Canção de ninar menina manauara

08.03.09

Acabei de escrever no meu Twitter, que o hino não-oficial de Manaus é a música Porto de Lenha, do Torrinho.

A linda letra é meio obscura, sendo apenas um trecho de um longo poema do Aldísio Filgueiras, e quem não é de Manaus tem certa dificuldade de compreender o que está sendo dito. Transcrevo aqui.

Porto de Lenha (melodia de Torrinho sobre poema de Aldísio Filgueiras)

Porto de Lenha, tu nunca serás Liverpool
Com uma cara sardenta e olhos azuis

Um quarto de flauta do Alto Rio Negro
Pra cada sambista paraquedista
Que sonha o sucesso,sucesso sulista
Em cada navio em cada cruzeiro
Em cada cruzeiro das quadrilhas de turistas!

(Ouça a linda música aqui)

Pois bem. Toda vez que nós, manauaras, queremos criticar a nossa cidade inculta e bela, a gente solta: "Ah, Porto de Lenha, tu nunca serás Liverpool..."

Quando acontece algo bom na cidade: "Porto de Lenha, um dia serás Liverpool!"

E eu, deitada no hostel em Liverpool,em 20 de setembro do ano passado, uma da manhã, apavorada e me sentindo completamente sozinha, cantava pra mim mesma, como acalanto de ninar gente com banzo: "Porto de Lenha, tu hoje já és Liverpool..."

P1110094

Essa foto é da manhã seguinte, eu no portão de Strawberry Fields. There's nothing to hung about...Strawberry Fields Forever.

Escrito por Menina Eva
Arquivado em: Música, Turismo, Emoção, Lugar, Mulherzinha, Saudade
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Só pra constar

02.03.09

Eu podia escrever qualquer coisa bestinha, pra ninguém saber.

Mas não dá. Estou bem ruinzinha, houve um acidente grave com amigos meus, e não, eles não estão bem, eles morreram de um jeito estúpido.

Volto depois.

Escrito por Menina Eva
Arquivado em: Comportamento, Catarse, Emoção
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O melhor elogio possível

23.02.09

Na qualidade de trabalhadora da arte espírita, envolvida com maquiagem, texto, cenário, platéia e personagens desde o ano 2000, quando eu tinha apenas 14 anos e uma monte de certezas, o movimento espírita amazonense ocasionalmente conta com minha voz projetada e inha memória boa pra textos pra usar o teatro como recurso pedagógico.

Pois bem, fui me apresentar no retiro-que-não-é-retiro, segunda-feira gorda. Sete da manhã, amores, eu de base, pó e rímel, metida num vestido "de mãe", porque se você tem mais de um metro e sessenta e um par de peitos 44, vão te dar o papel de mãe, ainda que você tenha 23 anos e nenhum filho.

Uma encenação bonitinha, o grupo ensaiou pouco mas é bem entrosado, algumas frases do texto foram invertidas, mas o resultado foi bom. E aí, depois da apresentação, nós confraternizando com os adolescentes - alvos das ações pedagógicas do retiro-que-não-é-retiro - no meio da confraternização vem um menino enorme, carinha de 14 anos, corpo de jogador de basquete da NBA.

- Oi, eu gostei muito de você na peça!
- Ah, que bom! Amanhã a gente vai fazer a segunda parte, viu?
- Legal. Sabia que você parece uma mulher do Almodóvar?

Eu, burra de dar dó:

- A esposa dele?
- Não, as personagens. Você tá meio que nem as mulheres do Almodóvar.

****************

GANHEI O ANO TODO, DEPOIS DESSA. Sério, o mundo ficou melhor. Te cuida, Penélope. Te cuida, Paz Vega.

(Não tenho nenhuma foto da encenação... Mas o vestido era da minha mãe, branco com umas estampas verdes retorcidas, meio Almodóvar mesmo. Não é maravilhoso que rapazes de quatorze anos conheçam Almodóvar? )

Escrito por Menina Eva
Arquivado em: Cinema, Açúcar, Emoção, Mulherzinha, Diálogo
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Não pertenço a um lugar, pertenço a quem me ama

11.02.09

Ao meu redor há um círculo de mulheres.

