Noni-tícias
31.03.09
O noni não regulou meu intestino, pois nunca tive intestino desregulado.
O noni não melhorou minha pressão alta, pois não sou hipertensa.
O noni não sarou minha ferida brava da perna, pois não tenho ferida.
Mas uma coisa deve ser dita: a textura da minha pele mudou. Não sei explicar direito: não é maciez. É como se aquilo que está DEBAIXO da pele (derme?)fosse mais...consistente. Quem observa seu corpo sabe se ele mudou. Não é mera impressão.
Mamãe diz que as articulações estão respondendo bem. Como ela não está fazendo exercício nem tomando outro tipo de medicação, pode mesmo ser o noni. Pode também ser efeito placebo. Quem sabe, efeito Legião Urbana...
Estamos no fim da segunda garrafa de suco de noni. A primeira, vitaminada de noni com vinho barato, foi uma tortura. Azeda, ruim, arrotante (eca!). A segunda, frapê de noni com suco de uva sem açúcar, está MENOS RUIM. O que não quer dizer que seja boa. E continua arrotante (eca 2!).
Talvez eu já tenha superado a fase do sofrimento e esteja da fase da aceitação. Não é mais tão ruim engolir o troço. E há as técnicas. Pois para tudo há que se ter um método. Viro o cálice de noni com rapidez, jogo ele direto na garganta, evitando contato direto língua/noni. Logo em seguida, bochecho um gole de água, e não dispenso a ajuda de algo de sabor melhor: um copo de iogurte, um biscoito, um pedaço de bolo.
Aguardemos a terceira garrafa. A velhinha que fabrica o suco em série e revende (nos poupando do horroroso trabalho de esperar o noni amadurecer com todo seu cheiro de pesadelo e espremer a fruta-vômito na peneira com nossas mãozinhas) é como uma proclamadora dos poderes do noni. Ela tem uma série de fotos da ferida da perna da mãe dela, batidas semana a semana. Tipo "antes e depois do noni". E ela MOSTRA PARA OS FREGUESES. Foi uma melhora quase milagrosa, devo dizer. Poupem-se de querer ver as fotos.
No mais, ouço muitos relatos quase milagrosos dessa fruta. Depressão curada, a mãe que não briga mais com os filhos por besteira, mau-hálito matinal reduzido, intestino regulado, formigamento no órgão sexual masculino (e subsequente potência na hora de coisar) sem falar na cura da ferida brava da perna da mãe da "noneira" ( = mulher que faz suco de noni).
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Aliás, um dia, chegamos em casa às quatro da manhã, saindo de uma festa de formatura. Diálogo sonolento:
Mamãe - E aí, tu ainda vai "nonar"?
Eu - Não, vou "nanar".
Mamãe - Tem certeza que não vai tomar o noni?
Eu - Nonada!
Guimarães Rosa, às quatro da manhã? Na minha casa, tem.
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Tantas vezes, noni OU na sua boca eu viro fruta
18.03.09
De onde surgem as plantas da moda?
Alguns anos atrás, foi o açaí. Para mim, o açaí sempre foiparte da cesta básica. Tomar açaí após o almoço, com farinha de tapioca e açúcar: sobremesa tão natural quanto queijo com goiabada, doce de leite de colher ou sorvete.
Subitamente, em meados dos anos 90, começam a aparecer matérias na Tv e nos jornais sobre "a fruta da moda", o açaí. Vendido em academias como energético, e (sacrilégio dos sacrilégios! Heresia das heresias!) batido no liquidificador com banana, mel e granola, como um grude nojento, arghhhh!
(O nortista, de um modo geral, tem uma crença de acordo com a qual o açaí é indigesto, não devendo ser misturado com outras coisas indigestas - banana, feijão, melancia. Quando a sobremesa vai ser açaí, o almoço deve ser leve... Então, espero que vocês compreendam (ainda que não compartilhem d) o estranhamento que nos causa ver o açaí batido com banana e granola. É o mesmo estranhamento que temos ao saber que certas culturas colocam sal, pimenta e orégano no abacate. Abacate é pra cortar no meio e jogar açúcar em cima! E açaí é com farinha de tapioca!)
E o açaí virou modinha de academia. Power-açaí, turbo-açaí, energético, afrodisíaco, antioxidante. Tudo bem, então.
