São Paulo, meu amor
São Paulo é a Nova York dos pobres. Disse-me um publicitário metrossexual com sua gravata combinandinho. Como nunca estive na capital do mundo, sinto-me como pinto no lixo paulistano. Em julho, fará dois anos que durmo e acordo nessa cidade. Apesar de ser carioca e ter morado no sul do país durante dez anos, parece que nasci nessa praia. Mais precisamente no posto Vila Madalena.
Ainda fico deslumbrada com a Paulista, o MASP e sua feirinha dominical, a Livraria Cultura, a Livraria da Vila, o Museu da Língua Portuguesa, os SESCs, o Espaço Unibanco (testemunhei seu nascimento no Estação Botafogo), o HSBC Belas Artes, o Cinecesc, a sala UOL, o Espaço Tomie Otahke, o Estação Ciência, a Cidade Escola Aprendiz, o Sambacana, o Maha Mantra, os bares da Aspicuelta, as lojas de artesanato da Vila e os lugares e coisas que ainda não conheço.
Daqui só tenho vontade de sair pela rodoviária Tietê. Mais simpática do que os dois aeroportos (e os ônibus não atrasam). Porém se o destino for o Rio de Janeiro, complica, porque chegando na rodoviária de lá, dá vontade de voltar. Nesse caso, melhor ir de avião e apreciar a paisagem aérea de tirar o ar rarefeito, antes de descer no Santos Dumont.
Noutro dia, conversando com um amigo paulista apaixonado pela cidade maravilhosa, ouvi sua narração fantástica de um vôo da Pedra da Gávea. O Rio que ele conhece é esse Rio de cima. De onde não se vê os meninos com cara de adulto que nos intimidam, que nos lembram a infinita desigualdade social brasileira. Sim, eles estão presentes em Sampa também. Mas estranhamente eu não os vejo. Ou vejo pouco. Assim me entristeço menos.
Alienada, eu? Uma vez não fui. Mas tem hora que não dá. Principalmente depois da queda do castelo do PT. Hoje quero trégua. Fingir que a miséria existe apenas na bela fotografia do “Cidade de Deus”. Sinto-me cansada para mudar o Brasil. Assim, em São Paulo, sintonizo com a cultura, com os serviços de excelência e gente que realiza. Gente que realiza qualquer coisa que se imaginar. Da mais comum até a mais inusitada. Gente que vem de todos os lugares e que forma uma rica mistureba humana que só São Paulo.
Eu não conheço a periferia de Sampa, porque, diferentemente do Rio, onde os barracos despencam sobre a zona sul e os dois extremos sociais se embolam, aqui a perifa fica na periferia. Mas nessa beirada, eu também sei que tem gente que realiza. Tem gente que está mudando o Jardim Ângela. Assim faz uma conhecida minha, moradora do bairro. Mulher inteligentíssima e de fibríssima. Inspirada nela, talvez eu volte a me engajar.
Eu não ando de carro em São Paulo (vendi o meu). E não assisto aos malabaristas dos "faróis", nem fico presa no trânsito. Então a São Paulo que eu conheço é mágica pra mim. Ando a pé pelas ruas da Vila que sobem e descem até Pinheiros e não preciso de academia. Ando de metrô sem poluição visual (como o do Rio, que faz os olhos fecharem, nauseados). Quase sempre na linha verde e fora dos horários de pico. Às vezes, pego um microônibus vazio e confortável, também na contramão do rush. Antes, ouço do lado de fora o "trocador" gritar o itinerário. Isso ajuda muito para quem tem alta miopia como a minha. É nessa São Paulo que eu transito. E no meio do caminho vou encontrando pessoas supersimpáticas e conversadeiras. Pessoas que poderiam tranqüilamente fazer parte do meu repertório de amigos.
Ô cidade pra fazer amigos. São tantas as possibilidades que você nem faz tantos assim. Vai adiando porque sabe que pode fazer um a qualquer hora, em qualquer esquina. Noutro dia eu tava numa loja vendo umas roupinhas e topei com uma mulher que, além de opinar sobre qual saia ficaria bem em mim, disse-me que conhecia uma academia de danças étnicas que era a minha cara. Que ela tinha certeza que eu iria adorar. E o pior: eu iria mesmo. Ela teve o trabalho de sair da loja, mostrar a direção e me dar o endereço da tal academia. Contou-me seu horário de freqüência e me deu os nomes das amigas que iria me apresentar lá.
As padarias. Ah, as padarias de São Paulo. Verdadeiros antros de pecados da gula. Pontos de encontro dessa gente supersimpática que vem de toda a parte. Atendentes carismáticos. Nordestinos, alguns deles, que também como eu se sentem em sua praia paulistana. Tratam-me como da família. Há um que me chama de querida e detalha quais os quitutes feitos no dia, os que mais saem, os que ele torce para não serem vendidos para que os leve consigo para casa. Nunca vivi experiência similar em nenhuma outra cidade. Será que isso só acontece na Vila? Será que estou fora da real? Por favor, não destruam os meus sonhos. Os da padaria Letícia, principalmente. Deixem-me glicosada.
