Fotos da enchente em Manaus

06.07.09

Recebi uma porção de fotos da enchente. Novos tempos: com os celulares com câmera, hoje todo mundo é repórter.

Não posso postá-las do computador onde estou agora. Aguardem as fotos, a qualquer momento nas próximas 24 horas.

ATUALIZAÇÃO: Milhares de fotos. Pouse o cursor do mouse sobre a foto para ler uma descrição.
Praia da Ponta Negra, na seca e na cheia

Calçadão da Ponta Negra. Reparem no guarda-corpo amarelo.

Feira da Manaus Moderna, no Educando

Os sacos de areia são para tentar conter a água.

Ultrapassada a marca da cheia de 1953

As quatro fotos anteriores estão no site Manaus Online, no especial fotográfico "Enchente em Manaus".

O geólogo Gilmar Honorato, meu amigo dos tempos de graduação na UFAM e uma das pessoas mais ligadas à natureza que conheço, disponibilizou várias fotos de sua autoria em uma galeria pública: Retratos da Cheia de 2009 no Amazonas. A foto abaixo, tirada no município de Manaquiri, me assustou.

palafita encoberta pela água

Amanhã, mais vídeos, os resultados do Orkut e mais.
Caso você tenha ou conheça alguém que tenha registros da enchente no Amazonas, entre em contato comigo: blog.menin[arroba]yahoo.com.br, ou através do SACintaliga, aqui em cima, no blog.

Caso você conheça alguém vitimado pela cheia, transformarei o blog em central de informações. Pedidos de ajuda, informações oficiais da defesa civil, relatos ou desabafos, encaminhem. A gente precisa se comunicar.

Escrito por Menina Eva
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Terra das águas

24.06.09

Terra das águas
semente da vida
terra pros homens
sepultarem as mágoas

Terra das águas
que a mãe traz no ventre
mistérios da vida
num leito de água

Terra das Águas - letra e música de Cileno

A enchente desse ano alcançou o nível da enchente histórica de 1953.

Quando passo de ônibus pelo centro de Manaus, vejo a água saindo - SAINDO - dos bueiros, das galerias construídas pelos ingleses. Empoçada na rua. É a água do rio Negro.

Na feira da Banana, onde está funcionando o Mercado Adolpho Lisboa, o povo fez "caminhos" de madeira, para andar por cima da água. Os feirantes estão com a barraca dentro da água.

Os igarapés estão a um palmo da margem. No Shopping Millenium, construído à beira do Igarapé dos Bilhares, a água está chegando na entrada da garagem subterrânea.

Água. Numa cidade onde grande parte da população mora à beira (ou dentro) de cursos d´água, quando a água sobe, começam as pequenas desgraças. As palafitas têm pernas compridas, assoalho que vai subindo, mas esse ano não foi o suficiente. As pessoas não querem sair de casa - pois se saírem, seus pertences serão roubados.

Na nossa praia, a querida de Manaus, a Praia da Ponta Negra, que é uma praia de areia branca banhada pelo rio Negro, a água ultrapassou o batente de concreto. Chegou na área onde ficam os barzinhos, no guarda-corpo do mirante. Os meninos, malucos e criativos, fizeram rampas de madeira. Eles descem de bicicleta, pegam impulso na rampa e MERGULHAM NO RIO. Sim, com a bicicleta. Embaixo da água, o concreto, o calçadão, as escadas que servem para dar acesso à praia na época da seca. E eles pulam. Depois, mergulham pra buscar as bicicletas novamente. Tem anjo da guarda fazendo hora extra.

Uma multidão tem ido à Ponta Negra, para FOTOGRAFAR E FILMAR a enchente. Confesso que estou curiosa para ver o resultado das fotos. A Ponta Negra, que na época da cheia costumava ficar deserta (pois na época da cheia NÃO HÁ PRAIA, a areia some), nesta cheia virou atração. Todo fim de semana, tem ficado lotada de banhistas curiosos, que pulam da mureta direto para o rio.

Leptospirose? Tem sim senhor.

