Dublin starts with a D...of DISASTER!
11.09.08
Segunda feira, oito de setembro. Acordei as sete da manha, atrasada. Tomei um bom cafe , torrada com nutella. E cha. Alias, quando a Margaret me ofereceu cha e eu perguntei 'de qual tipo?', ela respondeu, 'cha, ue.' Aqui eles soh bebem cha preto com leite. Eh bom. Falei pra ela do Cha mate,mas ela nao conhece.
Moro do lado do ponto final do onibus. O onibus eh estatal (Dublin Bus, que se pronuncia D'ablin B^os, socorro, nao tenho acentos nem cedilha, Luciana, ajeita isso aqui!) e eh OTIMO. O pagamento soh pode ser em smart card ou moedinhas. Nao podem ser moedinhas de chocolate.
Desci no Centro de Dublin, na parada errada (desastre 1), e sai andando e perguntando o nome das ruas, pois nao ha placas muito visiveis(desastre 2). Todas as pessoas com quem falei foram legais, nada daquilo de to com pressa, pergunta pra outro. Porem, ninguem sabia onde ficava a minha escola (desastre 3). Rodei em circulos um tempao, com mapinha na mao, vi um monte de restaurante chines e thailandes, e uma loja de espadas japonesas. Evitei o desastre numero 4 quando salvei uma coreana que ia atravessar na frente do Tram (trem de superficie), que eh eletrico, incrivel e perigosamente silencioso. A coreana perguntou onde ficava uma certa escola de ingles... A MINHA! Ambas perdidas no primeiro dia. Depois de muito andar em circulos, achamos a escola. Fica num beco, mas mamae nao precisa ficar preocupada, que o conceito europeu de beco eh melhorzinho. ![]()
Cheguei 45 minutos atrasada (agora sim, desastre 4) e fiz o teste de nivelamento. Tirei 55 de 100 (desastre 5, eu achando que estava acertando tudo). Fui pra minha aula. 7 alunos, 4 brasileiros (desastre 6). A aula foi legal. Tem um alemao na minha turma que enxerga usando duas aguas marinhas na cara. Eu prefiro os morenos, mas Betty Faria, ateh o Reginaldo Faria, e tu, Claudia, Farias.
Tem cafe, cha, chocolate e biscoito de graca no intervalo, e eu tenho aula de conversacao. Arrasei na conversacao, pois o tema era o LHC (grande colisor de hadrons) e eu li recentemente sobre isso, pois... Fisica quantica mexe comigo em varios niveis.
Depois da aula, comi o almoco que a Margaret fofa fez pra mim (nem tah no contrato isso, mas ela faz), e fui pra um city tour num onibus de dois andares aberto em cima, eeeeee. Pretendo repetir o city tour, desta vez descendo nos lugares de descida e subida, pra poder explicar melhor. Fiquei no andar de cima aberto, e enfrentei o frio na cara (desastre 7,8,9,10,11). O frio pode vir forte pois eu sou do Norte - apesar de nao ter muita sorte. O tour eh bem completo, uma ideia otima, : o bilhete dura 24 ohras e tu pode subir e descerem cada uma das paradas, que 15 minutos depois vem outro onibus. Eu nao desci porque a) Nao queria me perder e b) nao tinha ninguem pra bater foto minha, que sem graca.
Dublin tem MUITA historia, eu deveria pesquisar melhor pra escrever direito. Ficam as impressoes:
*passamos pela institution (manicomio?) onde o Jonathan Swift foi internado;
* Ha homenagens aos lideres de uma rebeliao de 1916 ou 19, que foram executados.
* passei numa casa onde o Oscar Wilde morou, e tem referencias ao James Joyce em todos os lugares.
*passei numa cadeia onde umamenina de seis anos foi executada por roubar pao. essa cadeia, na epoca da grande fome da batata (Potato Famine), nao deu conta de prender tanta gente.
