Fotos da enchente em Manaus
06.07.09
Recebi uma porção de fotos da enchente. Novos tempos: com os celulares com câmera, hoje todo mundo é repórter.
Não posso postá-las do computador onde estou agora. Aguardem as fotos, a qualquer momento nas próximas 24 horas.
ATUALIZAÇÃO: Milhares de fotos. Pouse o cursor do mouse sobre a foto para ler uma descrição. 


Os sacos de areia são para tentar conter a água.

As quatro fotos anteriores estão no site Manaus Online, no especial fotográfico "Enchente em Manaus".
O geólogo Gilmar Honorato, meu amigo dos tempos de graduação na UFAM e uma das pessoas mais ligadas à natureza que conheço, disponibilizou várias fotos de sua autoria em uma galeria pública: Retratos da Cheia de 2009 no Amazonas. A foto abaixo, tirada no município de Manaquiri, me assustou.

Amanhã, mais vídeos, os resultados do Orkut e mais.
Caso você tenha ou conheça alguém que tenha registros da enchente no Amazonas, entre em contato comigo: blog.menin[arroba]yahoo.com.br, ou através do SACintaliga, aqui em cima, no blog.
Caso você conheça alguém vitimado pela cheia, transformarei o blog em central de informações. Pedidos de ajuda, informações oficiais da defesa civil, relatos ou desabafos, encaminhem. A gente precisa se comunicar.
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Com a mão no seu bolso
22.05.09
Roubaram minha carteira ontem. Eu acho que foi no ônibus.
Eu saí do consultório do Dentista. Estou me recuperando de uma virose violenta, e ontem fez um calor manauara aqui em Manaus. Então, saí de sombrinha, pra não pegar sol e piorar do nariz atacado. Andei uns quarteirões, e vi uma senhora com um tabuleiro cheio de canudinhos (o salgadinho) na cabeça. Fiquei com vontade, mas achei que era encomenda pra alguém. Ao passar do meu lado, ela falou em tom de pregão -
"Empaaaaaaaaada, canudoooooo, salgaaaaaaado, mereeeeeenda"
Eu virei pra ela e perguntei quanto era o canudinho; ela disse que era um real - MAS ERA DO GRANDE! Eu comprei dois, pra ela não ter que me dar troco. E comentei com ela, que fiquei com água na boca quando vi, mas achei que fosse encomenda.
Ela me disse que era a primeira vez que passava naquela rua, e por isso eu não a conhecia. E me perguntou se ali era bem movimentado. Eu respondi que tinha uma academia de ginástica ali no canto (em Manaus, canto = esquina), e que na rua ela não veria ninguém, mas se ela entrasse nos consultórios médicos tinha um monte de gente faminta nas salas de espera. Ela agradeceu, e eu fui pra parada de ônibus, comendo o primeiro canudo. Estava quentinho.
Cheguei na parada, guardei a sombrinha na bolsa e - milagre - lá vem o ônibus! Subi apressada, com o canudinho esfarelando na mão. Tinha umas pessoas atrás do ônibus, antes da catraca. Me deu uma sensação de vergonha, de que os outros estavam me olhando, mas achei que fosse culpa do salgadinho...
Puxei a carteira, bati meu Smart Card no leitor da cobradora. Guardei o Smart card dentro da carteira, e a carteira na bolsa. Tenho certeza de ter visto minha garrafa de água dentro da bolsa nessa hora.
Ônibus cheio, chacoalhão, difícil de se segurar. Fui avançando pra perto da porta de saída, segurando a bolsa no ar, em frente ao meu rosto.
Desci na Bola do Coroado, andei até a outra parada, peguei o ônibus que circula gratuitamente dentro da Universidade.
Fui pra Pós-Graduação, conversei com a minha professora, peguei meu boleto na secretaria, peguei a apostila. Todos os meus colegas que chegavam perguntavam se eu tinha melhorado (avisei por e-mail que estava bem doente). Com medo de tossir durante a aula, fui encher minha garrafa de água - e vi que ela não estava na bolsa. Voltei na secretaria, e não estava lá. Pensei "ah, danou-se, perdi a garrafa no ônibus ou no dentista". Assisti aula - uma aula ótima e triste sobre controle e crise na Administração Pública - e peguei carona pra casa com um colega.
Cheguei em casa, fiz vinte minutos de inalação, tomei três remédios e uma gemada (mamãe). Assisti a novela, adorei o casamento do Ravi com a Camila. Botei meu celular pra carregar. Assisti a Grande Família, e mudei depois pra Record pra assistir o Doutor House. Dormi.
