mais do que a gente, não faltam ao trabalho porque o filho está doente ou a empregada sumiu, esquecem os problemas pessoais assistindo a uma partida de futebol, não se perguntam onde erraram, nem se sentem culpados. Eu não sei se sinto inveja ou desprezo.
Nenhum dos dois sentimentos é bom se você quer continuar sendo uma mulher heterossexual. Certamente, uma hora, você vai acabar precisando deles.
Como resolver esse impasse, então? Ultimamente estou tendendo a me tornar aquilo que eu sempre rechacei: uma mulherzinha. Não uma mulherzinha submissa, porque nem que eu quisesse eu conseguiria. Mas uma mulherzinha no sentido humilde da palavra.
Aceitar que para vivenciar certas coisas, vou ter que abrir mão de outras. Não dá pra ser tudo ao mesmo tempo agora. Esposa-mãe-profissional-siliconada. Não dá. E olha que eu ainda coloquei a esposa e a mãe na frente da profissional, hein? Ato falho, reconheço.
Você já viu um sujeito tentando ser marido-pai-profissional-marombado? Eu nunca.
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Cris, adorei seu texto. Muito ótimo. A eterna questão: tentando entender essas diferenças. Não sei se a gente ainda vai conseguir entender a mente tão simples e funcional dos homens. Eu também quebro a cabeça! Nós, tão detalhistas, repassando cada diálogo travado com eles; eles, com uma memória tão curta… Sei lá. Talvez o melhor seja desistir de entendê-los, mas nunca de querê-los. Eba!
beijos
Cara eu a-mei o teu texto, amei o teu blog, e vou te linkar.
ai, eu nem penso mais nisso. já sei que nós perdemos sempre, se formos comparar… e a obrigação de pensar na roupa que se vai usar antes de sair de casa? de estar com a cara sempre linda? e os pêlos aparados, raspados, arrancados? e a educação das crianças? o que vamos comer para o lanche? ahahahah… só não podemos cair na cilada de achar que podemos ser profissionais, mães, mulheres e esposas exemplares. Essas super-mega-empresárias-mães e lindas não existem. Por favor, Revistas Cláudias, Novas, Marie Claires, parem de nos oprimir, vai.
Eu já vi!! Quando a empregada teve problemas em casa, eu vim trabalhar e Raul que faltou para resolver. Acho que, hoje em dia, homens e mulheres da minha geração estão cada vez mais parecidos. A gente divide tudo, tudo mesmo.
Antes, eu achava que eu era o homem da relação e ele a mulher. Porque ele que sempre pedia para cozinharmos juntos um jantarzinho romântico, pegava a parte mais pesada da faxina, lavava a louça para me agradar, enquanto eu estava na academia. Depois, conversando com algumas amigas, descobri que muitos outros homens são assim também. O marido de muitas delas fazem essas mesmas coisas. Ainda bem. Acho que as coisas estão melhorando. Ou eu e minhas amigas tiramos a sorte grande. Ainda bem de novo.
Beijokas
Carina, tô achando que a gente é que é burrinha e não sabe administrar essas diferenças. Porque a nossa geração cresceu com o engano da "igualdade". Não seria isso?
Cind, vc não deu o link do seu blog para eu conhecer vc melhor…
Marina, das coisas que vc enumerou, a mais difícil é estar com a cara sempre linda!
Carla, lembra que eu disse que só vi a diferença quando engravidei? Quando vc "embarrigar" a gente volta a conversar… Hehehe…
Ou será que a nova geração está mudada… hummm… talvez… acho que teremos que esperar uns anos para essa avaliação… tô aceitando opiniões a respeito.
E como já disse no texto, exceções existem, é claro. Espero que haja muitos depoimentos aqui falando das raridades. Daí eu me inspiro para escrever outro ![]()
Não dá para dizer que não existe diferença, cientificamente isso é provado pelos entornos e contornos e conteúdos dos nossos cérebros. Com isso, absorvemos os estímulos de forma diferente, criamos reações distintas, temos sonhos diferentes.
Isso sem falar na questão cultural.
É aquela velha ladainha: homem grisalho é charmoso, mulher de cabelo branco é desleixada ou anciã. E a perna cabeluda? Somos nós mesmas a nos cobrar.
Sobre dividir funções em casa, orçamento e coisa e tal, que li num comentário acima, espero que seja a sorte grande mesmo. Sempre tive namorados e marido que me ajudaram no dia-a-dia. Mas a conta acabou altíssima emocionalmente para mim.
Cris, me identifiquei total.
Minha família há 4 geraçoes é composta dessas mulheres de armas, "iguais" na minha percepçao desde sempre e que também nao me avisaram sobre as diferenças.
Por isso que digo: quero meu sutia de volta!
Beijos
Eu não gosto de generalizar nada. Respeito a opinião de todo mundo, claro.
Mas também acho que as opiniões podem ser explicações encontradas para relacionamentos que não deram certo, entende?
Tudo o que li não faz parte da minha realidade, não faz parte da realidade do meu primo (que tem uma filha de 4 meses), não faz parte da realidade dos meus pais (que têm três filhos), não faz parte da realidade da minha chefe (que tenm 29 anos e um filho de 5 meses) e não faz parte da realidade muitas amigas, algumas com filhos, outras sem.
Caso um dia eu mude de idéia, prometo que volto aqui para contar. Mas, espero mesmo não mudar.
Acho que ficar generalizando que homens são assim e mulheres são assado, que não podemos contar com eles para nada e que, se não estivermos sempre lindas, a crise é questão de tempo, esse é o primero passo para um relacionamento já começar errado.