Inteligentes, engraçadas, maravilhosas. Vividas, competentes, corajosas, lúcidas.

Elas aparecem na minha caixa de entrada de e-mail. E nós caminhamos juntas (entre nós os quilômetros e os compromissos), mãos dadas, formando uma cadeia de afetos.

(Livremente inspirado em um texto da Isabel Allende que citarei direito aqui quando tiver tempo. A Telinha foi quem me disse desse texto.)

Escrito por Cintaliga
Arquivado em: Blogosfera, Comportamento, Amizade, Amor, Emoção, Mulherzinha, Saudade
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Tantas cosas debo decirte

10.02.09

Ando tão ocupada, gente. Estou trabalhando, fazendo curso de teatro, voltando ao convívio do pessoal da universidade, baixando dezenas de teses e dissertações sobre políticas públicas no www.dominiopublico.gov.br, pegando muita chuva em Manaus, essa terra cujo clima é um caos. Assumindo compromissos no meu grupo de teatro, de interpretar a personagem mais diferente de mim mesma que eu já vivi. Providenciando uns artigos pra publicar em eventos científicos, tentando superar minha próprio mediocridade e vencer a certeza que eu sou uma farsa, uma grande mentira que eu inventei e na qual o resto do mundo, curiosamente, acreditou.

Beijos com saudade,

Eva

Um conto real de Natal

10.01.09

Vinte e quatro de dezembro, tardinha, ela e a mãe fazem uma série de visitas às casas de alguns amigos. Entregam um panetone pro amigo querido da faculdade, passam na casa de alguns queridos.

Quando chegam à casa de uma família conhecida, ficam sabendo que a mocinha estudante de Medicina, que um dia teve doze anos e com quem passou muitas noites cheias de risadinhas e filosofias adolescentes, hoje à noite, vinte e quatro de dezembro, está de plantão em um hospital. Distantes se vão os doze anos.

Com um disco do Rod Stewart embrulhado pra presente, vão para o hospital. Vinte e quatro de dezembro. Oito e meia da noite. Um vento horrendo de chuva, "o que estamos fazendo aqui?" "Qual era mesmo o hospital?".

Chegaram, desceram do carro, cumprimentaram alguns seguranças meio desanimados por estarem trabalhando na véspera de Natal. Perguntaram pela estudante, ninguém sabe o ramal, "qual é o ramal?", e as duas ficaram alguns minutos esperando enquanto os seguranças procuravam o número.

E foi nessa hora que Papai Noel, vestido de vermelho, botas pretas, barba branca, cajado com sininhos na mão, saco cheio de presentes, saiu do hospital, dando aquela risada engraçada. O próprio. Atrás dele, duas mulheres quarentonas, meio gordas. Uma delas, entusiasmada, torcendo as mãos, olhava ao redor.

Ela viu as duas mulheres encostadas no balcão da portaria do hospital. Encontro de olhares.

Gorda, quarentona, celular na mão, uma alegria imensa saindo dela, esparramando no chão, precisando desesperadamente ser compartilhada.

- Feliz Natal!

As duas responderam, meio sufocadas de ver tanta alegria junta:

- Feliz Natal, feliz Natal MESMO!

A mulher atendeu o celular e foi saindo, falando ao telefone que naquele momento iam ao Pronto Socorro Municipal. Ela e a outra quarentona saíram do Hospital, entraram em um carro preto; o Papai Noel entrou no mesmo carro, não foi de trenó.

Mas isso não diminui em nada a magia, concordam?

Fim (mas em dezembro tem Natal de novo)

P.S.: Depois me perguntam porque é que eu enlouqueço no Natal. Já estou com saudade de ver a casa toda vermelha, verde e dourada. E das musiquinhas de sininhos. Eu sou incorrigível.
P.P.S.: Esse ano, o post de Natal só saiu em Janeiro. Mas a boa notícia é que o técnico veio aqui, curou a virose do meu computador velho, e agora tenho internet em casa de novo!

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