Tantas cosas debo decirte
10.02.09
Ando tão ocupada, gente. Estou trabalhando, fazendo curso de teatro, voltando ao convívio do pessoal da universidade, baixando dezenas de teses e dissertações sobre políticas públicas no www.dominiopublico.gov.br, pegando muita chuva em Manaus, essa terra cujo clima é um caos. Assumindo compromissos no meu grupo de teatro, de interpretar a personagem mais diferente de mim mesma que eu já vivi. Providenciando uns artigos pra publicar em eventos científicos, tentando superar minha próprio mediocridade e vencer a certeza que eu sou uma farsa, uma grande mentira que eu inventei e na qual o resto do mundo, curiosamente, acreditou.
Beijos com saudade,
Eva
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Agridoce
11.11.08
Olá!
Vim aqui, com a devida permissão da Eva, para conforme o prometido comunicar aos meus dois ou dez leitores o endereço do meu blog novo.
Ainda falta ajustar algumas coisas, mas eu tô achando bem lindo de cara.
Escolher um nome para um blog novo não foi nada fácil. Eu pensava: depois de CINTALIGA não conseguirei bolar nada mais incrível. Porque, vamos combinar, CINTALIGA é o nome de blog feminino mais perfeito do mundo!
Depois de muito matutar e consultar milhares de pessoas, decidi por AGRIDOCE. Não é o nome de blog feminino mais perfeito do mundo, mas tem tudo a ver comigo, quem me conhece sabe... Hahahahahahaha!
Então, a Eva agora tem 100% das ações do CINTALIGA, esse blog lilás e incrível que eu ajudei a construir e desejo que cresça cada vez mais.
Quanto a mim, criei o miniportal familiar que falei na minha despedida - ele se chama DIALÉTICA -, e nele vou construir pouco a pouco o AGRIDOCE.
É isso. Leitor, você sabe, a emoção continua. Porque eu só sei escrever assim.
Eva, querida, eu não te disse que se um dia tivesse que deixar o CINTALIGA de herança pra alguém eu deixaria pra ti? E nem foi preciso morrer. Que bom!
Beijo!
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Dando satisfações
18.10.08
Sim, Guilherme Arantes, "adeus também foi feito pra se dizer".
Ontem o Cintaliga fez dois anos.
Fiquei algumas semanas sem escrever aqui e hoje resolvi parar de adiar as devidas satisfações que acho que devo dar.
Estou saindo do Cintaliga.
Não lamente nem comemore. Eu não vou parar de escrever. Eu só não vou escrever mais neste blog aqui.
É engraçado quando eu digo que estou saindo do Cintaliga e viram pra mim e indagam: Mas como saindo, se o blog é seu?
Pois é.
Acontece que eu quero mudar de ares.
Eu brinco que quero montar um miniportal pra abrigar meu blog novo - que ainda não tem nome -, o Love Live e um outro blog "temático" que tenho muita vontade de tocar.
Um miniportalzinho onde eu possa plantar meus amigos, meus discos e livros e nada mais...
Mentira. Um miniportalzinho pra plantar muito mais... Minhas fotos, meus alunos, minha família, meus leitores.
Minha mãe diz que às vezes precisamos adiar os sonhos, mas não cancelá-los.
É isso.
Ainda tenho muito a escrever - até porque é das raras coisas que sei fazer direito (desculpe a falta de modéstia, eu sou leonina).
Só falta criar um nome, um template, uma coragem...
Aí, quando tudo isso for criado, eu aviso.
Aí, vocês, meus dois ou dez leitores, voltarão a ler aqueles velhos textos onde o foco é a emoção.
(Um dia desses, uma mocinha me perguntou sobre o que era o meu blog e eu disse que o foco era a emoção, que eu escrevia com emoção para emocionar as pessoas. A mocinha concluiu que eu sou emo! Será?)
É isso.
Como diria o Pedro, do Ana & Pedro, "um beijo apertado, que nem abraço".
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Brincar de boneca - Nível avançado
26.02.08
Visitei uma exposição no Shopping. (Aqui em Manaus, quando você fala "o Shopping", todo mundo sabe qual é. Não que só tenha um: tem cinco ou seis shoppings grandes, mas "o shopping" foi o primeiro.)
A exposição fala sobre a evolução histórica das roupas. Mais especificamente, da roupa feminina. Mais especificamente, dos vestidos. Mais especificamente, dos vestidos franceses. Da idade média aos anos 50.
Tá, e daí? Daí que as modelos são bonecas! Com vestidos de época!
As roupas estão lindamente acabadas. Pra mim, que lido com teatro, é enlouquecedor ver tantas roupas lindas e cheias de ricos detalhes. Rendas, laços, flores! Dá vontade de dançar um minueto...
Cá entre nós, essa exposição é a cara do Cintaliga, então eu PRECISEI escrever sobre ela!
A exposição está encantadora. A sensação de proximidade com a figura humana vestida, muito mais charmoso do que se fossem usados manequins, é o forte. Além do mais, os textos explicativos sobre o momento histórico relativo a cada vestido estão muito claros, e evidenciam as interessantes relações da arquitetura com a moda. Fernanda comentou comigo que a saia ampla do Renascimento imitava o formato dos sinos de Notre-Dame. Essa bonequinha abaixo veste-se como uma contemporânea do Leonardo da Vinci.
Depois veio o Barroco. O homem debatia-se entre contrastes, o pecado e a virtude, as formas exageradas e a vida simples, o céu e o inferno. E a mulher? Bem, ela era assim.
O rococó levou o Barroco às últimas consequências. Acrescentou enfeites, riqueza, um toque de futilidade, sim, que nós adoramos isso. Flores, rendas, fitas, laços, tudo ao mesmo tempo! Eba!