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Depois, veio o kiwi. Peludinho, parecido com um bichinho, e com um lindo verde vibrante por dentro. Aos poucos, ele foi se insinuando, aparecendo nas propagandas de sorvete, muito bonito na foto. Repentinamente, o kiwi passou de DECORAÇÃO para INGREIDENTE, e surgiu o sorvete de kiwi... E hoje, o kiwi aparece nos supermercados e feiras, como se uma fruta chinesa peluda fosse mesmo parte do mundo real.
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Depois, veio a linhaça. De um hora pra outra, todas as mulheres ao meu redor começaram a reclamar de intestino preso. E começaram a comer linhaça, pura, de colherinha. Porque a linhaça era boa pra intestino preso, e pressão alta, e sei lá mais o quê.
Eu já criei passarinhos em casa, e eles comiam uma mistura de linhaça com alpiste.Pra mim, linhaça é comida de passarinho.
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Agora, é a vez do noni.(Pronuncia-se nô-ni.) O noni, de acordo com os e-mails, sites duvidosos e tudo o mais, faz bem pra pele, pro cabelo, pro intestino sempre preso das mulheres, pra pressão alta, diabetes, o escambau. Todos começam a aparecer com mudas de noni, sementes de noni. O noni é vendido na feira, e como prova indubitável de que ele está na moda, os camelôs oferecem suco de noni, vendido como regulador de saúde e da imunidade, ainda que NADA COMPROVE ISSO e o produto não esteja liberado pela ANVISA.
O noni é uma fruta feia, com uns espinhos na casca. Parece uma granada.
O povo do meu trabalho começou a trazer garrafinhas de suco de noni. Ficam todas na geladeira, etiquetadas. Meu chefe é "fornecedor" de mudas. O povo do trabalho da mamãe também: noni, noni, noni.
(Não consigo parar de pensar no fama, personagem de um conto curto do Julio Cortázar intitulado "Fama e eucalipto" (pode ser encontrado aqui). Folhas antissépticas, inverno com saúde, grande higiene.)
Mamãe não resistiu e pediu um pouco do suco. Para experimentar e ver o que acontece. Chegou lá em casa com uma garrafa de SIDRA CERESER (bizarro), cheia de uma mistura vermelha.
As informações são desencontradas. O pessoal do meu trabalho diz que basta bater o noni com água e beber. O pessoal do trabalho dela diz que não pode ser batido com água, deve ser misturado com um suco forte sem açúcar, como suco de uva, ou então com vinho tinto seco. A minha turma e a turma dela afirmam que o suco deve ser deixado em geladeira, pois azeda, estraga e fermenta com facilidade. Os camelôs, nem geladeira têm... ainda há contradições sobre se o suco deve ou não ser armazenado em garrafas de plástico. Na dúvida, lá veio a garrafa de Sidra Cereser cheia de suco de noni misturado com vinho tinto seco, para morar na nossa geladeira.
Eu não tinha preconceito nenhum. Todo mundo sabe que as frutas têm elementos bons pra saúde, como o limão e a acerola têm vitamina C. Por que o noni, com seu formato de granada, não poderia ser também benéfico?
Eu estava toda curiosa, achando que, quando bebesse o suco de noni, minhas células iam dar gritinhos de alegria e fazer a dancinha feliz. Que uma energia nova se espalharia pelos meus órgãos, a pele não teria mais cravos nem espinhas, o cabelo ia ficar mais bonito, enfim...toda essa expectativa que criamos quando se ouve muito a respeito de algo.
Segunda-feira, antes de dormir, as duas tomaram um golinho do tal suco.
Pelo amor de Deus. Senti como se estivesse tomando suco de lixo. O troço é gosmento, azedo por causa do vinho, com cheiro de morte. Não, cheiro de vômito. Ou o gosto de vômito com cheiro de podre. Meu estômago começou a dar pulos, que não pareciam ser de felicidade.
Mamãe fez uma caretinha e foi escovar os dentes novamente, pra tirar aquele (des)gosto da boca. Fui deitar pra ver se o estômago sossegava. Fiquei arrotando aquilo durante meia hora...(eca!)
