Um post em itálico
10.06.08
Faz um ano que você me pediu pra sumir da sua vida. Desde esse dia, eu não escutei mais a sua voz.
Eu não fui obediente. Mandei cartas e cartão de Natal, mandei o convite da minha formatura, tentei ligar pro seu telefone. Mas você via o meu número, e não atendia.
Você me bloqueou no msn e no orkut, igualzinho àquela música ridícula da qual demos risada.
Eu não fui mais à sua cidade. Você não veio mais à minha.
Perguntei pra um colega o que a gente faz quando alguém tenta nos excluir. Esse colega disse que a gente respeita a decisão do outro, e senta e chora na calçada até a dor passar.
Eu chorei tanto, tanto, tanto. Meus amigos me viram, mordendo as costas das mãos, esmurrando as paredes, tendo pena de mim mesma, tendo ódio de mim mesma, buscando a redenção fazendo o bem pros outros.
Não sei se alcancei a redenção. Acho que você não me perdoou. Mas a minha dor passou.
Tive dias em que imaginava como seria o dia em que nos falaríamos de novo. Minha imaginação fértil criou muitos cenários e situações possíveis, aquela coisa de filme. Você sentado num banco de praça, e me vendo passar; eu assistindo uma palestra sua; aeroportos, Europa, Muralha da China, a sua casa, a minha casa. Disciplinei-me para não mais imaginar essas coisas, não ficar enviando esse tipo de energia pra você.
Pois eu sei que você sente.
Não sei se você lê o Cintaliga. Acho que não. Além disso, você apagou seu blog, com os seus textos ótimos, e eu acrescentei mais uma culpa sobre mim.
Queria saber se está bem, como foi a cirurgia da pedra na vesícula, se a mágoa passou, se adiantou alguma coisa me pedir pra sumir da sua vida. Queria saber o que o levou a se transformar de ateu convicto a devoto de Nossa Senhora. Fico conjecturando se fui eu a causadora disso; mas é egocentrismo demais pensar que tudo o que acontece com você é culpa minha.
No mais,saiba que eu estou bem.Outros costumes, outros rapazes, outras músicas e outros filmes, outras camas. Passou um ano, eu penso bem menos em você.
Mas em dias como hoje, penso com bastante força.
E outra: eu percebi que nós dois não estávamos prontos para encontrar o amor da vida inteira.
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Ah, e o "amor pra vida toda"... é algo tão subjetivo que não sei se chega a ser real.
Beijo!
pronto, passou.
Agora, que passou, muito bom mesmo! Lindo, muito lindo e quase sei como é! Queria dizer que esse é um dos meus posts favoritos de todos, não só do Cintaliga, mas de todos os tempos!
Fico feliz que esteja melhor!
Gostei muito deste post em que estou comentando...pq mesmo sendo uma situação pessoal sua, muitas pessoas terminam se identificando de uma forma ou de outra...
Passei horas lendo teu blog...parabéns!
Puxa, Eva. Eu lamento tanto o fim (?) essa historia. Ele tem um dos sorrisos mais lindos que ja vi.
sabe, ha pouco a dizer, mas vou dizer: ja reencontrei pessoas pela vida e me toquei que nao era mesmo pra ser. voce pode reencontra-lo e se tocar tambem, ou reencontra-lo e dar certo.
levei 26 anos pra encontrar o pra todas as vidas (porque uma vida é pouco pra o que sinto por ele, ne?)
beijo, beijo, beijo.
O bom de tudo é que depois encontramos outro alguém que é melhor do que o outro e vemos que foi muito bom ter passado por tudo aquilo e que estamos prontas pra viver tudo de novo... As vezes demora um pouco, mas acontece!!!
Texto maravilhoso, a ultima frase é tão pequena e significa tanto...
Parabens...
bj
Parabêns
Bjs
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