Como tirar o passaporte

26.07.08

Bem, eu fui tirar meu passaporte. E resolvi escrever este post, pra ajudar a distribuir informações para os internautas. Vou tentar organizar em tópicos, pra ficar mais fácil.

a) Vou viajar dentro do Brasil, preciso de passaporte, tia Eva?

Não, querido. Passaporte é um documento exigido apenas para viagens ao exterior. E não é exigido para todos os países não, viu? Decore: PACU BOCÓ. Paraguai, Argentina, Chile, Uruguai, Bolívia e Colômbia aceitam entrada de brasileiros apenas com o RG.
Agora, ATENÇÃO. O documento tem de ser novo - e não há consenso sobre o que seria "novo". Depende do fiscal de fronteira - escutei história de gente que foi com identidade emitida quinze anos atrás e entrou na Argentina, escutei que deveria ser identidade emitida há, no máximo, cinco anos. Eu, se fosse você, não arriscava. Renove o RG. Ou tire o passaporte.

Nota para os amazonenses e roraimenses:
há uma expectativa de a Venezuela entrar nessa. Mas ainda NÃO ESTÁ VALENDO. Quer passar as férias do fim do ano em Margarita? Providencie o passaporte.

b) Onde tiro o passaporte, Eva?

Aulinha, aulinha: "A União é responsável por fiscalização de fronteiras e controle migratório." União não é só a fábrica de açúcar. União é essa coisa abstrata que chamamos de Brasil, gerida pelo Governo Federal.
Quem emite passaportes são dois órgãos: O Ministério das Relações Exteriores (passaportes diplomáticos e de trabalho) e o Departamento de Polícia Federal (passaportes comuns e passaportes de estrangeiros). Caso você não seja diplomata, não use capacete azul da ONU e não esteja indo viajar por interesse do Governo, seu lugar é a Polícia Federal.

C) Tudo bem, Eva. O que a Polícia Federal quer que eu faça pra que eu possa viajar?

Chegamos na parte boa. No momento, o Brasil emite DOIS TIPOS DE PASSAPORTE. O modelo antigo tem a capa verde; o modelo novo tem a capa azul e é feito no Padrão ICAO (Internacional Civil Aviation Organization). OS DOIS SÃO PERFEITAMENTE VÁLIDOS, enquanto o novo sistema não é implantado no país todo.

Antes de mais nada, acesse o site do Departamento de Polícia Federal através do endereço www.dpf.gov.br/passaporte.
Escolha seu Estado e cidade.

O próprio site vai dizer qual modelo está sendo emitido na sua cidade. Os atendentes da PF me disseram que Manaus foi a quarta cidade do Brasil a emitir este passaporte novo, depois de Brasília, Goiânia e Anápolis. Manaus, tã-nanã!

O site da PF é muito claro e bem explicado. Mas a gente explica de novo pra você.

D) Quais são os Documentos Necessários para tirar passaporte?

RG - todo maior de 12 anos precisa ter RG.
Caso o seu RG esteja em petição de miséria, tire uma segunda via, ;D. Brincadeira, pode usar a Carteira de Trabalho, carteira de Conselho Profissional (eu usei a minha querida carteira do Conselho de Administração) ou carteira de motorista. Mas ATENÇÃO: a carteira de motorista não informa o local de nascimento. Leve outro documento no qual conste esse dado.

CPF - caso sua identidade já informe o número do CPF, ótimo. Minha carteira do Conselho informa, trá-lálá.

Título de Eleitor - Maiores de dezoito anos têm que ter. Ponto final. Não discuta. "Ah, mas eu voto com a identidade". Problema seu.

Comprovantes de votação ou justificativa da última eleição - Caso você não lembre, cidadão consciente, a última eleição foi em 2006, e houve segundo turno do Lula contra o Alckmin. Então, encontre aqueles papeizinhos pequenos que do TRE, primeiro e segundo turno de 2006, e leve. PRIMEIRO E SEGUNDO TURNO.

"Ah, eu perdi aqueles papeizinhos pequenos do TRE!"

Calma. Vá no site do TSE, e emita uma Certidão de Quitação Eleitoral.

"Ahhh, o site do TSE tá dizendo que meus dados estão incorretos, favor comparecer ao cartório eleitoral!"

OU

"Ahhhhhhh, eu estou em dívida com o TSE porque não votei em algum pleito!"

OU, mais comum,

"Ahhhhhhhh, o site do TSE não abre!"

Vá ao TRE, ou ao cartório eleitoral mais próximo da sua casa, e solicite a Certidão de Quitação Eleitoral. Já vou avisando que só é gratuita caso você emita pela internet. E o site do TSE vive fora do ar.

Fica a lição: nas próximas eleições de outubro, guarde os papeizinhos do TRE, PRIMEIRO E SEGUNDO TURNOS. É de graça. E, se possível, vote direito.