* Quase todos os predios sao cinza, e IMENSOS. Nao saem bem na foto de tao altos.
*A fabrica da Guiness eh um mundo. Quase 30minutos do passeio eh sobre a cerveja Guiness, cmoo ela eh otima, e importante, e vende bem, e quem fundou e quem administra e etc etc etc.
*Tem museu de dar com pau,e eu quero ir em todos, to lascada. Prevejo desastres nos museus.
*Passamos em um parque onde eh a csa do Presidente da Irlanda. Alias, passamos em frente a casa do Presidente. Jah imginou algo do tipo em Brasilia? todo mundo batendo foto da Granja do Torto?
*Dublin tem uns predios totalmente cobertos por plantas trepadeiras, lindo, lindo. meio vermelhas, meio marrons, meio verdes.
Findo o city tour, fui pra Peanny's comprar luvao de couro, mano. (Lembram do Pit Bicha?) Enfim, a loja eh como a Riachuelo daqui, um pouquinho mais esculhambada. Luva de couro: 11 euros. Chapeuzinho pra colecao: 3 euros. Andar com as maos quentinhas: NAO TEM PRECO.
Me senti no Brasil, a loja eh uma ZONA. Tem ateh cestao, ahhhh, delicia. Lah,um SUPER MEGA casaco de frio custa 19euros. Da vontade de levar tudo. A galocha custa dez euros, mas eh horrenda demais. Muculmanas chamando pelo maomezinho, sapatos sem par espalhados pelo chao, roupa jogada em todos os cantos. Maior barato.
Entrei numa livraria, a Chapter. O primeiro andar sao liros novos: o segundo eh sebo. A livraria eh maior que qualquer C&A.
Po, caras. Eu caminhei pelas estantes tendo orgasmos literarios multiplos twists carpados eletricos. Livro por vinte centavos. Tem ateh livro do Ruy Castro sobre o Rio. Livros de viagens, historia geografia, revistas, fotografia, ficcao, Mitologia (DOIS ARMARIOS DE MITOLOGIA, DO CHAO AO TETO.). Dah contade de hcorar quando eu penso que soh tenhodireito a duas malas de 32 quilos. Vou jogar minhas roupas no Rio Liffey e encher as malas soh com livros. Nao,nao vou fazer isso, alguem acalme a mamae, por favor. Tem coisas impossiveis. Mamae, tem uma secao (uma secao inteirinha) soh dos Beatles. Edu, Alex, tem um livro magnicamente ilustrado sobre os herois chineses da Dinastia Tan - dez euros! Chorem e se mortiiquem, pois EU estou proxima do Reino dos Ceus. Mitie, prefiro nao comentar sobre o 'Study about Monalisa', que mede quase um tero quadrado de livro. Fal. Fal. Ah, Fal...eu vou ficar calada quando ao livro com gatinhos egipcios na capa. Pollyanna, Senhor dos Aneis First Edition te diz algo? Escutei um ploft de alguem caindo pra tras.
Aqui so escurece as oito da noite, entao eu perdi a nocao da hora. Peguei o onibus, e fiquei tranquila, pois eu soh desco no ponto final. Todo mundo desceu, e o onibus andava, andava, andava, andava , ninguem mais subia. E eu esperando o ponto final. Passei por cenarios de filme de faroestes, com aqueles rolos de feno rolando nos campos (E ISSO EH SERIO, TEM MESMO). Andei, andei, sozinha, e nada do ponto final chegar.
Quando eu vi, o onibus estava parando. NA GARAGEM, junto de outros onibus iguais. (desastre de 11 ateh 254 de uma vez soh.)Levantei que nem uma louca:'oh my god, where we are?????' E o motorista: 'did you fall asleep?' E eu, com jet lag, fome, medo, etc etc etc, crajosa e bravamente enfrentei a situacao: derreti de tanto chorar na frente do motorista. 'Oh,sorry,sorry, i was supossed to hop off at the final stop, i didn't recognized the place, sorry, i will cause you troubles, oh my, oh my, it's my first day, i thought that the driver won't stay at bus at the final stop, oh, oh, oh, what a shame.'