De manhã, mais uma colher de sopa. As duas, prevenidas, havíamos deixado a última mordida do pão e o último gole de café para depois do noni. O gosto saiu da boca, mas de vez em quando subia uma efervescência do (des)gosto daquilo esôfago acima.
Ontem à noite, quando chegou a hora de fazer descer mais uma colherada da beberagem infernal, me deu vontade de chorar, fazer manha, me jogar no chão e sapatear pra não beber aquele troço. Mas eu sou uma boa menina, e não posso deixar minha mãe tomar a garrafa (de sidra cereser, cruzes) inteira sozinha.
Hoje de manhã, mais uma colherada, e o conteúdo da garrafa parece não diminuir. Estou decidida a terminar essa garrafa pra ver se acontece algo (bom, diga-se) com a minha saúde. Mamãe veio com um papo de que o joelho dela está melhorando, e já começa a planejar a próxima garrafa. Eu tentei (em vão) convencê-la que a melhora do joelho certamente aconteceria com ou sem noni.Meu estômago pula ao imaginar mais uma garrafa daquilo morando na nossa geladeira.
Ela diz que vai pedir para o colega-fornecedor para não fazer a mistura com vinho, fazer com suco de uva. "Nós duas não estamos acostumadas com vinho, é por isso que o gosto fica tão ruim. O pior é não poder adoçar!"
Vamos ver. Hoje, meus colegas-especialistas em noni aqui do trabalho começaram a me alertar sobre o "expurgo das coisas ruins que estão dentro do nosso corpo" que o tal suco faz nos primeiros dias.
M.E.D.O.
Era só o que me faltava, tomar suco de lixo com gosto de vômito e ainda ter dor de barriga!
Ai, meu nariz OU Ouch, my nose
29.10.08
Nariz. Essa coisa pontuda que fica bem no meio do rosto. Essa parte delicada da anatomia humana.
Nariz. Que funga, coça, escorre.
Nariz. Impossível de agasalhar. Há meias, há luvas, há protetores de orelhas, cachecóis. Mas que fazer com uma ponta de nariz, exposta ao vento irlandês cruel, congelada?
Enquanto estive na Europa, minha bolsa não podia deixar de conter: lenços de papel (levei uma caixa que voltou vazia) e Sorine (que não está pagando um centavo por este post).
Toda vez que eu usava o lencinho (em inglês, tissue; pronuncia-se tixúú, não é fofo?), vinha um pinguinho de sangue. No início eu me assustava, achando aquilo de sangue no lenço uma coisa muito Dama das Camélias. (Ou Moulin Rouge...)
Depois de cinco dias morando em Dublin, admiti: eu tinha um nariz menstruado. Nada a fazer. Pingar Sorine quando ressecava demais, e fungar, fungar.
Como eu sou uma moça muito fina, não vou entrar em detalhes sobre qual é o indicador pra saber a hora de pingar Sorine. Eca, são as melecas. Elas ficam parecendo folhas secas. Ecaaaa. O Cintaliga nunca foi tão baixo nível. ![]()
Um cuidado que eu tomei enquanto estive na Europa foi o de, todo dia, passar hidratante no rosto. Eu passava uma dose reforçada nas abas do nariz, que viviem vermelhas/ardendo/descamando/sangrando. O hdratante que usei foi da Avon, muito bonzinho e leve, fácil de espalhar. E ainda era colorido, fazendo as vezes de maquiagem. (E a Avon não deu um centavo pra eu escrever isso aqui. Aliás, não me deu nem o hidratante.)
Meu nariz não me deixou esquecer nem um minuto o quão longe de casa eu estava. Mas a dona dele ficu muito feliz de respirar ares europeus!
Mascar alho, que situação!
09.08.07
"Quando eu nasci veio um anjo safado, um chato dum querubim... que decretou que eu tava predestinada, a ser zicada assim..."
Pronto, parei de reclamar, isso foi só uma introdução bem bobinha e infame para relatar algo que ocorreu hoje. Que marcou os 30 anos da Lady Murphy na minha vida.
Dormi na casa do meu namorado e, ao acordar, fui tomar café da manhã. Achei uma margarina à base de alho na geladeira e quis experimentar, já que eu adoro alho.