CASO VOCÊ SEJA HOMEM COM H, entre 18 e 45 anos:

Documento militar.

Caso você tenha mudado de nome ao casar ou separar:

Certidão de casamento. ORIGINAL.

"Eu casei, mas na minha identidade ainda consta o nome de solteira. Posso tirar o passaporte com nome de solteira?"

NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO. E você está cometendo falsidade ideológica, sabia? Vá trocar essa identidade. Se não queria, pra quê mudou de nome, então? Bem feito pra tua cara.

Caso você seja menor de dezoito anos:

Seu pai e sua mãe precisam ir com você

OU

Um dos dois e autorização do Juizado

OU

O responsável legal com autorização do Juizado.


Caso você tenha passaporte antigo:

Levar o passaporte antigo.

Caso tenha perdido o passaporte antigo, ou sido roubado:

Informe isso no preenchimento do formulário on-line da Polícia.

Ufa. Cabe ainda dizer que NÃO PRECISA LEVAR XEROX. Bastam os documentos originais. Salve a natureza, gaste menos papel.

Então. Pegue seu RG, CPF, Título, Comprovantes, certidões e volte para a frente do computador, pois agora você vai digitar tudo isso no site da PF. Vá lá. Eu espero.

Não esqueça de preencher no formulário o posto da PF DA CIDADE ONDE VOCÊ PRETENDE TIRAR O PASSAPORTE.

"Ah, o site da PF caiu!"

A vida é cruel mesmo. Enquanto eu preenchia o meu formulário, caiu CINCO OU SEIS VEZES. O site é ruim, o mundo é dos fortes. Tente de novo.

Quando você conseguir vencer o site da PF, vai aparecer um protocolo. Imprima. Imprima também o boleto bancário, com a taxa para emissão de passaporte.

A facada? R$ 156,07. Respira. Respira. Respira. Tanta gente queria ter a chance de viajar, olha pelo lado bom. Respira.

Ah. Caso seu passaporte anterior esteja perdido ou tenha sido roubado,meus pêsames, a taxa é em DOBRO. Respira. Respira. Respira. Pensa que isso é pro seu bem, pros bandidos mal-intencionados não saírem "perdendo" passaportes de propósito.

Tudo bem, pode chorar um pouquinho agora. Acabou a primeira parte.

E) Já preenchi o formulário on-line da Polícia Federal, já imprimi o protocolo e o boleto. E agora?

Agora é pagar a taxa. Ao menos uma vantagem: o boleto é pagável em qualquer lugar. Bancos, loterias, caixa 24 horas, INTERNET BANKING, olha que beleza.

Fui pagar minha taxa no caixa 24 horas do Branco do Brazil, e NÃO É POSSÍVEL PAGAR usando a opção GRU. O que é estranho, pois se trata de uma GRU - Guia de recolhimento da União. Só consegui pagar utilizando a opção "pagamento de títulos". Estranho. Qual o porquê disso? Não sei, João Grilo, só sei que foi assim.

Pagou? Pegue os documentos, o protocolo, o boleto e o comprovante de pagamento e vá até o posto da PF.

f) Sou atendido no mesmo dia?

Depende. Depende. Depende. Aqui em Manaus, os atendentes me explicaram que a procura aumenta e diminui sazonalmente. Em Junho, Julho, Novembro, Dezembro e Janeiro, a procura é imensa, é absurda, chega a ser feito agendamento prévio de até quinze ou vinte dias de espera. Na época que eu fui (Maio), não tinha NIN-GUÉM. Tudo vazio, cheguei e fui sendo atendida, um sonho.

Mostrei meus documentos, a servidora conferiu com os dados que eu já tinha preenchido na internet. Depois, ela pegou minhas dez impressÕes digitais num scanner de dedos, uma coisa assim, CSI. Assinei numa mesinha digital, minha assinatura apareceu no computador. Depois, bati a foto lá mesmo, máquina digital.(Tomei o cuidado de fazer a sobrancelha na véspera.) E depois, ela disse que o passaporte chegava em seis dias úteis. Não é ótimo?

Vi no site da PF que alguns lugares fazem agendamento pela internet. Uma amiga minha de São Paulo avisou que o agendamento on-line nos postos de São Paulo-capital está pra MAIS DE TRÊS MESES de espera.

Manaus não tem agendamento on-line. AINDA. Corram.

F) Porque demora uma semana pro passaporte chegar?

Quem confecciona os passaportes é a Casa da Moeda, que fica no Rio de Janeiro. Do Rio pra Manaus leva um tempo, né? Ainda mais que em Manaus não tem Sedex 10. Querem que eu repita? EM MANAUS NÃO TEM SEDEX 10. Ê, Brasil.