Ele me viu tao nervosa que TELEFONOU PRA MARGARET, perguntou onde ela morava e MARCOU COM ELA UM LUGAR PRA ELA IR ME BUSCAR. E ele me levou NO CARRO DELE , e ainda foi conversando coisas amenas comigo, falando do primeiro ministro, do Gerard Butler, das ferias dele na Espanha.
Margaret pegou uma tremula e esgotada Eva, Cheguei em casa e fui continuar chorando na cama,que eh lugar com aquecedor. Chorei, chorei, me achando a incompetente, que diabos eu estou fazendo aqui, etc etc. Margaret me deu um cha (que nao era de camomila, era preto, o que nao me ajudou muito na hora de dormir), e eu jantei...Pure da batata com batata assada e ervilha e cenoura. Enfim. Peguei o saleiro, joguei sal em tudo porque a comida aqui eh muito sem sabor, apesar de ser linda, e quando comecei a comer....
- What is this? (Ohei o saleiro) Did I comitted any mistake? The food is so spicy!
- What? Don't you like pepper?
- No, but...
- OH, NO! OH, NO!
Bem,em suma. Aqui,contra toda a logica, o saleiro tem um buraco, o pimenteiro tem varios buracos. E a pimenta eh branca. Enfim, estraguei toda a comida. Nao foi um dia muito bom. Mas fiquei conversando com a Margaret sobre pimenta murupi,e ela nao consegue nem imaginar como eh um MOLHO de pimenta. Alias, tambem nao consegui explicar pra ela o que eh um salgado, uma coxinha, tampouco um brigadeiro. Culinaria eh a coisa mais incrivel de uma cultura...
Mas foi soh o primeiro dia.
Hoje jah eh o terceiro, e eu estou bem melhor. Vou sair agora pra comprar um telefone pra mim, com o qual poderei ligar pro brasil a nove centavos o minuto. E depois vou visitar o Book of Kells, que foi escrito em 800 antes de Cristo. Afinal, estou na Irlanda.
Beijos, mais noticias a qualquer momento,
Eva
Correspondente Europeia deste Blog![]()
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Música é vida interior; e quem tem vida interior, jamais padecerá de solidão
10.05.08
Artur da Távola morreu.
O mundo ficou mais chato.
Eu não sei nada da sua vida política, Artur da Távola. Sei que você era do PSDB, mas ninguém é perfeito, não é mesmo. O conheço da TV Senado.O nome do programa que você apresentava era "Quem tem medo da música clássica?" Pra mim, você é um vovozinho legal que explicava música. Claro que eu sei que não era apenas isso. Artur. Eu sei - com a minha cabeça - que você antes de ser vovozinho, foi jovem, lutador, se meteu na política, lutou pelas eleições, inclusive ganhou um monte delas, perdeu o mandato de senador recentemente, porque o Rio de Janeiro é burro, Artur, burro de não votar em um senador como você. Será que sua doença piorou pelo desgosto de perder essa eleição? Não sei nada de sua vida, Artur. Sei que você morreu. E sei que eu gostava muito quando você nos explicava as músicas.
Mais que explicar: você DESTRINCHAVA as músicas. Só assistindo pra entender o didatismo, a paixão, a magia de quando você falava das obras clássicas. Tenho na minha memória sua voz embargada falando da Sagração da Primavera, de Stravinsky - e você me fez escutar a indecência, a animalidade, a vanguarda daquilo tudo. O seu programa mais recente que assisti dissecou aquela Sinfonia de Beethoven. Tchã-tchã-tchã-tchããããã.... E você me ajudou a Enxerguscutar, o tema simples que se repetia, ora executado pelo fagote, ora pelos violoncelos, e de novo pelo flautim, e agora pelos metais. Tchã-tchã-tchã-tchããããããã.
