O melhor elogio possível
23.02.09
Na qualidade de trabalhadora da arte espírita, envolvida com maquiagem, texto, cenário, platéia e personagens desde o ano 2000, quando eu tinha apenas 14 anos e uma monte de certezas, o movimento espírita amazonense ocasionalmente conta com minha voz projetada e inha memória boa pra textos pra usar o teatro como recurso pedagógico.
Pois bem, fui me apresentar no retiro-que-não-é-retiro, segunda-feira gorda. Sete da manhã, amores, eu de base, pó e rímel, metida num vestido "de mãe", porque se você tem mais de um metro e sessenta e um par de peitos 44, vão te dar o papel de mãe, ainda que você tenha 23 anos e nenhum filho.
Uma encenação bonitinha, o grupo ensaiou pouco mas é bem entrosado, algumas frases do texto foram invertidas, mas o resultado foi bom. E aí, depois da apresentação, nós confraternizando com os adolescentes - alvos das ações pedagógicas do retiro-que-não-é-retiro - no meio da confraternização vem um menino enorme, carinha de 14 anos, corpo de jogador de basquete da NBA.
- Oi, eu gostei muito de você na peça!
- Ah, que bom! Amanhã a gente vai fazer a segunda parte, viu?
- Legal. Sabia que você parece uma mulher do Almodóvar?
Eu, burra de dar dó:
- A esposa dele?
- Não, as personagens. Você tá meio que nem as mulheres do Almodóvar.
****************
GANHEI O ANO TODO, DEPOIS DESSA. Sério, o mundo ficou melhor. Te cuida, Penélope. Te cuida, Paz Vega.
(Não tenho nenhuma foto da encenação... Mas o vestido era da minha mãe, branco com umas estampas verdes retorcidas, meio Almodóvar mesmo. Não é maravilhoso que rapazes de quatorze anos conheçam Almodóvar? )
Uma memória sobre algo que não existe
31.01.09
Comprei alguns Dvd's, originais ou oriundos do Distribuidor Calçada. Entre outros, estavam dois que me deixaram confusa.
"A Bela Adormecida" (o desenho da Disney) e "A cor púrpura" (do Steven Spielberg, com a Whoopi Goldberg maravilhosa e incrível).
Eu assisti aos dois filmes MUITAS vezes quando era mais nova. A Cor púrpura passou na TV centenas de vezes, e meu pai SEMPRE fez questão de assistir, por causa da maravilhosa trilha sonora de jazz, blues e gospel dos anos 20/30/40. A Bela Adormecida, sendo um grande clássico do Panteão Disney, assisti milhares de vezes.
Agora, com essas versÕes em dvd, senti falta de algumas cenas que estão nítidas na minha memória, mas que não estão nos filmes.
Em "A Bela Adormecida", no momento em que a Aurora sobe as escadas secretas do castelo, hipnotizada pela Malévola, minutos antes de espetar o dedo no fuso, eu me recordo VIVAMENTE de uma voz meio de bruxa querendo hipnotizar alguém a chamando: "Auroooora...Aurooooora..." E no meu DVD não tem essa voz! Nem no original em inglês, nem em Português, nem em lugar nenhum.
Em "A cor púrpura", quando o Pai do Sinhô vai até a casa para falar mal da Shug, dizendo que ela está com doença de mulher da vida, a Celie fica com tanto ódio que cospe dentro do copo de água, oferece o copo para o velho e fica ansiosa, aguardando que ele beba a água cuspida. Na minha cabeça, ele bebia a água, depois dava um arroto sonoro e longo, e devolvia o copo. Inclusive, escuto a voz do meu pai fazendo comentários: "Eita, que esse foi um arroto de gosto!" E, para meu espanto, no DVD não há arroto nenhum...
Estou ficando maluca? Alguém mais lembra dessas cenas desse jeito, ou eu inventei memórias?
Sexta-feira, Dublin vai endoidar
17.09.08
Tudo de graca! Tudo aberto ateh onze da noite, inclusive os museus! Oficinas de danca e teatro! Danca japonesa! Passeios com homenzinhos vestidos de vikings!
Isso tudo eh DUBLIN CULTURE NIGHT!