No reinado de Luís XVI, as mulheres descobriram que fazer esculturas com os próprios cabelos era garantia de sucesso nos salões. Um penteado assim podia durar meses, fixo no lugar com cera. Pensem na quantidade absurda de piolhos! Eca!
Na época de Napoleão, a moda era parecer grego. Ai, ai. Sou só eu que acho lindo?
Já no Período da Bèlle-Epoque, as mulheres precisavam ser esguias, cheias de curvas.
Nos anos 20, as mulheres promoveram a primeira revolução feminista. Ficaram malucas, mostraram os joelhos, tornaram-se seres vaporosos e diáfanos.
A última bonequinha vem vestida com o new look de Christian Dior. Depois de duas guerras mundiais, os anos de fartura trouxeram de volta uma moda mulherzinha, com grandes saias rodadas, cintura marcada. Ser feminina era um privilégio de tempos de paz.
Fernanda Gomides, a expositora, já foi estudante de moda e hoje em dia cursa Design e estuda francês na Aliança Francesa, que promove a exposição. Ela estava lá, circulando na exposição, e eu e ela agarramos num papo de uma hora e meia.
Ela me falou que teve ataques de ódio contra o cabelo cor de rosa das bonecas; tentou tingir, tentou cortar, mas não teve jeito. Me falou dos materiais que usou, da máquina de costura temperamental. Dos estilistas de Madame Pompadour. Da próxima exposição que está montando, sobre a história do sapato.
Eu comentei sobre a idéia incrível de botar as bonequinhas como modelos. A exposição ganha um ar lúdico, a gente se sente próximo. Caras, elas estão vestindo as roupas que eu sempre quis colocar nas MINHAS bonecas.
Não é incrível notar que, mesmo sendo reprimida, presa e tratada como propriedade masculina, a mulher sempre teve uma cultura toda própria?
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Tudo bem no ano que vem
29.12.07
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Em 2007, eu passei por picos de alegria e vales de agonia. E outro dia, acho que foi ontem, me veio aquela certeza gozada: "Passou!"
Passou a dor. Inesperadamente, eu percebi isso. Sempre nos surpreendemos,tu e eu, "apesar de tudo, parecemos um casal normal". E fomos normais em tudo, inclusive no fim doloroso e cheio de saudade. Quisemos ser invencíveis, lembra? Fomos apenas normais. Fomos um casal, como todos os casais - não fomos imunes ao rompimento. Essa certeza estabelecida, minha dor passou. Que saibamos viver assim, separados e silenciosos.
E me pergunto se passou pro outro lado da minha dor, o lado machucado, o lado que sofreu. Passou pra ti, rapaz? Vais ler isso aqui? Um dia terei a sua resposta.
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Fim de ano deixa a gente meio triste? Eu fico esfuziante no Natal, mas confesso que essa semana final incomoda. Esse clima de fechamento de saldo.
Eu gosto mais dos anos pares. Tive anos pares muito bons - apesar do meu pai ter falecido em um ano par, 2002. Mas cada ano vem sempre embrulhadinho, com lacinho de fita e papel de presente - e ficamos com a tarefa de abrir o embrulho e fazer algo com o que vem dentro.
Eu recomendo que todos leiam esse texto da Fal, estupenda Fal, sofrida Fal, querida Fal. "E quando finalmente caímos na estrada, vi o que eu realmente estava fazendo ali. Eu estava procurando você.[...]Achei que talvez fosse aqui que você estava esse tempo todo, tendo altas discussões filosóficas regadas a café com o Camarada Paulo, fotografando as plantas de sua mãe, vendo o Jornal Nacional com seu pai, brincando no piano que sobreviveu ao seu incêndio (você colocou fogo no outro, gerando a mais mal contada história de todos os tempos) e escolhendo qual pão doce você iria comprar para mim." Ah, Fal, se eu escrevendo pudesse diminuir sua dor, se eu telefonando pudesse fazer o tempo voltar, ou passar mais depressa, ou qualquer coisa assim.
E depois de ler, que pensem com cuidado no que fazemos, todo dia, com esses seres que circulam ao nosso redor, a quem chamamos de "conhecidos".
Pra terminar esse texto-melancolia, ficam os meus desejos.
Mais carinho. Mais gentileza. Mais sinceridade. Mais Amor. Esse Amor com letra grande, mesmo. Mais tempo pra coisas divertidas. Menos aborrecimento. Mais objetivos, claros ou vagos; que haja objetivos e recursos para cumpri-los. Mais sonhos. Mais som. Mais luz.
E que a dor, quando vier (ela sempre vem, sempre) venha passageira, venha com crescimento; e se a dor nada acrescentar, que no rastro dela venha o consolo, os dias que passam, as noites que acabam, as alegrias pequeninas que ajudam.
Que os "conhecidos", depois de nos conhecer, saiam pensando como ainda vale a pena pisar nesse solo, acreditar nas pessoas.
Pra mim, que eu sou muito selfish. Espero que 2008 traga paisagens verdes, resultados legais, alegrias pequenas, dores construtivas. Amigas lilases.
Delicadezas miudinhas, cidades diferentes, trabalho no bem, carinhos cotidianos, agora e sempre, que assim seja.
P.S.: Fiquei um tempo sem escrever por escassez de internet...Desculpem, leitores; desculpem, capanheiras de blog. Ano que vem eu mudo. ![]()
P.S.S.: Eu ando brega pra chuchu.
Arquivado em: Comportamento, Catarse, Cintaliga, Emoção, Esperança, Gente, Saudade, Sonho, Diálogo
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Proposta
27.12.07
E aí, vamos epilogar o Cintaliga? 




















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