Tanta coisa, ai ai ai
24.08.09
Os blogs que eu amo, os escritores que eu amo, os comentários que eu adoraria fazer.
O tempo que eu tinha, pra onde foi? As promessas que eu faço (no texto anterior, prometi que no dia seguinte escreveria de novo!). As calorias que eu como e bebo diariamente, sabendo que me aproximo dos oitenta quilos.
A saudade que eu sinto das pessoas com quem só conseguia falar pelo msn. Os e-mails que se acumulam. Os dias que passam, estamos em agosto.
Fiz aniversário dia seis. Vinte e quatro anos.
Tenho escrito cada vez menos, lido cada vez menos, pensado cada vez mais.
Ando amarga e cáustica, vendo amigas que costumavam ser meu modelo virando estranhas misturas de Gretchen com Chacrete.
Reclamo de tudo, não acho graça de nada, faço tudo por obrigação.
Estou longe daqui. Aqui mesmo.
P.S.: Mas em setembro, eu vou pros Lençóis Maranhenses, e eu juro que isso passa.
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Com a mão no seu bolso
22.05.09
Roubaram minha carteira ontem. Eu acho que foi no ônibus.
Eu saí do consultório do Dentista. Estou me recuperando de uma virose violenta, e ontem fez um calor manauara aqui em Manaus. Então, saí de sombrinha, pra não pegar sol e piorar do nariz atacado. Andei uns quarteirões, e vi uma senhora com um tabuleiro cheio de canudinhos (o salgadinho) na cabeça. Fiquei com vontade, mas achei que era encomenda pra alguém. Ao passar do meu lado, ela falou em tom de pregão -
"Empaaaaaaaaada, canudoooooo, salgaaaaaaado, mereeeeeenda"
Eu virei pra ela e perguntei quanto era o canudinho; ela disse que era um real - MAS ERA DO GRANDE! Eu comprei dois, pra ela não ter que me dar troco. E comentei com ela, que fiquei com água na boca quando vi, mas achei que fosse encomenda.
Ela me disse que era a primeira vez que passava naquela rua, e por isso eu não a conhecia. E me perguntou se ali era bem movimentado. Eu respondi que tinha uma academia de ginástica ali no canto (em Manaus, canto = esquina), e que na rua ela não veria ninguém, mas se ela entrasse nos consultórios médicos tinha um monte de gente faminta nas salas de espera. Ela agradeceu, e eu fui pra parada de ônibus, comendo o primeiro canudo. Estava quentinho.
Cheguei na parada, guardei a sombrinha na bolsa e - milagre - lá vem o ônibus! Subi apressada, com o canudinho esfarelando na mão. Tinha umas pessoas atrás do ônibus, antes da catraca. Me deu uma sensação de vergonha, de que os outros estavam me olhando, mas achei que fosse culpa do salgadinho...
Puxei a carteira, bati meu Smart Card no leitor da cobradora. Guardei o Smart card dentro da carteira, e a carteira na bolsa. Tenho certeza de ter visto minha garrafa de água dentro da bolsa nessa hora.
Ônibus cheio, chacoalhão, difícil de se segurar. Fui avançando pra perto da porta de saída, segurando a bolsa no ar, em frente ao meu rosto.
Desci na Bola do Coroado, andei até a outra parada, peguei o ônibus que circula gratuitamente dentro da Universidade.
Fui pra Pós-Graduação, conversei com a minha professora, peguei meu boleto na secretaria, peguei a apostila. Todos os meus colegas que chegavam perguntavam se eu tinha melhorado (avisei por e-mail que estava bem doente). Com medo de tossir durante a aula, fui encher minha garrafa de água - e vi que ela não estava na bolsa. Voltei na secretaria, e não estava lá. Pensei "ah, danou-se, perdi a garrafa no ônibus ou no dentista". Assisti aula - uma aula ótima e triste sobre controle e crise na Administração Pública - e peguei carona pra casa com um colega.
Cheguei em casa, fiz vinte minutos de inalação, tomei três remédios e uma gemada (mamãe). Assisti a novela, adorei o casamento do Ravi com a Camila. Botei meu celular pra carregar. Assisti a Grande Família, e mudei depois pra Record pra assistir o Doutor House. Dormi.
Só percebi que estava sem a carteira hoje de manhã, e obviamente associei com o sumiço da garrafa de água. "Roubaram no ônibus, geeeeente. Mãe, virei estatística!" Tive que pensar em tudo o que estava na carteira que poderia causar problemas em mãos de terceiros.
Trinta reais (Duas de dez, duas de cinco). Carteira do plano de saúde. Carteira do Conselho Regional (e graças a Deus, por causa dela não ando com RG nem CPF, obrigada, Conselho Regional de Administração da 5ª Região). Cartão do banco - que é só de débito, ladrão azarado. Papeizinhos mil, comprovantes de compras... Fotos 3X4 que estavam muito boas. Foto da minha mãe. Foto do ex-namorado (não me julguem). Dois Sonridor efervescentes, eu vivo com dor de cabeça. Cartão do Carrefour, que, definitivamente, não patrocina este post. E o Smart Card pra pagar meia no ônibus, que foi o mais doloroso de todos. Pra tirar outro é uma aporrinhação.