Vimos esse programa há dez dias. Mamãe comentou: "Tá magrinho, ele, né filha?" É, Artur, você estava magrinho.
Tchau, Artur. Você vai fazer muita, muita, MUITA falta pra mim e pra minha mãe aqui em casa. Ela está sentada ali no sofá, e acabou de resmungar: "Acabou-se o meu programa legal." É o jeito dela sentir saudade de você, Artur. Quando o jornal disse que você tinha morrido, nós duas exclamamos ao mesmo tempo: "Não!"
Ah, Artur. Até a próxima.
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Pra este post triste, fica um texto do Artur da Távola. Um dos textos que eu mais gosto. Que NÃO É DO CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE.
"Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo.
Namorado é a mais difícil das conquistas.
Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil.
Mas namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida; ou bandoleira basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
Quem não tem namorado é quem não tem amor, é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes; mesmo assim pode não ter nenhum namorado.
Não tem namorado quem não sabe o gosto de chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho.
Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria.
Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.
Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto.
Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor.
Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira - d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar.
Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.
Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.
Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz.
Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.
Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido.
ENLOU-CRESÇA."
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Alguns links:
Artur da Távola na Wikipedia
Algumas poesias de Artur da Távola
Casa de cultura Artur da Távola
P.S.: O título do post é uma frase do Artur da Távola. Uma das melhores. Uma das muitas.
Framboesa, per brindare um incontro OU Então eu me afogo num copo de framboesa OU Tô de saco cheio, pega uma framboesa e põe na minha mesa
22.03.08
Outro dia, entrei numa livraria com o mui nobre objetivo de olhar, olhar, olhar, se possível ler um livro inteiro e não levar nada pra casa. Deparei com um título interessante. Não decorei nem o título nem o autor, mas era algo como "Vinhos para quem não entende nada de vinho".
O autor começa o livro falando um pouco sobre as espécies de uvas usadas para fazer vinhos brancos e vinhos tintos. E aí começou o meu estranhamento.
Ele descreve, por exemplo, os vinhos brancos feitos com a uva Sauvignon Blanc como sendo vinhos "alegres, otimistas, de sabor ensolarado, recendendo a verão com um sorriso de limão no final".
Um sorriso de limão? Esse cara bebeu, foi?
Eu não bebo álcool. Nenhum tipo de bebida alcóolica. Nada. E não bebo exatamente porque, das vezes que provei, não consegui gostar. Pra mim, vinho é tão-somente "azedo". A distinção mais sofisticada que meu paladar consegue fazer diante de uma bebida alcóolica é "RASCANTE" - ou seja, dá coceira no fundo da garganta.
Não sei enxergar prazer em vinho. Acho bonito, sim, acho chique, sim, adoro as histórias das famílias que passaram gerações pisando uva.
Mas nem mesmo as uvas eu consigo comer - ô frutinha azeda e rascante! Só gosto de passas, porque passas são...doces! Acho que tenho paladar de criança.
E, francamente, se é pra brindar à alegria, ao prazer, eu posso usar qualquer coisa pra brindar, até mesmo água do bebedouro. Uma taça de suco de framboesa pode sim, celebrar o amor; e há muitos romantismos ocultos em um copo descartável, com suco de laranja geladinho.
Um brinde bem docinho a todos os leitores do Cintaliga.

Foto tirada pela Luciana, minha parceira de blog. Modelo: O melhor Suco de Framboesa do mundo.
P.S.: Descubra se você é um enochato, que enxerga sorrisos de limão por aí. Link via Ticcia.
P.P.S.: Músicas que foram parafraseadas no título: "Champagne" (Depsa - Jodice - Di Francia, um clássico da música italiana), "Que se chama amor" (gravada pelo grupo de Pagode Só Pra Contrariar, não consegui encontrar os compositores) "Cerveja" (Leandro e Leonardo gravaram, sei lá quem compôs). Na legenda da foto (botão direito/propriedades), eu parafraseei uma música do Reginaldo Rossi: "Eu hoje viro essa mesa". Tantas músicas sobre álcool, nenhuma sobre suco de framboesa? O mundo é injusto.