No interior, a coisa é pior. Porque a grande maioria dos habitantes do interior mora à margem do rio (na beira, como eles chamam). E não há mais beira. Os rios de água barrenta estão em situação pior que os rios de água escura. Barreirinha, coitada de Barreirinha, foi pro fundo. Quando eu tiro extrato no Branco do Brazil, aparece na tela um apelo, "Deposite seu auxílio na conta do SOS Barreirinha".

Em Parintins, a coisa também foi feia. Comunidades rurais onde moravam 40 famílias hoje estão reduzidas a doze ou dez famílias. O Boi-Bumbá Garantido saiu do galpão da Cidade Garantido (isso nunca tinha acontecido). A plantação de várzea e terra firme se perdeu. Quem cria gado, então...

Observando isso tudo, eu me assusto com uma coisa: em 2005, tivemos aquela seca. Aquela seca horrenda, cidades incomunicáveis, barcos encalhados na lama, peixes morrendo.A pior seca da história. Agora, apenas quatro anos depois, a maior enchente em mais de 50 anos. Eu me assusto. E fico me perguntando quantas outras tragédias aconteceram sem que ninguém soubesse, por causa da nossa história dificuldade de comunicação com os ribeirinhos.

Escrito por Menina Eva
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Como tirar o passaporte

26.07.08

Bem, eu fui tirar meu passaporte. E resolvi escrever este post, pra ajudar a distribuir informações para os internautas. Vou tentar organizar em tópicos, pra ficar mais fácil.

a) Vou viajar dentro do Brasil, preciso de passaporte, tia Eva?

Não, querido. Passaporte é um documento exigido apenas para viagens ao exterior. E não é exigido para todos os países não, viu? Decore: PACU BOCÓ. Paraguai, Argentina, Chile, Uruguai, Bolívia e Colômbia aceitam entrada de brasileiros apenas com o RG.
Agora, ATENÇÃO. O documento tem de ser novo - e não há consenso sobre o que seria "novo". Depende do fiscal de fronteira - escutei história de gente que foi com identidade emitida quinze anos atrás e entrou na Argentina, escutei que deveria ser identidade emitida há, no máximo, cinco anos. Eu, se fosse você, não arriscava. Renove o RG. Ou tire o passaporte.

Nota para os amazonenses e roraimenses:
há uma expectativa de a Venezuela entrar nessa. Mas ainda NÃO ESTÁ VALENDO. Quer passar as férias do fim do ano em Margarita? Providencie o passaporte.

b) Onde tiro o passaporte, Eva?

Aulinha, aulinha: "A União é responsável por fiscalização de fronteiras e controle migratório." União não é só a fábrica de açúcar. União é essa coisa abstrata que chamamos de Brasil, gerida pelo Governo Federal.
Quem emite passaportes são dois órgãos: O Ministério das Relações Exteriores (passaportes diplomáticos e de trabalho) e o Departamento de Polícia Federal (passaportes comuns e passaportes de estrangeiros). Caso você não seja diplomata, não use capacete azul da ONU e não esteja indo viajar por interesse do Governo, seu lugar é a Polícia Federal.

C) Tudo bem, Eva. O que a Polícia Federal quer que eu faça pra que eu possa viajar?

Chegamos na parte boa. No momento, o Brasil emite DOIS TIPOS DE PASSAPORTE. O modelo antigo tem a capa verde; o modelo novo tem a capa azul e é feito no Padrão ICAO (Internacional Civil Aviation Organization). OS DOIS SÃO PERFEITAMENTE VÁLIDOS, enquanto o novo sistema não é implantado no país todo.

Antes de mais nada, acesse o site do Departamento de Polícia Federal através do endereço www.dpf.gov.br/passaporte.
Escolha seu Estado e cidade.

O próprio site vai dizer qual modelo está sendo emitido na sua cidade. Os atendentes da PF me disseram que Manaus foi a quarta cidade do Brasil a emitir este passaporte novo, depois de Brasília, Goiânia e Anápolis. Manaus, tã-nanã!

O site da PF é muito claro e bem explicado. Mas a gente explica de novo pra você.

D) Quais são os Documentos Necessários para tirar passaporte?