Talvez nos outros Estados seja mais rápido, não sei. Leitor do Cintaliga, conte sua experiência nos comentários!

G) E como faço no dia de pegar o passaporte?

Volte no mesmo lugar, levando a identidade. Vão conferir sua impressão digital de novo, você repete a mesma assinatura da mesinha digital no próprio passaporte, e assina um recibo. E pronto!

Links úteis

Departamento de Polícia Federal
Polícia Federal - Passaporte
Polícia Federal - Consulta ao andamento do Passaporte Modelo Novo (Pra saber se seu passaporte já chegou.)
Ministério das Relações Exteriores - Tabela de vistos (Esse é legal. Diz quais países exigem visto, quais não pedem.)
Tribunal Superior Eleitoral
Tribunal Superior Eleitoral - Quitação Eleitoral
Consulados - Clique no país para onde você quer viajar, e descubra onde ele tem representação diplomática no Brasil. Não se assuste com o visual "Internet da época da Cigana Dara" do site.

Últimas observações:

Caso sua cidade ainda não emita o passaporte azul, o procedimento é diferente do que eu falei aqui. E a taxa é de R$ 89,71.

Planejar-se com antecedência é a melhor garantia contra dor de cabeça. Tá pensando em viajar? Tire logo o passaporte, de preferência SEIS MESES ANTES. Ou mais!
Dê o tempo necessário para a Lei de Murphy entrar em ação. Permita que o universo conpire CONTRA você. E que você possa passar a perna nele. E se todas as linhas de fibra ótica de internet forem rompidas?E se o sistema cair no dia que você for lá na Polícia Federal? E se o avião que trazia seu passaporte explodir no ar? E se? E se? E se? Você não vai querer estar com prazos apertados, certo?

O passaporte não é válido por tempo indeterminado. Vale por cinco anos. Antes de comprar a passagem, vale dar uma conferida na validade daquele passaporte guardado no fundo da gaveta. Lembre-se de Murphy.

Não existe revalidação nem renovação de passaporte. Venceu, tem que mostrar todos os documentos e pagar a taxa para um passaporte completamente novo, COM NUMERAÇÃO DIFERENTE. Nada de desconto.

A partir do momento que a criança sai da barriga da mãe e tem certidão de nascimento, já pode ter passaporte. Só que passaporte de criança vale por menos tempo.

De zero a um ano, vale por um ano;
de um ano e um dia a dois anos, vale dois anos;
de dois anos e um dia a três anos, vale três anos;
de três anos e um dia a quatro anos, vale quatro anos;
De quatro anos e um dia em diante, vale cinco anos.
Novamente, nada de descontos. Taxa igual.

A maioria dos países exige que o passaporte ainda tenha seis meses de validade DEPOIS da sua data de entrada naquele país.

A maioria dos países gosta de turistas, e não exige visto para quem vai só passear. Mas confira antes. Pesquise.

Ah, sim, claro. Em setembro, eu viajo para a Irlanda, passar um mês estudando inglês. :D Aguardem mais textos desse tipo.

Escrito por Menina Eva
Arquivado em: Comportamento, Cotidiano, Turismo, Jornalismo, Crianças
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Eu e Balão Mágico

08.04.08

Eu não assisti ao programa na TV. Eu não lembro do Tob, pelo qual a Luciana e a Patrícia, minhas colegas de blog, suspiram. Não lembro nem da Simony cantando com o Roberto Carlos - essa imagem eu só trago na memória graças ao Vídeo Show e ao Youtube.

Mas eu lembro das músicas, ah, como lembro. Eu tinha as fitinhas cassete.

Não sei dizer como é que eu tinha as fitas. Muito provavelmente, minha mãe comprou pra mim quando eu tinha um ou dois anos, porque eu nasci em 1985! Passei a primeira metade da década de 90 ouvindo Balão Mágico, o que comprova que esse meu anacronismo, de gostar do que está fora de moda, começou cedo.

Quem tem pai músico tem espaços musicais dentro de casa; eu ficava longo tempo na salinha de música, ouvindo minhas fitinhas do Balão. Dez ou quinze vezes seguidas, como convém a todo filho único.

(É adequado aqui relembrar como é o mecanismo de escutar uma fita cassete, pois deve haver leitores que não pegam numa fitinha há dez anos ou mais. A fita cassete tem lado A e lado B, ou "Programa A" e "Programa B", como vinha escrito. Você colocava a fita dentro do toca-fitas, apertava o play e ela começava a rodar. E aí, rodava em sequência, porque não dá pra separar as FAIXAS em uma fita. Se você quisesse pular uma música, tinha de acelerar a rotação e parar, escutar o pedaço que estava, acelerar de novo, escutar de novo, até ajustar. Nessas idas e vindas, perdia-se um tempo enorme, mas nada que uma criança de sete/oito anos não suportasse.