Esta em Dublin? Confira a programacao em www.culturenight.ie
Vou em varias das atracoes gratuitas; depois vou pro aeroporto pegar o voo pra Liverpool. ![]()
Tantas coisas que eu não sei
18.03.08

As coisas orientais que eu não sei
Eu não entendo nada de cultura japonesa.Eu não saberia diferenciar o Jet Li do Bruce Lee. Mas queria muito ter a chance de participar da cerimônia do chá um dia. E queria muito entender o que você fala quando conta sobre aqueles desenhos de olhos grandes.
As coisas literárias que eu não sei
Eu não sei necas de quadrinhos cult. Gostei de ler Sandman. Só li "300" por causa do filme com o Rodrigo Santoro.
Eu nunca consegui passar da terceira página d'O Príncipe, de Maquiavel. Mas sei que ele diz que "é necessário ao príncipe que saiba ser mau".
Nunca li as obras adultas do Monteiro Lobato. Sei apenas que um dos livros se chama Urupês. E sou capaz de fazer ar sonhador e suspirar diante do livro na estante: "Ahhhhhhhh, Urupês!"
As coisas musicais que eu não sei
Eu não gosto muito de guitarra, e não sei dizer qual a diferença entre Metal, Punk e Hardcore (nem sei se existe diferença ao certo, apesar de todos os meus amigos já terem me explicado). Gosto dos Beatles. Do Elvis vestido de havaiano. (Eu sou uma decepção pra você, não sou?)
Eu não sei diferenciar uma obra de Mozart de uma do Beethoven. Mas gosto de ir a concertos, e me divirto horrores.
Eu não sei quem é o grande nome do Jazz atualmente. Mas eu gosto do Armstrong e da Billie, porque meu pai me botava no colo e tocava trompete pra mim. Eu gosto de naipes de metais. Mas eu gosto mais das músicas de Big Band; eu seria muito feliz se pudesse viver dentro de um musical da Metro dos anos 40, junto com o Fred Astaire e a Judy Garland.
As coisas cinematográficas que eu não sei
Não assisti Cidade de Deus. (Não me bata!)
Eu nunca assisti Amarelo Manga. Nem nenhum filme do Godart. Nem sequer um filme iraniano. Mas assisti aquele do Woody Allen (Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo...etc etc etc), e soube reconhecer que foi ele quem inventou a "roupa de espermatozóide", sendo copiado milhares de vezes a tal ponto que isso entrou pro imaginário popular.
E se o assunto é cinema, eu sei que o Hitchcock semore aparecia nos próprios filmes. Nunca assisti a um filme dele sequer.
As coisas da vida que eu não sei
Eu não entendo profundamente sobre nenhum assunto, não conheço raridades, não sou culta, sequer sou informada. Eu não sei discorrer sobre nada. Mas pesco um pouco de tudo. E de tudo, um pouco.
Eu decoro palavras complicadas - convulsão do mundo moderno, pulsões sociais, indicadores de desempenho de políticas públicas, consolidação das leis trabalhistas - e uso nas minhas conversas como se soubesse o que são, mas eu a verdade é que eu sou burra que dói.
Eu sou super burra. Mas você pensa que eu sou muito inteligente, porque eu finjo muito bem fingidinho. Eu sou uma farsa: tenho boa memória, decoro o nome dos cientistas e dos filósofos. Nunca entendi muito bem o que significa a queda da bolsa de valores.
Eu sou comum, querido, comum. Mas tenho devaneios de superstar.
P.S.: Pra não dizer que não sei nada, sei porque o Negro não mistura com o Solimões, sei empregar a crase e a vírgula, e sei sentir sua falta às terças-feiras.
Arquivado em: Cinema, Comportamento, Egotrip, Catarse, Indignação, Infância, Livros
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Véus pintados
08.03.08
Há um bom tempo eu queria assistir ao filme "The painted veil", principalmente depois de assistir a este trailer. Prefiro continuar chamando o filme pelo nome original, já que os tradutores brasileiros rebatizaram-no com o pavoroso título "Despertar de uma paixão" (eca, eca, eca), que além de ser manjado, estraga muito do filme. Para meu desgosto, ele permanece (e permanecerá) inédito nos cinemas de Manaus.
Porém, graças ao magnífico distribuidor Calçada S.A., o filme chegou às minhas mãos, e pude vê-lo no meu cinema particular. E, ah, que filme lindo.
