Com a mão no seu bolso
22.05.09
Roubaram minha carteira ontem. Eu acho que foi no ônibus.
Eu saí do consultório do Dentista. Estou me recuperando de uma virose violenta, e ontem fez um calor manauara aqui em Manaus. Então, saí de sombrinha, pra não pegar sol e piorar do nariz atacado. Andei uns quarteirões, e vi uma senhora com um tabuleiro cheio de canudinhos (o salgadinho) na cabeça. Fiquei com vontade, mas achei que era encomenda pra alguém. Ao passar do meu lado, ela falou em tom de pregão -
"Empaaaaaaaaada, canudoooooo, salgaaaaaaado, mereeeeeenda"
Eu virei pra ela e perguntei quanto era o canudinho; ela disse que era um real - MAS ERA DO GRANDE! Eu comprei dois, pra ela não ter que me dar troco. E comentei com ela, que fiquei com água na boca quando vi, mas achei que fosse encomenda.
Ela me disse que era a primeira vez que passava naquela rua, e por isso eu não a conhecia. E me perguntou se ali era bem movimentado. Eu respondi que tinha uma academia de ginástica ali no canto (em Manaus, canto = esquina), e que na rua ela não veria ninguém, mas se ela entrasse nos consultórios médicos tinha um monte de gente faminta nas salas de espera. Ela agradeceu, e eu fui pra parada de ônibus, comendo o primeiro canudo. Estava quentinho.
Cheguei na parada, guardei a sombrinha na bolsa e - milagre - lá vem o ônibus! Subi apressada, com o canudinho esfarelando na mão. Tinha umas pessoas atrás do ônibus, antes da catraca. Me deu uma sensação de vergonha, de que os outros estavam me olhando, mas achei que fosse culpa do salgadinho...
Puxei a carteira, bati meu Smart Card no leitor da cobradora. Guardei o Smart card dentro da carteira, e a carteira na bolsa. Tenho certeza de ter visto minha garrafa de água dentro da bolsa nessa hora.
Ônibus cheio, chacoalhão, difícil de se segurar. Fui avançando pra perto da porta de saída, segurando a bolsa no ar, em frente ao meu rosto.
Desci na Bola do Coroado, andei até a outra parada, peguei o ônibus que circula gratuitamente dentro da Universidade.
Fui pra Pós-Graduação, conversei com a minha professora, peguei meu boleto na secretaria, peguei a apostila. Todos os meus colegas que chegavam perguntavam se eu tinha melhorado (avisei por e-mail que estava bem doente). Com medo de tossir durante a aula, fui encher minha garrafa de água - e vi que ela não estava na bolsa. Voltei na secretaria, e não estava lá. Pensei "ah, danou-se, perdi a garrafa no ônibus ou no dentista". Assisti aula - uma aula ótima e triste sobre controle e crise na Administração Pública - e peguei carona pra casa com um colega.
Cheguei em casa, fiz vinte minutos de inalação, tomei três remédios e uma gemada (mamãe). Assisti a novela, adorei o casamento do Ravi com a Camila. Botei meu celular pra carregar. Assisti a Grande Família, e mudei depois pra Record pra assistir o Doutor House. Dormi.
Só percebi que estava sem a carteira hoje de manhã, e obviamente associei com o sumiço da garrafa de água. "Roubaram no ônibus, geeeeente. Mãe, virei estatística!" Tive que pensar em tudo o que estava na carteira que poderia causar problemas em mãos de terceiros.
Trinta reais (Duas de dez, duas de cinco). Carteira do plano de saúde. Carteira do Conselho Regional (e graças a Deus, por causa dela não ando com RG nem CPF, obrigada, Conselho Regional de Administração da 5ª Região). Cartão do banco - que é só de débito, ladrão azarado. Papeizinhos mil, comprovantes de compras... Fotos 3X4 que estavam muito boas. Foto da minha mãe. Foto do ex-namorado (não me julguem). Dois Sonridor efervescentes, eu vivo com dor de cabeça. Cartão do Carrefour, que, definitivamente, não patrocina este post. E o Smart Card pra pagar meia no ônibus, que foi o mais doloroso de todos. Pra tirar outro é uma aporrinhação.
Estou irritada. O prejuízo nem foi tão grande. Várias circunstâncias da minha vida me permitem achar que trinta reais é coisa pouca - graças, demos graças. Não tinha recebido salário, nem tenho a senha do cartão anotada no verso do mesmo.
Pior de tudo, o que mais me irrita, o que mais dói, o que mais perturba, o que me fez escrever aqui, é imaginar que meus trinta reaizinhos estão, muito provavelmente, comprando droga por aí. Ódio.
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Comentários:
Trincado, eu aposto. Levar minha garrafa de água?
Aqui... você sabe que sou gulosa, né? Como que é esse tal de canudo?
Sabe canudinho de aniversário? Pensa em um tamanho XL!
Gostaria de fazer somente uma correção luluka: vc foi furtada e não roubada.
Certíssima, querida.
O furto é quando ocorre uma ação sem qualquer tipo de abordagem do outro, e não usado armas brancas ou de fogo; ou seja o oportunitas que espera a vitima distrair-se para furtar a carteira.
O roubo é o contrário: a vítima é abordada pelo outro, em meio a ameaças, ou violência física e o elemento encontra-se sempre armado.
Saudades tuas!
Cade o Vinicius?
Oi, Beta. Como você mesma notou no comentário seguinte, eu sou a Eva, hihihi. A Lulu agora mora no Dialetica.org!
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