RG - todo maior de 12 anos precisa ter RG.
Caso o seu RG esteja em petição de miséria, tire uma segunda via, ;D. Brincadeira, pode usar a Carteira de Trabalho, carteira de Conselho Profissional (eu usei a minha querida carteira do Conselho de Administração) ou carteira de motorista. Mas ATENÇÃO: a carteira de motorista não informa o local de nascimento. Leve outro documento no qual conste esse dado.

CPF - caso sua identidade já informe o número do CPF, ótimo. Minha carteira do Conselho informa, trá-lálá.

Título de Eleitor - Maiores de dezoito anos têm que ter. Ponto final. Não discuta. "Ah, mas eu voto com a identidade". Problema seu.

Comprovantes de votação ou justificativa da última eleição - Caso você não lembre, cidadão consciente, a última eleição foi em 2006, e houve segundo turno do Lula contra o Alckmin. Então, encontre aqueles papeizinhos pequenos que do TRE, primeiro e segundo turno de 2006, e leve. PRIMEIRO E SEGUNDO TURNO.

"Ah, eu perdi aqueles papeizinhos pequenos do TRE!"

Calma. Vá no site do TSE, e emita uma Certidão de Quitação Eleitoral.

"Ahhh, o site do TSE tá dizendo que meus dados estão incorretos, favor comparecer ao cartório eleitoral!"

OU

"Ahhhhhhh, eu estou em dívida com o TSE porque não votei em algum pleito!"

OU, mais comum,

"Ahhhhhhhh, o site do TSE não abre!"

Vá ao TRE, ou ao cartório eleitoral mais próximo da sua casa, e solicite a Certidão de Quitação Eleitoral. Já vou avisando que só é gratuita caso você emita pela internet. E o site do TSE vive fora do ar.

Fica a lição: nas próximas eleições de outubro, guarde os papeizinhos do TRE, PRIMEIRO E SEGUNDO TURNOS. É de graça. E, se possível, vote direito.

CASO VOCÊ SEJA HOMEM COM H, entre 18 e 45 anos:

Documento militar.

Caso você tenha mudado de nome ao casar ou separar:

Certidão de casamento. ORIGINAL.

"Eu casei, mas na minha identidade ainda consta o nome de solteira. Posso tirar o passaporte com nome de solteira?"

NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO. E você está cometendo falsidade ideológica, sabia? Vá trocar essa identidade. Se não queria, pra quê mudou de nome, então? Bem feito pra tua cara.

Caso você seja menor de dezoito anos:

Seu pai e sua mãe precisam ir com você

OU

Um dos dois e autorização do Juizado

OU

O responsável legal com autorização do Juizado.


Caso você tenha passaporte antigo:

Levar o passaporte antigo.

Caso tenha perdido o passaporte antigo, ou sido roubado:

Informe isso no preenchimento do formulário on-line da Polícia.

Ufa. Cabe ainda dizer que NÃO PRECISA LEVAR XEROX. Bastam os documentos originais. Salve a natureza, gaste menos papel.

Então. Pegue seu RG, CPF, Título, Comprovantes, certidões e volte para a frente do computador, pois agora você vai digitar tudo isso no site da PF. Vá lá. Eu espero.

Não esqueça de preencher no formulário o posto da PF DA CIDADE ONDE VOCÊ PRETENDE TIRAR O PASSAPORTE.

"Ah, o site da PF caiu!"

A vida é cruel mesmo. Enquanto eu preenchia o meu formulário, caiu CINCO OU SEIS VEZES. O site é ruim, o mundo é dos fortes. Tente de novo.

Quando você conseguir vencer o site da PF, vai aparecer um protocolo. Imprima. Imprima também o boleto bancário, com a taxa para emissão de passaporte.

A facada? R$ 156,07. Respira. Respira. Respira. Tanta gente queria ter a chance de viajar, olha pelo lado bom. Respira.

Ah. Caso seu passaporte anterior esteja perdido ou tenha sido roubado,meus pêsames, a taxa é em DOBRO. Respira. Respira. Respira. Pensa que isso é pro seu bem, pros bandidos mal-intencionados não saírem "perdendo" passaportes de propósito.

Tudo bem, pode chorar um pouquinho agora. Acabou a primeira parte.

E) Já preenchi o formulário on-line da Polícia Federal, já imprimi o protocolo e o boleto. E agora?