O motivo maior por eu ter me interessado pelo filme foi a presença de Edward Norton. Considero esse rapaz um ator espetacular, especialmente depois que vi "Cruzada" (que tem o pavoroso título original "Kingdom of Heaven", eca, eca). Em Cruzada, Edward Norton interpreta o Rei de Jerusalém, que, por ser leproso, esconde seu rosto com uma máscara. Passa o filme todo mascarado, e seu talento imenso (imeeeeeeeeenso, imeeeenso) me permitiu ver todas as expressões, maneirismos e sentimentos do personagem.
"The painted veil" se passa nos anos vinte. Kitty (Naomi Watts, Ó-TI-MA) é uma moça meio frívola e encalhada que aceita casar com Walter Fane (Ed Norton, para os íntimos) para escapar da casa da mãe. Walter, tímido, formal, é chefe do laboratório inglês em Xangai, onde os recém-casados vão morar. (Sou muito burra pra entender bem, mas aparentemente o Reino Unido exerceu algum poder sobre a China.)
Morando em Xangai, vai ficando bem clara a diferença entre os dois. Walter é muito tímido, muito sério, muito caseiro; e Kitty, como não podia deixar de ser, continua entediada com a sociedade chinesa.
Marido introvertido, mulher fútil, quem adivinha o que acontece?
Chifre, meus caros.
Kitty se envolve com um figurão do consulado inglês. Só que o marido descobre, e resolve não ser corno manso: alista-se como voluntário para trabalhar num vilarejo que atravessa uma epidemia de cólera. E se a esposa não for junto, ele pede divórcio, arma o maior barraco e queima a reputação dela pra sempre. E lá se vão os dois pro meio da epidemia, cheios de mágoas, rancores e punições.
Aí é que o filme cresce e chega ao seu foco. E é possível que seja daí que os tradutores brasileiros tenham criado o horrendo título em português; pois nesse vilarejo pequeno, isolados pelo idioma, pela cultura estranha e pela tensão política, com o cólera por todos os lados, aparecem aspectos novos no outro - e esses aspectos podem ser encantadores, até mesmo apaixonantes, por que não?
A trilha sonora é exata, justa. Ganhou o Globo de ouro! Em um momento muito importante do filme (que eu, conhecida por ser a Miss-Conto-o-Final, não posso revelar qual é, senão estrago completamente a experiência ), uma musiquinha francesa cantada por uma mulher acompanhada por um coro de crianças marcou intensamente. A música aparece legendada, o que considerei uma gentileza imensa da equipe de tradução. Quando se escolha legendas em português, lemos a tradução da música; quando escolhemos legendas em inglês, aparece a letra original.
A música chama-se "A la claire fontaine". Nos créditos do filme, ela consta como canção tradicional francesa. Fuçando na internet, descobri um site incrível, só sobre trilhas sonoras. Na página de "The Painted Veil", há uma discussão ótima sobre esta música (não fui só eu quem gostou!). Encontrei a letra original em francês:
À la claire fontaine,
m'en allant promener,
J'ai trouvé l'eau si belle
que je m'y suis baigné.
Il y a lontemps que je t'aime,
jamais je ne t'oublierai.
Sous les feuilles d'un chêne,
je me suis fait sécher.
Sur la plus haute branche,
un rossignol chantait.
Il y a lontemps que je t'aime,
jamais je ne t'oublierai.
Chante, rossignol, chante,
toi qui as le coeur gai;
Tu as le coeur à rire,
moi je l'ai à pleurer.
Il y a lontemps que je t'aime,
jamais je ne t'oublierai.
J'ai perdu mon ami
sans l'avoir mérité.
Pour un bouquet de roses
que je lui refusai.
Il y a lontemps que je t'aime,
jamais je ne t'oublierai.
Je voudrais que la rose
fût encore au rosier,
Et que mon douce ami
fût encore à m'aimer
Encontrei também duas versÕes em inglês: uma tradução literal, e uma mais poética (que precisou acrescentar uma estrofe para manter o sentido), que reproduzo aqui:
By the clear running fountain
I strayed one summer day.
The water looked so cooling
I bathed without delay.
Many long years have I loved you,
Ever in my heart you'll stay.
Beneath an oak tree shady
I dried myself that day
When from the topmost branch
A bird's song came my way.
Many long years have I loved you,
Ever in my heart you'll stay.
Sing, nightingale, keep singing,
Your heart is always gay.
You have no cares to grieve you,
While I could weep today.