Comi um pão francês com a dita cuja, imaginando que fosse sentir um leve sabor de alho, apenas. Na verdade o sabor nem é tãão forte assim, mas a sensação após a ingestão, é a de ter comido dois dentes de alho inteiros. Aquele sabor forte bem característico do alho, vocês sabem.
Terminado o café da manhã, fui direto para o banheiro escovar os dentes. E aí é que aconteceu o pior. Cadê a escova? Procura daqui, procura dali, e nada. Mexo em todas as 25 mochilas que trouxe pra casa dele pra passar poucos dias, e nada também. Começo a suar frio, o gosto de alho vai tomando conta de mim e eu tenho receio de estar emitindo cheiro de alho para o andar inteiro.
Troco o pijama por uma roupa e desço para ir a uma farmácia aqui perto, comprar uma escova.
Dou graças a todos os deuses por estar andando em território desconhecido, onde o risco de eu esbarrar em alguém e precisar falar, é mínimo.
Chego à farmácia, compro uns anti-gripais e vou para a seção das escovas. Olho várias e pego uma das mais baratas, já que era mesmo uma situação emergencial. Aliás, as escovas ali custam os olhos da cara, quase todas.
Percebo um rapaz andando pela farmácia, com uma prancheta.
Fico ali mais uns segundos e vou pro caixa. Pago e saio, andando calmamente, quando o mesmo rapaz que estava lá dentro com a prancheta minutos atrás me aborda:
"Oi, moça, será que você me daria dois minutos da sua atenção para responder a uma pesquisa?"
Como eu disse, eu estava andando super calmamente, com jeito de quem passeia mesmo (fazia muito tempo que não via ruas civilizadas e movimentadas logo pela manhã. Meu bairro é bem diferente disso) e fiquei sem jeito de simular uma pressa que estava longe de existir. E tive dó do rapaz também, sei lá. Enfim.
"Oi, moço, claro, diga", falo meio que soltando a voz aos poucos - numa técnica recém inventada que eu nem sabia que possuía - e também um pouco afastada dele.
"Então, eu estou aqui fazendo uma pesquisa sobre higiene bucal e..."
(Sim, leitor, você leu bem e eu não estou inventando. Tem horas que eu me sinto dentro de um episódio do Seinfeld ou de algum outro sitcom, de tantas situações ridículas e irônicas que passo constantemente).
Eu fiz uma cara de "não pode ser, é pegadinha", quase procurando uma câmera escondida por ali.
Ele continua: "Então, é que eu reparei que você estava procurando escovas de dentes... e que escolheu uma. Qual a marca da escova que você comprou?"
Eu: "Olha, moço, vou ser sincera, eu nem sei. Peguei uma das mais baratas, pois é uma emergência", digo, dando mais dois passos para trás e talvez até torcendo pra que o possível hálito de alho chegasse a ele, para ele se compadecer e me liberar logo daquela tortura.
("Nossa, que hálito de alho, ela não mentiu ao falar que é uma emergência!". "Tudo bem, moça, obrigada pela pesquisa, tchau.")
"Ah, entendi. Mas você não tem alguma marca de sua preferência? E as outras que você olhou, não pegou por que não gosta delas ou por causa do preço mesmo?"
Mais dois passos para trás. Logo mais teria que responder a ele por sinais.
"Olha, tem outras marcas das quais gosto mais, sim, mas elas estão muito caras para serem compradas apenas em uma situação assim. Eu tenho boas escovas em casa. Tenho até uma elétrica, uma maravilha", falo, me empolgando e quase esquecendo que meu hálito poderia estar desabonando todo aquele meu discurso.
("Hum, sei, ela tem várias escovas em casa? Tá bom, conta outra")
Mais uma pergunta e finalmente ele me liberou.
Volto pra casa do meu namorado, entro no banheiro e escovo os dentes por uns dez minutos, desta vez jurando nunca mais ingerir nenhum tempero forte destes sem antes me certificar de estar com uma escova de dentes à mão.
Ps: eu nem ia escrever esta amenidade, mas eu e Lu rimos tanto disso no MSN que eu quis relatar. ![]()
Ps2: você achou o título do post infame, leitor? Eu, meu namorado, a Lu e toda a torcida do Corinthians também achamos, mas trocadilhos infames fazem parte da minha vida. Quem sabe na próxima "encadernação" eu nasça menos boba? 
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