Estou irritada. O prejuízo nem foi tão grande. Várias circunstâncias da minha vida me permitem achar que trinta reais é coisa pouca - graças, demos graças. Não tinha recebido salário, nem tenho a senha do cartão anotada no verso do mesmo.
Pior de tudo, o que mais me irrita, o que mais dói, o que mais perturba, o que me fez escrever aqui, é imaginar que meus trinta reaizinhos estão, muito provavelmente, comprando droga por aí. Ódio.
Só pra constar
02.03.09
Eu podia escrever qualquer coisa bestinha, pra ninguém saber.
Mas não dá. Estou bem ruinzinha, houve um acidente grave com amigos meus, e não, eles não estão bem, eles morreram de um jeito estúpido.
Volto depois.
Tantas cosas debo decirte
10.02.09
Ando tão ocupada, gente. Estou trabalhando, fazendo curso de teatro, voltando ao convívio do pessoal da universidade, baixando dezenas de teses e dissertações sobre políticas públicas no www.dominiopublico.gov.br, pegando muita chuva em Manaus, essa terra cujo clima é um caos. Assumindo compromissos no meu grupo de teatro, de interpretar a personagem mais diferente de mim mesma que eu já vivi. Providenciando uns artigos pra publicar em eventos científicos, tentando superar minha próprio mediocridade e vencer a certeza que eu sou uma farsa, uma grande mentira que eu inventei e na qual o resto do mundo, curiosamente, acreditou.
Beijos com saudade,
Eva
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Um conto real de Natal
10.01.09
Vinte e quatro de dezembro, tardinha, ela e a mãe fazem uma série de visitas às casas de alguns amigos. Entregam um panetone pro amigo querido da faculdade, passam na casa de alguns queridos.
Quando chegam à casa de uma família conhecida, ficam sabendo que a mocinha estudante de Medicina, que um dia teve doze anos e com quem passou muitas noites cheias de risadinhas e filosofias adolescentes, hoje à noite, vinte e quatro de dezembro, está de plantão em um hospital. Distantes se vão os doze anos.
Com um disco do Rod Stewart embrulhado pra presente, vão para o hospital. Vinte e quatro de dezembro. Oito e meia da noite. Um vento horrendo de chuva, "o que estamos fazendo aqui?" "Qual era mesmo o hospital?".
Chegaram, desceram do carro, cumprimentaram alguns seguranças meio desanimados por estarem trabalhando na véspera de Natal. Perguntaram pela estudante, ninguém sabe o ramal, "qual é o ramal?", e as duas ficaram alguns minutos esperando enquanto os seguranças procuravam o número.
E foi nessa hora que Papai Noel, vestido de vermelho, botas pretas, barba branca, cajado com sininhos na mão, saco cheio de presentes, saiu do hospital, dando aquela risada engraçada. O próprio. Atrás dele, duas mulheres quarentonas, meio gordas. Uma delas, entusiasmada, torcendo as mãos, olhava ao redor.
Ela viu as duas mulheres encostadas no balcão da portaria do hospital. Encontro de olhares.
Gorda, quarentona, celular na mão, uma alegria imensa saindo dela, esparramando no chão, precisando desesperadamente ser compartilhada.
- Feliz Natal!
As duas responderam, meio sufocadas de ver tanta alegria junta:
- Feliz Natal, feliz Natal MESMO!
A mulher atendeu o celular e foi saindo, falando ao telefone que naquele momento iam ao Pronto Socorro Municipal. Ela e a outra quarentona saíram do Hospital, entraram em um carro preto; o Papai Noel entrou no mesmo carro, não foi de trenó.
Mas isso não diminui em nada a magia, concordam?
Fim (mas em dezembro tem Natal de novo)
P.S.: Depois me perguntam porque é que eu enlouqueço no Natal. Já estou com saudade de ver a casa toda vermelha, verde e dourada. E das musiquinhas de sininhos. Eu sou incorrigível.
P.P.S.: Esse ano, o post de Natal só saiu em Janeiro. Mas a boa notícia é que o técnico veio aqui, curou a virose do meu computador velho, e agora tenho internet em casa de novo!
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Dois Mili Nove*
07.01.09
Eu e mamãe ontem, dia de Reis, fizemos nosso mini-ritualzinho de descendentes de portuguesas. Queimamos palhinhas do berço do menino Jesus, incensamos a casa, tomamos chocolate quente com gemadinha (o nome da gemadinha é viúva. Expliquei sobre a nossa tradição de ano novo no meu antigo blog, aqui.). Rezamos juntas, ouvimos o cd do Padre Fábio. (Em anos anteriores era o Padre Marcelo, hahaha.)
Enquanto lavávamos a louça, eu comentei:
- Quer saber, mãe? A nossa vida é boa. Temos emprego, saúde, casa. Presépios pra desarrumar. Poupança. Acho que nossa vida é boa.
E ela, ácida:
- Estamos um pouco gordas, é verdade, mas...
* Eu odeio de todo coração essa pronúncia, odeio mesmo. Mil perdões se você pronuncia desse jeito; eu não odeio você, mas ODEIO essa pronúncia.
P.S.: Sem internet, etcétera, etcétera.



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