Nesse pula-pula de músicas, tinha uns esquemas. A fita tinha dois lados. Quando a música 3 do Programa A estava começando, você podia apertar stop, virar a fita, e ouvir o FINAL da música 3 do Programa B. Isso gerava toda uma gama de combinações, do tipo "Vou ouvir as três primeiras do programa A, virar, acelerar até o final da terceira do programa B, ouvir a quarta do Programa B e virar de novo pra ouvir a quinta do programa A".

E tinha as contagens. "Ouve a primeira música, aperta o botão de acelerar e um e dois e três e quatro e cinco e seis e sete e oito e PLAY!" E eu acertava direitinho o início da terceira música! Isso requeria bastante prática.

"Mas Eva", vocês perguntarão, "porque não ouvir a fita toda na sequência, com todas as músicas?" E eu responderei que eu queria pular as músicas que eu não gostava, oras (Esqueceram que eu era filha única?).

Nas minhas manhãs solitárias - jamais gostei do programa da Xuxa, olha o anacronismo aí, gente! - eu ficava lá, em companhia de Putz, o Grande Mago, que anda por um triz, pois fez sumir o seu amor e não pode ser feliz. Também tinha um gato que sempre entrava na tuba do Serafim, e um outro gato, que vivia sempre com um prato na mão. Era o Garfield.

Tinhas as músicas engraçadas. Eu gostava particularmente de Papabaquigrifismo. Porque eu me identificava COMPLETAMENTE com a personagem. Reparem:
"Meu nome é Clara dos Anjos Santos, sou professora, sou coisa e tal. Falou difícil? Falou comigo! Sou super-hiper, sou maioral...Eu tô sabendo, eu sei tudinho. Meu apelido é sabidão. Falou difícil? Falou comigo! Sou geniozinho, sou campeão!".

E vinha aquele refrão delicioso que eu aprendi a cantar de pura birra:
- Pa-pa-ba-qui-grifo!
- Pa-pa-ba o quê?
- Pa-pa-ba-qui-grifando!
- Não tá dando pra entender!
- Pa-pa-ba-qui-grifo!
- Pa-pa-ba o quê?
- Ora, vai vai vai!
- Ora, vai você!

Outra música que era muito engraçada, que contava uma parte da minha vida, era a alérgica "Ai, meu nariz". Eu fui uma criança asmática, alérgica a poeira no último grau, não podia tomar gelado (fui tomar picolé com DEZ ANOS, minha gente). Imaginem o que eu sentia: "Eu não sei o que é que eu fiz, eu só sei que o meu nariz funga, funga-a-a-a-ahhh... "

Não posso me esquecer das canções catárticas. Sim, sim. Aquelas que me faziam chorar, chorar, chorar, de tristeza por causa dos meus inúmeros, imensos, insolúveis, indescritíveis e infantis problemas pessoais - porque eu, como toda criança normal, me achava anormal. "Você é música" (linda, linda, poderia ser gravada por qualquer cantor adulto) me fazia pensar em como eu, sendo feia e gorda, nunca conseguiria ser feliz (céus, eu tinha preocupações existenciais aos sete anos); tinha a da excursão do ônibus, que hoje eu sei que é a Baby Consuelo do Brasil cantando, mas na época eu jurava que era minha professora, a Tia Marina; e tem aquela que é melhor nem lembrar porque senão eu..chuif...

E, é claro, é lógico, tem o super-mega-hit. Superfantástico. Todo mundo que ouviu essa música deve ter virado fã do Djavan, né? Eu virei!

No mais, foram horas doces, ingênuas, animadas. Eu nunca percebi que eles já tinham se desmanchado, porque eu nunca senti necessidade de vê-los na TV. Desde criança, o que importava pra mim era a música, e não a "atitude" do artista. A turma do Balão Mágico fazia shows lá em casa, sempre que eu queria. Eu deitava na rede e cantava junto, comendo biscoito Passatempo, num lugar onde a Terra era azul, azul tinteiro, azul luar. E, mesmo sendo asmática, filha única, anormal, eu fui uma criança bem feliz.

P.S.: Só quando começou esse revival dos anos 80 é que eu fui entender que eu NÃO TINHA vivido nada nos anos 80. Eu simplesmente não lembro da música do He-man, gente. Minha mãe lembra e canta inteirinha. :D
P.P.S.: É tão bom poder ser fã do Balão junto com a Pat e a Lu. Mesmo eu tendo nascido uma geração atrasada, me sinto parceira delas nisso. Acho que elas concordam. E vamos repartindo esse amor que faz viver.
P.P.P.S.: Eu não copiei nenhuma letra usada nesse post da internet, tudo saiu da minha cabeça musical; mas elas podem ser encontradas aqui. E também vale dar uma passadinha no bastante completo site Músicas Infantis 80.
P.P.P.P.Papelão.S.: É tão bom te ver / Chega mais pertinho / Faz um carinho / Gosto de você...

