Um hit europeu

05.11.08

Passei um mês morando em Dublin, e nesse período de tempo fui passear em outros quatro países. Irlanda do Norte, Inglaterra, Itália e Vaticano (eu faço questão de contar o Vaticano como outro país, hihihi).

Escutava bastante rádio enquanto estive lá, e devo dizer: uma das músicas que mais me deixou surpresa foi esta aqui.

Pelo que percebi, a Europa toda torcia pelo Obama, a ponto da música viral dele tornar-se hit no rádio.

(Alguém NÃO torcia pelo Obama? Alguém fora dos EUA?)

Eu lembro que telefonei pra mamãe e contei isso surpresa, fascinada. "Mãããe, eles torcem pelo Obama, a música dele toca no rádio!"
E ela: "MÚSICA? Tipo jingle de campanha?"
"Não, mãe, é uma menina dizendo que a menina tá a fim do Obama, que ele é um negão sexy."
"Juuuuuuuuura? E toca no rádio?"
"Não tô te dizendo?"

E nós, brasileiros, que nem sabemos direito quem são os presidentes dos países vizinhos...mas torcemos pelo Obama, porque ele vai chefiar o país mais poderoso do mundo - gostemos ou não desse fato, os Estados Unidos são o país mais poderoso do mundo.

Para entender mais sobre as confusas eleições doa EUA, recomendo a leitura do blog do Professor Idelber Avelar. Aliás, recomendo a leitura do Idelber pra tudo, dor de cabeça, sinusite, mente fechada...

Escrito por Menina Eva
Arquivado em: Política, Música, Televisão, Turismo, Gente, Rádio
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Música é vida interior; e quem tem vida interior, jamais padecerá de solidão

10.05.08

Artur da Távola morreu.
O mundo ficou mais chato.

Eu não sei nada da sua vida política, Artur da Távola. Sei que você era do PSDB, mas ninguém é perfeito, não é mesmo. O conheço da TV Senado.O nome do programa que você apresentava era "Quem tem medo da música clássica?" Pra mim, você é um vovozinho legal que explicava música. Claro que eu sei que não era apenas isso. Artur. Eu sei - com a minha cabeça - que você antes de ser vovozinho, foi jovem, lutador, se meteu na política, lutou pelas eleições, inclusive ganhou um monte delas, perdeu o mandato de senador recentemente, porque o Rio de Janeiro é burro, Artur, burro de não votar em um senador como você. Será que sua doença piorou pelo desgosto de perder essa eleição? Não sei nada de sua vida, Artur. Sei que você morreu. E sei que eu gostava muito quando você nos explicava as músicas.

Mais que explicar: você DESTRINCHAVA as músicas. Só assistindo pra entender o didatismo, a paixão, a magia de quando você falava das obras clássicas. Tenho na minha memória sua voz embargada falando da Sagração da Primavera, de Stravinsky - e você me fez escutar a indecência, a animalidade, a vanguarda daquilo tudo. O seu programa mais recente que assisti dissecou aquela Sinfonia de Beethoven. Tchã-tchã-tchã-tchããããã.... E você me ajudou a Enxerguscutar, o tema simples que se repetia, ora executado pelo fagote, ora pelos violoncelos, e de novo pelo flautim, e agora pelos metais. Tchã-tchã-tchã-tchããããããã.

Vimos esse programa há dez dias. Mamãe comentou: "Tá magrinho, ele, né filha?" É, Artur, você estava magrinho.

Tchau, Artur. Você vai fazer muita, muita, MUITA falta pra mim e pra minha mãe aqui em casa. Ela está sentada ali no sofá, e acabou de resmungar: "Acabou-se o meu programa legal." É o jeito dela sentir saudade de você, Artur. Quando o jornal disse que você tinha morrido, nós duas exclamamos ao mesmo tempo: "Não!"

Ah, Artur. Até a próxima.

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Pra este post triste, fica um texto do Artur da Távola. Um dos textos que eu mais gosto. Que NÃO É DO CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE.

"Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo.

Namorado é a mais difícil das conquistas.

Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil.

Mas namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida; ou bandoleira basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.

Quem não tem namorado é quem não tem amor, é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes; mesmo assim pode não ter nenhum namorado.

Não tem namorado quem não sabe o gosto de chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho.

Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria.

Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.

Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto.

Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor.

Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira - d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.

Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar.

Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.

Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.

Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz.

Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.

Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.

Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.

Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido.

ENLOU-CRESÇA."

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Alguns links:


Artur da Távola na Wikipedia

Algumas poesias de Artur da Távola
Casa de cultura Artur da Távola

P.S.: O título do post é uma frase do Artur da Távola. Uma das melhores. Uma das muitas.

Escrito por Menina Eva
Arquivado em: Política, Música, Saudade, Livros
7 comentários

Os Enigmas da Radial

02.10.07

Desde que assumiu a prefeitura de São Paulo, Gilberto Kassab anda ocupado aprovando leis de suma importância para a cidade, como a que tirou das ruas milhares de outdoors. Não que isso não seja importante, eu até acho mesmo que a cidade ficou mais bonita, mas, quando lembro que aqui mesmo no meu bairro, após uma simples volta no quarteirão, é imensa a quantidade vista de catadores de papel/mendigos e de esgoto a céu aberto, me pergunto até que ponto certas coisas têm mesmo a importância que se dá a elas.

Mas o que me deixa muito, muito indignada, é saber que certos religiosos fundamentalistas têm passe livre pra inundar a cidade com outdoors com mensagens geralmente nonsense e bizarras. Sobre este assunto, o Marco Aurélio, do Jesus me Chicoteia, fez o melhor e mais engraçado post, então nem vou entrar mesmo no mérito das piadinhas.

Andando pela Radial Leste, próximo à casa do Tuca, há sempre estes outdoors que tanto nos fazem rir. Eu queria saber se o Kassab é evangélico, alguém sabe?

O Tuca definiu bem este que deixei aqui no post... disse que parece uma "nuvem de tags", cheia de palavras-chave de alguma coisa maluca.

Não, minha bronca não tem a ver com meu ceticismo. Se fossem outdoors alusivos ao novo livro do Richard Dawkins, eu também ficaria intrigada. Queria apenas saber o porquê da exceção aberta aos evangélicos.
E, por favor, se alguém se dispuser a decifrar o enigma contido neste aqui abaixo, pode se manifestar nos comentários, que eu vou adorar. :p

Cartaz non sense ou "nuvem de tags", como disse o Tuca

P.S.: Não, o Gilberto Kassab não é evangélico e eu sei... perguntei por perguntar mesmo, sabe? :p

Escrito por Patrícia Köhler
Arquivado em: Comportamento, Cotidiano, Política, Fotografia, Indignação
29 comentários

 


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