Os motoristas de táxi de São Paulo. Só entende a diferença quem vem de fora. Principalmente do Rio. A começar pela frota de automóveis inteiraça e bem cuidada. Não é difícil sentar num banco de couro cuidadosamente monitorado pelo seu dono para que permaneça intacto. O que ele faz com muito tato para não ofender o usuário. O passageiro é quem tem prioridade na escolha do itinerário. O motorista só conversa se você der brecha e estiver disposto a um bom papo. Já peguei um professor de física que me disse que há matemática em tudo na Natureza. Cheguei ao meu destino pós-graduada. Mas se naquele dia você optar pelo silêncio, será respeitado.
Será que isso só acontece na Vila Madalena e imediações? Meu Deus, os taxistas não correm freneticamente, nem freiam jogando seu estômago no pára-brisa!! Só se você pedir. Afinal, eles são profissas e não irão deixá-lo chegar depois do avião decolar. Eles têm o costume de arredondar o valor da corrida. Tanto para cima, quanto para baixo. Ao gosto do cliente. E se você disser que só tem “x” em dinheiro para chegar a tal lugar, eles respondem que o que importa é fazer o freguês. É claro que tem espírito de porco em qualquer profissão e lugar. Mas estes são oprimidos pela maioria bem-educada. Conheço um que foi pressionado pelos companheiros a sair do ponto porque fumava dentro do veículo e causava tumulto entre alguns passageiros.
É, Tom Zé, será que um dia esse meu bem-querer por São Paulo irá se transformar em querelas e queixumes? Talvez isso só aconteça quando eu não tiver mais tempo para visitar minha adorável psicóloga paulistana.
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Sempre lindo andar na cidade de São Paulo!
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Eu nasci aqui em SP. Morei nas Perdizes com minha mãe de onde sai em 2002 para morar sozinho no bairo do Sumarezinho, que é ao lado da Vila Madalena. Agora estou na região da Bela Cintra próximo à Paulista. Toda a descrição dessa SP que você conhece e frequenta é incrivelmente parecida com a SP que eu vivo. Saudações ![]()
Rubira, escrevi esse texto no meu primeiro blog. Porém, ao mudar para esse novo endereço, não pude trazer junto os quase 3O comentários. 99% deles concordando com a gente. Devemos ter alguma razão, né? hehe…
Nasci na casa onde ainda moro (Limão)..e adoro essa cidade. Estive no Rio, apenas um dia. Não curto praia, preferi ficar no centro velho. Fui a Biblioteca Nacional, Confeitaria Colombo, Livraria da Travessa. Adorei.
Em São Paulo recomendo o centro velho - e seus inúmeros sebos - mas somente para quem gosta de caminhar. E também a praça da matriz na Freguesia do Ó. Lá, procure pelo Frangó. É caro, mas se vc gosta de cerveja, lá encontrará cerca de 200 tipos. Tem clima de interior - não deixe de visitar a igreja - e possui alguns pontos com ótimas vistas de São Paulo. Há também O Velhão (http://www.velhao.com.br/) com seu restaurante, cafeteria, etc. na Cantareira. É lindo. Bem, há outros pontos que gosto..mas deixo para outro paulistano te indicar.
abraços.
Teresa
Como vocês sou apaixonada por São Paulo, minha residência fica a 150 km daqui, mas meus filhos trabalham e estudam aqui, são Mackenzistas e moram neste simpaticíssimo bairro de Higienópolis.Eu estou sempre por aqui.
Dispenso o carro e também só ando de metrô, ônibus, e na maioria das vezes a pé.
Andar a pé em São Paulo principalmente no centro é voltar ao passado, pois não me canso de apreciar a arquitetura antiga, misturando-se com o novo.
Mas meu coração realmente dispara quando cruzo a Ipiranga com a Avenida São João, imortalizada na belíssima música de Caetano Veloso SAMPA.
nossa, ótimo ler isso. porque tenho a mesma opinião. o problema é que ainda não consigo desfrutar dessa cidade. acabo entrando no esquema trabalho/casa/casa/trabalho, mes estresso e tal. um dia ainda aprendo.
Eu AMO São Paulo. Entre idas e vindas, estou entrando no meu 5o ano aqui. É uma cidade dura, a princípio, mas ela te mostra que é sempre possível crescer. E eu também já fiz vários amigos aqui - e ainda faço.
Moro nos Jardins, já morei em Pinheiros e na Bela Vista, trabalho no Itaim. Já conheci um pouco da periferia, que também tem um charme paulistano. E sou apaixonada pela Vila Madalena, onde eu espero, em um dia nao muito distante, comprar minha primeira residência paulistana.
abandonados do centro de São Paulo
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