Child-Friendly

11.03.08

Se tem uma coisa que me deixa embevecida é a infância.

Tudo o que a ela diga respeito: desenhos animados, filhotes, cores
pastéis, musiquinhas que pareçam compostas para celesta (pense em "O
quebra-nozes"; pense na Fada Açucarada: é aquilo), caixinhas de música,cadeiras pequenas de plástico, revistas da turma da Mônica, beijinhos (daquele tipo que vem com cravinhos-da`-Índia espetados).

Fico encantada com músicas de criança, roupas de criança, apetrechos de criança.

Mesmo sabendo que crianças não são anjos e dão muito trabalho, eu tenho especial admiração por gente de menos de um metro. A capacidade de considerar o mundo como um lugar bom, constantemente renovado, surpreendente, e tão interessante que dá até vontade de colocar na boca.

As crianças vivem do jeito que a vida deve ser: confiantes na proteção de alguém mais inteligente, destemidas no momento de experimentar algo novo, fugindo do que causou dor, expressando incômodo a altos brados (ou alguém já viu uma criança reprimir fome, sono, dor? Isso de introversão é coisa de gente com mais de um metro).

Mas, de longe, a coisa que mais eu gosto na criança é do olhar. Aquele par de olhos grandes e brilhantes, abertos, querendo ver, ver, ver tudo -inclusive quem é aquela moça de cabelo preto fazendo caretas na frente!

(Texto do dia 14.03.2006, mandado pra minha lista pessoal de e-mails)

Escrito por Menina Eva
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Brincar de boneca - Nível avançado

26.02.08

Visitei uma exposição no Shopping. (Aqui em Manaus, quando você fala "o Shopping", todo mundo sabe qual é. Não que só tenha um: tem cinco ou seis shoppings grandes, mas "o shopping" foi o primeiro.)

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A exposição fala sobre a evolução histórica das roupas. Mais especificamente, da roupa feminina. Mais especificamente, dos vestidos. Mais especificamente, dos vestidos franceses. Da idade média aos anos 50.

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Tá, e daí? Daí que as modelos são bonecas! Com vestidos de época!

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As roupas estão lindamente acabadas. Pra mim, que lido com teatro, é enlouquecedor ver tantas roupas lindas e cheias de ricos detalhes. Rendas, laços, flores! Dá vontade de dançar um minueto...

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Cá entre nós, essa exposição é a cara do Cintaliga, então eu PRECISEI escrever sobre ela!

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A exposição está encantadora. A sensação de proximidade com a figura humana vestida, muito mais charmoso do que se fossem usados manequins, é o forte. Além do mais, os textos explicativos sobre o momento histórico relativo a cada vestido estão muito claros, e evidenciam as interessantes relações da arquitetura com a moda. Fernanda comentou comigo que a saia ampla do Renascimento imitava o formato dos sinos de Notre-Dame. Essa bonequinha abaixo veste-se como uma contemporânea do Leonardo da Vinci.

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Depois veio o Barroco. O homem debatia-se entre contrastes, o pecado e a virtude, as formas exageradas e a vida simples, o céu e o inferno. E a mulher? Bem, ela era assim.

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O rococó levou o Barroco às últimas consequências. Acrescentou enfeites, riqueza, um toque de futilidade, sim, que nós adoramos isso. Flores, rendas, fitas, laços, tudo ao mesmo tempo! Eba!

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No reinado de Luís XVI, as mulheres descobriram que fazer esculturas com os próprios cabelos era garantia de sucesso nos salões. Um penteado assim podia durar meses, fixo no lugar com cera. Pensem na quantidade absurda de piolhos! Eca!

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Na época de Napoleão, a moda era parecer grego. Ai, ai. Sou só eu que acho lindo?

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Já no Período da Bèlle-Epoque, as mulheres precisavam ser esguias, cheias de curvas.

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Nos anos 20, as mulheres promoveram a primeira revolução feminista. Ficaram malucas, mostraram os joelhos, tornaram-se seres vaporosos e diáfanos.

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A última bonequinha vem vestida com o new look de Christian Dior. Depois de duas guerras mundiais, os anos de fartura trouxeram de volta uma moda mulherzinha, com grandes saias rodadas, cintura marcada. Ser feminina era um privilégio de tempos de paz.

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Fernanda Gomides, a expositora, já foi estudante de moda e hoje em dia cursa Design e estuda francês na Aliança Francesa, que promove a exposição. Ela estava lá, circulando na exposição, e eu e ela agarramos num papo de uma hora e meia.