Só percebi que estava sem a carteira hoje de manhã, e obviamente associei com o sumiço da garrafa de água. "Roubaram no ônibus, geeeeente. Mãe, virei estatística!" Tive que pensar em tudo o que estava na carteira que poderia causar problemas em mãos de terceiros.
Trinta reais (Duas de dez, duas de cinco). Carteira do plano de saúde. Carteira do Conselho Regional (e graças a Deus, por causa dela não ando com RG nem CPF, obrigada, Conselho Regional de Administração da 5ª Região). Cartão do banco - que é só de débito, ladrão azarado. Papeizinhos mil, comprovantes de compras... Fotos 3X4 que estavam muito boas. Foto da minha mãe. Foto do ex-namorado (não me julguem). Dois Sonridor efervescentes, eu vivo com dor de cabeça. Cartão do Carrefour, que, definitivamente, não patrocina este post. E o Smart Card pra pagar meia no ônibus, que foi o mais doloroso de todos. Pra tirar outro é uma aporrinhação.
Estou irritada. O prejuízo nem foi tão grande. Várias circunstâncias da minha vida me permitem achar que trinta reais é coisa pouca - graças, demos graças. Não tinha recebido salário, nem tenho a senha do cartão anotada no verso do mesmo.
Pior de tudo, o que mais me irrita, o que mais dói, o que mais perturba, o que me fez escrever aqui, é imaginar que meus trinta reaizinhos estão, muito provavelmente, comprando droga por aí. Ódio.
Noni-tícias
31.03.09
O noni não regulou meu intestino, pois nunca tive intestino desregulado.
O noni não melhorou minha pressão alta, pois não sou hipertensa.
O noni não sarou minha ferida brava da perna, pois não tenho ferida.
Mas uma coisa deve ser dita: a textura da minha pele mudou. Não sei explicar direito: não é maciez. É como se aquilo que está DEBAIXO da pele (derme?)fosse mais...consistente. Quem observa seu corpo sabe se ele mudou. Não é mera impressão.
Mamãe diz que as articulações estão respondendo bem. Como ela não está fazendo exercício nem tomando outro tipo de medicação, pode mesmo ser o noni. Pode também ser efeito placebo. Quem sabe, efeito Legião Urbana...
Estamos no fim da segunda garrafa de suco de noni. A primeira, vitaminada de noni com vinho barato, foi uma tortura. Azeda, ruim, arrotante (eca!). A segunda, frapê de noni com suco de uva sem açúcar, está MENOS RUIM. O que não quer dizer que seja boa. E continua arrotante (eca 2!).
Talvez eu já tenha superado a fase do sofrimento e esteja da fase da aceitação. Não é mais tão ruim engolir o troço. E há as técnicas. Pois para tudo há que se ter um método. Viro o cálice de noni com rapidez, jogo ele direto na garganta, evitando contato direto língua/noni. Logo em seguida, bochecho um gole de água, e não dispenso a ajuda de algo de sabor melhor: um copo de iogurte, um biscoito, um pedaço de bolo.
Aguardemos a terceira garrafa. A velhinha que fabrica o suco em série e revende (nos poupando do horroroso trabalho de esperar o noni amadurecer com todo seu cheiro de pesadelo e espremer a fruta-vômito na peneira com nossas mãozinhas) é como uma proclamadora dos poderes do noni. Ela tem uma série de fotos da ferida da perna da mãe dela, batidas semana a semana. Tipo "antes e depois do noni". E ela MOSTRA PARA OS FREGUESES. Foi uma melhora quase milagrosa, devo dizer. Poupem-se de querer ver as fotos.
No mais, ouço muitos relatos quase milagrosos dessa fruta. Depressão curada, a mãe que não briga mais com os filhos por besteira, mau-hálito matinal reduzido, intestino regulado, formigamento no órgão sexual masculino (e subsequente potência na hora de coisar) sem falar na cura da ferida brava da perna da mãe da "noneira" ( = mulher que faz suco de noni).
*******
Aliás, um dia, chegamos em casa às quatro da manhã, saindo de uma festa de formatura. Diálogo sonolento:
Mamãe - E aí, tu ainda vai "nonar"?
Eu - Não, vou "nanar".
Mamãe - Tem certeza que não vai tomar o noni?
Eu - Nonada!
Guimarães Rosa, às quatro da manhã? Na minha casa, tem.
Arquivado em: Comportamento, Cotidiano, Açúcar, Indignação, Família, Diálogo, Saúde
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Problemas com a Oi - a saga continua
24.03.09
A história começa aqui, e continua aqui.