Many long years have I loved you,
Ever in my heart you'll stay.
You have no cares to grieve you,
While I could weep today,
For I have lost my loved one
In such a senseless way.
Many long years have I loved you,
Ever in my heart you'll stay.
She wanted some red roses
But I did rudely say
She could not have the roses
That I had picked that day.
Many long years have I loved you,
Ever in my heart you'll stay.
Now I wish those red roses
Were on their bush today,
While I and my beloved
Still went our old sweet way.
Segue a transcrição em português:
Na fonte límpida
Eu fui passear
A água era tão linda
que resolvi me banhar
Vou te amar eternamente
Jamais te esquecerei
Sob as folhas do carvalho
enquanto eu me enxugava
Lá no galho mais alto
um rouxinol cantava
Vou te amar eternamente
Jamais te esquecerei
Cante, rouxinol, cante
Seu coração feliz está
Seu coração quer sorrir
o meu só quer chorar
Vou te amar eternamente
Jamais te esquecerei
Eu perdi meu amor
Sem ter nenhum porquê
por um buquê de rosas
que eu lhe neguei
Vou te amar eternamente
Jamais te esquecerei
Eu queria que a rosa
ainda estivesse no galho
e que meu doce amor
ainda gostasse de mim.
E, nos comentários de um blog, encontrei o jeito de ouvi-la. Na verdade, não é a canção: é o áudio do próprio filme, com batida de porta, diálogos e tudo, mas tá valendo! Se você quiser salvar a música no seu computador, clique aqui com o botão direito e escolha salvar destino como. Eu baixei e fiquei feliz, pode ir sem medo.
O filme é uma jóia. Produção cuidadosa, cenários deslumbrantes (eu ando meio fascinada pela China, de uns tempos pra cá). Os personagens principais (diferindo dos personagens de "Closer", por exemplo, que parecem não ter nenhum aspecto nobre) são pessoas normais, que têm defeitos de montão, mas também têm capacidade de fazer coisas boas, aprendendo a pedir e dar o perdão. O tema da redenção me é muito caro, já que eu também carrego minhas falhas e adoro ver histórias de gente que consegue ser feliz - mesmo sendo imperfeito.
Ela sonha com um beijo de amor de um príncipe encantador
03.01.08
Entre os adoradores de cinema, existe um tipo de dogma: filme dublado não presta. Bom mesmo é escutar o áudio original.
Inclusive alguns adultos que nunca deixaram de ser crianças fazem esse discurso. E ficam se lamentando, batendo a cabeça na parede, porque no Brasil, esse país atrasado, só duas ou três salas têm cópias legendadas de desenho animado.
Acontece que cinema é mercado. E quando se tem um produto em mãos, os esforços de venda são dirigidos ao público que se julga adequado. Filmes são produtos, assistir é consumir, e o público-alvo de animações, Harry Potter e alguns outros filmes [comédias leves, aventuras] é o público infantil - que, quando sabe ler, não lê depressa o suficiente para acompanhar as legendas. Sim, queridos, lamento muito, mas o mundo é cruel e feio, e as pessoas gostam de ganhar dinheiro. Eu gosto!
Aliás, alguns cinéfilos radicais que gostam de filmes com apelo infantil entram em estado de desespero absoluto quando a sala de cinema esta cheia de... crianças! Absurdo dos absurdos. “O que essas criancinhas gritalhonas estão fazendo aqui, assistindo a Ratatouille? Oh, céus, vamos todos engolir rolos de película em protesto. Vamos soltar pombos CGI em passeata, para que os cinemas exibam desenho depois das onze da noite.”.
E, o que eu acho mais curioso nesse chororô todo quando do lançamento de algum filme-família [ficou feio agora dizer que o filme é infantil; tem que ser "filme pra toda a família"], é que todos os cinéfilos-que-gostam-de-filmes-com-apelo-infantil [crianças crescidas?] assistiram a Dumbo, Mary Poppins, Chaves e, mais recentemente, Cavaleiros do Zodíaco em suas dublagens brasileiras - ótimas, por sinal. Por que esse drama?
Eu assisti a "Encantada" no cinema. (Eu sou uma criança crescida que usa sutiã 44 e cinta-liga G, assumo. Adoro filmes infantis.) Fiquei absolutamente deslumbrada. Os bons tempos da Disney estão de volta. Os tempos pré-Shrek. Deixe o trailer do filme carregando e venha ler o resto do meu texto.