Agora é pagar a taxa. Ao menos uma vantagem: o boleto é pagável em qualquer lugar. Bancos, loterias, caixa 24 horas, INTERNET BANKING, olha que beleza.

Fui pagar minha taxa no caixa 24 horas do Branco do Brazil, e NÃO É POSSÍVEL PAGAR usando a opção GRU. O que é estranho, pois se trata de uma GRU - Guia de recolhimento da União. Só consegui pagar utilizando a opção "pagamento de títulos". Estranho. Qual o porquê disso? Não sei, João Grilo, só sei que foi assim.

Pagou? Pegue os documentos, o protocolo, o boleto e o comprovante de pagamento e vá até o posto da PF.

f) Sou atendido no mesmo dia?

Depende. Depende. Depende. Aqui em Manaus, os atendentes me explicaram que a procura aumenta e diminui sazonalmente. Em Junho, Julho, Novembro, Dezembro e Janeiro, a procura é imensa, é absurda, chega a ser feito agendamento prévio de até quinze ou vinte dias de espera. Na época que eu fui (Maio), não tinha NIN-GUÉM. Tudo vazio, cheguei e fui sendo atendida, um sonho.

Mostrei meus documentos, a servidora conferiu com os dados que eu já tinha preenchido na internet. Depois, ela pegou minhas dez impressÕes digitais num scanner de dedos, uma coisa assim, CSI. Assinei numa mesinha digital, minha assinatura apareceu no computador. Depois, bati a foto lá mesmo, máquina digital.(Tomei o cuidado de fazer a sobrancelha na véspera.) E depois, ela disse que o passaporte chegava em seis dias úteis. Não é ótimo?

Vi no site da PF que alguns lugares fazem agendamento pela internet. Uma amiga minha de São Paulo avisou que o agendamento on-line nos postos de São Paulo-capital está pra MAIS DE TRÊS MESES de espera.

Manaus não tem agendamento on-line. AINDA. Corram.

F) Porque demora uma semana pro passaporte chegar?

Quem confecciona os passaportes é a Casa da Moeda, que fica no Rio de Janeiro. Do Rio pra Manaus leva um tempo, né? Ainda mais que em Manaus não tem Sedex 10. Querem que eu repita? EM MANAUS NÃO TEM SEDEX 10. Ê, Brasil.

Talvez nos outros Estados seja mais rápido, não sei. Leitor do Cintaliga, conte sua experiência nos comentários!

G) E como faço no dia de pegar o passaporte?

Volte no mesmo lugar, levando a identidade. Vão conferir sua impressão digital de novo, você repete a mesma assinatura da mesinha digital no próprio passaporte, e assina um recibo. E pronto!

Links úteis

Departamento de Polícia Federal
Polícia Federal - Passaporte
Polícia Federal - Consulta ao andamento do Passaporte Modelo Novo (Pra saber se seu passaporte já chegou.)
Ministério das Relações Exteriores - Tabela de vistos (Esse é legal. Diz quais países exigem visto, quais não pedem.)
Tribunal Superior Eleitoral
Tribunal Superior Eleitoral - Quitação Eleitoral
Consulados - Clique no país para onde você quer viajar, e descubra onde ele tem representação diplomática no Brasil. Não se assuste com o visual "Internet da época da Cigana Dara" do site.

Últimas observações:

Caso sua cidade ainda não emita o passaporte azul, o procedimento é diferente do que eu falei aqui. E a taxa é de R$ 89,71.

Planejar-se com antecedência é a melhor garantia contra dor de cabeça. Tá pensando em viajar? Tire logo o passaporte, de preferência SEIS MESES ANTES. Ou mais!
Dê o tempo necessário para a Lei de Murphy entrar em ação. Permita que o universo conpire CONTRA você. E que você possa passar a perna nele. E se todas as linhas de fibra ótica de internet forem rompidas?E se o sistema cair no dia que você for lá na Polícia Federal? E se o avião que trazia seu passaporte explodir no ar? E se? E se? E se? Você não vai querer estar com prazos apertados, certo?

O passaporte não é válido por tempo indeterminado. Vale por cinco anos. Antes de comprar a passagem, vale dar uma conferida na validade daquele passaporte guardado no fundo da gaveta. Lembre-se de Murphy.