Ela me falou que teve ataques de ódio contra o cabelo cor de rosa das bonecas; tentou tingir, tentou cortar, mas não teve jeito. Me falou dos materiais que usou, da máquina de costura temperamental. Dos estilistas de Madame Pompadour. Da próxima exposição que está montando, sobre a história do sapato.

Eu comentei sobre a idéia incrível de botar as bonequinhas como modelos. A exposição ganha um ar lúdico, a gente se sente próximo. Caras, elas estão vestindo as roupas que eu sempre quis colocar nas MINHAS bonecas.

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Não é incrível notar que, mesmo sendo reprimida, presa e tratada como propriedade masculina, a mulher sempre teve uma cultura toda própria?

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Ela sonha com um beijo de amor de um príncipe encantador

03.01.08

Entre os adoradores de cinema, existe um tipo de dogma: filme dublado não presta. Bom mesmo é escutar o áudio original.

Inclusive alguns adultos que nunca deixaram de ser crianças fazem esse discurso. E ficam se lamentando, batendo a cabeça na parede, porque no Brasil, esse país atrasado, só duas ou três salas têm cópias legendadas de desenho animado.

Acontece que cinema é mercado. E quando se tem um produto em mãos, os esforços de venda são dirigidos ao público que se julga adequado. Filmes são produtos, assistir é consumir, e o público-alvo de animações, Harry Potter e alguns outros filmes [comédias leves, aventuras] é o público infantil - que, quando sabe ler, não lê depressa o suficiente para acompanhar as legendas. Sim, queridos, lamento muito, mas o mundo é cruel e feio, e as pessoas gostam de ganhar dinheiro. Eu gosto!

Aliás, alguns cinéfilos radicais que gostam de filmes com apelo infantil entram em estado de desespero absoluto quando a sala de cinema esta cheia de... crianças! Absurdo dos absurdos. “O que essas criancinhas gritalhonas estão fazendo aqui, assistindo a Ratatouille? Oh, céus, vamos todos engolir rolos de película em protesto. Vamos soltar pombos CGI em passeata, para que os cinemas exibam desenho depois das onze da noite.”.

E, o que eu acho mais curioso nesse chororô todo quando do lançamento de algum filme-família [ficou feio agora dizer que o filme é infantil; tem que ser "filme pra toda a família"], é que todos os cinéfilos-que-gostam-de-filmes-com-apelo-infantil [crianças crescidas?] assistiram a Dumbo, Mary Poppins, Chaves e, mais recentemente, Cavaleiros do Zodíaco em suas dublagens brasileiras - ótimas, por sinal. Por que esse drama?

Eu assisti a "Encantada" no cinema. (Eu sou uma criança crescida que usa sutiã 44 e cinta-liga G, assumo. Adoro filmes infantis.) Fiquei absolutamente deslumbrada. Os bons tempos da Disney estão de volta. Os tempos pré-Shrek. Deixe o trailer do filme carregando e venha ler o resto do meu texto.

É um conto de fadas. Tem mocinha ingênua, bichinhos do bosque, tem bruxa malvada, tem príncipe montado num cavalo branco. Até florzinhas no cabelo (LOIRO, como sói acontecer) a mulher tem.

O filme começa como desenho animado. Mas aquele clássico: bosque com árvores retorcidas, passarinhos, cervos, coelhinhos fofos, esquilinhos. Aquele bosque onde a Branca de Neve acorda, onde a Bela Adormecida mora com as fadas, onde o Bambi passeia com a mãe dele. O Bosque Disney. Você certamente passou muitas tardes lá.

Giselle é uma mocinha que conversa com os bichos, exprime seus pensamentos por meio de canções que ela vai inventando enquanto canta, mora na casa da árvore e passa os dias esperando um príncipe com quem poderá trocar um beijo de amor verdadeiro. Rá, grande coisa, eu também.

Quando o Príncipe Edward a salva de um ogro verde feio e mau, eles se apaixonam e marcam o casamento. Segue transcrição do diálogo:

- Então é você?
- Sou. E você, quem é?
- Giselle.
- Giselle! Nós vamos nos casar amanhã!

Eu ADORO essas coisas. É uma piada interna muito inteligente.

Bem, o príncipe é enteado de uma rainha malvada e versada nas artes da feitiçaria, como toda rainha que se preze. A Elizabeth II não tem a menor graça. E, quando a rainha nota que a camponesa panaca vai casar como príncipe e tomar o seu lugar, providencia pra que ela saia do caminho. Arremessa a bichinha no poço.

E, depois de muito cair (numa leve citação a Alice no País das Maravilhas), ela sai num bueiro em Nova Iorque.

E aí, tudo vira festa. Imaginem uma ingênua e pura princesa de um reino mágico vivendo nos nossos dias. Acreditando que amor dura pra sempre, que os bichos são nossos amigos, que cantar é um jeito natural de realizar coisas.

