Eva

17.10.07

Exuberante... Prodígio... Menina... Mulher... Estas são algumas das palavras que nos vêm à mente quando pensamos na Eva.
A primeira mulher da Humanidade; a última garota do Cintaliga. O que dizer?
Se a Eva fosse um sentido, seria o paladar. Um gosto regional, de tacacá, de cupuaçu... Um sabor afrodisíaco de morango com gengibre.
Nos encantamos com essa menina, sua sensibilidade e inteligência ao ler o blog As aventuras da Menina Prodígio. Aos 20 anos ela já era dona de um texto envolvente e apaixonante que nos deixava de queixo caído e completamente cativas. Como uma menina podia escrever daquele jeito, ter tanta vivência, tanta coisa pra contar?
Não sabíamos até então que ambas líamos a Eva. Até que um dia tivemos a idéia de um espaço feminino coletivo e conversamos sobre quem mais chamaríamos. Foi automático: as duas escreveram “a Menina Prodígio” ao mesmo tempo na caixa de MSN...
O tempo passou, criamos o Cintaliga só nos duas, mas a vontade de tê-la ao nosso lado sempre continuou. Nesse meio tempo a Eva amadureceu mais ainda e passou a falar do cotidiano dela, das coisas de manauara...
Em dois anos de amizade – sim, somos amigas – é constante nós três lermos textos umas das outras e constatarmos: “- Puxa, ela escreveu o que eu penso...” ou “– Nossa, eu queria ter escrito isso!”. E é por essas e outras que achamos que o lugar da Eva é aqui com a gente.
Brincamos muito com ela, dizemos que ela é a nossa Fraldaliga, nossa Fraldinha. Mas de jeito nenhum isso tem um tom de desprezo. Pelo contrário: sentimos muita admiração e orgulho da Eva. Porque ela aos 28, 30 anos escreverá infinitamente melhor que a gente - costumamos dizer que ela é a gente numa versão bem melhor.
A Eva tem 22 anos e ainda tem aquele entusiasmo inabalável das pessoas que sonham em mudar o mundo. Ela estuda pra isso. Ela pode ir buscar conhecimento no sul do país, na Europa, onde for – a impressão que temos é de que ela sempre vai voltar para a Amazônia para ajudar quem realmente precisa. Porque é na Amazônia que ela tem as raízes plantadas.
E ela ouve diálogos entre árvores, ela dá abraço coletivo, ela tem letra de criança, ela tem jeito de mulher. Quando ela fala todo mundo fica bem calado, mundiado com a presença dela. E ela faz teatro, ela faz cartões de Natal, ela fotografa coisinhas lilases, ela sabe cantar a música inteira do Danoninho. Ela fala “tu vai” porque acha “tu vais” tão formal... Ela tem o cabelo cacheado e um exemplar do Flicts.
A Eva tem a nós.

PS - Sem contar que agora estamos pensando seriamente em tirar uma licença-prêmio (bem funcionalismo público) e deixar o abacax... Ops! O Cintaliga nas mãos da Eva...