Não existe revalidação nem renovação de passaporte. Venceu, tem que mostrar todos os documentos e pagar a taxa para um passaporte completamente novo, COM NUMERAÇÃO DIFERENTE. Nada de desconto.

A partir do momento que a criança sai da barriga da mãe e tem certidão de nascimento, já pode ter passaporte. Só que passaporte de criança vale por menos tempo.

De zero a um ano, vale por um ano;
de um ano e um dia a dois anos, vale dois anos;
de dois anos e um dia a três anos, vale três anos;
de três anos e um dia a quatro anos, vale quatro anos;
De quatro anos e um dia em diante, vale cinco anos.
Novamente, nada de descontos. Taxa igual.

A maioria dos países exige que o passaporte ainda tenha seis meses de validade DEPOIS da sua data de entrada naquele país.

A maioria dos países gosta de turistas, e não exige visto para quem vai só passear. Mas confira antes. Pesquise.

Ah, sim, claro. Em setembro, eu viajo para a Irlanda, passar um mês estudando inglês. :D Aguardem mais textos desse tipo.

Escrito por Menina Eva
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Brincar de boneca - Nível avançado

26.02.08

Visitei uma exposição no Shopping. (Aqui em Manaus, quando você fala "o Shopping", todo mundo sabe qual é. Não que só tenha um: tem cinco ou seis shoppings grandes, mas "o shopping" foi o primeiro.)

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A exposição fala sobre a evolução histórica das roupas. Mais especificamente, da roupa feminina. Mais especificamente, dos vestidos. Mais especificamente, dos vestidos franceses. Da idade média aos anos 50.

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Tá, e daí? Daí que as modelos são bonecas! Com vestidos de época!

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As roupas estão lindamente acabadas. Pra mim, que lido com teatro, é enlouquecedor ver tantas roupas lindas e cheias de ricos detalhes. Rendas, laços, flores! Dá vontade de dançar um minueto...

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Cá entre nós, essa exposição é a cara do Cintaliga, então eu PRECISEI escrever sobre ela!

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A exposição está encantadora. A sensação de proximidade com a figura humana vestida, muito mais charmoso do que se fossem usados manequins, é o forte. Além do mais, os textos explicativos sobre o momento histórico relativo a cada vestido estão muito claros, e evidenciam as interessantes relações da arquitetura com a moda. Fernanda comentou comigo que a saia ampla do Renascimento imitava o formato dos sinos de Notre-Dame. Essa bonequinha abaixo veste-se como uma contemporânea do Leonardo da Vinci.

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Depois veio o Barroco. O homem debatia-se entre contrastes, o pecado e a virtude, as formas exageradas e a vida simples, o céu e o inferno. E a mulher? Bem, ela era assim.

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O rococó levou o Barroco às últimas consequências. Acrescentou enfeites, riqueza, um toque de futilidade, sim, que nós adoramos isso. Flores, rendas, fitas, laços, tudo ao mesmo tempo! Eba!

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No reinado de Luís XVI, as mulheres descobriram que fazer esculturas com os próprios cabelos era garantia de sucesso nos salões. Um penteado assim podia durar meses, fixo no lugar com cera. Pensem na quantidade absurda de piolhos! Eca!

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Na época de Napoleão, a moda era parecer grego. Ai, ai. Sou só eu que acho lindo?

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Já no Período da Bèlle-Epoque, as mulheres precisavam ser esguias, cheias de curvas.

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Nos anos 20, as mulheres promoveram a primeira revolução feminista. Ficaram malucas, mostraram os joelhos, tornaram-se seres vaporosos e diáfanos.

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A última bonequinha vem vestida com o new look de Christian Dior. Depois de duas guerras mundiais, os anos de fartura trouxeram de volta uma moda mulherzinha, com grandes saias rodadas, cintura marcada. Ser feminina era um privilégio de tempos de paz.

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Fernanda Gomides, a expositora, já foi estudante de moda e hoje em dia cursa Design e estuda francês na Aliança Francesa, que promove a exposição. Ela estava lá, circulando na exposição, e eu e ela agarramos num papo de uma hora e meia.