É um conto de fadas. Tem mocinha ingênua, bichinhos do bosque, tem bruxa malvada, tem príncipe montado num cavalo branco. Até florzinhas no cabelo (LOIRO, como sói acontecer) a mulher tem.
O filme começa como desenho animado. Mas aquele clássico: bosque com árvores retorcidas, passarinhos, cervos, coelhinhos fofos, esquilinhos. Aquele bosque onde a Branca de Neve acorda, onde a Bela Adormecida mora com as fadas, onde o Bambi passeia com a mãe dele. O Bosque Disney. Você certamente passou muitas tardes lá.
Giselle é uma mocinha que conversa com os bichos, exprime seus pensamentos por meio de canções que ela vai inventando enquanto canta, mora na casa da árvore e passa os dias esperando um príncipe com quem poderá trocar um beijo de amor verdadeiro. Rá, grande coisa, eu também.
Quando o Príncipe Edward a salva de um ogro verde feio e mau, eles se apaixonam e marcam o casamento. Segue transcrição do diálogo:
- Então é você?
- Sou. E você, quem é?
- Giselle.
- Giselle! Nós vamos nos casar amanhã!
Eu ADORO essas coisas. É uma piada interna muito inteligente.
Bem, o príncipe é enteado de uma rainha malvada e versada nas artes da feitiçaria, como toda rainha que se preze. A Elizabeth II não tem a menor graça. E, quando a rainha nota que a camponesa panaca vai casar como príncipe e tomar o seu lugar, providencia pra que ela saia do caminho. Arremessa a bichinha no poço.
E, depois de muito cair (numa leve citação a Alice no País das Maravilhas), ela sai num bueiro em Nova Iorque.
E aí, tudo vira festa. Imaginem uma ingênua e pura princesa de um reino mágico vivendo nos nossos dias. Acreditando que amor dura pra sempre, que os bichos são nossos amigos, que cantar é um jeito natural de realizar coisas.
Eu sorri durante o filme inteiro. Personagens secundários cativantes (o príncipe Edward e suas mangas bufantes, que pensa que a TV é um espelho mágico; o esquilo Pip, que não entende como não consegue falar em Nova Iorque; Susan Sarandon confortabilíssima como Rainha Má); lindos números musicais (o musical no parque é absolutamente INCRÍVEL, tem tudo: velhinhos, velhinhas, noivas, pombinhos voando, skatistas, balões de Hélio, arcos de flores, jamaicanos, mariachis. Ai, ai, eu adoro musicais.).
Vão assistir. A dublagem brasileira esta ótima, as musicas estão lindas, do mesmo naipe da dublagem de Mary Poppins. (Aliás, lembrei de Mary Poppins muitas vezes, deu vontade de rever.) Esse filme entrou no cânon. Musical, comédia romântica, desenho animado, conto de fadas, blockbuster. Vão, vão, vão. E saiam do cinema com vontade de usar saia rodada e fitinhas no cabelo, cantando as músicas e sonhando com um beijo de amor que prenuncie que seremos felizes para sempre.
Ah, e claro: na sessão que eu fui, as crianças estavam envolvidas no filme, rindo na hora que era pra rir, torcendo na hora que era pra torcer ("vai, vai, beija, beija”), e fazendo TODA a diferença. Saí do cinema com o coração leve, a alma contente. E diversão não é exatamente isso?
P.S.: A secretária do advogado é interpretada por Jodi Benson, a dubladora da Pequena Sereia na versão original.
P.P.S.: O ogro usa as conchas da Pequena Sereia como brincos. Quer saber mais coisas assim? Leia na wikipedia em inglês. Se você não lê inglês, aprenda. Enquanto aprende, leia essa resenha do G1, por Débora Miranda.
P.P.P.S.: Leia uma entrevista com o diretor Kevin Lima, onde ele esclarece que a cena de Giselle subindo a colina verdejante no Central Park não foi baseada n'A Noviça Rebelde, mas sim em A Bela e a Fera. Os meus amigos no cinema pensaram que era homenagem aos Teletubbies...
P.P.P.P.S.: Algumas frases do filme, no IMDB.
P.P.P.P.P.S.: Deu pra notar que fiquei viciada no filme?
Arquivado em: Cinema, Comportamento, Amor, Infância, Animais, Crianças, Artes
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