Eu sorri durante o filme inteiro. Personagens secundários cativantes (o príncipe Edward e suas mangas bufantes, que pensa que a TV é um espelho mágico; o esquilo Pip, que não entende como não consegue falar em Nova Iorque; Susan Sarandon confortabilíssima como Rainha Má); lindos números musicais (o musical no parque é absolutamente INCRÍVEL, tem tudo: velhinhos, velhinhas, noivas, pombinhos voando, skatistas, balões de Hélio, arcos de flores, jamaicanos, mariachis. Ai, ai, eu adoro musicais.).

Vão assistir. A dublagem brasileira esta ótima, as musicas estão lindas, do mesmo naipe da dublagem de Mary Poppins. (Aliás, lembrei de Mary Poppins muitas vezes, deu vontade de rever.) Esse filme entrou no cânon. Musical, comédia romântica, desenho animado, conto de fadas, blockbuster. Vão, vão, vão. E saiam do cinema com vontade de usar saia rodada e fitinhas no cabelo, cantando as músicas e sonhando com um beijo de amor que prenuncie que seremos felizes para sempre.

Ah, e claro: na sessão que eu fui, as crianças estavam envolvidas no filme, rindo na hora que era pra rir, torcendo na hora que era pra torcer ("vai, vai, beija, beija”), e fazendo TODA a diferença. Saí do cinema com o coração leve, a alma contente. E diversão não é exatamente isso?

P.S.: A secretária do advogado é interpretada por Jodi Benson, a dubladora da Pequena Sereia na versão original.
P.P.S.: O ogro usa as conchas da Pequena Sereia como brincos. Quer saber mais coisas assim? Leia na wikipedia em inglês. Se você não lê inglês, aprenda. Enquanto aprende, leia essa resenha do G1, por Débora Miranda.
P.P.P.S.: Leia uma entrevista com o diretor Kevin Lima, onde ele esclarece que a cena de Giselle subindo a colina verdejante no Central Park não foi baseada n'A Noviça Rebelde, mas sim em A Bela e a Fera. Os meus amigos no cinema pensaram que era homenagem aos Teletubbies...
P.P.P.P.S.: Algumas frases do filme, no IMDB.
P.P.P.P.P.S.: Deu pra notar que fiquei viciada no filme?

Escrito por Menina Eva
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A princesa na torre

01.11.07

Eu tinha uma coleção de livrinhos coloridos. Eles vinham com fitinhas cassete da mesma cor do livro. Amarelo, laranja, verde, azul. Não lembro o nome nem a pau, mas a mamãe tinha muito carinho e cuidado com essa coleção minha.

Tinha a história d´A Galinha Ruiva, que plantava o trigo, colhia o trigo, levava até o moinho, e nenhum dos vizinhos ajudava. E então ela fez um bolo com a farinha, e todos os vizinhos queriam ajudar a comer o bolo - mas essa ajuda a galinha ruiva dispensou! Mamãe conta que eu não admitia que ela dissesse " A Galinha Ruiva". Lembro-me perfeitamente da minha teimosia: "É Agalinha Roiva, mamãe!"; hoje em dia, não tenho idéia sobre qual obscuro motivo está por trás dessa minha obstinação. O que é uma pena, eu gostaria muito de saber.

Minha história favorita desde sempre foi Rapunzel. E acho que virou minha história favorita por causa da versão deste livro. Eram desenhos lindos, estilizados. Fora o fascínio da própria história. A mãe da Rapunzel, uma grávida daquelas, teve desejo de comer os rapuns que nasciam no quintal da vizinha. [Na minha fitinha, a mãe da Rapunzel dizia: "Quero rapuns, querido. Rapuns. Rabanetes!" Pesquisando no Google, descobri que na verdade o nome em português seria rapúncio.]
A vizinha - que é uma Bruxa, CLARO - pega o pai da Rapunzel no flagra roubando os "rabanetes". E propõe uma troca muito justa: ele pega os rabanetes e ela fica com a criança que vai nascer. E o pai, pouco ligando pra conselho tutelar, topa.
A criança nasce, a Bruxa cumpre o acordo e leva a menina embora. E chama a menina de Rapunzel, que quer dizer... rapúncio! [E não rabanete! Passei minha vida acreditando nisso...]
A Rapunzel passou anos e anos trancada numa torre sem porta, só com uma janela no alto. E, como toda heroína de contos de fada, é a mulher mais linda do mundo - e é loira. Que ódio eu tinha disso. A Cinderela, a Barbie, a Marilyn Monroe, a Madonna. Todas loiras. Todas lindas. E eu, gordinha, de cabelo ruim.