Ela me falou que teve ataques de ódio contra o cabelo cor de rosa das bonecas; tentou tingir, tentou cortar, mas não teve jeito. Me falou dos materiais que usou, da máquina de costura temperamental. Dos estilistas de Madame Pompadour. Da próxima exposição que está montando, sobre a história do sapato.

Eu comentei sobre a idéia incrível de botar as bonequinhas como modelos. A exposição ganha um ar lúdico, a gente se sente próximo. Caras, elas estão vestindo as roupas que eu sempre quis colocar nas MINHAS bonecas.

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Não é incrível notar que, mesmo sendo reprimida, presa e tratada como propriedade masculina, a mulher sempre teve uma cultura toda própria?

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Da vida e seus desígnios (sim, mais um post sobre o acidente...)

18.07.07

Eu não queria ser mais uma a escrever sobre o fatídico acidente de ontem, e se o vôo tivesse vindo de Vitória, Cuiabá ou Salvador ao invés de Porto Alegre, realmente não escreveria.
Explicando, pra que não pensem que nutro uma paixão maluca por PoA e que é este o motivo de eu pensar em escrever sobre o ocorrido, porque não tem mesmo a ver.
Acontece que o André, meu único irmão, leva uma vida de executivo (apesar de relativamente jovem) e viaja a Porto Alegre com uma certa freqüência, para reuniões de negócios com um grande cliente. E, sem brincadeira, todos os vôos dele de volta pra cá este ano (seis ao todo) foram justamente o 3054.
Quando eu vi a notícia na TV de que um vôo proveniente de Porto Alegre havia caído do outro lado da avenida Washington Luís, já fiquei nervosa. Nem sempre ficamos sabendo das viagens do André pra lá, até porque algumas foram marcadas em cima da hora e ele fora e voltara no mesmo dia, sem nem avisar à minha mãe ou a mim (não, ele não mora mais conosco, já casou e saiu de casa... mas os laços e o contato são estreitíssimos, isso sem contar que o cordão umbilical entre certas mães e filhos têm extensão suficiente para dar a volta ao redor da Lua umas centenas de vezes... é o caso da nossa. Uma típica mãe judia).
Mas enfim. Quando soube, a primeira coisa que fiz foi ligar para o celular dele. Caiu na caixa postal. Mais uns segundos e nova tentativa: caixa postal. De novo: caixa postal.
Não sabia o celular da minha cunhada de cabeça e não o tinha aqui comigo. Não queria de jeito nenhum ligar para a minha mãe para perguntar se ela sabia de alguma viagem do André ontem.
Eu sou uma pessoa nervosa e que sofre por antecipação e acho que todo mundo que me lê já sabe. Pronto. E alguns têm razão pra "tirar sarro" de mim depois, ao vivo ou pelo MSN.
Depois de uns cinco minutos, finalmente ouço o "alô" dele que tanto me tranqüilizou.
Uns dois meses atrás lembro que eu estava em Congonhas, com a minha mãe, o aguardando no desembarque. O vôo estava atrasado e eu ficava com os olhos fixos no painel, mirando o "3054", que mostrava sempre um "atrasado" ao lado.
Estas lembranças vieram todas ontem em mim, de um jeito muito forte.
Vendo as imagens nas redes de TV dos parentes desolados, não consigo passar incólume à dor lancinante de cada um.
Meu namorado tempos atrás fez um pequeno texto muito bom pra ser usado em situações assim, porque sabemos que esta é a tragédia da vez e que possivelmente não se falará em outra coisa nos próximos dias. Assim como foi com a cratera do Metrô em Pinheiros, o acidente da Gol ano passado, o pequeno João Hélio este ano. Aliás, o texto do Tuca foi escrito no auge da revolta da população brasileira com a morte do pequeno João.
Não que não devamos falar. É claro que não tem como fugir.
Mas o que entristece é saber que as coisas não mudam. Esta PORRA (e desculpem o palavrão, mas não encontro expressão melhor agora) de aeroporto ainda não foi fechado POR QUÊ???
O que um aeroporto construído na década de 30 faz ainda funcionando, com milhares de construções em seu entorno, colocando a cada pouso e decolagem a vida de milhares de pessoas das imediações em risco??
Por que as companhias aéreas não param de crescer e baratear suas passagens, mas não se preocupam com as condições de segurança de seus funcionários e passageiros?
Ah, não é responsabilidade delas? De quem é, então? Da "InfraZero" (como acertadamente a chama o Macaco Simão), que já se mostrou incompetente e inapta para lidar com Congonhas e com a crise no setor aéreo?
Leiam os posts que o Ina indica em seu post de hoje, além do dele mesmo, claro.
Semanas atrás a jornalista carioca Lucia Hipólito falava na rádio CBN sobre a crise dos aeroportos, e ela infelizmente foi certeira ao vaticinar que "muito possivelmente um acidente de grandes proporções ainda atingirá o país este ano" e também que "é inadmissível que um país de extensão continental como o nosso não se preocupe em fazer ferrovias e melhorar as estradas, justamente para desafogar os aeroportos um pouco que seja".
Bom, eu queria apenas desabafar aqui por causa do meu irmão, do nervosismo que senti por poucos segundos pela possibilidade, mesmo que remota, de ele estar naquele vôo. Mas acabei desopilando muitas coisas mais.
Lamento profundamente por todos que perderam seus filhos, amores, amigos, pais, irmãos. Que se recuperem do trauma um dia. E toquem suas vidas.
Paz, amor. E um pouco de indignação nossa, sim, que é preciso.
Bom resto de quarta-feira a todos. Pra mim é uma quarta-feira de cinzas, literalmente. :(