Era uma vez uma mulher que tem o mesmo número de celular há dez anos.
Após ter esse número injustamente transferido para o nome e CPF de uma mulher que mora em Coari, essa mulher se recusou durante dois meses a pagar a conta desse celular.
A OIperadora má, cruel e bagunçada fez pouco caso dos protestos e o celular passou a apenas receber chamadas.
A filha da dona do telefone, que é blogueira, foi ao Procon buscar orientação. Descobriu que o Procon só fica aberto até duas da tarde...
Acuadas pela necessidade premente de usar o celular, a dona do telefone e sua filha blogueira pagaram a conta, mesmo a conta estando com um nome de outra mulher, moradora de Coari.
A conta foi paga na sexta. Hoje é terça. Dizem que o prazo para religar o telefone é de cinco dias.
Então, além de SER OBRIGADO A MUDAR DE OPERADORA, pagar conta com nome e CPF errado, por culpa DO SISTEMA DA OPERADORA, a gente tem que esperar a BOA VONTADE DA OPERADORA pra fazer o telefone voltar a funcionar.
Você ainda quer um Oi Chip? Quer ser cliente da Oi, essa operadora que RESPEITA A SUA LIBERDADE (desde que você não seja cliente dela)?
Eu não quero. Assim que a conta voltar pro nome da minha mãe, com endereço em Manaus, ela vai dar entrada no pedido de portabilidade.
Estou cogitando inclusive mudar de telefone fixo, para não ser mais cliente da Oi em hipótese alguma.
Arquivado em: Comportamento, Tecnologia, Consumismo, Indignação
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Problemas com a Oi - parte 2
19.03.09
(O começo da história está aqui.)
O celular da minha mãe voltou a funcionar dois dias depois, e ela resolveu ir logo fazer a tal migração, antes que a Amazônia Celular pifasse de vez. Começaram os problemas. Primeiro: não havia atendimento preferencial para idosos, grávidas ou deficientes. A fila não andava. Choro e ranger de dentes. O sistema caiu. O sistema voltou. Gente furando fila. Ficamos injuriadas e resolvemos fazer a tal migração em outro dia.
Ela foi sozinha. Conseguiu ser atendida sem entrar na fila (acho que eles aprenderam a lição). Mas não fez a migração. Aparecia uma mensagem de "CPF não confere" no sistema. Mamãe deixou os documentos lá, para eles tentarem fazer a migração em outro momento.
Começou fevereiro. Não recebemos a conta do celular. Fomos à loja da Oi novamente, para tentar (pela terceira vez) fazer a migração, e emitir uma segunda via da conta. Não era possível. "Quando o sistema de cobrança da Amazônia Celular foi passado para o sistema de cobrança da Oi, o seu número foi registrado no nome e cpf de outra pessoa." Surtamos. "Queremos o número de volta para o nosso nome, e QUEREMOS PAGAR A DROGA DA CONTA." Recebemos a resposta que, por motivo de sigilo, não poderíamos receber a conta, pois ela viria com o nome e cpf da outra pessoa, e isso é violação de privacidade. "Ah, é? Então não pagamos."
Março. Duas contas acumuladas. A Oi telefonou para minha mãe, perguntando porque a conta não foi paga. Mamãe disse que queria a conta no nome dela. A Oi disse que poderia mandar a conta por e-mail, para ser paga o mais rápido possível. Mamãe deu o meu e-mail. Recebi a conta, imprimi. Quando estava no caixa para efetuar o pagamento, notei que não estava no nome da minha mãe. Contava na conta o nome de uma D. Fulana, que mora em Coari, no interior do Amazonas. (E o respeito à privacidade, pra onde foi? Com apenas um e-mail, fiquei sabendo nome, cpf e endereço da D. Fulana. Respeito à privacidade vai pro espaço quando a conta está atrasada...) Coitada da D. Fulana, sendo cobrada por dívida de outra pessoa. Não paguei a conta com o nome errado e fui à loja da Oi.
Já de posse do nome e CPF da Dona Fulana de Coari, o gerente da Oi conseguiu fazer a tal migração Amazônia/Oi. Durante o processo, ele deixou escapar que o processo de migração coletiva Amazônia/Oi estava sendo um pesadelo, "cerca de 20% das migrações tiveram algum problema". Depois de duas horas e quinze minutos sofrendo, eu e mamãe saímos da loja com a migração feita, os dados da conta corrigidos e um problema.
A conta só virá no nome da minha mãe em ABRIL. As contas de fevereiro e março, não podem ser mudadas e permanecerão no nome da D. Fulana de Coari.