Mas, mesmo sendo loira e linda, ela foi crescendo, e o cabelo crescendo junto. Ficou com o cabelo tão comprido, que a Bruxa o prendia em duas tranças, e subia na torre por ele, e descia também, de rapel. E eu ficava pensando na imensa paciência que a Bruxa devia ter com o cabelo da Rapunzel, e acabei concluindo que ela não devia ser tão bruxa assim.

E aí, a Rapunzel ficando sozinha quase o dia inteiro, cantava pra matar o tempo, já que ainda não tinham inventado as palavras cruzadas. Como também não existia cultura pop, ela não tinha platéia nem gravava cd's. Mas, um dia, um príncipe - que também não tinha palavras cruzadas pra resolver - estava cavalgando perto da torre e escutou a Rapunzel cantando. Ele era meio tímido pra pedir um autógrafo, então todo dia ele voltava pra ouvir mais um pouco.

Linda, loira, recordista de cabelo e ainda canta bem? A Rapunzel é o máximo.

Um certo dia, a Rapunzel interrompe o show pra deixar a Bruxa subir. E o príncipe vê toda a lenga-lenga, a Bruxa gritando a senha

- "Rapunzel, jogue-me suas tranças!"

E subindo pelo cabelo da menina. O príncipe achou aquilo muito engenhoso, e resolveu tentar também. Foi só a Bruxa ir embora que ele gritou a senha, e a Rapunzel - que é LOIRA, não esqueçam - saiu jogando o cabelo sem prestar muita atenção, e ainda LEVOU UM SUSTO quando viu um homem lá em cima no quarto dela.

Mas o susto foi breve. Foi só o Príncipe dizer que gostava do som que ela fazia que ela já se derreteu toda. A fama subiu à cabeça, e ela já foi fazendo planos sobre como o príncipe ia ajudá-la a descer dali. Todo dia, ele ia vir, gritar a senha, e subir trazendo um pedaço de pano, e ela ia tecer uma escada com os paninhos.

E porque ela não pensou em cortar o próprio cabelo, amarrar em algum lugar e descer por ele? Ela é LOIRA, não esqueçam.

O plano ia muito bem, obrigada. Mas a Rapunzel, LOIRA, um dia se distraiu enquanto a Bruxa subia e perguntou, loiramente:

- Porque a senhora é tão mais pesada que o príncipe?

Ela foi a pessoa que teve o maior cabelo loiro do mundo, relevem.

A Bruxa, sentindo-se traída, roda a baiana, corta o cabelo da Rapunzel [o que deve ter sido um trauma pavoroso] e joga a menina num deserto bem distante, sem passagem de volta. Fica esperando o príncipe aparecer e gritar a senha, joga a trança pra enganar o rapaz e empurra o cara lá de cima da torre. Ele cai bem em cima de um espinheiro e fica cego. [A figura do espinheiro era APAVORANTE no meu livrinho. E o barulho da queda? Brrr.]

Cego e sem namorada, o príncipe vaga durante ANOS [ANOS!], até que um dia, claro, na última pagina do livro, ele ouve a voz dela clamando cantando no deserto, e rola a maior emoção no reencontro.

E AÍ vem a minha parte favorita. A Rapunzel chora com o príncipe deitado no colo dela. E a pureza dos sentimentos dela é tão enorme, que as lágrimas dela CURAM a cegueira do príncipe, permitindo que eles vivam feliz para sempre, como deve ser com todo casal que se ama e enfrente dificuldades pra ficar junto.

Eu era simplesmente vidrada nesse final. O fato do amor da Rapunzel ser tão imenso a ponto de fornecer a ela poderes meio mágicos. O fato de a pureza dela ser ponto fundamental no final feliz.

Que o amor é realmente meio mágico, eu só vim aprender anos mais tarde. Mas talvez eu não tenha mais a pureza da Rapunzel, e por isso as minhas lágrimas não têm o poder de curar os machucados que causei.

Só que eu sou incorrigível: continuo acreditando em finais felizes.

P.S.: Sinal dos tempos: descobri pela Wikipedia que a Disney vai fazer a história da Rapunzel. (Pra quem não lê inglês: clique aqui.) E as figuras aquareladas do meu livrinho colorido vão virar animação digital. Medo, medo. Eu confio muito na Disney, não confio é nessa lógica do cinema moderno, onde todo filme infantil tem que ter piada pros adultos rirem. E um personagem secundário histérico. Ao menos, a Rapunzel está LINDA. Vejam aqui.
P.S.: Outras pessoas disseram que também tinha a coleção de livrinhos e fitinhas, provando que eu não estou alucinada.
P.P.S.: Não sei qual dos nossos Arqui-Inimigos fez a devassa nas nossas senhas, mas estou muito, muito chateada. Nem sei o que dizer. Melhor ficar calada.

Escrito por Menina Eva
Arquivado em: Cinema, Infância, Crianças
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