Jornalismo: MUITO MAIS que um diploma

24.05.07

Eu posso receber toneladas de comentários me xingando (e se for APENAS xingando sem explicar sua revolta, vou apagar sem dó), mas queria falar o que penso da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo.
Sou contra. Contra, contra e contra.
Em três anos de curso (eu tranquei minha faculdade por falta de recursos financeiros, talvez volte ano que vem), presenciei cenas que vão do ridículo ao bizarro, passando pelo vexaminoso.
No primeiro semestre da faculdade, tivemos de entrevistar uma personalidade política. O Cláudio Lembo havia acabado de assumir a vice-governadoria do Estado de São Paulo, e foi um dos nomes sugeridos por mim ao meu grupo.
Claudio Lembro havia sido reitor do Mackenzie por oito anos, e minha mãe, sua secretária (ela é secretária da Reitoria do Mackenzie, não particular do Dr. Claudio Lembo), de modo que não seria tão complicado chegar a ele. Não quis, no entanto, me valer disso para a entrevista. E muito menos o Claudio Lembo, que tem fama por ser bastante ético. Como ao menos seis pessoas do curso de Jornalismo queriam entrevistá-lo (três de cada uma das duas classes do primeiro semestre), ele sugeriu que mandássemos um texto sobre o que pensávamos do curso, quais eram nossos anseios e expectativas em relação a ele, e no que gostaríamos de fazer na condição de Jornalistas, quatro anos mais tarde. E que mandássemos o texto sem assinar, para que ele justamente não soubesse qual seria o meu.
Pois bem, ele escolheu o meu como sendo o melhor redigido e o que mais lhe agradou. Preciso falar o rebuliço que isso gerou nas classes, e que NINGUÉM acreditou na idoneidade da escolha?
A própria professora que nos incumbiu da tal entrevista leu os textos e admitiu que, se fosse o Claudio Lembo, também teria escolhido o meu.
Agora vou falar como era o comportamento dos alunos:
Professora diz: "Queria que vocês fossem ao – lugar x -, entrevistar alguma pessoa que pudesse responder sobre tal e tal coisa".
Reação imediata de quase todos:

- Ai, psôra, num sei chegar. Da minha casa pra lá não tem ônibus!

- É isso mesmo! Pra mim também não dá, prófs!