Tudo bem, tudo bem. Tenho só 25, um ano e meio de casamento e só planejo filhos para daqui a alguns anos. Mas, mesmo assim, tenho exemplo suficientes para crer que isso não é questão de ser homem ou mulher e sim do tipo de homem/mulher com quem as mulheres/homens se envolvem.
Beijinhos
Carla, eu só escrevi esse texto para dizer que eu era exatamente igual a vc aos 25 anos. Que "tudo isso tb não fazia parte da minha realidade". Que eu nunca tive nenhum pré-conceito em relação aos homens, mas estou tendo um pós-conceito. Essa é raiz do texto.
Também deixei claro que estou generalizando. Porque tb conheço algumas exceções, felizmente. Porém, não escrevi o texto para as exceções.
Tomara que vc não precise mudar de idéia nunca! Torço por isso, querida.
E depois eu tb falo no texto sobre a mudança de paradigmas. Que o fato de achar que somos iguais (homens e mulheres) pode ser uma roubada. Pois não somos. E saber lidar com essas diferenças pode ser um avanço nas relações.
Ferdinando Buscapé se referia à Violeta como "aquele rapaz esquisito." Mas desde adolescente sei que mulher é diferente. Muito. Umas criaturas prepotentes, metidas e, depois q os filhos nascem, mandonas. Avançadas, já nascem multitarefa (multitaskin), de tempo compartilhado (time sharing) e altamente interativas. Mas no que diz respeito ao sexo oposto - e bota oposto nisso - a coisa é um bocado complicada. Para começar as condições de uso. Se dizem "sim" querem dizer que não estão nem aí procê; e se dizem "não," "para com isso, garoto chato," "para de me perturbar menino," e etc, querem dizer "sim" e estão quentes. Se estão furiosas, xingando e berrando contigo a hora é essa, se estão rindo o tempo todo sem parar vc pode conseguir mas vai ser morno, se estão risonhas e gentis vc serve pra casar, companheirismo, trocétera e tal, mas o sexo vai ser uma titica. No que diz respeito à convivencia o bicho pega de vez. Sempre q vc estiver saindo apressado aparecerão milhares de assuntos importantíssimos, vc jamais usará a privada de modo correto, nunca terá um lado certo na cama, um lugar regular para suas coisas. E elas a-do-ram brincar de casinha, a casa jamais estará pronta…. Entretanto, em nome da perpetuação da espécie, devemos fazer um grande esforço para mantermos relações relativamente duradouras com elas. As crianças merecem nossa consideração…..
Adorei. É muito difícil escrever sobre este tema, sendo homem ou mulher, sem parecer distanciado em demasia do sexo "oposto". Você conseguiu escrever como mulher, mas com compreensão sobre mulheres e homens. Beijão.
Muito legal, Cris. Essa história de voltar ao passado é engraçada. Recentemente me flagrei usando uma técnica antiga das nossas avós, que víamos como submissão: não perca tempo provando para um homem que você está certa, porque isso não leva a nada. Seja condescendente, guarde para si a sua superioridade. E aí, com jeitinho, imponha a sua opinião, a sua escolha, sem precisar humilhá-lo. Dessa forma, desarmadas, dá até para tentarmos aprender um pouco sobre esse jeito quase simplório deles de ser feliz, que às vezes invejamos…
Oi Cris! Passei aqui para avisar que, após breve recesso do blog devido a ferias de sua autora, estamos lá de volta! Visite quando puder! Beijos
Cris
Eu amo os homens.
E sei que amo, porque ele também sou eu. Parte nele sou eu, parte minha sou ele.
Não os vejo diferentes, vejo assim como vias, todos iguais.
Até porque completa eu somente serei, quando for ele e eu, quando souber equilibrar homem e mulher, masculino e feminino. Eles e eu, eu e eles.
Beijo
Leticia
Ai, ai, ai…este assunto dá pano pra manga.
O que sei que tudo é muito lindo na superfície, mas quanto mais se aprofunda nas relações, mais evidente fica a NOSSA incapacidade de lidar com a energia oposta (feminina ou masculina), seja com o parceiro, seja com ela dentro de nós mesmas. O que sei é que fui criada pra ser independente, mas mamãe também me ensinou a ter medo de estupro. Li recentemente uma pesquisa dizendo que os meninos americanos não tomam nenhuma atitude para se proteger de violência diariamente, enquanto as meninas têm toda uma rotina.
Esse texto é genial. Faz pensar muito. Aliás, é o que vou fazer agora!
Cristiana, ADOREI o texto, parecia que eu mesma tinha escrito. Sempre fui independente, feminista até, homens e mulheres pra mim tinham diferenças físicas e só. Estudei pra ser independente e casei com um homem que pensava parecido comigo, dividia tudo… enfim, tudo certo: tudo como eu tinha aprendido que viviam as pessoas "da minha geração", que superaram as diferenças… Mas aí eu engravidei e pulei do mundo dos homens para o mundo das mulheres (ou mulherzinhas, no bom sentido… rsrs), nada do que eu acreditava até então fazia tanto sentido. Meu filhote nasceu e eu não consegui ser super-mulher, não consegui ser mãs-amiga-esposa-amante-profissional! As diferenças, não as físicas, mas as de alma, gritaram!!!! Tô tentando me organizar ainda… encontrar meu caminho, sei que não preciso ser super-nada hoje, apenas encontrar o meu equilíbrio, aceitando essas diferenças e as minhas mudanças. Grande beijo! Alessandra.
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