Tantas coisas que eu não sei
18.03.08

As coisas orientais que eu não sei
Eu não entendo nada de cultura japonesa.Eu não saberia diferenciar o Jet Li do Bruce Lee. Mas queria muito ter a chance de participar da cerimônia do chá um dia. E queria muito entender o que você fala quando conta sobre aqueles desenhos de olhos grandes.
As coisas literárias que eu não sei
Eu não sei necas de quadrinhos cult. Gostei de ler Sandman. Só li "300" por causa do filme com o Rodrigo Santoro.
Eu nunca consegui passar da terceira página d'O Príncipe, de Maquiavel. Mas sei que ele diz que "é necessário ao príncipe que saiba ser mau".
Nunca li as obras adultas do Monteiro Lobato. Sei apenas que um dos livros se chama Urupês. E sou capaz de fazer ar sonhador e suspirar diante do livro na estante: "Ahhhhhhhh, Urupês!"
As coisas musicais que eu não sei
Eu não gosto muito de guitarra, e não sei dizer qual a diferença entre Metal, Punk e Hardcore (nem sei se existe diferença ao certo, apesar de todos os meus amigos já terem me explicado). Gosto dos Beatles. Do Elvis vestido de havaiano. (Eu sou uma decepção pra você, não sou?)
Eu não sei diferenciar uma obra de Mozart de uma do Beethoven. Mas gosto de ir a concertos, e me divirto horrores.
Eu não sei quem é o grande nome do Jazz atualmente. Mas eu gosto do Armstrong e da Billie, porque meu pai me botava no colo e tocava trompete pra mim. Eu gosto de naipes de metais. Mas eu gosto mais das músicas de Big Band; eu seria muito feliz se pudesse viver dentro de um musical da Metro dos anos 40, junto com o Fred Astaire e a Judy Garland.
As coisas cinematográficas que eu não sei
Não assisti Cidade de Deus. (Não me bata!)
Eu nunca assisti Amarelo Manga. Nem nenhum filme do Godart. Nem sequer um filme iraniano. Mas assisti aquele do Woody Allen (Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo...etc etc etc), e soube reconhecer que foi ele quem inventou a "roupa de espermatozóide", sendo copiado milhares de vezes a tal ponto que isso entrou pro imaginário popular.
E se o assunto é cinema, eu sei que o Hitchcock semore aparecia nos próprios filmes. Nunca assisti a um filme dele sequer.
As coisas da vida que eu não sei
Eu não entendo profundamente sobre nenhum assunto, não conheço raridades, não sou culta, sequer sou informada. Eu não sei discorrer sobre nada. Mas pesco um pouco de tudo. E de tudo, um pouco.
Eu decoro palavras complicadas - convulsão do mundo moderno, pulsões sociais, indicadores de desempenho de políticas públicas, consolidação das leis trabalhistas - e uso nas minhas conversas como se soubesse o que são, mas eu a verdade é que eu sou burra que dói.
Eu sou super burra. Mas você pensa que eu sou muito inteligente, porque eu finjo muito bem fingidinho. Eu sou uma farsa: tenho boa memória, decoro o nome dos cientistas e dos filósofos. Nunca entendi muito bem o que significa a queda da bolsa de valores.
Eu sou comum, querido, comum. Mas tenho devaneios de superstar.
P.S.: Pra não dizer que não sei nada, sei porque o Negro não mistura com o Solimões, sei empregar a crase e a vírgula, e sei sentir sua falta às terças-feiras.
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Sou uma famópia
29.10.07
Sou um Famópio
Baixei da internet “Histórias de cronopios y de famas”, do Cortázar. Em espanhol, porque em português parece ser impossível.