Sinta a liga - pra quem gosta de trocadilho

20.10.06

cintaliga

Quando tivemos a idéia de montar um blog juntas, decidimos escolher um nome que indicasse que aquele blog era feminino. Feminino sem ser feminista. Que fosse frágil e forte ao mesmo tempo; que fosse delicado e marcante na medida; que fosse sexy sem ser vulgar.
Pensamos em vários nomes então: batom, biquíni, rímel, salto alto, blush, esmalte, glitter, gloss, meias de seda, minissaia…
Tá, fora essas idéias femininas pensamos em algo como Nota 11, mas achamos megalomaníaco demais…
E também pensamos em LP – sim, leitor atento, por causa de nossas iniciais – onde o logo seria uma vitrola com um daqueles disquinhos coloridos a rodar.
Tá, e na época da Copa uma de nós tentou convencer a outra, em vão, de que L.P.F.C. era mesmo um excelente nome.
Então ficamos foi com Cintaliga. Na verdade, cintaliga se escreve cinta-liga, caro leitor aluno, mas resolvemos tirar o hífen pra simplificar (?) a coisa.
Cintaliga é um acessório do vestuário feminino, criado para segurar as meias 7/8. Ele foi muito usado na década de 20, ganhando mais popularidade ainda nos anos 30, com as exibições das dançarinas de Charleston – uma representante inesquecível dessa época é também Betty Boop, a primeira personagem de desenho genuinamente feminina, que não tinha pudor em mostrar sua cintaliga. Só em 40, quando o náilon foi inventado e as mulheres se renderam a praticidade da meia-calça, é que a cintaliga ficou para escanteio.
Com o passar do tempo, já na virada da década de 70 pra de 80, a cintaliga voltou com tudo, dessa vez não por necessidade, mas por estilo e, por que não dizer, fetiche. Espartilhos, cintaligas, meias de seda 7/8 já não eram a única opção de roupa íntima feminina, mas sim, artigos sensuais e eróticos de nossa sociedade.
Hoje em dia, a cintaliga está presente até mesmo em rituais como o casamento, fazendo o papel de buquê do noivo, sendo tirada por ele do corpo da própria noiva e lançada aos rapazes presentes. É peça essencial também nos, hoje comuns, stripteases – “para retirar a cintaliga, apóie o pé na cadeira. Com a postura sempre ereta, abra o fecho da peça e tire-a. Em pé, exiba a peça, esticando-a na frente dos quadris, e arremesse-a”, é a orientação da professora Nelma Penteado, no passo a passo que deu para as strippers de plantão que lêem a revista Marie Claire.
Bem, pode não ser a coisa mais prática de se usar, mas que tem um charme que dá de dez a zero na moderna meia-calça, ah, isso tem. E na mesma medida que achamos que o sutiã tem que ser abolido, achamos que a cintaliga deve ser revigorada. Porque é feminina, meio frágil, meio forte, delicada, marcante, sexy sem ser vulgar. Como nós, como você.
Que tal uma cintaliga?

Escrito por Cintaliga
Arquivado em: Comportamento, Cintaliga, Mulherzinha, Perfis
7 comentários

Luciana

19.10.06

A Luciana é uma garota sem nenhum desperdício. Jamais será uma garota apenas.
Um dos seus sobrenomes é de poeta, dO poeta, o poetinha camarada. É morena brejeira e fruta do norte.
De todas as mulheres que conheço e conheci, ela é a que tem o sotaque mais bonito.
Rói as unhas nas Copas do mundo, adora o Fernando Alonso.
É professora de Português de um monte de meninos que devem adorá-la e endeusá-la. As meninas, além disso, também a invejam, por ela já ser adulta e usar batom (não precisam saber que é um brilho de morango).
Sabe que saudade nunca tem plural, mas não ensina como sentir isso por ela sem ser de baciada.
Conviver com ela por poucos dias e depois sentir apenas ’saudade’, assim, simplesmente, é coisa pra super-herói.
Adora fotografar e será uma fotojornalista de mão cheia.
Escreve crônicas que nos fazem chorar, rir, refletir, bate de jeito.
Adora o filme As Pontes de Madison, também adora o Frank Capra.
É intensa, é amiga que acolhe com devoção e se atém aos detalhes.
Ama Belo Horizonte e fez nascer em mim um desejo enorme de conhecer a cidade.
Ela promove isso, basta ler seus relatos de viagens e os roteiros que nos transportam para cada lugarzinho descrito.
Morre de medo de animais, sem imaginar que eles adorariam pular em seu colo ou lamber-lhe os dedos.
Adora Balão Mágico e canta as músicas de cor e batendo palmas. Espiando pelo retrovisor, impossível não nos imaginar aos sete anos de idade e suspirando pelo Tob.
Meu pai esteve em Manaus* inúmeras vezes na época em que ela era uma menininha morena de três, quatro anos. Tenho certeza que ele passou por ela em alguma praça, a achou linda, afagou seus cabelos e perguntou o nome da petiz à Dona Ana Lúcia. Os dois prosearam uns instantes, meu pai disse que tinha uma filha também, que se chamava Patrícia e tinha seis anos. Os dois sorriram e se despediram, desejando tudo de bom.
E aqui estamos nós, 23 anos depois. Onde sempre estivemos. Juntas. Porque eu acredito no Universo e em sinergias.

* Apesar de a Luciana residir em Belém, ela passou boa parte da infância em Manaus, cidade que meu pai visitou inúmeras vezes a negócios, entre 1979 e 1984.

Escrito por Cintaliga
Arquivado em: Açúcar, Amizade, Cintaliga, Gente, Mulherzinha, Perfis
2 comentários

 


[ La Brute - Jogo Online em Flash Grátis ]