O Tejo não é o rio que corta minha aldeia

18.07.11

E hoje, na faculdade de teatro, teve prova com a professora de Música.

Depois de algumas aulas intensas aprendendo sobre semibreves, colcheias, semínimas, ficamos "semiconfusos". A prova foi hoje, de longe a prova mais light que já tive: a professora explicando questão por questão, não interessada em nos ver errar, mas tentando nos fazer descobrir que, ora, nós SABÍAMOS fazer a prova.

Ela colocou algumas músicas para tocar, e nós tínhamos de dizer qual era o compasso: binário, ternário ou quaternário.

Ela executou "O pato", do Vinícius de Moraes. E todos nós começamos a "reger" binariamente: "Quá (quá) (quá) quá, Lá vem o pato, pataqui patacolá qué qué qué". Depois, ela colocou "A lua", música linda que eu não conhecia. Compasso quaternário.

Depois, ela colocou pra tocar uma outra música. "Gente, agora é pra matar minha saudade do Rio Grande." E ela tocou "Céu, sol, sul". E enquanto tocava, e nós sofríamos pra identificar o compasso ternário, ela pousou a mão no aparelho de som, olhando longe, longe, os lábios se mexendo suavemente. "Sentir que as cantigas nativas continuam vivas..."

Eu olhei pra ela, e foi me dando um aperto, como se o meu coração houvesse virado um caroço de manga. Porque eu conheço um pouco daquela saudade que eu vi, pois quando eu ouço Porto de Lenha eu sinto um aperreio tão grande. Sensação de um amor estranho, amor por uma linha no mapa, amor por um conjunto de coisas que a gente lembra, comidas da casa da mãe e comerciais de TV de quando a gente era pequeno, o céu de quando a gente se apaixona pela primeira vez e todo aquele jargão compartilhado por quem é da terra da gente, aqueles que são os únicos que entendem e se identificam, sabem das mesmas histórias e falam mal dos mesmos políticos.

Deu vontade de sair correndo e abraçar a professora, "não fique assim, não fique assim, o Rio Grande continua junto de ti", mas eu ainda tinha outras questões pra responder, umas semicolcheias para desenhar no pentagrama, e eu acabei fazendo só um texto no meu blog.

Escrito por Menina Eva
Arquivado em: Cotidiano, Música, Catarse, Emoção, Gente, Lugar, Escola
2 comentários


Posts similares:
All we need is love - or self steem
Solidão de Fonte Nova
A vez de Zappa na rádio Escriba

(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)

Atalho pra o formulário

Comentários:


Comentário de: Roger Farias

Já me senti assim ouvindo uma musica. Toda a minha infância passando diante dos meus olhos...todas as birras rsrs, os choros, carinhos. O bolo da minha mãe era uma delícia naquela epoca, ainda é, mas, tudo fica mais gostoso quando se é criança. Sinto falta daquele tempo. Pena que não volta, mas se eu pudesse viver algumas das alegrias de criança novamente...

PermalinkPermalink 19.07.11 @ 18:22



Comentário de: Paula

Olá, meu nome é paula e sou de Manaus. estava procurando na net, algum artigo sobre técnicas de interpretação, li algumas coisas no seu site e achei muito interessante. Gostaria de saber se você pode me ajudar, pois faço parte de um teatro de fantoches e as técnicas de interpretação que procuro são vocais, tipo, além da interpretação, criação de vozes. tem algum livro ou site que você recomenda? Obrigada

PermalinkPermalink 28.07.11 @ 15:06



Deixe seu comentário:

Seu endereço de email não será exibido nesse site.
Sua URL será exibida.