Primeiro, eu vou transcrever um dos contos do livro. Depois, conto uma historinha minha.
****************
“EL CANTO DE LOS CRONOPIOS
Cuando los cronopios cantan sus canciones preferidas, se entusiasman de tal manera que con frecuencia se dejan atropellar por camiones y ciclistas, se caen por la ventana, y pierden lo que llevaban en los bolsillos y hasta la cuenta de los días.
Cuando un cronopio canta, las esperanzas y los famas acuden a escucharlo aunque no comprenden mucho su arrebato y en general se muestran algo escandalizados. En medio del corro el cronopio levanta sus bracitos como si sostuviera el sol, como si el cielo fuera una bandeja y el sol la cabeza del Bautista, de modo que la canción del cronopio es Salomé desnuda danzando para los famas y las esperanzas que están ahí boquiabiertos y preguntándose si el señor cura, si las conveniencias. Pero como en el fondo son buenos (los famas son buenos y las esperanzas bobas), acaban aplaudiendo al cronopio, que se recobra sobresaltado, mira en torno y se pone también a aplaudir, pobrecito.“
O CANTO DOS CRONOPIOS
Quando os cronópios cantam suas músicas preferidas, se entusiasmam de tal maneira que com frequência se deixam atropelar por caminhões e ciclistas, caem pela janela, e perdem o que levavam nos bolsos e até a conta dos dias.
Quando um cronópio canta, as esperanças e os famas correm para escutá-lo ainda que não compreendam muito seu arrebatamento e em geral se mostram algo escandalizados. No meio da roda o cronópio levanta seus bracinhos como se sustentasse o sol, como se o céu fosse uma bandeja e o sol a cabeça de Batista, de modo que a canção do cronópio é Salomé nua dançando para os famas e as esperanças que estão aí boquiabertos e perguntando-se se o senhor cura, se as conveniências. Porém como no fundo são bons (os famas são bons e as esperanças bobas), acabam aplaudindo ao cronópio, que se recobra sobressaltado, olha em torno e se põe também a aplaudir, pobrezinho.
(Júlio Cortázar, Historias de cronopios y de famas. Tradução tosca e fuleira, feita por mim. )
*******************
Meu pai era preguiçoso. Gostava de comer na cama, vendo televisão. Mas em alguns dias, raros dias, ele ia até a cozinha, jogava álcool dentro de uma panela e cortava calabreza em rodelas e tacava fogo na panela, fazendo as gorduras da linguiças explodirem longe. Cortava queijo qualho em cubinhos, lambendo os dedos e espalhando migalhas pelo chão da cozinha.
Minha mãe sempre reclamava quando papai pedia pra ela comprar queijo em bloco. Ela preferia comprar queijo já fatiado, porque detestava ficar com o cheiro de queijo nas mãos. Era ela quem lavava os pratos e esfregava a panela empretecida, após o fogareiro de álcool.
Descobri que sou filha de um cronópio e uma fama.
[Republicação de um texto do dia 15/07/2007]
Monetizando o blog, o sítio e o balão...
02.09.07
Nosso compadre Biajoni deu start na campanha "Monetize seu blog" e, lógico, aderimos...
Uma curiosidade: a pasta que me acompanha há um ano à faculdade foi dada por uma das melhores pessoas do mundo, Srta. Lúcia Tupiassú. Fiz uma foto que fala por si só...
***
Pra imitar um pouquinho o André, que Quintanizou o MMM, o Cintaliga resolveu Lobatizar... Vejam o VÍDEO do Sítio do Picapau Amarelo onde a Emília aparece escrevendo o finzinho de suas memórias... É Lobato puro - e nós também, porque não aguentamos injustiça. E, afinal, na semana da pátria é sempre bom lembrar que a Emília É a independência ou a morte!
***
Mudando totalmente de assunto: Precisamos, Patrícia e eu, de duas camisetas iguais a ESSA! Balão roots!!
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