E isso contagia 90% dos alunos, que alegam não saber chegar ao lugar x ou y por falta de ônibus ou metrô, o carro do pai estará parado por causa do rodízio, é dia da prova da Cultura Inglesa, é dia de levar a Dolly pra ser tosada etc.
Se isso é ter alma de Jornalista, prefiro sair correndo de um lugar destes.
Em três anos eu entrevistei o Claudio Lembo, fui – sozinha, porque todos alegavam ser longe – à Polícia Científica e ao Denarc entrevistar policiais e fotógrafos, fui – desta vez QUASE sozinha, pois mais dois "corajosos" estavam comigo e com o professor de fotojornalismo – ao centro velho para tirar fotos de construções antigas (os alunos do meu grupo disseram "ter medo dos mendigos e crianças de rua", mesmo sendo às duas da tarde e com movimento intenso pelas ruas, inclusive policiamento), fui à Sabesp entrevistar um engenheiro hidráulico que fez as vezes de ambientalista, falando sobre os perigos do mau uso da água (novamente sozinha, minha companheira de trabalho disse que era muito longe e que ela "não se importava" de pegar a entrevista no gravador e redigir tudo, imprimir com letra bonitinha cor-de-rosa e colocar capa da Hello Kitty no trabalho depois – esta última parte é piada, e tenho que explicar porque infelizmente sempre tem gente que leva nossas ironias ao pé da letra), andei muito de ônibus e metrô pela cidade, me perdendo, para ir atrás de lugares para fotografar, li muitos livros ao invés de pegar a resenha na Internet e entregar sem entender nada, vi filmes que a maioria dos alunos desprezava, quando professores sugeriam.
Talvez precisassem criar dois cursos de Jornalismo: o de butique (caso da maioria dos meus colegas de faculdade) e um Gonzo, que é o que eu nasci mesmo pra fazer.
Para ser jornalista é preciso ter uma curiosidade inata, senso crítico, ser analítico, ter MUITA disposição para enfrentar adversidades e problemas de toda ordem (imagina, alguém que tem preguiça/medo de pegar um ônibus num bairro mais distante do seu, de pedir informação, de apenas falar com um morador de rua tem mesmo capacidade – nem digo intelectualmente, mas principalmente estrutura emocional - para chegar a cargos altos, sejam eles em redações ou como correspondentes em lugares ou situações nem sempre aprazíveis?) e mais uma série de atributos que ou você nasce com eles ou espera a próxima encarnação e conta com a sorte.
Antes que os chatos de plantão me falem "se reclama da universidade particular, por que não vai para uma pública?", como já fizeram anteriormente em conversas por aí, eu digo que já prestei na USP e não passei, e não tenho a menor vergonha disso, haja vista a relação canditado/vaga daquele curso. Não prestei Unesp ou mesmo univesidades fora do estado, e isso eu realmente lamento por não ter ao menos tentado.
Mas o problema, no meu entender, não reside apenas nisso. Há elite - e como há! – nas faculdades públicas, resta saber se eles agem como os alunos das particulares, com eventuais ataques de criança que se perdeu da mãe num supermercado, ou se lá eles resolvem agir de forma mais adulta e fazer valer os vários meses – às vezes mais de ano - de empenho nos cursinhos.
Mas eu JURO que queria saber o porquê do diploma para se exercer o jornalismo. JURO. Ninguém até hoje me deu respostas plausíveis. Quem sabe você, querido leitor, me convença?
Ninguém me ensinou a escrever na faculdade, muito menos a ler e ser criteriosa. Ninguém me imbuiu de coragem para ir a lugares sozinha com gravador e bloco de papel em punho. Ninguém fez recrudescer em mim a curiosidade, o interesse pela leitura, por ler artigos na Internet, em revistas, ler livros, por gostar de conhecer pessoas e suas vivências.
No dia em que um curso promover isso em um único aluno, talvez eu me renda.
E se é pra aprender a diagramar, fazer pauta, saber o que é uma lauda ou pirâmide invertida, deveriam criar um curso técnico de um ano, que certamente é tempo mais do que suficiente para aprender. Pelo menos para pessoas ávidas por conhecimento e principalmente para trabalhar, e que não esmorecem apenas porque "no meu bairro não passa ônibus para o lugar tal". Francamente.

(E este post talvez tenha continuação, para prazer ou desprazer de muita gente. Eu estou querendo mesmo é debater. :p)

Escrito por Patrícia Köhler
Arquivado em: Comportamento, Cotidiano, Relacionamentos, Emoção, Indignação, Jornalismo
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