Gerente da Oi - Agora, vocês precisam pagar as contas pendentes, senão o número vai ser bloqueado...
Mamãe - Peraí. VOCÊS e esse sisteminha porco erram, mandam meu número pra Coari, não mandam a segunda via quando pedi a primeira vez, e agora EU PRECISO pagar a conta COM O NOME E CPF DE OUTRA PESSOA, senão vai BLOQUEAR?
Gerente da Oi - É.
Mamãe - Não pago mesmo. A conta não está em meu nome nem meu CPF. Não pago conta errada. Assim que eu puder, vou pra Claro ou pra Vivo ou pra puta-que-o-pariu (sic), mas não fico nessa Oi!
*********
Hoje, vou no Procon. Aguardem cenas dos próximos capítulos.
A Oi respeita sua liberdade. Tá bom.
19.03.09
Estou vivendo uma situação absurda com a Oi, essa empresa de telefonia celular que alega "respeiar a liberdade do cliente".
Minha mãe é cliente da Amazônia Celular desde 1998.(A Amazônia Celular tinha cobertura apenas na região Norte, pelo que sei. Provavelmente, meus leitores do SulSudeste não devem conhecê-la.) Nunca atrasou uma conta sequer. O relacionamento com a Amazônia Celular sempre foi muito bom: a empresa dava muitos bônus e aparelhos novos com desconto. A cobertura sempre foi boa.
Ano passado, foi veiculado na Tv um anúncio, estrelado pelos atores Marcello Antony e Du Moscovis, dizendo que a Oi e a Amazônia Celular agora eram uma só. Que todas as promoções e planos continuavam valendo. Que agora, o cliente Amazônia Celular podia ligar pra qualquer número fixo, Oi, ou Amazônia Celular pagando menos. E que todos os planos continuariam válidos.
A Oi comprou a Amazônia Celular. Até aí, tudo bem, é o mercado. Acontece que a Oi, após adiquirir a empresa (e marca) Amazônia Celular, resolveu desativá-la.
Em janeiro de 2009, dois meses atrás, chegou lá em casa (e na casa de meia Manaus) uma cartinha da Oi. Dizendo que todos os clientes Amazônia Celular tinham o DIREITO (sic) a migrar o chip Amazônia Celular para o serviço da Oi. Para exercer esse DIREITO (sic), bastava que o cliente fosse a qualquer loja da Oi no período de 31/01/2009 a 30/04/2009, levando Identidade e CPF em original e cópia, e a nota fiscal do aparelho.
Já é bastante incômodo ser forçado a mudar de operadora. Seria muito mais adequado para os clientes Amazônia Celular que eles pudessem permanecer na operadora o quanto quisessem. Seria mais inteligente por parte da Oi, também: passasse a oferecer vantagens enormes para os ex-clientes Amazônia Celular. Garanto que, detrno de uns três anos, não tinha mais ninguém na Amazônia Celular por vontade própria, respeitando a tal liberdade que a Oi tanto defende nas propagandas com gente roxa, verde e amarela. (Aliás, diga-se: algumas das propagandas da Oi eram geniais. Eu adorava aquela do "quem ama, bloqueiaaaaaa...")Mas, todo empresário tem direito de fazer burradas com as marcas que adquire, não é mesmo?
Estava tudo bem: o prazo para migração era grande (meses de fevereiro, março e abril), e o processo de mudança poderia ser feito paulatinamente, sem correrias, sem formação de filas. Isso, se o mundo fosse perfeito.
Como o mundo não é perfeito, aconteceu um problema. O dia previsto para INÍCIO do processo de migração coletiva Amazônia/Oi era diz 31 de janeiro,sábado. Pois bem: no dia 28 de janeiro, quarta-feira, MILHARES de celulares Amazônia Celular deixaram de funcionar. Formaram-se filas enormes na loja da Oi (esqueci de mencionar: em Manaus SÓ TEM UMA!), de pessoas com Rg e Cpf e uma cartinha da Oi dizendo "vale um Oi chip", prontas pra fazer a migração.
Os funcionários são sabiam o que fazer. Não havia ainda sistema para fazer a migração. Não havia como reabilitar os celulares Amazônia Celular bloqueados. Não havia nada o que dizer para as pessoas nas filas enormes. Foi um horror. Eu estava lá, junto com a minha mãe, e o que tinha de gente gritando que ia pra Vivo ou pra Claro ou pra puta-que-o-pariu (sic), mas não ficava na Oi...nossa.
(continua...)



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